domingo, 5 de abril de 2026

Pódio: Selton Mello

Bronze: o palhaço em crise.
3º O Palhaço (2011) o mineiro Selton Mello estreou como ator aos oito anos de idade na novela Dona Santa (1981) da Bandeirantes e desde então acumulou trabalhos que o fizeram ser um dos raros casos de artista mirim que continua a carreira sem maiores percalços na vida adulta. Consagrado no teatro, na televisão e no cinema, ele também investiu na carreira de roteirista e cineasta. Entre seus trabalhos como diretor, merece destaque seu trabalho como o protagonista Benjamin, que é filho de palhaço (vivido por Paulo José), que cresceu num circo, mas que entra em crise com a profissão que o destino teima em lhe reservar. Um trabalho bastante sutil e discreto que lhe valeu o GP Cinema Brasil de melhor ator e diretor. O longa também foi considerado o melhor filme daquele ano. 

Prata: O homem estranho
2º O Cheiro do Ralo (2006) Selton tem tantos trabalhos interessantes no cinema e na TV que fica até difícil escolher somente três (e justo por ser concebido originalmente para a TV que o Chicó do Auto da Compadecida/2000 ficou de fora). Transitando com maestria entre a comédia e o drama, o papel de Lourenço neste filme de Heitor Dhalia lhe caiu como uma luva. O humor bastante peculiar do personagem cheio de manias se tornou um dos grandes destaques da carreira do ator na pele de um sujeito dono de uma loja de empenhos e que realiza jogos de poder bastante cruéis com quem lhe procura. O roteiro adaptado da obra de Lourenço Mutarelli é um verdadeiro achado e recebeu vários prêmios. 

Ouro: O filho pródigo 
1º Lavoura Arcaica (20001) Eu sei que provavelmente você tem outros papéis favoritos do Selton para lembrar, seja do cinema com o oscarizado Ainda Estou Aqui (2024) ou na televisão por seus trabalhos impecáveis como na minissérie Ligações Perigosas (2016), mas eu ainda considero o trabalho dele nesta adaptação de Luiz Fernando Carvalho para a obra de Raduan Nassar um verdadeiro divisor de águas na carreira do ator. André (Selton) é um jovem que abandona a vida ao lado de sua família no interior para buscar outros caminhos. O que seria uma analogia sobre a parábola do filho pródigo recebe outras camadas quando ele retorna para casa dos pais e temas como autoritarismo, rigidez moral e incesto entram em choque em um dos filme mais densos do cinema brasileiro. Um clássico. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário