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| Cheryl: pesquisa histórica. |
Instigado diáriw, é incrível como um filme despretensioso como Watermelon Woman é capaz de entrar para a História. O longa dirigido por Cheryl Dunye a fez se tornar a primeira diretora afro-americana assumidamente lésbica a dirigir um longa-metragem. Tudo se torna ainda mais interessante quando a temática do filme volta-se so seu interesse por uma atriz negra que fazia filmes na década de 1930 e era conhecida como Mulher Melancia. Cheryl interpreta uma cineasta que trabalha em uma locadora, o que ajuda muito a realizar sua pesquisa sobre a atriz em questão. Ela busca novas informações sobre a atriz e se depara com a história de uma mulher lésbica e negra nos primórdios da história do cinema. Se o início passa a impressão que estamos diante de mais uma comédia romântica, aos poucos, Watermelon Woman ganha novas camadas, se torna divertido, curioso e militante ao revelar a forma como a sociedade ainda se relaciona com a imagem da mulher apresentada no título. Para além da pesquisa que o filme retrata, existe ainda o romance de Cheryl com Diana (Guinevere Turner) que rende algumas conversas interessantes sobre os arquétipos de ambas. Feito com baixíssimo orçamento e com uma espontaneidade desconcertante, o filme se tornou um marco no cinema queer dos EUA. Embora Dunye tenha lançado outros filmes com menor repercussão (aqui a perspectiva histórica faz toda a diferença no emaranhado narrativo que o filme apresenta), seu nome é sempre lembrado como um referência de um tempo em que mulheres negras homossexuais e cineastas era algo impossível de ser pensado no cinema (e estamos falando de apenas três décadas atrás). Nascida na Libéria, Cheryl tem se dedicado cada vez mais a direção de episódios séries (Lovecraft Coutry, Bridgerton, You, Umbrella Academy...) e não lança um longa desde 2012. Em cartaz na Mubi o filme é um pequeno clássico do cinema indie.
Watermelon Woman (EUA-1996) de Chreyl Dunye com Cheryl Dunye, Guinevere Turner, Valarie Walker, Lisa Marie Bronson, Chreryl Clarke, Irene Dunye e Camille Paglia. ☻☻☻

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