sábado, 18 de julho de 2026

PL►Y: Alpha

Mélissa: exclusão em cena. 

Apreensivo diáriw, era mais do que natural que após a Palma de Ouro por Titane (2021) o novo filme de Julia Ducournau fosse aguardado com plena expectativa. Por conta disso quando Alpha estreou em Cannes no ano passado, a empolgação foi modesta. Embora o filme esteja bem longe de causar a comoção do longa anterior da diretora, existem ideias interessantes que podem ser apreciadas, assim como a reafirmação do body horror como marca da cineasta. O filme conta a história da personagem do título, uma garota de 13 anos (vivida pela promissora Mélissa Boros de 19 anos) que ao ficar insonsciente em uma festa é marcada com a letra A no braço. A letra faz uma alusão não apenas ao nome dela, mas principalmente ao clássico A Letra Escarlate de Nathaniel Hawthorne lançado em 1850 pela forma que a menina será tratada a partir disso. Suspeita-se que ela possa ter sido contaminada com uma doença misteriosa que transforma o corpo das pessoas em estátuas de mármore. Existe aqui uma clara alusão à proliferação da AIDS nos anos 1980 e o fato de provocar o julgamento moral de suas vítimas. Alpha passa por este crivo moralista, assim como seu tio, Amin (Tahar Rahim que perdeu 40 quilos para o papel) que é dependente químico para o desespero da irmã médica (Golshifteh Farahani). Existe muita coisa a ser trabalhada em Alpha e Ducournau o faz com um desespero  que se torna cansativo no meio da sessão (haja gritos e diálogos ríspidos em cena), além de uma mistura temporal que gera mais confusão do que revela as intenções da cineasta em desvendar seus personagens. Achei a ideia das estátuas de mármore bem executada, mas todo o resto merecia ser melhor lapidado. Embora o elenco se esforce, o roteiro tenha ideias interessantes e a diretora seja habilidosa em cenas marcantes, Alpha não empolga por deixar suas ideias no meio do caminho. 

Alpha (França / Bélgica - 2025) de Julia Ducournau com Mélissa Boros, Golshifteh Farahani, Tahar Rahim, Emma Mackey, Finnegan Oldfield, Louai El Amrousy e Jean-Charles Clichet. ☻☻

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