sábado, 19 de junho de 2021
NªTV: Sweet Tooth
segunda-feira, 14 de junho de 2021
PL►Y: Quo Vadis, Aida?
Desde que foi exibido na disputa ao Leão de Ouro no último Festival de Veneza, o longa Quo Vadis, Aida? se tornou um daqueles filmes tão comentados que se torna praticamente impossível não ter vontade de vê-lo. Some isso às indicações aos prêmios de filme estrangeiro que concorreu no Oscar e no BAFTA e a curiosidade só cresce ainda mais. No entanto, o bom mesmo, é que o filme da diretora Jasmila Zbanic (indicada ao BAFTA de melhor direção) é realmente impressionante. O filme conta as horas que precederam o aterrorizante massacre de Srebrenica, um dos momentos mais sangrentos da guerra civil iugoslava, marcada pelos conflitos entre países do Leste Europeu que perdurou de 1991 até 2001. Vale ressaltar que a narrativa do filme acontece durante os ataques da Sérvia à Bósnia e Herzegovia, cujas tropas promoviam um verdadeiro genocídio étnico após a Bósnia proclamar independência em 1992. A trama do filme é ambientada três anos depois, na cidade de Srebrenica que está prestes a ser invadida pelos Sérvios. É bom destacar este contexto histórico, já que o filme não se preocupa em contextualizar historicamente o que se vê na tela, para a emoção que a diretora pretende despertar em seus espectadores, basta saber que existe um grupo enorme de pessoas que deixam seus lares temendo por suas vidas e buscam abrigo na base da ONU. O que move todo o filme é a angústia do drama humano que transborda de uma tragédia anunciada. Conduzindo a narrativa está Aida (Jasmila Zbanic), a protagonista do filme, que teme por tudo o que pode acontecer perante o caos que se instaura no país, mas teme, principalmente, pela vida de sua família. Trabalhando como intérprete da ONU, ela transita entre os refugiados e as autoridades, sofrendo por ver os rumos dos acontecimentos sem poder fazer muita coisa perante o que acontece diante dos seus olhos. Aos poucos o local que deveria transmitir segurança se torna uma verdadeira bomba relógio, com acordos políticos surgindo aqui e ali, fermentando a permissividade de quem deveria protegê-los e que se tornam cúmplices de uma tragédia. A atriz Jasna Djuricic está perfeita como Aida, ela se comporta feito uma verdadeira leoa enjaulada, aos poucos sua angústia cresce perante a impotência que se revela implacável. O trabalho de Jasna é fundamental para que o filme alcance o nível que o trabalho da direção almeja: ser urgente, cru e numa linguagem quase documental (que é o formato dos primeiros trabalhos da diretora). Jasmila Zbanic filma como se estivesse dentro de uma panela de pressão e faz doer ao encaixar aqui e ali cenas de um passado próximo em que os inimigos eram vizinhos e amigos de longa data. Se terminasse naquela cena desoladora do pátio o filme seria perfeito, mas ele se estende um pouco mais e não era necessário. Ainda que seja um retrato de um período histórico recente de um país distante, o ódio disseminado pela política de "nós versus eles" mostra-se bastante próximo quando vemos até onde a sandice humana pode ir.
Quo Vadis, Aida? (Bósnia e Herzegovina | Áustria | Romênia | Noruega | Alemanha | Polônia | França | Noruega | Turquia - 2020) com Jasna Djuricic, Izudin Bajrovic, Boris Ler, Johan Heldenbergh e Raymond Thiry. ☻☻☻☻
domingo, 13 de junho de 2021
#FDSérie DIVERSIDADESXL: Feel Good
sábado, 12 de junho de 2021
#FDSérie: Special
sexta-feira, 11 de junho de 2021
#FDSérie DIVERSIDADESXL: Todxs Nós
Confesso que estou muito enrolado para dar conta de ver os filmes para fazer uma semana de Ciclo DiversidadeSXL deste ano, então tive a ideia de comentar três séries que buscam abordar a diversidade sexual de uma forma diferente. Fugindo dos lugares comuns e apresentando seus personagens para além de um rótulo, mas enquanto pessoas em descobertas, dilemas, conflitos que vão para além das questões de preferência sexual. Para começar este #FDS resolvi escrever sobre uma série lançada pela HBO no ano passado e aguarda a sua segunda leva de episódios. Todxs Nós me surpreendeu não apenas pela forma como aborda questões de sexualidade e de gênero como também encontra espaço para falar sobre amizade, crescimento, fidelidade, família, veganismo e muitas outras coisas! Sendo composta por oito episódios com menos de trinta minutos e embalados por uma trilha sonora bastante, digamos, peculiar, a série conta a história de dois amigos de longa data, Vini (Kelner Macêdo) e Maia (Juliana Gerais), que dividem um apartamento em São Paulo e seguem suas vidas sem maiores novidades. Vini ainda tenta a sorte como ator e está com problemas com o namorado (Felipe Frazão) que insiste em convencê-lo a ter um relacionamento aberto, enquanto Maia trabalha em um escritório publicitário e está cada vez mais interessada em um colega de trabalho (Rafael de Bona do bom 45 Dias Sem Você/2018) que já é comprometido. A rotina da dupla é alterada com a chegada da prima do Vini, ou melhor, de prime do Vini, Rafaela, agora Rafa (Clara Gallo) que acaba de se descobrir uma pessoa não-binária e está prestes a fazer várias mudanças em sua vida. As mudanças vão para além do corte de cabelo e o visual, mas inclui a exigência no uso de pronomes neutros quando se referem a Rafa, no entanto, o maior problema é a família que não entende muito bem o que está acontecendo. Até Vini, gay aparentemente descolado, enfrenta dificuldades em lidar com as mudanças referentes a prime e em determinados momentos demonstra seus preconceitos com aquela história. No entanto, o processo de crescimento de Rafa inclui ainda algumas verdades que precisam ser encaradas (como aprender a se bancar sem ajuda financeira do pai e perceber que ainda que você se considere entre iguais, existem espertalhões "binários" ou "não-binários" em toda parte). O clima despojado e bem-humorado ajuda a manter o equilíbrio quando algumas situações pesam na vida do trio, além disso o roteiro consegue manter o tom certo perante o desafio de lidar com temáticas delicadas em tempos de politicamente corretos (sim, mesmo que as intenções da série sejam as melhores possíveis, por vezes ela também demonstra o desafio em tocar nestes assuntos com humor sem ser ofensiva) assim temos cenas no melhor estilo "eu posso rir disso?" (que soam como provocações ou até armadilhas para quem se considera "desconstruído") conjugadas com outras que pecam quando investem num tom mais didático. Todxs Nós acerta mesmo é quando apresenta seus personagens de carne e osso com qualidades, defeitos, anseios, desejos (e a série tem uma cenas bem desinibidas) sem perder o tom de alfinetada (e sobra alfinetada até para a galera de teatro, dos coletivos, dos militantes, dos preconceituosos... e por aí vai). No entanto, o programa deixa claro que não cria uma bolha para si, sempre busca a realidade, especialmente em seu último episódio em que a intolerância explode em sua forma mais covarde. Eu não costumo ter sorte com séries brasileiras da HBO (eu adorava FDP/2012 e ela foi cancelada logo após sua primeira temporada), mas com a segunda temporada de Todxs Nós prestes a estrear neste ano, eu adoraria ouvir que a terceira também chegará no ano que vem. Enquanto a nova temporada não vem, a primeira está disponível na HBO GO.
Todxs Nós (Brasil/2020) de Vera Egito, Heitor Dhalia e Daniel Ribeiro com Clara Gallo, Kelner Macêdo, Juliana Gerais, Rafael de Bona, Felipe Frazão, Gilda Nomacce e Felipe Frazão. ☻☻☻☻
domingo, 6 de junho de 2021
KLÁSSIQO: Andrei Rublev
Andrei Rublev (União Soviética /1966) de Andrei Tarkovsky com Anatoliy Solonitsyn, Ivan Lapikov, Nikolay Grinko e Irina Tarkovskaya. ☻☻☻
sábado, 5 de junho de 2021
PL►Y: Saída à Francesa
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| Michelle e Lucas: pendengas familiares a resolver. |
Quando foi anunciada a versão cinematográfica do best-seller French Exit do americano Patrick DeWitt muita gente ficou animada. Quando Michelle Pfeiffer foi escalada para viver a protagonista as expectativas foram nas alturas e a colocaram na lista de favoritas para o Oscar 2021... mas bastou o filme ser exibido no Festival de Nova York para que as opiniões se dividissem. Confesso que ouvi tantas críticas ao filme (no entanto, sempre destacando o trabalho oscarizável de Pfeiffer) que quando o assisti o achei bem melhor do que eu esperava. Já lançado em plataformas digitais por aqui com nome de Saída à Francesa, o filme é uma espécie de comédia amalucada que peca por sua instabilidade quando o desfecho começa a ser necessário e o diretor insiste em continuar. O cineasta Azazel Jacobs quase cometeu o mesmo erro em The Lovers/2017, mas soube contornar o problema em seus 97 minutos de duração. Aqui o efeito é um tantinho mais problemático por se levar mais a sério do que deveria em quase duas horas de duração, no entanto, o trabalho de Michelle e Lucas Hedges consegue prender a atenção quando o ritmo começa a ser um problema em situações pouco interessantes que fazem o filme beirar duas horas. Aqui acompanhamos a viúva Frances Price (Michelle Pfeiffer que foi indicada ao Globo de Ouro de melhor atriz pelo papel), uma beldade que se tornou uma espécie de celebridade na alta sociedade de Nova York décadas atrás, mas desde a morte do esposo (Tracy Letts), Frances está fora do eixo. Não sabe muito bem o que fazer com o tédio de seus dias na companhia do filho, Malcolm (Lucas Hedges) e o gato Frank. Eis que ela aceita a ideia de uma amiga para passar uma temporada em sua casa na França e desde a sua viagem ela começa a conhecer novas pessoas e revelar um pouco mais de suas esquisitices. A começar pelo gato (que tem uma particularidade que não vou dizer para não estragar a surpresa) e aquela mania de dar grandes quantias de dinheiro para estranhos que lhe despertam alguma simpatia - esta mania talvez seja por Frances ter problemas sérios em se relacionar com outras pessoas, foi assim com o esposo, com o filho e até com uma socialite que deseja ser sua amiga em território francês, mas enquanto ela precisa resolver suas questões (afinal a localização geográfica muda, mas os problemas são internos e não externos), Malcolm também tem seus próprios dilemas para lidar (seja o noivado que ficou pelo meio do caminho para acompanhar à mãe ou a rejeição paterna mal resolvida até hoje). Por deixar algumas possibilidades pelo caminho, Saída à Francesa soa como uma brincadeira com a bolha dos endinheirados americanos, seu estilo de vida e excentricidades (em alguns momentos o filme me lembrou muito A Estranha Família de Igby/2002). O filme se embola quando passa a retomar personagens sem muito propósito e poderia terminar naquela cena em que Frances caminha pelas ruas francesas (uma trilha sonora mais presente no início também faria milagres para criar empatia pela produção), no entanto, do jeito que está, pode ser visto como um filme interessante para passar o tempo, com o mérito de ter uma grande atriz que parece cada vez mais subestimada em Hollywood.
Saída à Francesa (French Exit/EUA-2020) de Azazel Jacobs com Michelle Pfeiffer, Lucas Hedges, Tracy Letts, Danielle MacDonald, Imogen Poots, Valeria Mahaffey e Susan Coyne. ☻☻☻
sexta-feira, 4 de junho de 2021
Pódio: Michael Douglas
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| Bronze: o pianista icônico. |
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| Prata: o engravatado inescrupuloso |
NªTV: O Método Kominsky
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| Michael e Kathleen: parceiros de longa data. |
Foi com tristeza que me despedi hoje da última temporada de O Método Kominsky da Netflix. Confesso que quando foi lançado eu assisti ao primeiro episódio e não me empolgou a ideia de ver Michael Douglas como um professor de atores que lidava com o amigo rabugento vivido por Alan Arkin. No entanto, no meio da pandemia, retomei a série e foi um verdadeiro deleite. Não apenas por ver um programa que ousa brincar com o politicamente incorreto em tempos tão estranhos, como também pela forma cada vez mais lapidada com que conseguia abordar temas centrais complicados como envelhecimento e morte (que sempre pairaram sobre as outras temáticas que eram amizade e sucesso/fracasso - atrelado a não ter problemas financeiros). Pode se dizer que este foi o melhor papel de Michael Douglas desde que fez Minha vida com Liberace (2013) em que encarnava o próprio, ali, ao se aproximar dos temidos setenta anos, o ator percebeu que estava na hora de brincar com a imagem de sedutor que quase sempre lhe coube nas telas. Na pele de Sandy Kominsky é fácil perceber que é uma versão de Michael num universo paralelo, em que foi celebrado por seu trabalho no teatro, mas nunca decolou na carreira diante da câmeras. Se o sucesso não veio para Sandy, a mulherada foi um aspecto marcante de sua vida, especialmente o casamento com a doutora Roz (Kathleen Turner), com quem teve uma filha, Mindy (Sarah Baker) que está prestes a se casar com um homem mais velho (Paul Reiser). O interessante é que em suas três temporadas (as duas primeiras com oito episódios e a última com seis), o programa sobre expandir seus universo, inserindo novos personagens que recebiam o devido destaque não deixando toda a responsabilidade sobre os ombros da dupla protagonista. Mais interessante ainda é como o programa lida de forma bem humorada com aspectos relacionados à idade avançada, o corpo que não funciona como antes, as doenças que começam a aparecer, a busca por novos romances quando o viagra começa a ser mais usado do que você gostaria, a busca pelo reconhecimento e o arrependimento do que poderia ter feito diferente, mas tudo desviando da pieguice de forma surpreendente. Fora isso, a série ainda contou com participações mais do que especiais de atores veteranos (Morgan Freeman, Allison Janney, Jan Seymour, Nancy Travis...) e outros que andavam esquecidos (como Haley Joel Osment provando de vez seu talento cômico bem distante do menininho de O Sexto Sentido/1999). No entanto, o melhor de tudo desta última temporada foi colocar Kathleen Turner em destaque! A atriz que atuou ao lado de Douglas em sucessos como Tudo por uma Esmeralda (1984), A Joia do Nilo (1985) e A Guerra dos Roses (1989) pode não ser mais a beldade de Corpos Ardentes (1981), mas comprova que merecia ser mais lembrada pelos produtores que não a escalam para papéis no cinema. Sua química com Michael Douglas está intacta e ajuda a deixar a tristeza um pouco de lado com a ausência de Norman (Alan Arkin) na temporada. Claro que no desfecho Kominsky merecia ter o seu momento e a série o constrói de forma redondinha quando vista em perspectiva com as temporadas anteriores. Com o cinema olhando cada vez menos para os seus veteranos, Michael Douglas (que sempre foi um produtor esperto) já tem outras produções em vista para a telinha, será Ronald Regan na minissérie Regan & Gorbatchev e também aparecerá em E se..., a aguardada série da Marvel em que viverá novamente o cientista Hank Pym na brincadeira com os caminhos do universo cinematográfico da editora. Aos 78 anos, a aposentadoria de Michael Douglas parece cada vez mais distante.
O Método Kominsky (The Kominsky Method / EUA / 2018-2021) de Chuck Lorre com Michael Doulgas, Alan Arkin, Sarah Baker, Paul Raiser, Kathleen Turner, Nancy Travis, Jane Seymour, Nancy Travis, Elisa Edelstein e Haley Joel Osment. ☻☻☻☻









