sábado, 31 de agosto de 2019

HIGH FI✌E: Julho / Agosto

Cinco filmes assistidos que merecem destaque: 

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N@ Capa: 61 Anos de 2001

2001: cena inesquecível de um clássico. 

Em abril de 1968 entrou em cartaz aqui no Brasil um dos maiores clássicos a ficção científica. 2001 - Uma Odisseia no Espaço de Stanley Kubrick marcou época com seu ritmo lento e reflexivo e fez história com seus mistérios e reflexões que permanecem instigantes até hoje. Mais de sessenta anos depois ainda se é capaz de se impressionar com este filme que parece milimetricamente pensado para deslumbrar o público com o seu visual. Baseado na obra de Arthur C. Clarke, o longa já nasceu clássico e deu ao diretor o Oscar de efeitos visuais. O clássico ainda concorreu aos prêmios de Direção de Arte, Roteiro Adaptado (dos próprios Clarke e Kubrick) e Direção (Kubrick). Esta cena clássica da minha parte favorita do filme está na capa de nosso blog desde março! 

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

PL►Y: Conquistar, Amar e Viver Intensamente

Vincent e Pierre: clima de ressaca. 

Há primeira vista, Conquistar, Amar e Viver Intensamente parece um daqueles títulos estapafúrdios que de vez em quando são criados aqui no Brasil. Na verdade o nome do último filme do cineasta Christophe Honoré é bastante fiel ao original e, ao final da sessão, quase deixa um gosto de ironia no ar. Ambientado nos anos 1990, o filme tem um tom de ressaca após o surgimento da AIDS nos anos 1980, esta atmosfera está bastante presente nas relações dos seus vários personagens masculinos. Demorei um pouco para perceber isso, até que o protagonista Jacques Tondelli (Pierre Deladonchamps) começa a deixar claro que possui uma doença incurável. Jacques é um autor relativamente famoso, tem um filho por conta de um trato com uma amiga e embora tenha charme e lábia suficiente para conquistar rapazes mais jovens, ele ainda lida com fantasmas do passado. O maior deles é o ex-namorado que está com a saúde cada vez mais comprometida e que funciona como um anúncio do que espera por Jacques num futuro próximo. Nos anos 1990, quem tentava sobreviver à doença possuía uma situação mais instável do que nos dias hoje, as pesquisas sobre o HIV e as formas de lidar com ela ainda estavam em fase de descobertas um tanto primárias. Entre os cuidados com a saúde e a carreira, Jacques se envolve com um rapaz mais jovem que parece não ter compromisso, até que conhece um estudante chamado Arthur (Vincent Lancost). Arthur divide o apartamento com um amigo e tem uma namorada, mas ainda não sabe muito bem o que fazer com ela. Ele parece mesmo interessado é no escritor. Honoré ambienta o romance dos dois com cores frias e bastante melancolia alimentada pelas incertezas sempre rondará o relacionamento dos personagens - outro que merece destaque na história é Mathieu (Denis Podalydès), o amigo, vizinho e confidente de Jacques que nutre por ele uma paixão platônica que por vezes o faz ser a voz da consciência do amigo ou então aceitar os maiores sacrifícios. Honoré cria uma narrativa sem pressa, entrelaçando os fios de seus personagens com calma e por vezes parece disperso, mas nunca desinteressante. Para aqueles que se incomodam com filmes de temática queer vão detestas, mas aqueles que preferem a forma como um bom cineasta faz cinema o filme é um deleite. Cheio de referências (principalmente sobre a nouvelle vague) é um filme que transmite a ideia de ser um recorte na vida daquelas pessoas e, por vezes, o nó na garganta é inevitável. Gostaria de ressaltar que um dos maiores motivos para o filme funcionar é o trabalho de Pierre Deladonchamps, o ator cria um personagem cheio de camadas a quem se pode se apaixonar em um instante e detestar nos minutos seguintes, o que transforma o andamento da história sempre imprevisível. 

Conquistar, Amar e Viver Intensamente (Plaire, aimer et courir vite / França - 2018) de Christophe Honoré com Pierre Deladonchamps, Vincent Lancost, Denis Podalydès, Adéle Wismes, Thomaz Gonzalez e Tristan Farge. ☻☻☻☻

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Pódio: Molly Ringwald

Bronze: A Aniversariante Esquecida
Gatinhas e Gatões (1984)
Molly Ringwald tinha 14 anos quando estreou no cinema em Tempestade/1982 de Paul Mazursky. Dois anos depois John Hughes a escolhia para ser o rosto de uma geração em seus filmes para adolescentes. Era uma escolha um tanto diferente, já que a atriz parecia uma adolescente comum e por isso mesmo funcionava tão bem (e ela era adolescente mesmo). Seu ar mal-humorado caía como uma luva em personagens incompreendidas que não conseguiam entender o famigerado mundo teen das escolas americanas. Seu primeiro triunfo foi no meio das trapalhadas deste filme divertido, onde ela sonha com o bonitão da escola enquanto um pirralho está apaixonado por ela e... ninguém lembra que os dezesseis anos dela se aproxima. 

Prata: A Patricinha Legal.
Clube dos Cinco (1985)
Como se trata de uma lista criada por atuação, este clássico de John Hughes ficou em segundo lugar! Este clássico dos anos 1980 conta a história de um grupo de jovens que teve como medida disciplinar ir para a escola num sábado de manhã para realizar uma tarefa. Hughes utiliza este ponto de partida para descascar os estereótipos bastante presentes nos filmes teen americanos (que perduram até hoje). Da aluna esquisita, passando pelo nerd, o atleta da escola e o projeto de delinquente, o papel que coube à Molly foi a garota popular e educada que, assim como os demais, está de saco cheio de como os outros a enxergam. 

Ouro: A Jovem Mãe.
A Cegonha Não Pode Esperar (1988) 
Ao final dos anos 1980, Molly já havia conquistado vários sucessos de bilheteria e era um rosto mais que conhecido em Hollywood. No entanto, ela já estava buscando papéis mais sérios que pudessem lhe render presença em premiações. Com o crescimento da gravidez na adolescência na Terra do Tio Sam, o roteiro deste filme lhe proporcionou material suficiente para que tivesse uma papel mais maduro perante os outros que interpretara até então. Se os prêmios americanos não apareceram, pelo menos ela saiu do Paris Film Festival com prêmio de melhor atriz pelo papel da adolescente que engravida antes do planejado. 

PL►Y: Todas as Pequenas Coisas

Os Sheffild: dramas na mesa de jantar. 

Simples e sincero Todas as Pequenas Coisas é aquele tipo de filme que é irresistível para mim. O filme mistura drama e humor para contar sua história dentro de um recorte bastante específico na vida de seus protagonista adolescente. Howie (Brendan Meyer) tem uma vida comum, até que percebe existe um verdadeiro abismo crescendo no casamento de seus pais. Carla (a musa ruiva dos anos 1980, Molly Ringwald) e Tom (Brian D'Arcy James) parecem apenas morar dentro da mesma casa, o afeto nem consegue aparecer mais diante da rotina e das formalidades da vida a dois. Outra testemunha de que algo está acontecendo é o filho mais novo, Simon (Sam McCarthy) que tenta manter um distanciamento ainda maior do que está acontecendo (ou pelo menos, parece). Se a situação em casa anda estranha, Howie tem lá suas aventuras, passa o tempo pensando bobagem com os amigos da mesma idade e inventa desculpas para faltar às aulas de Educação Física  - e acaba despertando o interesse de uma colega (Harley Quinn Smith) que não sabe muito bem como chamar a atenção do rapazinho. No entanto, o que mais anima o dia de Howie é quando encontra uma mulher mais velha (Jemima Kirke da série Girls) no ônibus e passa a nutrir uma verdadeira paixão platônica por ela. A direção da estreante Melissa B. Miller Costanzo consegue ser bastante emocional e contida na costura dos fatos que sucedem sem pressa, um grande acerto já que a história gira em torno da afetividade um tanto desencontrada dos personagens. Melissa trata os personagens com bastante respeito, especialmente naqueles momentos em que um nó na garganta se instaura. A cena em que Carla e Tom se indagam quando o encontro de um com o outro no fim do dia perdeu a graça é de partir o coração, assim como o momento em que Howie se dá conta da barreira que existe entre ele e sua amada. Todos os atores estão bem em cena. Howie consegue ser bastante terno sem perder o aquele ar inseguro da adolescência e Molly Ringwald me fez pensar que ela deveria ter mais convites para atuar no cinema. A musa de John Hughes amadureceu o talento para equilibrar drama e comédia através do tempo e está bastante convincente como a matriarca da família. Fosse mais sarcástico, o filme seria uma versão de A Lula e A Baleia (2005) de Noah Baumbach, como não o é, resulta numa pérola agridoce que merece atenção por sua simplicidade e ternura no olhar com os personagens. 

Todas as Pequenas Coisas (All These Small Things/EUA-2018) de Melissa B. Miller Costanzo com Brendan Meyer, Molly Ringwald, Jemima Kirke, Brian D'Arcy James, Sam McCarthy e Harley Quinn Smith.  ☻☻☻☻

domingo, 25 de agosto de 2019

4EVER: Fernanda Young

1º de maio de 1970   25 de agosto de 2019

Fernanda de Maria Young de Carvalho Machado nasceu na cidade de Niterói (RJ). Ela chegou a cursar a faculdade de Letras, jornalismo e cursos de Rádio e Televisão, mas era inquieta demais para se formar em qualquer um deles. Se aventurou como atriz ao final dos anos 1980, mas seu gosto mesmo era pela escrita. Se tornou roteiristas em 1995 com a aclamada A Comédia da Vida Privada e lançou seu primeiro romance no ano seguinte (Vergonha dos Pés). Fora dos padrões, preferiu construir um estilo próprio e causou grande estranhamento na crítica especializada.  Fernanda ainda fez sucesso como apresentadora, seja nas polêmicas do programa Saia Justa (2002/2003), no divertido Irritando Fernanda Young (2006-2010) ou Confissões do Apocalipse (2012). Com 14 livros lançados, Fernanda era mais reconhecida por seu trabalho como roteirista em séries de sucesso como Os Normais (2001-2003) e o recente Shippados (2019). Para o cinema ela realizou quatro roteiros, o elogiado Bossa Nova (2000), dois filmes para Os Normais (2003 e 2009) e a comédia Muito Gelo e dois Dedos d'Água (2006). A atriz faleceu em decorrência de insuficiência respiratória por crise de asma. 

Na Tela: Era Uma Vez em Hollywood

Pitt e Leo: boas ideias e roteiro nem tanto.

Era Uma Vez Em Hollywood é o nono filme de Quentin Tarantino e, pela alardeada promessa do diretor, seu penúltimo trabalho. Aguardado com grande expectativa (tanto que obteve sua melhor arrecadação de estreia nos EUA e no Brasil), fui assistir ao filme e foi uma experiência bem mais contraditória do que eu imaginava. Modéstia a parte, me considero com conhecimento suficiente para identificar as referências que aparecem o tempo inteiro, compreendo a admiração por Sharon Tate e sua alegoria de que a morte dela representa o fim da inocência da Era de Ouro de Hollywood. No entanto, com duas horas e quarenta minutos de direção, Tarantino deixa tudo meio frouxo e não conseguiu me empolgar, pelo contrário, eu fiquei bastante cansado com as longas cenas de Brad Pitt dirigindo por Los Angeles. Sei que este é um recurso para encher os olhos com a reconstituição de época, mas lá pela terceira vez eu já estava olhando o relógio para ver se faltava muito para o filme acabar. Pitt vive o dublê, motorista, amigo e faz tudo de um astro que está em decadência, Rick Dalton (Leonardo DiCaprio) que já teve seus grandes momentos, mas agora tenta recuperar a relevância no cinema após pequenos trabalhos na televisão. Boa parte do filme é sobre seu empenho em voltar a ter prestígio vivendo um vilão num filme que exigiu que ficasse irreconhecível. Dos seus conflitos com esta tarefa emergem alguns dos momentos mais engraçados do filme, menos por DiCaprio e mais por sua coadjuvante, uma menina (a ótima Julia Butters) que fala como se fosse a nova Katharine Hepburn. A química entre Leo e sua comparsa funciona muito bem e confere graça a um filme de alma indefinida. Pitt tem mais sorte ao dar conta do dublê que tem um passado sombrio e que o sinistro parece persegui-lo, afinal, é ele que cruza com os estranhos seguidores do insano Charles Manson num rancho abandonado nos arredores da capital do cinema. A cena em que ele se depara com aqueles personagens esquisitos é um dos pontos altos do filme que mantem a tensão até aquele momento em que as pessoas que conhecem a história de Sharon Tate (vivida por Margot Robbie) ficam com a respiração suspensa. A própria concepção tarantinesca da esposa grávida de Roman Polanski não deixa e ser uma ousadia, já que coloca Margot Robbie como uma espécie de deusa entre os mortais, mas bem que ela poderia ter uma construção mais consistente ao invés de deixar a cargo do talento e carisma de Margot tirar leite de pedra com o que tem. Era Uma Vez em Hollywood pode até funcionar como um retrato de um tempo que não existe mais, porém, deixa a impressão de que Tarantino tinha boas ideias mas não soube costurá-las com a maestria vista em seus melhores trabalhos. Com boa reconstituição de época, trilha sonora caprichada e bons atores, só faltou um bom texto. É verdade que o diretor está mais contido e maduro no trato com as imagens, mas faltou escrever como só ele é capaz. 

Era uma Vez em Hollywood (Once Upon a Time in Hollywood / EUA-2019) de Quentin Tarantino com Brad Pitt, Leonardo DiCaprio, Margot Robbie, Al Pacino, Julia Butters, Dakota Fanning, Bruce Dern, Emile Hirsch, Lena Dunhan, Damian Lewis e Luke Perry. 

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

CICLO NETFLIX: Mindhunter - 2ª Temporada

Gregg, Bill, Ford e Carr: finalmente a segunda temporada!

Se alguém me perguntar qual é a minha série favorita da Netflix hoje eu digo que é Mindhunter. Produzida por David Fincher e Charlize Theron, quando terminei a primeira temporada (2017) eu recebi a notícia de que os novos episódios estreariam somente em 2019... foi um balde de água fria. Eu imaginei que a culpa seria de Fincher (que dirige os primeiros episódios desta nova temporada) que é famoso por estender as filmagens além do cronograma pelo seu perfeccionismo. A angústia foi tanta que ao terminar o último episódio fui à uma livraria comprar o livro de   John E. Douglas e Mark Olshaker que serve de base para o programa. Lançada a segunda temporada, eu a terminei mais rápido do que deveria e agora me resta desejar que minhas preces sejam atendidas e a terceira chegue no ano que vem! Sei que muita gente reclamou que a temporada anterior era lenta e repleta de momentos de anticlímax que poderiam comprometer a experiência de quem está acostumado com programas policiais que exploram a psiquê de assassinos, porém, nenhum faz o horror brotar dos diálogos como Mindhunter faz. Aqui o estudo das mentes dos assassinos mais perigosos dos Estados Unidos continua sendo o foco, mas o prestígio conquistado pelos agentes Holden Ford (Jonathan Groff), Bill Tench (Holt McCallany) e a psicóloga Wendy Carr (Anna Torv) faz com que não precisem mais ficar repetindo a importância do trabalho que realizam. As portas do FBI parecem abertas para o trio e quem lhes acompanhar nesta empreitada - o claudicante Gregg Smith (Joe Tuttle) e o recém chegado Jim Barney (Albert Jones), no entanto a vida pessoal do trio protagonista começa a enfrentar problemas. Quem lembra da primeira temporada sabe da crise de pânico que Ford sofreu ao ser abraçado por Edmund Kemper (o ótimo Cameron Britton que aqui faz uma pequena participação especial). Dali em diante, o moço está à beira do abismo, cada vez mais mergulhado no conhecimento sobre os serial killers que estuda, assim, Ford é um bom moço que se torna cada vez mais distante - e aqui não existe nem sinal de sua namorada. Porém, Ford deixa o centro da narrativa e cede espaço para que a série explore mais os fantasmas de Bill, assombrado por um acontecimento inusitado envolvendo seu filho de sete anos. Esta parte da temporada faz o espectador sentir arrepios - mais até do que o encontro com Charles Manson ou Filho de Sam (cujos intérpretes repetem as assustadoras semelhanças físicas com os verdadeiros criminosos - algo que já se tornou marca da série) e faz a plateia imaginar se é capaz de identificar a origem do mal e se ela ainda pode ser extinta na mente de uma pessoa. Talvez este movimento que cause mais estranhamento da série, o horror é sempre psicológico, interno, um assombro que cria a atmosfera densa a cada episódio. A abordagem do assassino dos meninos negros de Atlanta também ajuda a perceber como Mindhunter é um programa incomum. A história aparece como pano de fundo em alguns episódios até receber destaque mais à frente, sempre enveredando pelo clima noir e as dúvidas que os agentes enfrentam em seu trabalho. Ao final não existe redenção ou catarse deixa, mas aquele sabor incerto de que encontrar um culpado não é o suficiente. Feito para gente grande, Mindhunter bem que merecia maior reconhecimento das premiações que a esnobaram quase completamente quando foi lançada. Usando o suspense para produzir dramas devastadores, a série consegue ser bastante original e envolvente. 

Mindhunter - 2ª Temporada (EUA - 2019) de Joe Penhall com Jonathan Groof, Holt McCallany, Anna Torv, Joe Tuttle, Albert Jones, Stacey Roca, Zachary Scott Ross e Cameron Britton. 

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

CICLO NETFLIX: GLOW - 3ª Temporada

GLOW: aventuras dentro e fora do cassino. 

The Gorgeous Ladies of Wrestling chegaram à sua terceira temporada na Netflix e muita coisa mudou desde que o programa estreou. Se no início o tom de zoeira tomava conta, na segunda temporada o programa indicava começar a levar suas lutadoras cada vez mais a sério fora do ringue. Esta nova temporada explora pouco as batalhas surreais de suas estrelas e mergulha mais em suas vidas pessoais. Depois de todas as dificuldades que enfrentaram nas temporadas anteriores, agora as garotas estão com um show fixo em um Cassino de Las Vegas, o que ajudou muito a não terem mais a incerteza do pagamento no final do mês. No entanto, o peso do sucesso começa a ter efeitos colaterais em suas vidas: Tammé (Kia Stevens) começa a sentir o peso da idade nas lutas que enfrenta toda noite, Rhonda (Kate Nash) começa a perceber que seu casamento com o produtor Bash Howard (Chris Lowell) tem um pequeno imprevisto por conta dos gostos do rapaz, Jenny (Ellen Wong) começa a se sentir desconfortável com os estereótipos que o programa explora... dramas pessoais é o que não falta nesta temporada. Alguns são tratados com graça, outros com ousadia e até melancolia, mas sempre com respeito pelas personagens que já conquistaram o público desde a primeira temporada. No entanto,  o centro da narrativa parece não ser mais Ruth (Alisson Brie) que sofre agora para manter um relacionamento à distância enquanto se descobre cada vez mais interessada pelo diretor Sam Sylvia (Marc Maron) - que está às voltas com o primeiro roteiro escrito por sua filha. O destaque maior está com Debbie Eagan (Betty Gilpin) que de estrela se tornou produtora e agora parece disposta a mudar com as oportunidades que a vida coloca em seu caminho (mas com um pouco de receio pela distância que está do filho pequeno). A cada episódio Glow demonstra que está amadurecendo em meio ao humor multicolorido e cede cada vez mais para abordagem de temas GLSBTQ (a sexualidade de alguns personagens, o fantasma da AIDS nos anos 1980, drag queens e Liza Minelli...). Caminhando para um caminho mais sério em seus dramas, senti falta daquele frescor que a série trazia com os enredos alucinados das lutas - aqui o ringue de mentirinha só recebe devido destaque em dois momentos, numa noite em que as atrizes mudam de personagens e num especial de natal. Amadurecer drenou um pouco da graça do programa e, embora não alcance toda a profundidade que deseja, aponta caminhos que podem ser interessantes no futuro. Sobre as novas aquisições do elenco, os destaques são Geena Davis como a gerente esperta do Cassino em que as moças se apresentam e Kevin Cahoon como uma drag queen ladra de cenas. Aos fãs fica um certo aperto no coração com o desfecho da temporada e a impressão de que a irmandade Glow está prestes a ruir no auge. Aguardem os próximos capítulos.  

Glow - 3ª Temporada (EUA-2019) de Liz Flahive, Carly Mensch com Alison Brie, Betty Gilpin, Marc Maron, Sydelle Noel, Kate Nash, Britney Young, Gayle Rankin, Kia Stevens, Chris Lowell e Jackie Tohn.