domingo, 8 de abril de 2018

Na Tela: Um Lugar Silencioso

Emily: minha primeira favorita  ao Oscar 2018. 

John Krasinski ganhou fama como o simpático Jim da série americana The Office, o programa durou oito temporadas e terminou em 2013. Embora tenha lá seus dons dramáticos, John é essencialmente um ator cômico e, por conta deste estigma ainda não tinha conseguido o devido reconhecimento em sua carreira no cinema - tanto que está para estrear no cobiçado papel de Jack Ryan na série de TV homônima inspirada na obra de Tom Clancy. Krasinski lançou dois filmes como diretor, um em 2009 (Breves Entrevistas com Homens Hediondos) e outro em 2016 (Família Hollar), dos quais ninguém lembra e que não demonstram o mínimo vestígio do que ele faria neste Um Lugar Silencioso. Em entrevistas ele costuma dizer que o roteiro chegou como convite para que ele interpretasse o papel do pai presente no filme, mas sua mente de cineasta trabalhou a todo vapor ao imaginar as cenas e as interpretações que poderia tirar daquela história. Vale lembrar que John é casado com a atriz Emily Blunt desde 2010 e tem duas filhas, o que deve ter ajudado muito a se identificar com o horror vivido pelos personagens do filme. A trama conta a história de uma família perseguida por monstros misteriosos que são atraídos pelo som, sendo assim, os personagens precisam sobreviver fazendo o menor ruído possível para evitar que se tornem comida. O filme não perde tempo com muitas explicações sobre a forma como o mundo passou a ser atormentado por estas criaturas, mas  sabe exatamente como contar a sua história abusando de um recurso ao qual o público está cada vez menos acostumado: a sugestão. Sem dispor de diálogos para explicar o que está acontecendo, o filme investe numa narrativa extremamente visual e o faz com maestria. A imagem se torna o centro da história e são elas que conduzem a trama até o seu sugestivo final. É verdade que existem ruídos e trilha sonora, mas que não conseguem diminuir o feito notável do diretor Krasinski em utilizar o silêncio para ampliar a angústia do espectador e cada barulho que surge durante a história. O roteiro é bem escrito e os atores estão muito bem em cena, das crianças (os expressivos Millicent Simmonds e Noah Jupe), ao diretor/ator que consegue interpretar a angústia de um pai para proteger sua família do desconhecido até chegar à magnífica atuação da britânica Emily Blunt, na pele da mãe grávida que passará por alguns dos momentos mais angustiantes da história do cinema sem poder soltar um grito. Além disso o filme tem a sensibilidade de quando escolhe uma canção para tocar, escolher uma das mais lindas de todos os tempos (e não vou contar qual é).  Fui desconfiado para o cinema imaginando como o a plateia reagiria ao filme, mas foi uma experiência ótima, já que o silêncio imperava e até a respiração da pessoa ao lado eu conseguia ouvir. Krasinski se arriscou bastante em seu terceiro filme e merece elogios por ter encontrado sua voz em meio a um gênero tão desgastado em Hollywood. Simplesmente surpreendente - ainda mais se você optar por fazer uma leitura ainda mais contemporânea da história em paralelo com o mundo atual. 

Jupe, Milli e John: aplausos ao diretor. 

Um Lugar Silencioso (A Quiet Place/EUA-2018) de John Krasinski, com Emily Blunt, John Krazinski, Millicent Simmonds e Noah Jupe. ☻☻☻☻

Na Tela: Com Amor, Simon

Robinson: saindo do armário. 

Simon é um rapaz de dezessete anos que vive com os pais e a irmã mais nova. O pai era o jogador mais bonito da escola, a mãe foi rainha da formatura e a irmã mais nova viu tantos programas de culinária que faz da cozinha uma verdadeira experiência (e a família seu grupo de cobaias). Simon tem um casal de amigos de infância e tem uma amiga recém chegada que parece conhecer há um tempão. Sua vida escolar não apresenta problemas. Ele não é perseguido por colegas ou tem alguma dificuldade de aprendizagem. Seus pais também lhe deram um carro assim que ele tirou a carteira de motorista, mas, ainda assim, existe algo que incomoda Simon. Faz um tempo que , em meio a sonhos com Daniel Radcliffe, ele descobriu que gosta de outros rapazes, no entanto, na insegurança de se assumir para ao mundo, Simon prefere guardar este segredo. No entanto, quando ele descobre pela internet que em sua escola tem outro garoto gay não assumido, os dois começam a trocar e-mails e Com Amor, Simon constrói assim dois pontos importantes de sua narrativa: como Simon aceita aos poucos a sua sexualidade e, para manter certo suspense, quem é o rapaz com quem conversa (e faz o olho do personagem brilhar sempre que surge um suspeito). O diretor Greg Berlanti (que até então não fizera nada de relevante) tem a difícil tarefa de levar para as telas a história de Simon vs a Agenda Homo Sapiens de Becky Albertalli, se no livro a narrativa fácil voltada para young adults funciona, na tela esta tarefa costuma ficar complicada por correr o risco de atenuar demais as partes mais complicadas e soar artificial demais, dando assim um sabor de pastel de vento. Embora o filme mantenha aquele clima de que "o mundo é bom e aceitará você do jeito que és" (com exceção dos dois idiotas da escola), o longa consegue um certo equilíbrio com os dilemas e as dores que o personagem precisa enfrentar até o desfecho da história. Colabora muito para o funcionamento do filme a leveza adotada pelo diretor (esqueça o tom filme de arte de Me Chame pelo seu Nome/2017 ou a densidade de Moonlight/2016), aqui o clima é outro, próximo do que John Hughes fazia nos anos 1980 - e igualmente funcional (e aquela citação na cena final só reforça isso). Boa parte da eficiência se deve aos diálogos bastante espontâneos e o elenco que cai como uma luva em seus personagens. Embora os nomes mais conhecidos sejam Jennifer Garner e Josh Duhamel (que interpretam os pais do protagonista), a alma do filme é mesmo o jovem Nick Robinson (que está infinitamente melhor do que vimos em Jurassic World/2015), o melhor aspecto do seu trabalho é não tornar a  homossexualidade a característica que define seu personagem, deixando que este ponto seja apenas um aspecto de sua personalidade (embora toda a trama do filme gire em torno disso). Seus colegas também estão bem em cena e ajudam a manter o bom humor da história mesmo quando as piadas não são tão boas. Com Amor, Simon é um filme despretensioso em suas ambições e deve conquistar o público exatamente por conta disso, não soa panfletário ou rebuscado, parecendo sincero e resultando bastante eficiente em demonstrar que se o mundo colaborar, ser gay não é um bicho de sete cabeças. 

Com Amor, Simon (Love, Simon/EUA-2018) de Greg Berlanti com Nick Robinson, Jennifer Garnder, Josh Duhamell, Katherine Langford, Logan Miller, Alexandra Shipp e Tony Hale. ☻☻☻

sexta-feira, 6 de abril de 2018

PL►Y: The Lovers

Winger e Letts: casal reencontra a chama. 

Debra Winger começou sua carreira em 1976 como a Garota Maravilha no seriado da Mulher Maravilha. Ela só participou de três episódios, mas chamou atenção do público com seu carisma e olhar sereno. Desde então fez vários filmes, incluindo os cultuados Cowboy do Asfalto (1980, em que fez para com John Travolta) e A Força do Destino (1982, onde era o par romântico de Richard Gere)., mas foi indicada ao Oscar de coadjuvante como a filha de Shirley MacLaine em Laços de Ternura (1983) que Debra demonstrou fôlego para muitos anos de carreira. Ela conseguiu outros papéis importantes nos anos 1980 e 1990 e foi indicada ao Oscar mais uma vez, desta vez como  melhor atriz por Terra das Sombras (1993), onde ofuscou Sir Anthony Hopkins (e o ator interpretava o escritor CS Lewis). O tempo passou, os convites foram rareando e o cinema a deixou de lado. Há dez anos ela teve um papel marcante em O Casamento de Rachel (2008), mas permaneceu com a carreira numa espécie de limbo que ninguém sabe explicar muito bem. Atualmente ela está na série The Ranch (que está em sua terceira temporada), mas espero que o cinema lembre dela mais vezes e lhe ofereça papéis interessantes como o que ela desempenha neste The Lovers. O filme concorreu ao Filme Independent Spirit Awards de melhor roteiro ao contar a história de um casal maduro em crise que retoma o interesse sexual de um pelo outro. O que faz a diferença aqui é uma certa ironia, já que ambos tem amantes fixos e planejam acabar com o casamento e seguir novos caminhos em suas vidas, mas sempre acabam adiando... gerando conflitos e exigências dos amantes carentes, que tornam o adultério tedioso, rotineiro e cheio de exigências, como se fosse... um casamento em crise. Esta ideia é o que ampara o roteiro escrito pelo diretor Azazel Jacobs, que prima por um humor refinado, valorizado ainda mais pelas atuações cheias de nuances de Debra e Tracy Letts (que era mais conhecido como dramaturgo, mas aos poucos se mostra um ator cada vez mais interessante). É incrível como o filme os apresenta dentro de um casamento de vida sexual inexistente até que surge aquela faísca que os liga novamente. Ambos se tornam mais felizes, sexys e luminosos a partir deste ponto - e os amantes vividos por Aiden Gillen e Melora Walters se tornam ainda mais cansativos e frustrantes. Também não é por acaso que o relacionamento fica prestes a desabar quando o fantasma do adultério ameaça se revelar e aparece o filho para atrapalhar. The Lovers é uma comédia dramática esperta, com boas atuações, mas que derrapa quando chega perto do final e enrola para decidir qual caminho irá seguir. No entanto, até chegar nesta derrapada, o filme mostra que Debra Winger ainda é uma atriz interessantíssima e que o passar dos anos lhe deu a capacidade de demonstrar emoções ainda mais complexas com um simples olhar. Sua última cena no filme explora bem este talento e torna o desfecho em uma charmosa ambiguidade.   

The Lovers (EUA/2017) de Azazel Jacobs com Debra Winger, Tracy Letts, Melora Walters, Aiden Gillen e Tyler Ross. ☻☻☻☻

quinta-feira, 5 de abril de 2018

4EVER: Isao Takanahata

29 de outubro de 1935 ✰  05 de abril de 2018

Isao Takanahata nasceu na cidade de Ise, no Japão e ganhou fama internacional por seus trabalhos como roteirista, escritor, animador, diretor e produtor de animações japonesas. Takanahata trabalha com animação desde 1959, quando começou a trabalhar para os estúdios Toei, mas reza a lenda que começou a trabalhar como animador somente quando teve domínio pleno sobre o projeto. Enquanto cineasta seus filmes sempre transitaram por vários gêneros, sendo hábil em construir narrativas de aventuras, comédias, mas seu maior sucesso foio drama de guerra O Túmulo dos Vagalumes (1989). Takanahata ficou ainda mais famoso ao se associar ao amigo Hayao Miyazaki na fundação do estúdio Ghibli em 1985. Seu último trabalho como diretor foi o magnífico O Conto da Princesa Kaguya (2014), que foi indicado ao Oscar de Melhor Animação em 2015. Há alguns anos. Takanahata faleceu em decorrência de problemas cardíacos que o acompanhavam desde 2016. 

sábado, 31 de março de 2018

N@ CAPA: FILMES MAIS AGUARDADOS DE 2018


Este primeiro trimestre foi tão agitado que preferi deixar a capa do mês de janeiro, especialmente por ilustrar tudo o que o ano cinematográfico nos revela. Alguns filmes já estrearam por aqui em meio aos filmes indicados ao Oscar. Alguns já se tornaram sucessos (e estão cotados até para o Oscar do ano que vem, dá para acreditar?), outros... nem tanto. Hora de conhecer melhor os filmes que prometem dar o que falar em 2018:


Os Incríveis 2 estreia em junho e é um dos filmes mais aguardados dos últimos quatorze anos ☻ Paraíso Perdido é um drama meio musical e conta com Júlio Andrade e Erasmo Carlos dirigidos por Monique Gardenberg ☻ Jason Momoa é Aquaman no único filme da DC a estrear este ano (e cadê o trailer?) ☻ Missão Impossível: Efeito Fallout nem estreou e o bigode de Henry Cavil já virou estrela de cinema faz tempo ☻ Será que The Party de Sally Potter chega aos cinemas ou sairá direto na Netflix? ☻ Novos Mutantes mistura filme de herói com doses de terror, mas o estúdio pisou no freio e agora o filme só estreia no ano que vem ☻ Alita: Battle Angel leva o universo mangá de Yukito Kishiro para a telona ☻ Maze Runner: A Cura Mortal finalizou a saga sem empolgar muito público e crítica ☻ O Predador não desiste nunca e volta com direção de Shane Black e Thomas Jane no elenco ☻ Spielberg e Tye Sheridan já estão nos cinema com a aventura Jogador Nº 1 e promete ser o maior sucesso do diretor em muito tempo. 


Wes Anderson retorna à animação com o elogiado Isle of Dogs ☻ Cacá Diegues volta aos cinemas com o aguardado O Grande Circo Místico, com Bruna Linzmeyer e Vincent Cassel ☻ Sicario: Dia do Soldado narra os acontecimentos após o filme de 2015 ☻ X-Men: Fênix Negra teve a clássica saga mutante adiada para o ano que vem ☻ Herbie Returns marca mais um retorno do fusca falante, desta vez pilotado por Hayley Stanfeld ☻ Tomara que Detona Ralph 2 repita o sucesso inventivo do primeiro filme ☻ Marco Pigossi é um assassino profissional disfarçado de homem de bem em O Nome da Morte ☻ Paul Dano estreia na direção com o elogiado Wildlife sobre o divórcio dos pais aos olhos de um menino ☻ O controverso 15h 17: Trem para Paris deve ser o filme menos elogiado de Clint Eastwood ☻ Sobrenatural: A Última Chance é o quarto filme da franquia que já entrou e saiu de cartaz por aqui ☻ Emily Blunt aceita o desafio de ser a Mary Poppins do século XXI (será que agora sai a indicação ao Oscar?) ☻ O documentário Robin Williams: Come Inside My Mind busca desvendar a pessoa por trás do comediante que se suicidou em 2014. 


 American Animals conta  a história real de um grupo de rapazes que organizou um dos assaltos mais audaciosos da história americana ☻ Taraji P. Henson bota pra quebrar no controverso Proud Mary ☻ Tom Hardy é a nova versão de Venom em aventura solo ☻ Tomb Raider: A Origem com a oscarizada Alicia Vikander já está em cartaz no Brasil ☻ The Happy Time Murders traz bonecos brincando com cinema noir ☻ Creed 2 prova que a saga de Rocky realmente ganhou novo fôlego ☻ First Man traz Ryan Gosling como o primeiro astronauta a pisar na Lua ☻ Ava Duvernay dirige a superprodução da Disney Uma Dobra no Tempo  com Oprah Winfrey e Reese Witherspoon ☻ O universo de Harry Potter volta às telas com Animais Fantásticos e Onde Habitam 2 ☻ Marco Pigossi é um lutador em busca de redenção em A Última Chance ☻  Existe grande expectativa em torno do novo Robin Hood estrelado por Taron Egerton ☻ Oito mulheres e um segredo é a versão feminina do sucesso estrelado por George Clooney e traz no elenco Sandra Bullock ao lado de várias colegas renomada ☻ Solo mostra a origem do famoso personagem de Star Wars e tem direção de Ron Howard. 

Emily Blunt é dirigida pelo esposo no suspense Um Lugar Silencioso ☻ Outro destaque do cinema brasileiro que estreia neste ano é Como é Cruel viver Assim ☻ Nicolas Cage causou sensação em Sundance com o terror Mandy ☻ Com Amor, Simon é elogiado pela sensibilidade com que conta a história de um jovem homossexual ☻ A animação Homem-Aranha no Aranhaverso estreia em dezembro, trazendo Miles Morales no lugar de Peter Parker ☻ Jon Hamm se firmará como astro de cinema com Beirut? ☻ Claudia Abreu vive uma taxista carioca no suspense Berenice Procura ☻ Charlize Theron e David Oyelowo estão na comédia de humor negro Gringo ☻ A refilmagem americana de Intocáveis, Untouchables, traz Bryan Cranston e Kevin Hart ☻ Chloe Sevigny e Kristen Stewart estão juntas no dramático Lizzie ☻ Jamie Lee Curstis volta a ser atormentada pelo irmão em Halloween ☻ Rooney Mara é protagonista do bíblico Madalena, já em cartaz no Brasil ☻ Aniquilação com Natalie Portman já colhe elogios por fundir a mente de muita gente na tela da Netflix.


Sorry to Bother You chamou atenção em Sundance com sua distopia sobre sucesso profissional ☻ Melissa McCarthy é a escritora Lee Israel em crise pessoal em Can You Ever Forgive Me? ☻ Idris Elba estreia como diretor no elogiado Yardie, adaptação do livro de Vicor Headley ☻ Mary of Scotland promete colocar Saoirse Ronan mais uma vez na mira do Oscar ☻ Jennifer Lawrence é uma espiã russa em Operação Red Saparow ☻ Desenho ☻ On the Basis of Sex traz Felicity Jones como a ativista Ruth Bader que travou várias lutas por direitos iguais nos Estados Unidos ☻ Depois de indicado ao Oscar, o diretor Lenny Abrahamson está de volta com o suspense The Little Stranger ☻ O engenhoso A Maldição da Casa de Winchester já está em cartaz no Brasil ☻ Sucesso em todo mundo,  Pantera Negra deve ser um dos maiores sucessos da Marvel ☻ O coerano Joon Ho Bong prepara o drama de ficção científica Parasite ☻ Paul Rudd é o jogador de basquete que se torna espião em The Catcher was a Spy


Outro filme de produção controversa foi Bohemian Rhapsody sobre o ícone Freddie Mercury, mas parece que após a saída do diretor Bryan Singer o filme com Rami Malek vai bem, obrigado! ☻ A nova versão de Nasce uma Estrela traz Lady Gaga ao lado de Bradley Cooper - que marca sua estreia na direção ☻ O aguardado Homem-Formiga e Vespa promete alegrar os fãs da Marvel ☻ John Boyega protagoniza Círculo de Fogo 2 ☻ A animação Arctic Justice traz uma guerra de bichos no ártico ☻ John Candy está no sci-fi Captive State ☻ Chri Pratt volta a enfrentar dinossauros em Jurassic World ☻ Boy Erased é o novo filme dirigido por Joel Edgerton e traz Nicole Kidman como a mãe de Nichola ☻ Mary and the Witches Flowers é o primeiro filme produzido pelo estúdio Ponoc, fundado por discípulos de Hayao Miyazaki ☻ Jessica Chastain se despede do filme de Xavier Dolan, já que todas as suas cenas de The Death and Life of John Donovan ficaram de fora do corte final... o ano mal começou e já está cheio de surpresas!

HIGH FI✌E: Março

Cinco filmes vistos em março que merecem destaque:

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terça-feira, 27 de março de 2018

PL►Y: Sobre Viagens e Amores

Ingrid, Frey, Brando e Joseph: amizade que faz a diferença. 

O cineasta italiano Gabriele Muccino fez sucesso ao redor do mundo com seu terceiro filme, O Último Beijo (2001). O filme chamou tanta atenção que recebeu uma versão americana e rendeu convites ao diretor para trabalhos com artistas americanos. Pena que o que poderia ser um bom começo de carreira internacional foi infectada por um sentimentalismo que nos faz imaginar se Hollywood realmente entendeu a mensagem do seu hit cinematográfico sobre adolescentes em crescimento. Para ajudar a entender o olhar deste cineasta sobre seus personagens, vale a pena conferir Sobre Viagens e Amores, um filme italiano quase todo ambientado nos Estados Unidos que tem foco num grupo de jovens que se conhecem quase que por acaso e se tornam grandes amigos. Não é por acaso que o foco da história começa em Marco (Brando Pacitto), um jovem que mora em Roma e não vê muita graça em ter 18 anos. Ele está naquele ponto em que precisar tomar decisões sobre os rumos que sua vida tomará dali em diante. Antes de ingressar na faculdade, ele entra em contato com um amigo que foi estudar nos Estados Unidos e resolve viajar para lá, aproveitando o tempo "livre" em uma viagem que dificilmente poderá fazer depois. Sabe-se lá o motivo, mas o amigo combina que Maria (Ingrid Lutz) faça companhia para o viajante, mas o jovem casal não se entende muito bem - especialmente por Maria ser vista como chata e antiquada. Os dois nem chegam a encontrar o amigo que estuda na Terra do Tio Sam, mas é o amigo distante que arranja um lugar para os dois ficarem durante a viagem. Eles ficam hospedados na casa de dois rapazes - e a reação de Maria ao descobrir que se trata de um casal gay, só demonstra como a garota vê o mundo de uma forma um tanto conservadora. O casal de anfitriões é formado por Matt (Taylor Frey) e Paul (Joseph Haro), simpáticos e atenciosos, os dois já tiveram de tomar decisões importantes sobre o rumo que suas vidas deveriam seguir - e ajudarão os visitantes a se entenderem um pouco melhor entre uma conversa e outra. O grande trunfo do filme é a leveza ao lidar com o relacionamento entre seus personagens, entre pequenos alguns conflitos e diálogos espontâneos, o filme consegue desenvolver bem a ideia de como a amizade é capaz de nos modificar. Em alguns momentos o filme se enrola, se apressa (como a temporada em Nova York) ou se esquiva de aprofundar algumas situações (como a presença da irmã de Matt e Paul na história, a atração de Maria por um dos rapazes), mas talvez a ideia do filme seja esta mesmo, deixando abertas as possibilidades para histórias seguintes na mente do espectador (ou quem sabe uma continuação, como Muccino fez com O Último Beijo  dez anos depois). O elenco composto por atores desconhecidos também funciona bem, o que fica ainda mais notável quando precisam segurar a narrativa que perde o ritmo conforme se aproxima do final. Despretensioso e bem realizado, Sobre Viagens e Amores é um bom filme sobre a transição para a vida adulta - ainda que prefira enfatizar as coisas que deixamos pelo caminho. 

Sobre Viagens e Amores (L'Estate Addosso/Itália - 2017) de Gabriele Muccino com Brando Pacitto, Ingrid Lutz, Taylor Frey, Joseph Haro e Scott Bakula. ☻☻☻ 

segunda-feira, 19 de março de 2018

PL►Y: Verónica

Escacena: sustos baseados em fatos reais. 

Sucesso no catálogo da Netflix, o espanhol Verónica é a nova criação de Paco Plaza, cineasta por trás da bem sucedida série de filmes de terror [Rec]. Alguns fãs exagerados já alardearam que o filme é o mais assustador de todos os tempos, mas não é para tanto, mas mostra-se um terror bastante eficiente, especialmente pela forma como consegue universalizar o horror de sua história, sobretudo entre os adolescentes. Este apelo acontece principalmente pelos signos que utiliza: a filha mais velha que tem que cuidar dos três irmãos mais novos, o pai que morreu precocemente, a mãe que tem que se desdobrar no trabalho (e nunca fica em casa), isolamento na escola, além de uma certa repressão sexual. Para piorar ainda mais,  a história é baseada em acontecimentos reais em torno de uma adolescente que brincou com um tabuleiro de Ouija durante um eclipse. O tabuleiro é utilizado em rituais de comunicação com os mortos e, tentando se comunicar com o pai, a jovem acaba evocando um espírito demoníaco que a persegue. Plaza capricha nos sustos e acerta ao deixar sempre em dúvida a credibilidade de sua protagonista. Seria realmente um espírito ou ela estaria enlouquecendo? A atuação da novata Sandra Escacena também funciona, embora não seja uma grande atriz, ela consegue captar as inseguranças de sua personagem e a torna bastante convincente de pesadelo em pesadelo. Em alguns momentos o filme exagera e pode até provocar algumas risadas, mas em geral consegue ser bastante assustador, especialmente por transformar o lar da personagem num lugar mal assombrado e seus irmãos mais novos em vítimas em potencial. Algumas cenas conseguem ser arrepiantes (principalmente quando mais sugere do que mostra) e outras soam um tanto repetitivas, mas o importante é que no geral compõe uma narrativa cheia de estranhezas. Você realmente acredita que aquela jovem inocente abriu as portas do inferno e agora está sofrendo as consequências. O filme é baseado na história de Estefania Gutierrez, que após utilizar o tabuleiro Ouija com suas colegas afirmava ser perseguida por um espírito maligno. O comportamento paranoico da moça só aumentou, mesmo que os médicos não identificassem qualquer problema psicológico com a garota que, com a saúde cada vez mais deteriorada, faleceu meses depois. Meses após a morte da jovem, família ligou para a polícia afirmando existir vultos estranhos pela casa e quando a polícia chegou, realmente perceberam que havia algo sombrio na casa, incluindo barulhos estranhos, mãos invisíveis e a foto de Stefania pegando fogo dentro de um porta retrato. O caso se tornou famoso na Espanha por ser o único caso policial onde foi declarado a presença de atividades paranormais num local. É fácil compreender o interesse de Plaza pela história e, ainda que tenha alterado alguns fatos verídicos, consegue ser bastante fiel ao que aconteceu de fato. 

Verónica (Espanha - 2017) de Paco Plaza com Sandra Escacena, Bruna González, Claudia Placer, Iván Chavero, Ana Torrent e Consuelo Trujillo. ☻☻☻

domingo, 18 de março de 2018

§8^) Fac Simile: Alexander Skarsgård

Alexander Johan Hjalmar Skarsgård
Nosso repórter imaginário conseguiu uma entrevista com o ator sueco Alexander Skarsgård, que está na melhor fase de sua carreira em Hollywood. Nascido em Estocolmo, no início ele era mais conhecido por ser filho do grande Stellan Skarsgård, ele já conseguiu ter uma carreira estável nos últimos anos. Com trabalhos o cinema e na TV, Alexander está com 41 anos e promete mais projetos importantes para o futuro. Nesta conversa (que nunca aconteceu), nosso repórter aborda prêmios, projetos, ameaças de morte, desafios e como é ser considerado um dos homens mais belos do cinema atual. 

§8^) Você despertou grande ódio das pessoas na última temporada de prêmios. Seu personagem na série Big Little Lies lhe conferiu o Emmy, o Globo de Ouro, o SAG e todos os prêmios da temporada. Você chegou a sofrer ameaças de morte pelos outros concorrentes?

Alexander Não, mas chegou perto. O mais interessante é que o personagem fez muito sucesso quando a série foi ao ar e eu só imaginava que as pessoas odiariam um personagem abusivo como o meu, mas tive sorte que elas souberam separar. Ironicamente, acho que não levaria os prêmios se Kevin Spacey estivesse no páreo...

§8^) Você acha que se o seu personagem fosse abusivo e feio o resultado seria diferente? Acha que receberia os prêmios se você fosse, por exemplo, o Palhaço It?

Alexander KKKKK eu entendi a piada, tá! Eu já ouvi muitos desses comentários de como eu sou o irmão bonito da família e o Bill [irmão de Alexander e que viveu o palhaço na última versão de It nas telas] é o patinho feio, mas não é bem assim... tem a maquiagem e tudo mais, seja no caso dele ou no meu. Além disso, fazia parte do personagem ter essa aura de perfeição ao lado de Nicole Kidman . Desconstruir esta ideia era importante para o programa. Enfim, aparência às vezes faz parte do processo de construção do personagem. 

§8^) Sim, por isso você interpretava o Tarzan sem camisa e seu irmão foi escolhido para ser o palhaço macabro do cinema...

Alexander Ok. É verdade... mas o palhaço fez mais sucesso do que o Tarzan.

§8^) Muitas pessoas disseram que o filme não fez muito sucesso porque você não tirou a calça...

Alexander Pode ser, mas... que tipo de entrevista é essa?

§8^) Tem algo que sempre quis te perguntar...

Alexander Pelas barbas de Odin.... tenho até medo. O que é?

§8^) Por que seu nome tem aquela frescura em cima da letra A?

Alexander O que? Ah sim, o anel! É uma longa história, mas fica mais fácil dizer que ele substitui o a dobrado. Pa não escrever Skarsgaard, se escreve Skarsgård. É algo bem nórdico, vem lá do século XVI...

§8^) Uau... que chato. Em Mudo você interpreta um Amish no futuro e que não consegue falar por conta de um acidente. Foi o personagem mais difícil que você já fez, ainda mais por você ficar vestido a maior parte do tempo?

Alexander Ah, você reparou, rsrs... é sempre complicado fazer um sujeito que não pode falar. É um desafio para qualquer ator estar restrito nos recursos que temos para dar vida a um personagem, mas era o tipo de desafio que fazia parte da minha lista de personagens que gostaria de interpretar. 

§8^) Como assim?

Alexander Ah, tem alguns tipos que eu sonhava interpretar mesmo. Risquei da lista "um religioso ortodoxo" e "mudo" de uma vez só com Mute. Estava também "um herói dos quadrinhos" e fiz Tarzan. Tinha "o sujeito violento" e risquei quando fiz Big Little Lies. Com True Blood eu risquei "Vampiro" e "bissexual" ao mesmo tempo. Risquei também o "filho do meu pai" quando fiz Melancolia do Lars Von Trier...

§8^) Riscou o careca com The Hummingbird Project também...

Alexander Exatamente! Nem me lembre daquilo...

§8^)  Eu estava lá quando você apareceu com aquele visual atípico...

Alexander Sério? tinha gente surpresa achando que eu havia abandonado a peruca... tive que dar várias entrevistas dizendo que eu tinha cabelo de verdade...

§8^) Deixa de ser mentiroso!

(A verdadeira face de Alexander Skarsgård)