segunda-feira, 15 de maio de 2017

Na Tela: Guardiões da Galáxia - Vol. 2

Guardiões: mais família do que nunca. 

Quando estreou o primeiro Guardiões da Galáxia (2014) o tom gaiato impresso pelo diretor James Gunn e seu elenco garantiu que o filme fosse uma grata surpresa não apenas dentro do universo Marvel, mas dentro do próprio nicho blockbuster. Os Guardiões nunca foram do primeiro time da editora e um verdadeiro mundo de possibilidades se abria para a produção - muitos estavam com o pé atrás, porém, Gunn provou que poderia fazer um filme de aventura, muito divertido e que quase não se vê mais. Os Guardiões se revelaram um verdadeiro amálgama dos elementos dos filmes de ficção científica e ainda colocou Chris Pratt na cobiçada posição de astro na pele de Peter Quill. Restava saber se a franquia manteria o pique na segunda aventura. Era de se esperar que o diretor aprofundasse as relações entre os personagens, especialmente quando explorasse a identidade do pai de Quill - e quem conhecia nos gibis sabia que seria um bocado complicado lidar com isso, afinal, Quill não é filho de um homem, mas de um verdadeiro planeta. Sorte que além de diretor engenhoso, Gunn também é um roteirista esperto e conseguiu lidar com esse ponto de forma bastante fluente. Ao colocar Kurt Russell na pele de Ego, o filme dedica sua espinha dorsal a explorar a relação deste ser celestial com seu filho, meio humano, meio divino e um tanto incerto do que deve fazer. No entanto, o tom "família" extrapola essa relação, abrangendo ainda  Yondo (Michael Rooker) - o saqueador que sequestrou Quill quando pequeno -, o zelo que todos tem com baby Groot, além da rixa entre Gamora (Zoe Saldana) com a irmã Nebula (Karen Gillan). Com tantos laços emocionais, o filme tenta manter o tom de diversão do anterior, mas o resultado soa um tanto diferente, mais emocional. Sobram cenas de aventura (afinal, a equipe é perseguida por saqueadores, "soberanos" e um vilão que se revela aos poucos), mas mantem o humor que fez Gunn manter o controle criativo da série - é verdade que o humor às vezes parece apenas infantil - especialmente nas cenas de Drax (Dave Bautista, ainda mais a vontade diante da câmera) com a auxiliar de Ego, Mantis (Pom Klementieff) -, mas as risadas no cinema demonstram que o povo não se importa. Embora tenha perdido o gosto de novidade do anterior, Guardiões da Galáxia 2 tem alguns méritos que merecem ser destacados. O primeiro é conseguir lidar com um grupo de personagens ainda maior com equilíbrio; o segundo é conduzir um exagero de referências para alimentar ainda mais os próximos filmes da série; o terceiro (e mais importante) criar um vilão de respeito (ponto que já foi destacado como o mais fraco nos filmes da Marvel, incluindo no primeiro Guardiões). Ao fim da sessão (e suas cinco cenas pós-créditos), James Gunn parece ter realizado as três tarefas a contento - e estar fervilhando de ideias para uma terceira aventura.

Guardiões da Galáxia - Vol.2 (Guardians of the Galaxy - Vol. 2) de James Gunn com Crhis Pratt, Zoe Saldana, Bradley Cooper, Karen Gillan, Micahel Rooker, Dave Bautista, Kurt Russell, Pom Klementieff, Sean Gunn e Vin Diezel. ☻☻☻ ☻

domingo, 14 de maio de 2017

Combo: Mãe e Filha

05 Ricki and the Flash (2015)
Ainda que o último filme de Jonathan Demme tenha lá os seus defeitos, a história da roqueira (Meryl Streep) que reencontra os filhos problemáticos depois de anos se dedicando à carreira ganha pontos pela química entre Meryl e a atriz que faz sua filha depressiva, Mamie Gummer (filha de Meryl com o escultor Don Gummer). Vale lembrar que Meryl ainda tem outra filha atriz, Grace Gummer (atualmente na série Mr. Robot) e que Mamie já interpretou a versão jovem da personagem de Meryl em Ao Entardecer (2007).

Depois de Creative Nonfiction/2009 e antes da série Girls (2012-2017), Lena Dunham chamou atenção pelo seu trabalho neste filme independente onde a jovem atriz já deixava claro o seu estilo: diálogos sinceros, relacionamentos truncados e a busca por um realismo despojado. A protagonista da história é Aura (Dunham) que ainda não sabe muito bem o que fazer da vida e ainda precisa acertar alguns ponteiros no relacionamento com a mãe, a fotógrafa Siri (Laurie Simmons). A veracidade no relacionamento das duas não acontece por acaso, Laurie e Lena são mãe e filha na vida real. 

03 Casa de Areia (2005)
Por conta de um mal negócio, mãe e filha estão condenadas a viver no meio de um verdadeiro deserto por muito tempo. Conforme o tempo passa, as atrizes se revezam nos papéis de mãe e filha e o resultado seria bem menos interessante se os papéis não fossem vividos pelas consagradas Fernanda Montenegro e Fernanda Torres. São elas que conseguem manter o interesse num filme que mistura melancolia e surrealismo - e alguma dose de inspiração na obra de Gabriel García Marques. Fernanda mãe e Fernanda filha estão muito bem em cena, como sempre. 

02 Ao Entardecer (2007) 
Só o elenco já merecia que este filme fosse mais conhecido. O fato é que Ao Entardecer se tornou um dos últimos trabalhos de Natasha Richardson (esposa de Liam Neeson), a atriz faleceu dois anos depois por conta de um acidente. Além disso, o filme promove o último encontro de Natasha com a mãe na telona, a icônica Vanessa Redgrave. O encontro das duas é mais um trunfo do filme. Elas vivem mãe e filha numa história em que a memória e o tempo fazem toda a diferença. A renomada Vanessa possui outra filha atriz, Joely Richardson que ficou famosa por seu trabalho na série Nip/Tuck (2003-2010) de Rian Murphy. 

01 As Noites de Rose (1991)
Diane Ladd e Laura Dern são praticamente especialistas em como mãe e filha devem trabalhar juntas! As duas já apareceram juntas várias vezes (Coração Selvagem/1990, Ruth em Questão/1996, na série Enlightned...) e por este filme da diretora Martha Coolidge (que atualmente se dedica mais à TV) as duas foram indicadas ao Oscar, Laura como melhor atriz e Diane como coadjuvante. Ao todo, Diane foi indicada ao Oscar três vezes e Laura duas, se somarmos as duas do papai Bruce Dern, veremos que juntos os três formam uma das famílias mais queridas de Hollywood! 

PL►Y: O Filho Eterno

Débora e Veras: aprendendo a amar o filho. 

O Filho Eterno é um filme um tanto duro de assistir. Áspero e incomodo, o filme baseado na obra de Cristóvão Tezza conta a rejeição de um pai ao descobrir que o filho tem síndrome de Down. Vale lembrar que o filme se passa na década de 1980, época em que ainda existiam poucas pesquisas e informações sobre a síndrome e termos como "mongol" ainda eram aceitas com normalidade. Quem narra o filme é Roberto (Marcos Veras), escritor que parte da alegria de ver o filho no braço da esposa para a total negação da paternidade ao ouvir o diagnóstico dado pelo médico. Após ficar desiludido quanto às chances de curar o filho, Roberto chega a ficar feliz ao saber que a expectativa de vida das crianças com Down é bastante baixa. "Ele vai morrer! Ele vai morrer!", ele celebra em um devaneio - e a plateia assiste em choque. Sorte que no caminho do menino tem uma mãe (Débora Falabella) que nutre por ele um amor incondicional, capaz de suprir toda a ausência que o pai possa gerar. Se você considera Marcos Veras um ator simpático, prepare-se para vê-lo num personagem bem diferente.  Além de Marcos não entender como a esposa consegue amar a criança, ele ainda a trai e sempre deixa clara a insatisfação com o filho. Quando se passa alguns anos, tudo o que ele faz com o pequeno Fabrício (vivido pelo luminoso Pedro Vinícius) é lhe chamar a atenção e exigir que ele cumpra todas as regras, terapias e acompanhamentos com o maior rigor possível - inclusive dentro de casa. Ainda que soe repetitivo durante sua quase hora e meia de duração, o filme conta com uma direção segura de Paulo Machline (diretor de um filme que eu adoro e que pouca gente conhece: Natimorto/2010 com Simone Spoladore) e uma ótima atuação de Débora Falabella - que amplia uma personagem, quase sem destaque no livro, com Débora ela ganha corpo e alma em uma atuação repleta de nuances (e com direito a um monólogo comovente, digno de prêmios). Marcos Veras faz o que pode com um personagem complicado, mas merece destaque pela angústia nos momentos finais. Outro destaque da produção é a reconstituição de época, tão bem cuidada que faz até a analogia da relação entre pai e filho e a campanha da seleção brasileira em Copas do Mundo fazer sentido.

O Filho Eterno (Brasil-2016) de Paulo Machline com Marcos Veras, Débora Falabella e Pedro Vinícius. ☻☻☻

sábado, 13 de maio de 2017

Na Tela: Melhores Amigos

Michael e Theo: amizade em risco. 

Desde os anos 1990 o diretor Ira Sachs chama atenção no circuito indie. Se ele quase atingiu o mainstream com a comédia de humor negro Vida de Casado/2007 seus dois filmes seguintes marcaram seu retorno para seu tom bastante particular e, não por acaso, envolvendo temáticas gays (o diretor saiu do armário faz tempo). Visto por esse prisma, Deixe a Luz Acesa/2012 e O Amor é Estanho/2014 parecem dois lados de uma mesma moeda, se no primeiro um jovem artista tenta não sucumbir ao vício do namorado, no segundo um casal maduro tenta manter os laços diante de uma separação involuntária. No primeiro Sachs é explícito, no segundo ele é todo contido e deixa a trama das entrelinhas ser ainda mais poderosa do que o tema principal. De certa forma, Melhores Amigos retoma uma das entrelinhas deste último, já que conta a história de dois amigos adolescentes envolto em um dilema não criado por eles. Não por acaso, os três filmes tem o roteiro feito em parceira de Zachs com o brasileiro Mauricio Zacharias (do espetacular Madame Satã/2002) - e quem assistir aos três irá perceber os méritos desta parceria. Assim, conhecemos Brian Jardine (Greg Kinnear), um ator que ainda se recupera da morte do pai. Como a carreira demora para decolar, ele se muda para o prédio que recebeu de herança -  ao lado da esposa (Jennifer Ehle) e do filho, Jake (Theo Taplitz). Os Jardine passam a viver no apartamento localizado sobre a loja de Leonor (a premiada atriz chilena Paulina García de Gloria/2013, que há tempos a utiliza como espaço de costura e venda de vestidos quase sempre feitos por ela. Leonor também tem um filho adolescente, Tony (Michael Barbieri) que rapidamente desenvolve amizade com Jake. Os dois passam a andar juntos para todo canto, na escola, no bairro, no curso de teatro que Tony convence o tímido Jake a participar, na casa de um de do outro... No entanto, entre a amizade dos meninos surge um obstáculo. Insatisfeito com o valor pago por Leonor, ao fim do contrato, Brian cobra um valor maior, o qual a inquilina não pode pagar, tem início então alguns conflitos que o filme lida sem muito estardalhaço. O roteiro prefere o caminho da sutileza, em leves alfinetadas e conflitos que parecem sempre abafados O filme de Sachs caminha assim no choque entre dois mundos: o dos meninos que ainda possuem a vida toda pela frente e os adultos que criam problemas diante das necessidades que produzem. Como em O Amor é Estranho, o diretor deixa bem claro que sua história é um recorte na vida dos personagens, um retrato de um período específico na vida daqueles que aparecem diante da câmera. Por isso mesmo, são nas entrelinhas que estão os motivos para Leonor continuar na loja por tanto tempo e Brian sempre parecer hesitante demais para incorporar o senhorio desalmado. Embora muita gente reclame do ritmo do filme e do final um tanto aberto, Sachs permanece fiel ao seu estilo realista, entre os tropeços e esperanças de seus personagens. Ainda assim, Melhores Amigos é o tipo de filme que você gostaria de ver uma continuação uns dez anos depois e descobrir o que o futuro reservou para Jake e Tony - e eu não ficaria surpreso se essa for a ideia inicial do diretor (que gosta de olhar fora da caixa). 

Melhores Amigos (Little Men / EUA - Brasil - Grécia / 2016) de Ira Sachs com Theo Taplitz, Michael Barbieri, Greg Kinnear, Paulina García e Jennifer Ehle. ☻☻☻

quarta-feira, 10 de maio de 2017

4EVER: Nelson Xavier

30 de agosto de 1941 ✰ 10 de maio de 2017

Nascido em Uberlândia, Nelson Agostini Xavier atua desde os anos 1960 no teatro, na televisão e no cinema. Ao longo de sua carreira conseguiu vários desempenhos marcantes, como o papel do cangaceiro Lampião na minissérie Lampião e Maria Bonita (1982) e o vilão Canjerê na novela A História de Ana Raio e Zé Trovão (1990). Atualmente o ator pode ser visto na reprise da novela Senhora do Destino (2004), onde interpreta Sebastião, o leal irmão da protagonista vivida por Suzana Vieira. No cinema, Nelson fez mais de cinquenta filmes, sendo um dos atores mais presentes nas produções brasileiras. Ele esteve nos elogiados Eles não Usam Black-tie (1981), Brincando nos Campos do Senhor (1991) e ganhou enorme reconhecimento ao protagonizar o longa Chico Xavier (2010) onde viveu o famoso médium brasileiro. Nelson também dirigiu um longa-metragem: A Queda, sucesso que recebeu o Urso de Prata no Festival de Berlim em 1978 e lhe rendeu o prêmio de melhor ator no Festival de Brasília.  O ator faleceu em consequência de um câncer de pulmão em sua cidade natal. 

segunda-feira, 8 de maio de 2017

PL►Y: Dheepan - O Refúgio

A família de Audiard: refugiados do Sri Lanka. 

Há algum tempo que as questões relacionadas à imigração entrou na pauta da política mundial, no entanto, atualmente, se tornou uma obrigação abordar o tema em discursos políticos que demonstram claramente para qual lado uma determinada política governamental irá desviar. Interessante que num mundo globalizado o discurso desenvolvimentista pregue a produção sem fronteiras de riquezas, mas empurra a pobreza deste mundo para debaixo do tapete. Problemas relacionados à imigração servem para mostrar que o mundo está abarrotado de desigualdades, violência, abuso de poder e não basta mudar o canal da TV para esquecer que a situação existe e persiste no século XXI - onde o diferente passa a ser visto como inimigo. Acredito que é nesse território de incompreensões que a arte ganha ainda mais importância, afinal, ela é capaz de nos conectar com personagens que o noticiário insiste em apresentar como estereótipos ou estatísticas. Em 2015 Jacques Audiard percebeu a urgência da temática e saiu com a Palma de Ouro do Festival de Cannes num ano disputadíssimo. Dheepan é o nome do protagonista (vivido por Jesuthasan Antonythasan), que na cena inicial está insatisfeito com suas tarefas nos conflitos no Sri Lanka. Ele acaba se disfarçando e tentando fugir do país, assim como Yalini (a ótima Kalieaswari Srinivasan), mulher que procura uma criança perdida no acampamento para dizer que é sua filha e assim conseguir visto para fugir para a Inglaterra - onde tentará uma nova vida ao lado da prima. No caminho de ambos irá aparecer a menina Illayaal (Claudine Vinasithamby) e rumo à França os três fingem ser uma família de imigrantes. O filme demora um pouco a engrenar ao apresentar os conflitos vividos entre os três, mas conforme a vida do trio se ajeita, o filme consegue encontrar seu ritmo e cresce em sua abordagem humanista ancorado nos personagens. Dheepan consegue emprego de zelador no conjunto habitacional em que reside,  Illayaal aos poucos consegue se adaptar à escola e Yalini passa a ser cuidadora de um senhor que sofreu um AVC - e que tem um sobrinho que lidera o tráfico da região.  Enquanto os imigrantes passam a assumir seus respectivos papéis no cotidiano familiar que se instaura, cresce ao redor deles a tensão entre os traficantes, reacendendo os medos do passado não muito distante. Não resta dúvida de que as intenções de Audiard são as mais nobres possíveis, mas ele termina a sessão deixando algumas pontas soltas (os conflitos de "mãe e filha" se resolvem subitamente, assim como uma figura do passado de Dheepan aparece sem muita funcionalidade na história), mas a tensão que se instaura perto do final nos faz esquecer de tudo isso. Embora seja menos exuberante que Ferrugem e Osso/2012 e O Profeta/2009 este Dheepan também ressalta as habilidades do cineasta no trabalho com atores, seu zelo com a montagem e a urgência na construção de laços para apaziguar angústias. Há de se destacar ainda o último ato hardcore  demonstra que o diretor sabe trabalhar com contrastes de forma invejável - e ainda apresenta um final esperançoso sem parecer piegas.

Dheepan - O Refúgio (Dheepan / França - 2015) de Jacques Audiard com  Jesuthasan Antonythasan, Kalieaswari Srinivasan, Claudine Vinasithamby e Vincent Rottiers. ☻☻☻☻

domingo, 7 de maio de 2017

Ganhadores MTV MOVIE & TV AWARDS 2017

Emma Watson: prêmio de atuação sem divisão de gênero. 

Faz tempo que a premiação da MTV não recebe os holofotes que tinha nos anos 1990 - tempo em que chegava a revelar atores que anos mais tarde ganhariam até Oscar! O fato é que o MTV Movie Awards sempre inventou novas categorias para se modernizar a cada ano, mas em 2017 elas surpreenderam. Para começar incluiram categorias para a TV e em algumas outras chegaram a mesclar concorrentes de cinema, televisão e streaming. A ideia injetou frescor ao prêmio, mas não satisfeita a MTV aboliu a separação entre atores e atrizes, elegendo apenas a Melhor Atuação do ano - e o discurso emocionado de Emma Watson reforça o quanto esta atitude pode fazer a diferença futuramente numa indústria em que as atrizes ainda lutam por salários proporcionais aos dos colegas homens. Além disso, ano passado o Movie Awards já havia destacado seis filmes dignos de nota entre seus indicados (o que não acontecia há tempos) e este ano, melhorou ainda mais os seus critérios seletivos, o que valorizou ainda mais a categoria - e muitas outras. Quem esperava ver Moonlight derrotando La La Land na categoria de Melhor Beijo? E o prêmio para Melhor Documentário? Simplesmente, surpreendente!

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Filme do Ano
A Bela e a Fera
Corra!
Quase 18

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Melhor Atuação - Filme
Daniel Kaluuya - Corra!
Emma Watson - A Bela e a Fera

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Seriado do Ano
Atlanta
Game of Thrones
Insecure
Pretty Little Liars
This Is Us

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Melhor Atuação - Série 
Donald Glover - Atlanta
Emilia Clarke - Game of Thrones
Gina Rodriguez - Jane the Virgin
Jeffrey Dean Morgan - The Walking Dead
Mandy Moore - This Is Us

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Melhor Beijo
Emma Watson & Dan Stevens - A Bela e a Fera
Taraji P. Henson & Terrence Howard - Empire
Zac Efron & Anna Kendrick - Os Caça-Noivas

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Melhor Vilão
Allison Williams - Corra!
Jeffrey Dean Morgan - The Walking Dead
Wes Bentley - American Horror Story

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Melhor Apresentador
Ellen DeGeneres - The Ellen DeGeneres Show
John Oliver - Last Week Tonight with John Oliver
RuPaul - RuPaul's Drag Race
Samantha Bee - Full Frontal
Trevor Noah - The Daily Show

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Melhor Herói
Grant Gustin - The Flash
Mike Colter - Luke Cage
Stephen Amell - Arrow

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Melhor Parceria
Adam Levine & Blake Shelton - The Voice
Daniel Kaluuya & Lil Rel Howery - Corra!
Brian Tyree Henry & Lakeith Stanfield - Atlanta
Josh Gad & Luke Evans - A Bela e a Fera
Martha Stewart & Snoop Dogg - Potluck Dinner Party

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Melhor Documentário
Eu Não Sou Seu Negro
O.J.: Made in America
This is Everything: Gigi Gorgeous
TIME: The Kalief Browder Story

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Melhor Reality de Competição
American's Got Talent
MasterChef Junior
RuPaul's Drag Race
The Bachelor
The Voice

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Melhor Atuação Cômica
Adam Devine - Workaholics
Ilana Glazer and Abbi Jacobson - Broad City
Lil Rel Howery - Corra!
Seth MacFarlane - Uma Família da Pesada
Will Arnett - LEGO Batman: o Filme

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Melhor Chororô
Game of Thrones - A morte de Hodor
Grey's Anatomy - Meredith conta aos filhos a morte de Derek
This Is Us - Jack  e Randall  no karatê

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Nova Geração
Chrissy Metz
Daniel Kaluuya
Issa Rae
Riz Ahmed
Yara Shahidi

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Melhor História Americana
Black-ish
Fresh Off the Boat
Jane the Virgin
Transparent

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Melhor Luta Contra o Sistema
Corra!
Luke Cage

10+: Juliette Binoche

Atuando desde a adolescência, a francesa Juliette Binoche se tornou musa do cinema de seu país na década de 1990 com uma série de papéis em que encarnava o romantismo com perfeição. Aos poucos ela passou a fazer personagens mais desafiadores e sombrios. Essa versatilidade chamou atenção de vários diretores ao redor do mundo e transformaram Juliette numa atriz do mundo, atuando em produções de várias nacionalidades. Com vários prêmios na bagagem e sempre em atividade, esta lista lembra os meus dez trabalhos favoritos na carreira desta grande atriz:

#10 O Morro dos Ventos Uivantes (1992) de Peter Kominsky 
Binoche e Ralph Fiennes provocam suspiros nesta adaptação. 

#09 Chocolate (2000) de Lasse Hallström
Por este filme saboroso a atriz concorreu ao Oscar de melhor atriz.

#08 O Cavaleiro do Telhado e A Dama das Sombras (1995) 
de Jean-Paul Rappeneau
Romance de sucesso nos tempos do cólera.

#07 A Insustenvável Leveza do Ser (1988) de Philip Kaufman
O primeiro filme em que vi Juliette (e me apaixonei por ela). 

#06 Cópia Fiel (2010) de Abbas Kiarostami
Nesta reflexão sobre o valor da cópia a atriz foi premiada em Cannes.

#05 Código Desconhecido (2000) de Michael Haneke
Visto hoje o filme conflituoso parece uma bola de cristal. 

Silenciosa e estranha ela leva o sogrão (Jeremy Irons) à loucura.

Binoche vive quase ela mesma neste dueto com Kristen Stewart. 

#02 O Paciente Inglês (1996) de Anthony Minghella
Oscar de melhor atriz coadjuvante. 

#01 A Liberdade é Azul (1993) de Krzysztof Kieslowski
Premiadíssima, Juliette impressiona ainda hoje por este filme. 

PL►Y: Ninguém Deseja a Noite

Juliette e Rinku: abrigo nas relações. 

Ainda que não seja muito conhecida, a diretora catalã Isabel Coixet sempre me chama atenção. Embora meu filme favorito assinado por ela seja Fatal (2008) com Penelope Cruz e Ben Kingsley, me arrisco a dizer que sua filmografia sempre traz propostas interessantes. Este Ninguém Deseja  a Noite foi exibido em alguns  festivais e teve muitos problemas com a distribuição, embora tenha a estrela Juliette Binoche no alto dos créditos. O filme é baseado na história real de Josephine Peary (Binoche) que em 1808 partiu para a gélida Groenlândia em busca de seu esposo, um explorador que sonhava chegar ao Pólo Norte. Se a tarefa do esposo não é das mais fáceis, Josephine parece não se dar conta de que ela terá que vencer os mesmos desafios do esposo sem ter a experiência (e resistência) do cônjuge. O roteiro não evita apresentar Josephine como uma mulher frívola, fútil, acostumada com a boa vida de madame em Nova York e que não percebe na fria (perdão pelo trocadilho) em que está se metendo. Logo nas primeiras cenas, ela mata um urso polar e comemora como se tudo fizesse parte de um passeio exótico para satisfazer suas vontades, mas aos poucos o espectador percebe que seu desejo é uma verdadeira sandice. Obcecada por encontrar o marido (e o roteiro nunca deixa muito claro motivação para isso), ela termina vendo sua pequena expedição encontrar cada vez mais o fracasso e se antes as suas roupas elegantes davam um contraste curioso com a ambientação gélida, aos poucos só lhe restará o desmazelo. Enquanto os outros personagens ficam pelo caminho, cruza o caminho da protagonista a esquimó Allaka (Rinku Kikuchi - que já trabalhou com a diretora anteriormente em Mapa dos Sons de Tóquio/2009), que a incomoda cada vez mais por sempre estar sorrindo em sua miséria e, principalmente, ao revelar algumas novidades sobre o esposo que tanto espera reencontrar. A relação que se estabelece entre as duas mulheres é o ponto alto do filme, e que transformará Josephine às duras penas diante da chegada do inverno rígido, que se apresenta como uma longa noite escura, implacável e que faz a sobrevivência cada vez mais distante. Ainda que Coixet invista em belíssimas composições visuais, elas parecem estar ali para sempre contrastar com os horrores que a protagonista encontra pelo caminho, revelando que a diretora faz aqui seu filme mais ambicioso, mas também o mais difícil, lento e estranho (repare na escuridão utilizada em uma das cenas mais aguardadas do filme), mas que merece uma olhada, nem que seja para ver Josephine se tornar uma pessoa melhor na medida em que se desintegra durante a história.   

Ninguém Deseja a Noite (Nadie Quiera la Noche / Espanha - França - Bulgária / 2016) de Isabel Coixet com Juliette Binoche, Rinku Kikuchi e Gabriel Byrne. ☻☻☻