domingo, 22 de fevereiro de 2026

PL►Y: Juntos

Dave e Alison: num só. 

Unificado diáriw, acho interessante como os filmes de terror se beneficiam da busca por história originais de baixo orçamento pelos estúdios. Ano passado foi  excelente para o gênero e entre os lançamentos que chamaram atenção está Juntos. Protagonizado pelo casal da vida real Dave Franco e Alison Brie, o filme investe no body horror (engraçado como o gênero voltou à moda, David Cronenberg deve estar orgulhoso) para construir uma analogia muito interessante sobre a dependência emocional na vida de um casal. Dave interpreta Tim, um músico que a carreira nunca decolou. Alison vive Millie, uma professora que vai morar com o namorado em uma casa afastada. A coisa entre os dois está um tanto estranha desde que ela fez o pedido de casamento e ele ficou sem reação diante do pedido. Os dois tentam se acertar, mas quando resolvem fazer uma trilha juntos na floresta acabam se deparando com uma fonte de água estranha que o público já sabe o que gera por conta de dois cachorros que apareceram por lá. Ao longo do filme, uma série de sensações estranhas e situações bizarras vão deixar claro que os corpos de ambos desejam se tornar um só e não há nada de romântico nisso. Quando se afastam, um passa mal. Quando se beijam ou transam seus corpos grudam e aos poucos os desentendimentos tomam conta. A química real do casal (os atores estão juntos desde 2011, o que soa uma eternidade para Hollywood) ajuda bastante a dar credibilidade aos conflitos e desejos existentes entre os personagens. Achei que os efeitos são eficientes na maioria da vezes (ruim mesmo e aquela cena do cabelo que parece muito mal feita). Acho que o filme perde alguns pontos quando tenta explicar demais o que está acontecendo. Quando chegou ao final, percebi que achei a ideia mais interessante que o desenvolvimento da história, mas não posso negar que me diverti um bocado com o filme (e nunca mais vou ouvir Two Become One das Spice Girls sem sentir arrepios). 

Juntos (Together / Austrália - EUA / 2025) de Michael Shanks com Dave Franco, Alison Brie, Damos Herriman, Mia Morrissey, Karl Richmond e Jack Kenny. 

domingo, 15 de fevereiro de 2026

4EVER: Robert Duvall

05/01/1931 ✰ 15/02/2026

Robert Selden Duvall nasceu na Califórnia e começou a carreira em 1952 e participou de produções icônicas após estrear no cinema com o clássico O Sol é Para Todos (1962). Fez trabalhos importantes em M*A*S*H (1970), O Poderoso Chefão (1973), Rede de Intrigas (1972) e Apocalipse Now (1979). A longo da carreira concorreu ao Oscar sete vezes, recebendo o Oscar de ator por A Força do Carinho (1984) e em 2015 se tornou o ator de maior idade a ser indicado ao Oscar por seu trabalho em O Juiz (2015) em que concorreu como coadjuvante. A causa da morte não foi revelada. 

INDICADOS AO OSCAR 2026: Atriz Coadjuvante

Amy Madigan (A Hora do Mal) a atriz veterana chamou muita atenção nos anos 1980 e colecionou filmes de sucesso como Ruas de Fogo (1984), Campo dos Sonhos (1989) e Quem Vê Cara não vê Coração (1989). Embora nos anos 1990 sua carreira tenha perdido fôlego em Hollywood, Amy nunca parou de atuar no cinema e na televisão. Foi até engraçado quando a reconheci debaixo de todo o figurino da estranha Tia Gladys neste filme que se tornou um dos longas mais comentados do ano. É interessante notar o talento com que a atriz desliza entre todas as nuances da personagem envolvida com bruxaria, equilibrando o grotesco com o sinistro. Reza a lenda que o diretor ofereceu o papel para Meryl Streep e a atriz não topou o papel, sei que com uma torcida gigante do grande público para levar o Oscar para casa, pode se dizer que Tia Gladys foi parar em ótimas mãos. 

Elle Fanning (Valor Sentimental) no início da temporada, a atriz não era uma grande aposta entre as indicadas, o que torna ainda mais grata a surpresa de vê-la entre as cinco lembradas pela Academia. Elle estreou no cinema aos três anos de idade, interpretando a versão mais nova da irmã (Dakota Fanning) no filme Uma Lição de Amor (2001) e desde então não parou de atuar. Alternando vários gêneros no currículo e trabalhando com diretores importantes em mais de vinte anos de carreira, Elle se tornou uma das atrizes mais requisitadas de sua geração. Discreta e focada no trabalho, Elle ousou se arriscar em um filme norueguês de forte carga emocional e, mesmo em um papel relativamente pequeno, conseguiu dar conta de desenvolver uma personagem que se percebe no meio de um conflito familiar intenso. Na pele de uma atriz que questiona se é a pessoa certa para um papel, Elle recebeu sua primeira indicação ao Oscar. 

Inga Ibsdotter Lilleaas (Valor Sentimental) completa o trio de atrizes indicada pelo filme norueguês que chega forte ao Oscar deste ano. Na pele da filha mais nova de um cineasta pai ausente, Inga chama atenção pelos olhos expressivos e marcantes que dizem mais do que as palavras presentes no roteiro. Na pele da filha que atuou ainda menina no filme do pai - e agora vê sua irmã recusar o convite de fazer o mesmo, Inga tem uma performance sutil, mas de momentos fundamentais para o andamento da narrativa. Embora atue nos cinemas há mais de dez anos, nenhum de seus trabalhos anteriores alcançaram a repercussão mundial do filme de Joachim Trier. A indicação deverá render papeis de mais destaques para a atriz e devemos vê-la em mais filmes daqui para frente. Uma curiosidade: em entrevistas, Inga surpreendeu ao saber falar português após morar em Goiânia durante um ano de seu Ensino Médio. 

Teyana Taylor (Uma Batalha Após a Outra) passou boa parte de sua carreira artística como cantora e compositora, mas nos últimos anos começou a investir cada vez mais na carreira de atriz, chamando atenção da crítica e dos diretores. Basta ver o que ela fez em Mil e Um (2023) para ver seu potencial para carregar um filme nas costas. Desde então ela recebeu vários convites de trabalho, sendo neste filme de Paul Thomas Anderson a grande chance para se tornar uma grande estrela de cinema. Embora tenha pouco tempo de tela, sua presença marcante como a guerrilheira que trai seu grupo e abandona a família perpassa todo o filme, deixando o público sempre desejando o seu retorno. Pelo papel, Teyana foi indicada em todas as premiações da temporada e levou para casa o Globo de Ouro de atriz coadjuvante. Muitos apontam que ela está em uma disputa acirrada com Amy Madigan pela estatueta, o que pode gerar uma das entregas mais esperadas da noite. Esta é sua primeira indicação ao Oscar. 

Wunmi Mosaku (Pecadores) nos últimos anos, a atriz nascida na Nigéria tem recebido cada vez mais destaque em filmes e séries de televisão. Se o Emmy e o BAFTA já tinham reparado nela em seu trabalhos para a televisão, parece que o Oscar finalmente voltou seus olhos para uma das atrizes mais talentosas da atualidade. Wunmi interpreta Annie, a esposa de um dos protagonistas que é uma espécie de líder espiritual do seu grupo que se vê em uma batalha contra um grupo de vampiros. A triz que já teve destaque nas séries Luther (2010-2019), Loki (2021-2023) e Lovecraft Country (2020) bem que merecia ter sido mais lembrada nas premiações por seu excelente trabalho no filme O Que Ficou Para Trás (2020) que fez sucesso em Sundance e na Netflix e foi considerada a melhor atriz por este blog naquele ano. Wunmi tem tudo para ter papéis cada vez mais relevantes nos próximos anos. 

A ESQUECIDA: Chase Infiniti (Uma Batalha Após a Outra) o fato é que meu dedo coçou para colocar a Tânia Maria (O Agente Secreto) entre as indicadas, mas convenhamos que as chances sempre foram remotas disso acontecer. Sem dúvida quem de fato perdeu sua vaga na categoria foi a revelação Chase Infiniti devido à manobra de campanha que desejava colocá-la na categoria principal. Na hora da decisão, acabaram deixando a jovem atriz de 25 anos de fora de ambas as categorias. Tivesse sido indicada por aqui, provavelmente ela seria uma das grandes obviedades da noite como a filha que descobre suas origens e se envolve em situações que colocam sua vida em risco. Apesar de ter ficado de fora, após seu trabalho, a atriz está cotada para vário trabalhos, incluindo um novo filme com Gillian Anderson e uma série de TV. 

PL►Y: Valor Sentimental

Renate e Igna: irmãs. 
Afetuoso diáriw,  eu sou grande admirador do cinema do norueguês Joaquim Trier. Adoro a forma como ele apresenta seus personagens e constrói as tramas com muitos diálogos que dizem menos do que as entrelinhas. Seu novo filme, Valor Sentimental ganhou o Grande Prêmio do Júri (espécie de segundo lugar) do Festival de Cannes. Ao longo do ano tornou-se um dos filmes mais elogiados do ano e o principal concorrente do brasileiro O Agente Secreto (2025) no páreo de melhor filme internacional. Se o brasileiro concorre em quatro categorias, o longa norueguês está na disputa em nove. Seu elenco está todo indicado indicado e ainda roteiro original, montagem, direção e melhor filme. Na trama, duas irmãs atravessam o luto pela morte da mãe quando o pai cineasta (Stellan Skarsgaard) retorna depois de muito tempo com um roteiro embaixo do braço e um convite para a primogênita, Nora (Renate Reinsve) viver a protagonista. Ela antes mesmo de ler o roteiro, rejeita o convite. Nora é uma atriz renomada do teatro, embora sua relação com os palcos seja um tanto, digamos... complicada. A relação da irmã caçula, Agnes (Igna Ibsdotter Lilleaas) parece ser mais tranquila com o pai, tendo atuado ainda criança no último filme dele e ter desistido da carreira logo depois. Agnes casou, tem um filho e parece bem resolvida, enquanto Nora tem um bocado de sentimentos complicados para lidar com a figura paterna. Outros personagens importantes na história são a jovem atriz (Elle Fanning) que assume o papel principal do filme e a casa que está na família há tempos  e que servirá de locação para o longa. Trier faz um filme tão contido quanto intenso, recheado de relações familiares, projeções, necessidades de validação e aquela roupa suja que precisa ser lavada mais cedo ou mais tarde. Depois da parceria em  A Pior Pessoa do Mundo (2021), Joaquim e Renate Reinsve arrasam mais uma e desejo que façam muitos filmes juntos. 

Valor Sentimental (Affeksjonsverdi / Noruega / Alemanha / Dinamarca / Suécia / Turquia / França / Reino Unido / 2025) de Joaquim Trier com Renate Reinsve, Stellan Skarsgård, Igna Ibsdotter Lilleaas, Elle Fanning, Anders Danielsen Lie e Cory Michael Smith. 

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

4EVER: James Van der Beek

08/03/1977 ✰ 11/02/2026

Nascido no Texas. James Van Der Beek estreou na TV em 1993, mas a fama chegou cinco anos depois na pele do adolescente de bom coração, e apaixonado por cinema, Dawson Leery, James se tornou o ídolo de uma geração ancorado nas seis temporadas da série. Ainda que o cinema não tenha lhe abraçado como seus colegas de elenco, ele alcançou boas críticas por seus trabalhos nos longas Marcação Cerrada (1999) e Leis da Atração (2002). Em 2023 o ator foi diagnosticado com câncer colorretal e desde então realizava tratamento.

domingo, 8 de fevereiro de 2026

NªTV: Pluribus

Rhea: contra o coletivo
Dissonante diáriw, o final de 2025 trouxe aquela que se tornou a série mais falada e e elogiada do ano. Com a assinatura ilustre de Vince Gilligan (o cérebro por trás de Breaking Bad/2008-2014)) a ficção científica Pluribus virou febre com seus episódios semanais (agora todos disponíveis na AppleTV. A ideia é genial: um sinal vindo do espaço funciona como uma liga que conecta todas as mentes das pessoas do planeta Terra. As mentes interligadas fazem com que as pessoas se entendam melhor e convivam de forma pacífica. As brigas, a violência, os crimes, as guerras acabaram e todos estão felizes vivendo como nunca antes. No entanto, algumas pessoas demonstram imunidade à este pensamento coletivo. Dentre estas doze pessoas está a escritora Carol Sturka (Rhea Seehorn), que torna-se ainda mais amarga quando sua companheira morre durante o processo de propagação desta ligação. O primeiro episódio da série é perfeito, misturando ficção científica, terror e drama, construindo uma atmosfera envolvente que bebe diretamente na clássica série Além da Imaginação. Nos episódios seguintes, Carol começa a questionar todo aquele comportamento, no entanto, percebe que toda sua insatisfação e revolta podem gerar efeitos colaterais entre os outros. Obstinada a descobrir o que está acontecendo, ela se depara com alguns mistérios, cria algumas confusões e a série se beneficia ao apresentar uma nova configuração mundial, que por um lado traz benefícios e por outro assusta ao instaurar somente uma forma de pensamento. Pode se fazer várias analogias à trama, seja sobre a internet, o fascismo, o comportamento de manada, a manutenção de uma identidade própria e o pensamento dissonante como uma ameaça. Ainda que sua personagem seja uma chata,  Rhea Seehorn está ótima em cena e até nos faz esquecer de como sua personagem é de uma nota só. Particularmente achei que lá pela metade tudo se torna repetitivo, mas a curiosidade com este admirável mundo novo, permanece até uma nova temporada. 

Pluribus (EUA-2025) de Vince Gilligan com Rhea Seehorn, Karolyna Wydra, Carlos Manuel, Miriam Shor, Max Reeves, Menik Gooneratne e Samba Schutte. 

sábado, 7 de fevereiro de 2026

NªTV: Stranger Things - Temporada Final

Noah: um novo X-Men

Estranho diáriw, pensei muito se deveria escrever alguma coisa sobre a quinta e  última temporada de Stranger Things, afinal, faz um tempo que pararam de comentar sobre ela, mas acho que vale o registro de uma série que se tornou febre mundial e enfrentou todo tipo de desafio até chegar em seu desfecho. Desde o início sabia-se que o elenco infantil iria crescer. O problema é que depois de uma pandemia e uma greve de roteiristas, elas cresceram mais do que o planejado. Além destes percalços, entregar cinco temporadas ao longo de dez anos com intervalos irregulares já faz tudo ficar um pouco esquecido e perdido no fio da meada. Eu esperei todos os episódios estarem disponíveis para assistir de uma vez, mas confesso que nunca demorei tanto para ver oito episódios. Tive a impressão que todos eram uma grande enrolação até chegar ao confronto final com duração esticada de longa metragem. Precisava de tudo isso? Não. Ainda acho que poderia ter terminado na quarta temporada, esta quinta privilegia mais a ação ao separar os personagens em várias tarefas que visam destruir o vilão Vecna. Nisso tem algumas pontas da temporada anterior para amarrar e se Millie Bobby Brown parece desanimada ao retomar Eleven, a produção ao menos tem a boa ideia de colocar Will (Noah Schnapp) com maior destaque ao explorar sua conexão com o vilão da história, o temido Vecna (Jamie Campbell Bower). No entanto, achei uma chateação aquela reunião para Will sair do armário com gente chorando de emoção e todos o aceitando de boa nos anos 1980... como este, nos raros momentos em que o foco recai no desenvolvimento de personagens eu achei forçado, tanto que aquelas últimas cenas do último episódio soam protocolares. É triste ver uma série tão legal terminar de forma tão sem graça. Prova disso é o que fizeram com Winona Ryder, David Harbour, Linda Hamilton entre outros com personagens sem muito o que fazer no meio do corre-corre interminável da temporada. Deveria ser uma aventura de tirar o fôlego, mas só me deu sono. Enfim, acabou. Amém. 

Stranger Things - Temporada Final (Stranger Things / EUA - 2025) de Matt Duffer e Ross Duffer com Millie Bobby Brown, David Harbour, Winona Ryder, Noah Schnapp, Jamie Campbell Bower, Finn Wolfhard, Caleb McLaughlin, Gaten Matarazzo, Joe Keery, Sadie Sink, Natalia Dyer, Maya Hawke e Charlie Heaton. 

PL►Y: O Esquema Fenício

Benicio: a cara da decepção.
Pasteurizado diáriw, virou lugar comum dizer que Wes Anderson tornou seu estilo em uma camisa de força. Isso tem o lado bom de vermos um filme dele e identificarmos automaticamente a sua estética. Recentemente ele até levou um Oscar para casa (pelo curta A Incrível História de Henry Sugar/2023) após ver vários de seus longa metragens serem indicados e ele continuar sem um careca dourado. No entanto, em seus últimos longas, eu percebi que ele está tentando sair da prisão que criou para si pelo caminho errado. Seus textos estão mais rebuscados e com diálogos truncados, o que faz perder muito da graça que vimos na leveza com que explora temas até delicados em filmes como Os Excêntricos Tennenbaums (2001), Moonrise Kingdom (2012) e O Grande Hotel Budapeste (2014). O que estes três filmes tem em comum também são protagonistas que rompem com o jeitão cool, quase lavado de emoções que paira sobre a grande maioria dos personagens de sua obra, o que não vemos neste O Esquema Fenício que estreou no ano passado e que foi apontado por muitos como decepcionante. O bom é que mesmo quando erra, um filme de Wes Anderson ainda me agrada muito de assistir, nem que seja pela sua beleza visual emoldurando um bando de bons atores fazendo bobeiras. No filme Benício Del Toro passa o tempo inteiro com a mesma cara como um ricaço que sofre diversos atentados ao longo da vida enquanto tenta ajeitar a vida financeira da filha primogênita, a freira Liesl (Mia Threapleton). Enquanto ele calcula porcentagens, ela tenta lavar a roupa suja em meio aos acontecimentos imprevisíveis e menos engraçados do que deveriam. Ao menos a figura curiosa da filha diverte um pouco a trama embolada e um tanto sem energia. Não é uma obra-prima, também não é um desastre. Serve para passar o tempo. 

O Esquema Fenício (The Phoenician Scheme / Alemanha - EUA / 2025) de Wes Anderson com Benicio Del Toro, Mia Threapleton, Michael Cera, Steve Park, Willem Dafoe, F. Murray Abraham, Rupert Friend, Scarlett Johansson e Benedict Cumberbatch. 

INDICADOS AO OSCAR 2026: Ator Coadjuvante

Benicio Del Toro (Uma Batalha Após a Outra) é aquele que dentre os indicados é único que já foi premiado na categoria de coadjuvante. Ele tem uma estatueta por seu trabalho em Traffic (2000) e já concorreu novamente por 21 Gramas (2003). O ator que já fez de tudo em sua carreira (de um colecionador intergaláctico nos filmes da Marvel ao próprio Che Guevara em uma controversa cinebio) agora vive um latino que é mestre em Karatê e ex-guerrilheiro amigo do protagonista que parte com ele em busca de sua discípula. Talvez por acompanhar faz tempo a carreira do porto riqueño de 58 anos, eu considere que ele faz aqui mais do mesmo, mas a academia curtiu seu desempenho. As chances dele sair premiado são relativas e conta muito com a positividade dos fãs que deram risada nos cinemas com sua interpretação. 

Delroy Lindo (Pecadores) Dá para acreditar que esta é a primeira indicação ao Oscar deste renomado ator britânico? Antes tarde do que nunca! Com a indicação a Academia se redime da gafe gigante que foi não indicá-lo pelo trabalho em Destacamento Blood (2020). Delroy já participou de vários filmes renomados com diretores consagrados.  Dentre seus trabalhos mais conhecidos estão Malcolm X (1999) de Spike Lee, Regras da Vida (1999) de Lasse Hallström, Advogado do Diabo (1997) de Taylor Hackford e (o meu trabalho favorito dele) Por Uma Vida Menos Ordinária (1997) de Danny Boyle. Em Pecadores ele interpreta um músico lendário que se junta à uma luta por sobrevivência contra um grupo de vampiros. Embora seu trabalho tenha sido elogiado, sua indicação tornou-se uma grata surpresa no Oscar deste ano. 

Jacob Elordi (Frankenstein) o ator revelado na série Euphoria (2019-) deve agradecer todo dia em que Andrew Garfield desistiu o papel do clássico monstro por conflitos de agenda. A escolha do diretor Guillermo Del Toro para a substituição não poderia ser melhor, afinal a altura de Jacob (1.96 metro) já cria um diferencial enorme na tela quando surge ao lado de Oscar Isaac (1.74) e Mia Goth (1.77). Além disso, a forma emocional com que o ator interpreta a criatura de tornou a alma do filme e o maior ponto de originalidade em mais uma adaptação da obra de Mary Shelley. O ator australiano de 28 anos bem que poderia ter concorrido na mesma categoria por Saltburn (2023), mas a indicação veio na hora certa para demonstrar que o moço busca papéis diferentes para ser respeitado como ator. Esta é a primeira indicação de sua carreira e já ganhou o Critic's Choice pelo papel. 

Sean Penn (Uma Batalha Após a Outra) seria minha escolha se eu fosse votar no Oscar sem pensar duas vezes. Seu trabalho como Coronel Steven J. Lockjaw é um dos mais impressionantes da carreira. Quem poderia construir um vilão tão assustador e ao mesmo tempo tão ridículo? Oscilando entre o monstruoso e o cômico, o ator nos faz até esquecer que se tornou um dos talentos mais controversos de sua geração. Vale lembrar que esta é a primeira vez que o ator concorre na categoria, mas já possui dois Oscars na estante de melhor ator (por Entre Meninos e Lobos/2003 e Milk/2008) e outras três indicações pelo maravilhoso Os Últimos Passos de um Homem (1995), Poucas e Boas (2000) e Uma Lição de Amor (2002). No total foram seis indicações ao longo da carreira por papéis bastante distintos. Se levar o prêmio para casa, Penn escreverá seu nome entre os mais premiados da história do Oscar. 

Stellan Skarsgård (Valor Sentimental) conquistou, aos 74 anos, sua primeira indicação ao Oscar. O ator sueco atua desde os anos 1960 e já fez de tudo, seja no cinema europeu ou em Hollywood. O ator favorito de Lars Von Trier já trabalhou com vários diretores renomados, entre eles Gus Van Sant, Steven Spielberg, Milos Forman, Terry Gilliam e Denis Villeneuve. Entre produções da Marvel, Star Wars e uma participação no Saturday Night Live, o ator sofreu um acidente vascular cerebral em 2022 que o fez pensar seriamente em parar de atuar. O veterano pai de um clã de atores famosos precisou reformular sua forma de trabalhar para continuar a carreira. Ele quase rejeitou o convite de Joachin Trier para viver o cineasta que revisita sua história e tenta se redimir com a família, sorte que aceitou. Pelo papel, ele já recebeu o Globo de Ouro de ator coadjuvante e desponta como favorito da categoria. 

O ESQUECIDO: PAUL MESCAL (Hamnet) a indicação do celebrado ator irlandês era tida como certa em todas as listas de apostas, mas por algum motivo, a Academia resolveu deixá-lo de fora. O ator interpreta William Shakespeare sobrevivendo a dor de perder um dos seus filhos e exorcizando sua tristeza naquela que se tornaria uma de suas obras mais famosas. Dizem que a indicação não saiu por muita gente considerar que ele não é coadjuvante e sim o protagonista masculino da história (apesar da maior parte da trama girar em torno da esposa do escritor). No entanto, Mescal ainda deverá receber muitas outras indicações em sua carreira, vale lembrar que ele já concorreu ao prêmio de melhor ator em seu introspectivo trabalho em Aftersun (2022)

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

PL►Y: Morra Amor

J. Law: fora do Oscar
Caótico diáriw, há quem diga que a vaga ocupada por Kate Hudson no Oscar deveria ser ocupada por Jennifer Lawrence em sua performance em Morra Amor. Lembrei da torcida quando o longa foi exibido no Festival de Cannes com críticas à montagem do filme. A diretora Lynne Ramsey é esperta e voltou para a sala de montagem e fez o que pôde para deixar o filme mais, digamos, assistível. Digamos que ela não foi óbvia no retrabalho, já que ele está longe de ser convencional. Na trama Jennifer interpreta uma mulher que vai morar com o esposo (Robert Pattinson) em uma casa herdada afastada da cidade. A coisa complica quando ela tem o primeiro filho e suas emoções entram em colapso com o que parece ser uma depressão pós-parto. O filme então apresenta uma montagem que brinca com as memórias e sensações da personagem, sem querer ser didático, mas uma experiência sensorial. O resultado pode soar incômodo sem uma linearidade narrativa, indo e voltando no tempo para compor a história de um casal que caminha do fogo para as cinzas. J.Law costura a atenção da plateia mesmo quando o filme se torna fragmentado demais e um tanto disperso, mas que funciona entre os desarranjos entre o que Grace sente e o que se espera dela. Robert Pattinson está bem no filme, Sissy Spacek e Nick Nolte também (e como gosto de ver os dois veteranos em personagens experientes que parecem reconhecer o estado que a protagonista se encontra), no entanto, o que mais me chama atenção e a forma ousada como a diretora de Precisamos Falar Sobre Kevin (2012) resolve fazer esta adaptação do livro de Ariana Harwicz indo contra uma lógica convencional. Amei a trilha sonora e especialmente o controverso último ato. Enquanto eu assistia eu só lembrava do documentário Bruxas (2024) de Elizabeth Sankey. Aos fãs, se serve de consolo, Jennifer foi lembrada no Globo de Ouro de atriz de filme dramático (e com Mãe! do Aronofsky nem isso ela conseguiu). 

Morra Amor (Die My Love/ Reino Unido / Canadá / EUA - 2025) de Lynne Ramsey com Jennifer Lawrence, Robert Pattinson, Sissy Spacek, Nick Nolte, Lakeith Stanfield e Gabrielle Rose. 

domingo, 1 de fevereiro de 2026

PL►Y: A Meia-Irmã Feia

Lea: tudo pela beleza.
Harmonizado diáriw é impressionante como em tempos de releituras de terror de gosto duvidoso sobre personagens clássicos do cinema e da literatura, alguém surge com bom senso e faz realmente uma obra interessante. Se até a Disney erra em suas versões de carne e osso para os clássicos, torna-se ainda mais louvável o que a cineasta estreante Emilie Blichfeldt faz ao colocar em destaque a meia-irmã da Cinderela, a jovem Elvira no centro de uma narrativa própria. Sempre apresentada nas versões da história como uma moça pouco atraente, a diretora resolveu criar uma história em que a personagem passa por procedimentos estéticos arrepiantes para conquistar o príncipe encantado naquele bendito baile. Sem a ajuda de uma fada madrinha, Elvira (a ótima novata Lea Myren) recorre a um esteticista para fazer ajustes em algumas partes de seu corpo. Embora seja ambientado em uma era "vitoriana" na Noruega do século XIX, o culto à beleza e os sacrifícios motivados por ele são verdadeiras agulhadas nos tempos atuais. Misturando contos de fadas com body horror e pitadas de erotismo (a cineasta não tem problemas em apresentar partes masculinas durante a sessão) o filme impressiona pela criatividade em construir uma releitura ousada utilizando personagens já conhecidos. O mais interessante é que todo o horror que vemos no filme, faz lembrar as origens do clássico conto dos irmãos Grimm com crianças sendo devoradas por uma bruxa ou um lobo faminto na floresta. Aqui quem devora a protagonista é o padrão no qual ela não se encaixa. Com personalidade suficiente para deixar o público nervosamente curioso com os flagelos de sua protagonista, A Meia-Irmã Feia foi até lembrado no Oscar de melhor Maquiagem e Penteados (categoria a qual seu primo A Substância/2024 ganhou ano passado). 

A Meia-Irmã Feia (Den Stygge Stesøsteren / Noruega - Dinamarca - Suécia - Romênia - Polônia / 2025) de Emilie Blichfeldt com Lea Myren, Ane Dahl Torp, Thea Sofie Loch Næss, Isac Calmroth, Flo Fagerli, Malte Gårdinger, Willy Ramnek Petri e Adam Lundgren. 

PL►Y: Vivo ou Morto - Um Mistério Knives Out

Josh: um padre e seus demônios.
Sortudo diáriw, o Rian Johnson encontrou uma mina de ouro quando bolou a história de Entre Facas e Segredos (2019) e foi até indicado ao Oscar de roteiro original. Ele ficou tão animado que criou uma expectativa danada para a continuação Glass Onion (2022) que concorreu ao Oscar de roteiro adaptado. O terceiro filme da franquia nem isso conseguiu com uma história interessante misturando crimes e um pouco de fé. Aqui o roteiro subverte as expectativas do espectador na metade da sessão, aprofunda um pouco mais a narrativa em torno de um principal suspeito e consegue surpreender até recair nas tradicionais "informações surpresas" que ao longo da sessão não haviam sido mencionadas. Não deixa de ser uma traição ao espectador, mas pelo menos aqui temos (mais uma vez) um grupo de atores respeitados que toparam entrar na brincadeira e dar credibilidade à trama. Daniel Craig volta como o detetive Benoit Blanc, mas o destaque mesmo fica por conta de Josh O'Connor como o jovem padre suspeito de assassinar o padre responsável pela paróquia que o acolheu. No entanto, o padre veterano (vivido por Josh Brolin) estava longe de ser um exemplo para a comunidade com suas grosserias e comportamento, digamos, pecaminoso. A trama torce e retorce os segredos dos fiéis da paróquia para tornar o caso complicado de ser resolvido, vai e volta no tempo, constrói digressões e novos crimes deixando o detetive tão confuso quanto o espectador ao longo da sessão. O tipo de filme que não dá para revelar muito. Serve para passar o tempo e bom que a Netflix aprendeu que isto basta para o filme ser um sucesso. 

Vivo ou Morto - Um Mistério Knives Out (Wake Up Dead Man / EUA - 2025) de Rian Johnson com Daniel Craig, Josh O'Connor, Glenn Close, Josh Brolin, Jeremy Renner, Kerry Washington, Cailee Spaeny, Mila Kunis, Andrew Scott, Thomas Haden Church, Daryl McCormack e Jeffrey Wright. 

PL►Y: Os Roses - Até que a Morte os Separe

Olivia e Benedict: em pré-guerra. 
Querido diáriw diante de tantas mudanças em minha rotina eu quase desisti de continuar minha postagens por aqui, pela mais completa falta de tempo. No entanto, em meio às férias de janeiro eu cheguei à conclusão que se eu criasse algumas reformulações por aqui eu consiguiria manter uma regularidade de postagens. Espero que funcione. Minha primeira postagem do ano é sobre um remake simpático que chegou nas telas no ano passado. Os Roses - Até que a Morte os Separe é uma nova adaptação do livro de Warren Adler que já chegou às telas em 1989 pelas mãos de Danny DeVito e estrelado por Michael Douglas e Kathleen Turner sob o título de A Guerra dos Roses. Agora quem dá vida ao casal é Benedict Cumberbatch e a oscarizada Olivia Colman. O talento da dupla colabora bastante para que o filme se beneficie de um humor elegante, mesmo quando a dificuldade de convivência entre os dois se torna aparentemente incontornável. Ele é um ambicioso arquiteto que cai em desgraça quando um projeto cai no ridículo dos vídeos da internet e ela é uma chefe de cozinha que começa uma escalada de prestígio. Quando o sucesso do  do casal se inverte, a crise começa a se anunciar e o que era um casamento saudável começa a exibir um perigoso abismo. Esta nova versão se preocupa de ampliar a vida social do casal (o que enriquece o roteiro com sarcasmos sobre relacionamento aberto, traição, ciúmes e outros temas sobre casais) e constrói a crise do casal gradativamente de forma que conseguimos entender as motivações dos conflitos (a ascensão dela, a queda dele, ele cuidando da casa, o ninho vazio, a agenda dela sempre ocupada, a vaidade dele ferida). Conduzido sem exageros por Jay Roach, o melhor mesmo é ver o talento de Olivia e Benedict fazendo drama e comédia quase ao mesmo tempo desde a primeira cena em que estão diante da terapeuta. Eu lembro pouca da outra versão, mas percebi que esta aqui se distanciou bastante e conseguiu uma identidade própria. 

Os Roses - Até que a Morte os Separe (The Roses / Reino Unido - EUA - Austrália / 2025) de Jay Roach com Benedict Cumberbatch, Olivia Colman, Kate McKinnon, Andy Samberg, Ncuti Gatwa, Sunita Mani e Allison Janney.  

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

4EVER: Catherine O'Hara

04/03/1954 ✰ 30/01/2026

A atriz canadense Catherine O'Hara ficou mundialmente conhecida por seu trabalho como a mãe de Esqueceram de Mim (1990), mas nos últimos anos, a atriz se dedicou mais ainda aos trabalhos na televisão, ressaltando seus dotes cômicos que já foram amplamente utilizados nos filmes e Christopher Guest aos longo dos anos. Impossível não rir se seus trabalhos em O Melhor do Show (2000) e For Your Consideration (2006) que poderia ter lhe rendido uma indicação ao Oscar. Recentemente a atriz foi indicada a vários prêmios por seu trabalho na série O Estúdio (2025). A causa da morte não foi revelada. 

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

INDICADOS AO OSCAR 2026

Pecadores: recorde de indicações.
Dando uma pausa do período de férias aqui no blog para escrever sobre os indicados ao Oscar de 2026. Vendo a lista de indicados, considero que reflete bastante o ano cinematograficamente fraco que Hollywood nos brindou em 2025. Sorte que temos filmes em língua não inglesa, algumas mentes que ousam pensar diferente nos estúdios do Tio Sam e o cinema indie sempre disposto a nos surpreender. Temos até uma obra original fazendo história ao se tornar a mais indicada na história do Oscar: Pecadores recebeu 16 indicações e superou o recorde de Titanic (1997). Seu maior concorrente é o favorito Uma Batalha Após a Outra, que curiosamente partilha os mesmos produtores do escritório da Warner. Para o Brasil, o melhor mesmo é ver O Agente Secreto surgindo em quatro categorias: melhor filme, melhor filme internacional, melhor ator e melhor escalação de elenco (a nova categoria do Oscar após 25 anos sem mudanças). A entrega acontecerá no dia 15 de março. Faça suas apostas, cruze os dedos e confira todos os indicados: 

Melhor Filme
Hamnet
Marty Supreme
F1: O Filme

Melhor Diretor
Chloé Zhao (Hamnet: A Vida Antes de Hamlet)
Josh Safdie (Marty Supreme)

Melhor Escalação de Elenco
Hamnet
Marty Supreme

Melhor Ator
Timothée Chalamet (Marty Supreme)
Ethan Hawke (Blue Moon)

Melhor Atriz
Rose Byrne (Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria)
Jessie Buckley (Hamnet: A Vida Antes de Hamlet)
Renate Reinsve (Valor Sentimental)
Kate Hudson (Song Song Blue)

Melhor Atriz Coadjuvante

Melhor Ator Coadjuvante

Melhor Filme Internacional
Foi Apenas um Acidente (França)
Sirât (Espanha)
A Voz de Hind Rajab (Tunísia)

Melhor Roteiro Adaptado
Hamnet: A Vida Antes de Hamlet

Melhor Roteiro Original
Marty Supreme
Foi Apenas um Acidente
Blue Moon

Melhor Canção Original
 Golden (Guerreiras do K-Pop)
Dear Me (Diane Warren: Relentles)
Sweet Dreams of Joy (Viva, Verdi!)
Train Dreams (Sonhos de Trem)

Melhor Trilha Original
Hamnet

Melhor Animação
Guerreiras do K-Pop
Arco
Zootopia 2
A Pequena Amélie
Elio

Melhor Documentário
Alabama: Presos do Sistema
Embaixo da Luz Neon
Cutting Through Rocks
Mr Nobody Against Putin
A Vizinha Perfeita

Melhor Figurino
Hamnet: A Vida Antes de Hamlet
Marty Supreme
Avatar: Fogo e Cinzas

Melhor Design de Produção
Hamnet
Marty Supreme

Melhor Maquiagem e Cabelo
Kokuho
Coração de Lutador
A Meia-Irmã Feia

Melhor Som
F1
Sirât

Melhor Montagem
F1: O Filme
Marty Supreme

Melhor Fotografia
Marty Supreme

Melhor Efeito Visual
Avatar: Fire and Ash
F1
Jurassic World Rebirth
The Lost Bus

Melhor Curta-Metragem
The Singers
Jane Austen's Period Drama
Two People Exchanging Saliva
Butcher's Stain
A Friend of Dorothy

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

4EVER: Bela Tárr

21/07/1955  04/01/2026 

O cineasta húngaro Bela Tárr é um dos maiores nomes do cinema europeu. Suas obras ficaram famosas pelo rigor estético, o uso do preto e branco e do tom contemplativo. Cultuado pelos admiradores do chamado slow cinema, Tárr gostava de explorar dilemas morais e temas existencialistas em suas obras. Dirigindo desde o final dos anos 1970, Tárr ficou famoso com obras do porte de Danação (1988), O Tango de Satã (1994), A harmonia de Werckmeister (2000) e O Cavalo de Turim (2011) em que caprichava nos planos sequência. A causa da morte não foi revelada.