domingo, 5 de abril de 2026

Pódio: Selton Mello

Bronze: o palhaço em crise.
3º O Palhaço (2011) o mineiro Selton Mello estreou como ator aos oito anos de idade na novela Dona Santa (1981) da Bandeirantes e desde então acumulou trabalhos que o fizeram ser um dos raros casos de artista mirim que continua a carreira sem maiores percalços na vida adulta. Consagrado no teatro, na televisão e no cinema, ele também investiu na carreira de roteirista e cineasta. Entre seus trabalhos como diretor, merece destaque seu trabalho como o protagonista Benjamin, que é filho de palhaço (vivido por Paulo José), que cresceu num circo, mas que entra em crise com a profissão que o destino teima em lhe reservar. Um trabalho bastante sutil e discreto que lhe valeu o GP Cinema Brasil de melhor ator e diretor. O longa também foi considerado o melhor filme daquele ano. 

Prata: O homem estranho
2º O Cheiro do Ralo (2006) Selton tem tantos trabalhos interessantes no cinema e na TV que fica até difícil escolher somente três (e justo por ser concebido originalmente para a TV que o Chicó do Auto da Compadecida/2000 ficou de fora). Transitando com maestria entre a comédia e o drama, o papel de Lourenço neste filme de Heitor Dhalia lhe caiu como uma luva. O humor bastante peculiar do personagem cheio de manias se tornou um dos grandes destaques da carreira do ator na pele de um sujeito dono de uma loja de empenhos e que realiza jogos de poder bastante cruéis com quem lhe procura. O roteiro adaptado da obra de Lourenço Mutarelli é um verdadeiro achado e recebeu vários prêmios. 

Ouro: O filho pródigo 
1º Lavoura Arcaica (20001) Eu sei que provavelmente você tem outros papéis favoritos do Selton para lembrar, seja do cinema com o oscarizado Ainda Estou Aqui (2024) ou na televisão por seus trabalhos impecáveis como na minissérie Ligações Perigosas (2016), mas eu ainda considero o trabalho dele nesta adaptação de Luiz Fernando Carvalho para a obra de Raduan Nassar um verdadeiro divisor de águas na carreira do ator. André (Selton) é um jovem que abandona a vida ao lado de sua família no interior para buscar outros caminhos. O que seria uma analogia sobre a parábola do filho pródigo recebe outras camadas quando ele retorna para casa dos pais e temas como autoritarismo, rigidez moral e incesto entram em choque em um dos filme mais densos do cinema brasileiro. Um clássico. 

PL►Y: Enterre seus Mortos

Selton: no fim dos tempos. 
Apocalíptico diáriw, o cineasta Marco Dutra assina um dos meus filmes de terror favoritos, Quando eu Era Vivo (2014) e tem em seu currículo outros filme muito interessantes. Não é novidade que ele é apaixonado por histórias de terror e posso dizer que sua assinatura sempre me deixa curioso. Confesso que fiquei um tanto decepcionado com sua nova obra: Enterre seus Mortos que é baseado o livro de Ana Paula Maia. A trama é ambientada em um período em que o fim do mundo se aproxima. Entre chuva de pedras, céu vermelho e uma nova religião que promete a salvação no fim dos tempos, existem crianças enviadas para ilhas de isolamento e uma síndrome que ninguém sabe explicar de onde veio. Nestes tempos sombrios, temos Edgar (Selton Mello), um homem calado e com traumas no passado que trabalha com resgate de animais mortos nas estradas. Ele tem como colega de trabalho o padre excomungado Tomás (Danilo Grangheia) e tem um caso com sua chefe Nete (Marjorie Estiano). Todos vivem na cidade de Abalurdes, que virou cenário de situações tão estranhas quanto os pesadelos de Edgar. São tantos elementos para lidar que o filme se tornou bastante confuso. Antes houvesse se concentrado nos fantasmas pessoais de Edgar, que só se revelam mesmo perto do final. Tomás também tem os seus demônios para exorcizar, mas nem teve tempo com o desfecho que seu personagem recebe. Com seus personagens destinados à danação, o filme é ambicioso com seus diálogos em atrito e abraça uma estética de filme B, mas faltou foco na trama ambientada em um universo bastante rico e particular.  Tive a impressão que ficaria melhor se fosse uma minissérie. 

Enterre Seus Mortos (Brasil - 2025) de Marco Dutra com Selton Mello, Marjorie Estiano, Danilo Grangheia, Betty Faria, Maria Manoella e Gilda Nomacce. 

PL►Y: A Única Saída

Lee: por um lugar ao sol. 

Desesperado diáriw, quando ouvi a história do sul coreano No Other Choice pela primeira vez eu lembrei imediatamente de O Corte (2005) do diretor Costa Gravas e para zero surpresa os dois filmes são baseados no mesmo livro de Joy Collins, no entanto o tratamento narrativo das adaptações cinematográficas são bastante distintas e merecem ser conferidas. Park Chan Wook visivelmente se diverte com as tintas mais absurdas da história do homem que depois de passar anos se dedicando à uma empresa fabricante de papel é mandado embora sem muita cerimonia e decide se livrar de todos os seus possíveis concorrentes a conseguir um novo emprego. Wook é cheio de estilo na composição das cenas, capricha nos ângulos, nas cores na trilha sonora, na montagem e constrói um filme envolvente com a ajuda de um elenco afiado, sobretudo Lee Byung-hun na pele de Yo Man-Soo (que foi indicado ao Globo de Ouro pelo papel) que consegue explorar as nuances mais secretas da alma mundana de seu personagem (seja na frieza, nas dúvidas, nas incertezas ou nas piadas fora de hora). Ele é seguido de perto por Son Ye-jin na pele da esposa que percebe que algo está errado (mas não sabe se vale a pena mudar de direção). Nesta alegoria sobre a selvageria de um mundo capitalista com cada vez menos empregos e custo de vida cada vez mais alto, o filme nem se inibe em deixar claro que no o final da grande maioria será igual dos oponentes de Man-Soo. Um filme esperto e elogiado, mas que seguiu a sina de deixar Park Chan-Wook fora do Oscar de novo. Será que a Academia achou tudo muito ácido? Já está no meu top10 do ano. 

A Única Saída (Eojjeolsugaeopda Eobsda/ Coreia do Sul - França / 2025) de Park Chan-Wook com Lee Byunh-hun, Son Ye-jin, Woo Seung Kim, So Yul Choi, Par Hee-soon, Yeom Hye-ran, Oh Dal-su e Cha Seung-won. 

PL►Y: Emergência Radioativa

Massaro: catástrofe histórica. 

Acidentado diáriw, assisti a minissérie da Netflix sobre uma situação que me causou pesadelos na infância. Emergência Radioativa aborda o terrível acidente ocorrido com Césio-137 em Goiânia em 1987. Eu tinha oito anos quando a tragédia ganhou atenção dos noticiários e toda aquela situação me provocava arrepios. Na época não entendi muito bem o que havia acontecido, mas a minissérie dirigida por Fernando Coimbra e Iberê Carvalho reconstitui toda a situação alterando os nomes dos personagens e investe num tom investigativo somado a um olhar humanitário sobre os personagens. Toda situação ocorreu devido ao fechamento de forma irregular de um clínica de radiologia, em meio ao prédio abandonado, dois homens acharam uma caixa de chumbo e resolveram vender para o ferro velho. A caixa foi aberta e um pó azul brilhoso causou fascínio nas pessoas que tiveram contato com ele. Não faziam ideia que aquele era o Césio, um isótopo radioativo que causaria estrago na vida das pessoas que tiveram contato com ele. Na minissérie, se dona Tininha (Ana Costa) não houvesse percebido a relação daquela "sucata" com o mal estar que sentiam, a tragédia poderia ter sido muito maior. Na situação de emergência nunca vivida antes no Brasil, novos protocolos tiveram que ser testados e lidar com os interesses políticos que estava em questão. Ao todo quatro mortes imediatas ocorreram, 249 pessoas apresentaram contaminação significativa, mais de 1.000 pessoas receberam monitoramento contínuo e mais de 112 mil foram examinadas na época. Embora a produção escorregue aqui e ali (seja no didatismo, nas frases feitas e no melodrama) ela é bem conduzida e tem ótimo elenco, tanto que já figurou no top10 global da gigante do streaming. 

Emergência Radioativa (Brasil - 2026) de Fernando Coimbra e Iberê Carvalho com Johnny Massaro, Paulo Gorgulho, Antonio Saboia, Alan Rocha, Ana Costa, Marina Merlino, Leandra Leal, Bukassa Kabengele, Tuca Andrada e Emílio de Mello. 

PL►Y: Foi Apenas um Acidente

Foi Apenas um Acidente: Palma de Ouro.  
Premiado diáriw, eu queria muito ter gostado de Foi Apenas um Acidente do iraniano Jafar Panahi, mas não consegui. O filme ganhou a Palma de Ouro do Festival de Cannes do ano passado, concorreu ao Oscar de Filme Internacional deste ano e apareceu em várias outras premiações e listas de melhores do ano, mas eu não conseguiria coloca-lo entre meus dez favoritos do ano. Reconheço toda a admiração que Panahi merece em continuar filmando na clandestinidade com toda a perseguição que sofre do governo de seu país, mas o filme me exige um paciência que estou longe de ter. A história começa com o acidente de uma família em uma estrada deserta e no dia seguinte, o pai da família resolve levar o carro para consertar. O dono da oficina suspeita que aquele homem foi responsável por torturá-lo no passado, o sequestra e quase o enterra vivo, mas uma fagulha de sensatez surge e ele resolve procurar outras pessoas que também cruzaram com o mesmo torturador no passado. Cada um deles apresenta um temperamento, do mais ponderado ao mais explosivo, caracterizando não apenas certezas e incertezas diante da identidade do tal homem, mas também se o que estão fazendo é justiça, vingança ou só barbárie mesmo. É um filme bastante atual em sua temática com personagens descrentes do sistema na sociedade em que vivem, mas a discussão se repete por mais de uma hora sem maiores alterações. Como alegoria para a situação o Irã o filme pode até ter conquistado fãs pelo mundo, mas eu achei cansativo, repetitivo e um tanto parecido com Ação entre Amigos (1998) de Beto Brant, filme brasileiro que gosto bastante e que mostra-se mais enxuto e envolvente com uma situação bastante parecida.

Foi Apenas um Acidente (Yek tasadof-e sadeh / Irã - França - Luxemburgo - EUA / 2025) de Jafar Panahi com Vahid Mobasseri, Mariam Afshari, Ebrahim Azizi, Hadis Pakbaten e Majid Panahi. 

NªTV: Rivalidade Ardente

Hudson e Connor: pegando fogo. 
 Hypado diáriw, acho que não resta dúvidas de que a série mais falada de 2026 até agora é a canadense Rivalidade Ardente, adaptação de uma série de livros escrita por Rachel Reid. A primeira temporada gira em torno de dois jogadores de hóquei, o canadense Shane Hollander (Hudson Williams) e o russo Ilya Rozanov (Connor Storrie). Jogadores de times rivais, os dois sentem uma atração imediata um pelo o outro e após a primeira transa, continuam realizando encontros esporádicos para saciar o desejo que um sente pelo outro. A narrativa é marcada por grandes intervalos temporais e alguns conflitos que os dois possuem diante da relação homoafetiva que se estabelece aos poucos. Existe a necessidade de manter tudo em segredo duelando com a vontade de Shane querer algo mais do que apenas sexo, enquanto Ilya mostra-se bissexual e receoso da repercussão de sua sexualidade em uma cultura legalmente homofóbica como a russa e por aí vai. Sem pudores em criar cenas de sexo entre os dois (embora evite exibição de genitálias), a série se aproveita ao máximo da plasticidade física dos rapazes e não foge muito dos clichês, o diferencial parece ser  a voracidade sexual em apresentar um romance tórrido gay para o grande público. Entendo toda a curiosidade em ver dois homens lindos e de corpos perfeitos se pegando, mas bem que o roteiro poderia desenvolver várias situações que são citadas e abandonadas quase que em seguida (e os dois são talentosos para dar conta disso). Soa tudo apressado e com medo de promover alguma reflexão do meio de tanta testosterona em ebulição. Meu episódio favorito é o quinto em que algumas situações se amarram, mas o sexto (e último) me fez duvidar sobre o fôlego para uma nova temporada. Veremos se o tesão dura mais uma leva de episódios. 

Rivalidade Ardente (Heated Rivalry - Canadá / 2026) de Jacob Tierney com Hudson Williams, Connor Storrie, François Arnaud, Robbie G. K., Christina Chang, Dylan Walsh e Sophie Nélisse. 

terça-feira, 31 de março de 2026

Combo: Visibilidade Trans

05 Emilia Perez (2024) no Dia da Visibilidade Trans resolvi fazer um combo com cinco filmes importantes para artistas que só recentemente começaram a ter espaço no cinema após décadas de pessoas cis vivendo personagens trans nas telas. Bem que eu tentei deixar de fora, mas o pior filme da carreira de Jacques Audiard merece lembrança por premiar pela primeira vez uma mulher trans no Festival de Cannes e cravar uma indicação ao Oscar de melhor atriz. Apesar da performance de Karla Sofía Gascón, o filme é um desarranjo com sua história desengonçada sobre um traficante realiza uma cirurgia de redesignação sexual e retorna tempos depois em um musical estapafúrdio. Vale como lembrança para as gerações futuras de como não abordar um tema já visto com tanto preconceito pela público. 

04 Perto de Você (2023) Elliot Page se tornou o primeiro artista indicado ao Oscar ao descobrir sua redesignação sexual diante da mídia. Indicado ao Oscar de melhor atriz por Juno (2007), Page abraçou a militância queer em suas pautas e projetos e depois que realizou seus procedimentos para redesignação sexual voltou ao cinema com este filme indie modesto, mas que toca em assuntos delicados no retorno de um homem trans para a cidade em que cresceu. Embora o filme tenha seus problemas de execução, o longa serve para abordar questões bastante delicadas envolvendo os preconceitos presentes em um grupo de pessoas que deveriam exalar apoio e acolhimento. Mudanças a parte, o talento de Page continua o mesmo. 

03 Uma Mulher Fantástica (2017) o drama chileno ganhou os holofotes com a trama de Marina (Daniela Vega), uma mulher trans que sonha em ser uma cantora de sucesso, mas que a vida dá uma guinada assustadora quando seu parceiro, Orlando (Francisco Reyes) morre e ela precisa enfrentar a família do falecido em busca de seus direitos. O filme de Sebastian Lélio ganhou o prêmio de melhor roteiro no Festival de Berlim e o prêmio Ecumênico, além disso levou o Oscar de melhor filme estrangeiro em 2018. Embora eu fique bastante incomodado em ver todo o martírio da personagem, o longa se tornou um marco para a comunidade queer (e ainda rendeu uma pendenga danada por um comentário infeliz do crítico Rubens Ewald Filho na transmissão do Oscar). 

02 Tangerine (2015) embora Sean Baker tenha caído nas graças do Oscar recentemente, ele merecia desde esta produção filmada com  Iphone5  - o que favoreceu bastante o estilo de filmagem documental que lembrava muito uma câmera escondida. A narrativa acompanha Sin-Dee (Kitana Kiki Rodriguez), que ao sair da véspera de natal da prisão, tenta encontrar seu namorado após descobrir que ele a traiu com uma mulher cis. Na jornada, ela conta com a companhia da amiga Alexandra (Mya Tayor) em situações permeadas por diálogos inacreditáveis. O resultado parece um conto trans escrito por Almodóvar pelas ruas de Los Angeles. De um colorido fascinante, Tangerine é um verdadeiro tesouro indie

  01 Até o Cair da Noite (2023) Talvez este seja o filme menos conhecido da lista, mas eu considero suas camadas as mais complexas dentre os citados. O filme conta a história de Leni (Thea Ehre), uma presidiária que é convidada a colaborar com a polícia na busca por um traficante que atua online. Para isso, ela precisa trabalhar com Robert (Timocin Ziegler), um investigador que deverá se passar por seu amante. Acontece que o investigador já teve um relacionamento com Leni antes de seu processo de transição de gênero e os sentimentos entre os dois tendem a tornar a missão ainda mais complicada. O diretor Christoph Hochhäusler mistura drama queer com filme policial e rendeu para a austríaca Thea o prêmio de melhor coadjuvante no Festival de Berlim. 

segunda-feira, 16 de março de 2026

PL►Y: O Problemista

Julio e Tilda: belo besteirol. 

Camaleônico diáriw, tenho a impressão que Tilda Swinton tem em casa um álbum de fotografia com todas as caracterizações que já teve na carreira. Discreta em sua vida pessoal (embora sempre flerte com a androginia), a atriz costuma gostar de interpretar personagens que exijam algumas mudança em seu visual. Prestigiada o suficiente para fazer filmes com Pedro Almdóvar ou da Marvel nos últimos anos, Tilda está em um patamar diferente dos meros mortais e não hesita em trabalhar com diretores iniciantes se a proposta lhe parece interessante. Foi assim que ela foi parar neste O Problemista, um delicioso delírio cômico que está em cartaz na Netflix com sua narrativa frenética e cheia de estranhezas. O filme conta a história de Alejandro (Julio Torres que também assina direção e roteiro), um rapaz que desde pequeno sonha em se tornar um designer de brinquedos, digamos... diferentes (e hilariantes). Nascido em El Salvador, ele tenta a sorte em Nova York, mas descobre que o sucesso no ramo é mais complicado do que ele esperava. Se a grana é sempre curta, a coisa piora quando ele perde o emprego em uma empresa digna de filme de ficção científica. Desesperado para conseguir se manter na cidade, ele começa a trabalhar para uma artista (Tilda Swinton) que parecer ter raiva do muno enquanto tenta promover os trabalhos do falecido marido artista plástico medíocre. De tropeço em tropeço, o rapaz tenta pagar suas contas e conseguir algum sucesso em momentos de puro besteirol. Embora tenha rendido boas risadas (banhadas de estranhamento), o filme poderia ser um tantinho menos nervoso em sua narrativa para curtirmos os momentos de puro besteirol de forma menos acelerada. Este é o primeiro filme em que Julio Torres assina a direção, ele já realizou vários trabalhos na televisão (incluindo o icônico do Saturday Night Live que lhe rendeu várias indicações ao Emmy). Indicado ao Independent Spirit de melhor estreia com este filme, o rapaz (que já tem 39 anos!) merece atenção em seus futuros projetos. 

O Problemista (Problemista / EUA - 2023) de Julio Torres com Julio Torres, Tilda Swinton, RZA, Isabella Rosselini, Catalina Saavedra, James Scully, Laith Nakli, Greta Lee e Lary Owens. 

PL►Y: O Último Azul

Santoro e Denise: distopia
Reflexivo diáriw, entre os candidatos à vaga brasileira entre os concorrentes ao Oscar de filme internacional estava O Último Azul de Gabriel Masccaro. O filme ganhou o Urso de Prata no Festival de Berlim em 2025 e foi bastante elogiado pela forma como esgarça o etarismo em um mundo distópico que reflete os tempos atuais. O filme conta a história de Teresa (Denise Weinberg), uma mulher que ao passar do setenta anos deverá ser encaminhada para uma espécie de colônia afastada das cidades para que possa viver sob os cuidados necessários sem ocupar a filha que precisa trabalhar. Teresa questiona ter que ir para um lugar que não deseja, afinal, continua consciente e resolvendo a vida como pode. No entanto, quando o governo identifica que ela já deveria ter ido para a tal colônia, ela decide seguir por outros caminhos que sempre se deparam com limitações não desencadeadas por seu estado físico ou mental, mas por uma sociedade que não a percebe como uma pessoa capaz de gerenciar as próprias vontades. Embora tenha uma narrativa contemplativa e um apelo imagético sereno, o trabalho excepcional de Denise Weinberg retrata bem a angústia desta mulher experiente que do dia para a noite passa a ser vista como uma pessoa incapaz apontada como um peso na vida dos outros. Mascaro conduz seu filme com bastante sensibilidade, flerta com a ficção científica, com elementos fantásticos e constrói um filme que nos faz pensar sobre como lidamos com o envelhecimento (se você não produz você é descartável? A vida se resume a isso?). Embora tenha destaque no cartaz, Rodrigo Santoro tem uma participação pequena, mas importante quanto ao aspecto mais delirante do filme: o uso de um caracol que permite ver o futuro. Não deixa de ser interessante que o futuro ainda cause fascínio e curiosidade em uma sociedade que percebe de forma tão negativa o envelhecimento. Nosso futuro é envelhecer e, se isso não acontecer é porque a morte (sempre) chega antes do esperado. 

O Último Azul (Brasil/2025) de Gabriel Mascaro com Denise Weinberg, Rodrigo Santoro, Miriam Socarras, Adanilo, Clarissa Pinheiro, Isabela Catão e Diego Bauer. 

PREMIADOS OSCAR 2026

Jessie, Jordan e Amy: merecido!

Ano passado ficamos muito felizes quando o Brasil recebeu seu primeiro Oscar com Ainda Estou Aqui na categoria de melhor filme internacional. Este ano ficamos eufóricos com a possibilidade de repetir o feito este ano com O Agente Secreto que concorria em quatro categorias (filme, ator, escalação de elenco e filme internacional), mas deixamos a cerimônia sem nenhum prêmio, ao menor, serve de consolo que perdemos as estatuetas para outros concorrentes de qualidade indiscutíveis. Embora o ganhador na categoria de melhor filme não fosse meu favorito, ao menos chegou a vez de Paul Thomas Anderson ser finalmente reconhecido. Além disso, fez Sean Penn entrar no seleto grupo de atores com três Oscars no currículo. Também não posso deixar de comentar a satisfação que foi ver o Chalamet aplaudir o Oscar de Michael B. Jordan e Amy Madigan quebrar o tabu de artistas em filme de terror que são apenas indicadas. Depois do mico que foi Demi Moore perder no ano passado, espero que a Academia aprenda a lição! A surpresa da noite ficou por conta de um inesperado empate entre os curta-metragens! As seguir todos os premiados com meus acertos marcados com (e algo me diz que acertei pouco este ano, um vexame):

Melhor Filme

Melhor Escalação de Elenco

Melhor Ator

Melhor Atriz
Jessie Buckley (Hamnet: A Vida Antes de Hamlet) 

Melhor Atriz Coadjuvante

Melhor Ator Coadjuvante

Melhor Filme Internacional

Melhor Roteiro Adaptado

Melhor Roteiro Original

Melhor Canção Original
 Golden (Guerreiras do K-Pop) 

Melhor Trilha Original

Melhor Animação
Guerreiras do K-Pop 

Melhor Documentário
Mr Nobody Against Putin

Melhor Figurino

Melhor Design de Produção

Melhor Maquiagem e Cabelo

Melhor Som
F1

Melhor Montagem

Melhor Fotografia

Melhor Efeito Visual
Avatar: Fire and Ash

Melhor Curta-Metragem
The Singers
Two People Exchanging Saliva

Melhor Curta-Metragem de Animação
A Garota que Chorava Pérolas

Melhor Curta-Metragem de Animação
Quartos Vazios 

Placar: 
Pecadores : 04
Guerreiras do K Pop: 02
Hamnet: 01
Avatar - Fogo e Cinzas: 01
F1: 01

Este ano eu acertei... metade!!! Só 12 de 24 categorias
Um fiasco!

domingo, 15 de março de 2026

APOSTAS PARA O OSCAR 2026

OSCAR 2026
Amanhã é dia de entrega do Oscar e mais uma vez o Brasil está em festa com as quatro indicações conquistadas por O Agente Secreto longa de Kleber Mendonça Filho concorre em quatro categorias (Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Direção de Elenco e Melhor Ator para Wagner Moura). Além disso, o brasileiro Adolpho Veloso está entre os favoritos na categoria de melhor fotografia pelo excepcional trabalho em Sonhos de Trem. Nas categorias principais, Pecadores começou a dar trabalho para Uma Batalha Após a Outra, o que eu acho ótimo para espantar aquele sabor de mesmice que paira na temporada de prêmios. Este ano infelizmente não consegui ver todos os filmes que concorrem na categoria principal e também não tive tempo para criar postagens sobre as categorias principais. No entanto, minha tradicional lista de apostas para o Oscar deste ano está logo abaixo (o que é bem diferente de quem deveria eu acho que deveria levar):

Melhor Filme

Melhor Escalação de Elenco

Melhor Ator

Melhor Atriz
Jessie Buckley (Hamnet: A Vida Antes de Hamlet)

Melhor Atriz Coadjuvante

Melhor Ator Coadjuvante

Melhor Filme Internacional

Melhor Roteiro Adaptado
Hamnet: A Vida Antes de Hamlet

Melhor Roteiro Original

Melhor Canção Original
 Golden (Guerreiras do K-Pop)

Melhor Trilha Original

Melhor Animação
Guerreiras do K-Pop

Melhor Documentário
A Vizinha Perfeita

Melhor Figurino

Melhor Design de Produção

Melhor Maquiagem e Cabelo
Kokuho

Melhor Som

Melhor Montagem

Melhor Fotografia

Melhor Efeito Visual
F1

Melhor Curta-Metragem de ficção
A Friend of Dorothy

Melhor Curta-Metragem documentário
Quartos Vazios

Melhor Curta-Metragem de Animação
Butterfly

domingo, 8 de março de 2026

PL►Y: Se Eu Tivesse Pernas, Eu te Chutaria

Rose: uma mãe em apuros. 

Desesperado Diáriw, fico muito feliz quando um filme pequeno como este consegue superar toda a grana investida em marketing dos estúdios e chega ao Oscar em uma categoria importante como melhor atriz. Rose Byrne tem o trabalho mais celebrado de sua carreira, levou o prêmio de atuação no Festival de Berlim, o Globo de Ouro de atriz de comédia, o Independent Spirit e vários prêmios da crítica. No fim das contas, ela é a única que pode tirar o prêmio da Jessie Buckley. Toda torcida em torno de Rose é merecida, já que ela consegue transmitir todo o desespero de sua personagem na primeira cena. Antes de dizer uma palavra, ela já deixa claro que a personagem está prestes a se desintegrar perante os cuidados que específicos que a filha necessita, com a ausência do marido e o trabalho como terapeuta. As coisas só pioram quando um problema de infiltração alaga seu apartamento e faz o teto quase desabar em sua cabeça - uma clara alusão à sua vida. Assim como ela insiste com o proprietário para cuidar do problema, ela tenta o tempo inteiro encontrar apoio em alguém, mas nota, cada vez mais como depende dela mesma dar conta de tudo que lhe acontece (até mesmo de uma paciente que resolve desaparecer no meio de uma sessão). Filmado de forma claustrofóbica por Mary Bronstein em ângulos que só reforçam a solidão da personagem (reparem como nem o rosto da filha aparece durante o filme), Se eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria não é perfeito, mas constrói uma narrativa opressora cheia de projeções em torno da personagem que é sentida plenamente pelo espectador. Só para lembrar, a australiana Rose consolidou a carreira com comédias, mas antes de ir para Hollywood ganhou o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Veneza pelo cult A Deusa de 1967 (2000). 

Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria (If I had Legs, I'd Kick You) de Mary Bronstein com Rose Byrne, Conan O'Brien, Danielle MacDonald, Delaney Quinn, Mary Bronstein, A$ap Rocky, Ivy Wolk e Christian Slater. 

sábado, 28 de fevereiro de 2026

4EVER: Dennis Carvalho

27/09/1947  28/02/2026

Nascido em São Paulo, Dennis de Carvalho iniciou a carreira como dublador, ganhando destaque como ator nos anos 1970 como o vilão da novela Ídolo de Pano (1974), consolidando a carreira com os trabalhos seguintes em Pecado Capital (1975) e Brilhante (1981). Embora respeitado como ator, começou a se dedicar à direção, sendo responsável por trabalhos memoráveis na direção de novelas como a versão original de Vale Tudo (1988) e Celebridade (2003), além de trabalhos marcantes em Malu Mulher (1979), Anos Rebeldes (1992) e a sitcom Sai de Baixo (1996-2002). A causa da morte não foi informada.

domingo, 22 de fevereiro de 2026

PL►Y: Juntos

Dave e Alison: num só. 

Unificado diáriw, acho interessante como os filmes de terror se beneficiam da busca por história originais de baixo orçamento pelos estúdios. Ano passado foi  excelente para o gênero e entre os lançamentos que chamaram atenção está Juntos. Protagonizado pelo casal da vida real Dave Franco e Alison Brie, o filme investe no body horror (engraçado como o gênero voltou à moda, David Cronenberg deve estar orgulhoso) para construir uma analogia muito interessante sobre a dependência emocional na vida de um casal. Dave interpreta Tim, um músico que a carreira nunca decolou. Alison vive Millie, uma professora que vai morar com o namorado em uma casa afastada. A coisa entre os dois está um tanto estranha desde que ela fez o pedido de casamento e ele ficou sem reação diante do pedido. Os dois tentam se acertar, mas quando resolvem fazer uma trilha juntos na floresta acabam se deparando com uma fonte de água estranha que o público já sabe o que gera por conta de dois cachorros que apareceram por lá. Ao longo do filme, uma série de sensações estranhas e situações bizarras vão deixar claro que os corpos de ambos desejam se tornar um só e não há nada de romântico nisso. Quando se afastam, um passa mal. Quando se beijam ou transam seus corpos grudam e aos poucos os desentendimentos tomam conta. A química real do casal (os atores estão juntos desde 2011, o que soa uma eternidade para Hollywood) ajuda bastante a dar credibilidade aos conflitos e desejos existentes entre os personagens. Achei que os efeitos são eficientes na maioria da vezes (ruim mesmo e aquela cena do cabelo que parece muito mal feita). Acho que o filme perde alguns pontos quando tenta explicar demais o que está acontecendo. Quando chegou ao final, percebi que achei a ideia mais interessante que o desenvolvimento da história, mas não posso negar que me diverti um bocado com o filme (e nunca mais vou ouvir Two Become One das Spice Girls sem sentir arrepios). 

Juntos (Together / Austrália - EUA / 2025) de Michael Shanks com Dave Franco, Alison Brie, Damos Herriman, Mia Morrissey, Karl Richmond e Jack Kenny. 

domingo, 15 de fevereiro de 2026

4EVER: Robert Duvall

05/01/1931 ✰ 15/02/2026

Robert Selden Duvall nasceu na Califórnia e começou a carreira em 1952 e participou de produções icônicas após estrear no cinema com o clássico O Sol é Para Todos (1962). Fez trabalhos importantes em M*A*S*H (1970), O Poderoso Chefão (1973), Rede de Intrigas (1972) e Apocalipse Now (1979). A longo da carreira concorreu ao Oscar sete vezes, recebendo o Oscar de ator por A Força do Carinho (1984) e em 2015 se tornou o ator de maior idade a ser indicado ao Oscar por seu trabalho em O Juiz (2015) em que concorreu como coadjuvante. A causa da morte não foi revelada. 

PL►Y: Valor Sentimental

Renate e Igna: irmãs. 
Afetuoso diáriw,  eu sou grande admirador do cinema do norueguês Joaquim Trier. Adoro a forma como ele apresenta seus personagens e constrói as tramas com muitos diálogos que dizem menos do que as entrelinhas. Seu novo filme, Valor Sentimental ganhou o Grande Prêmio do Júri (espécie de segundo lugar) do Festival de Cannes. Ao longo do ano tornou-se um dos filmes mais elogiados do ano e o principal concorrente do brasileiro O Agente Secreto (2025) no páreo de melhor filme internacional. Se o brasileiro concorre em quatro categorias, o longa norueguês está na disputa em nove. Seu elenco está todo indicado indicado e ainda roteiro original, montagem, direção e melhor filme. Na trama, duas irmãs atravessam o luto pela morte da mãe quando o pai cineasta (Stellan Skarsgaard) retorna depois de muito tempo com um roteiro embaixo do braço e um convite para a primogênita, Nora (Renate Reinsve) viver a protagonista. Ela antes mesmo de ler o roteiro, rejeita o convite. Nora é uma atriz renomada do teatro, embora sua relação com os palcos seja um tanto, digamos... complicada. A relação da irmã caçula, Agnes (Igna Ibsdotter Lilleaas) parece ser mais tranquila com o pai, tendo atuado ainda criança no último filme dele e ter desistido da carreira logo depois. Agnes casou, tem um filho e parece bem resolvida, enquanto Nora tem um bocado de sentimentos complicados para lidar com a figura paterna. Outros personagens importantes na história são a jovem atriz (Elle Fanning) que assume o papel principal do filme e a casa que está na família há tempos  e que servirá de locação para o longa. Trier faz um filme tão contido quanto intenso, recheado de relações familiares, projeções, necessidades de validação e aquela roupa suja que precisa ser lavada mais cedo ou mais tarde. Depois da parceria em  A Pior Pessoa do Mundo (2021), Joaquim e Renate Reinsve arrasam mais uma e desejo que façam muitos filmes juntos. 

Valor Sentimental (Affeksjonsverdi / Noruega / Alemanha / Dinamarca / Suécia / Turquia / França / Reino Unido / 2025) de Joaquim Trier com Renate Reinsve, Stellan Skarsgård, Igna Ibsdotter Lilleaas, Elle Fanning, Anders Danielsen Lie e Cory Michael Smith. 

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

4EVER: James Van der Beek

08/03/1977 ✰ 11/02/2026

Nascido no Texas. James Van Der Beek estreou na TV em 1993, mas a fama chegou cinco anos depois na pele do adolescente de bom coração, e apaixonado por cinema, Dawson Leery, James se tornou o ídolo de uma geração ancorado nas seis temporadas da série. Ainda que o cinema não tenha lhe abraçado como seus colegas de elenco, ele alcançou boas críticas por seus trabalhos nos longas Marcação Cerrada (1999) e Leis da Atração (2002). Em 2023 o ator foi diagnosticado com câncer colorretal e desde então realizava tratamento.

domingo, 8 de fevereiro de 2026

NªTV: Pluribus

Rhea: contra o coletivo
Dissonante diáriw, o final de 2025 trouxe aquela que se tornou a série mais falada e e elogiada do ano. Com a assinatura ilustre de Vince Gilligan (o cérebro por trás de Breaking Bad/2008-2014)) a ficção científica Pluribus virou febre com seus episódios semanais (agora todos disponíveis na AppleTV. A ideia é genial: um sinal vindo do espaço funciona como uma liga que conecta todas as mentes das pessoas do planeta Terra. As mentes interligadas fazem com que as pessoas se entendam melhor e convivam de forma pacífica. As brigas, a violência, os crimes, as guerras acabaram e todos estão felizes vivendo como nunca antes. No entanto, algumas pessoas demonstram imunidade à este pensamento coletivo. Dentre estas doze pessoas está a escritora Carol Sturka (Rhea Seehorn), que torna-se ainda mais amarga quando sua companheira morre durante o processo de propagação desta ligação. O primeiro episódio da série é perfeito, misturando ficção científica, terror e drama, construindo uma atmosfera envolvente que bebe diretamente na clássica série Além da Imaginação. Nos episódios seguintes, Carol começa a questionar todo aquele comportamento, no entanto, percebe que toda sua insatisfação e revolta podem gerar efeitos colaterais entre os outros. Obstinada a descobrir o que está acontecendo, ela se depara com alguns mistérios, cria algumas confusões e a série se beneficia ao apresentar uma nova configuração mundial, que por um lado traz benefícios e por outro assusta ao instaurar somente uma forma de pensamento. Pode se fazer várias analogias à trama, seja sobre a internet, o fascismo, o comportamento de manada, a manutenção de uma identidade própria e o pensamento dissonante como uma ameaça. Ainda que sua personagem seja uma chata,  Rhea Seehorn está ótima em cena e até nos faz esquecer de como sua personagem é de uma nota só. Particularmente achei que lá pela metade tudo se torna repetitivo, mas a curiosidade com este admirável mundo novo, permanece até uma nova temporada. 

Pluribus (EUA-2025) de Vince Gilligan com Rhea Seehorn, Karolyna Wydra, Carlos Manuel, Miriam Shor, Max Reeves, Menik Gooneratne e Samba Schutte. 

sábado, 7 de fevereiro de 2026

NªTV: Stranger Things - Temporada Final

Noah: um novo X-Men

Estranho diáriw, pensei muito se deveria escrever alguma coisa sobre a quinta e  última temporada de Stranger Things, afinal, faz um tempo que pararam de comentar sobre ela, mas acho que vale o registro de uma série que se tornou febre mundial e enfrentou todo tipo de desafio até chegar em seu desfecho. Desde o início sabia-se que o elenco infantil iria crescer. O problema é que depois de uma pandemia e uma greve de roteiristas, elas cresceram mais do que o planejado. Além destes percalços, entregar cinco temporadas ao longo de dez anos com intervalos irregulares já faz tudo ficar um pouco esquecido e perdido no fio da meada. Eu esperei todos os episódios estarem disponíveis para assistir de uma vez, mas confesso que nunca demorei tanto para ver oito episódios. Tive a impressão que todos eram uma grande enrolação até chegar ao confronto final com duração esticada de longa metragem. Precisava de tudo isso? Não. Ainda acho que poderia ter terminado na quarta temporada, esta quinta privilegia mais a ação ao separar os personagens em várias tarefas que visam destruir o vilão Vecna. Nisso tem algumas pontas da temporada anterior para amarrar e se Millie Bobby Brown parece desanimada ao retomar Eleven, a produção ao menos tem a boa ideia de colocar Will (Noah Schnapp) com maior destaque ao explorar sua conexão com o vilão da história, o temido Vecna (Jamie Campbell Bower). No entanto, achei uma chateação aquela reunião para Will sair do armário com gente chorando de emoção e todos o aceitando de boa nos anos 1980... como este, nos raros momentos em que o foco recai no desenvolvimento de personagens eu achei forçado, tanto que aquelas últimas cenas do último episódio soam protocolares. É triste ver uma série tão legal terminar de forma tão sem graça. Prova disso é o que fizeram com Winona Ryder, David Harbour, Linda Hamilton entre outros com personagens sem muito o que fazer no meio do corre-corre interminável da temporada. Deveria ser uma aventura de tirar o fôlego, mas só me deu sono. Enfim, acabou. Amém. 

Stranger Things - Temporada Final (Stranger Things / EUA - 2025) de Matt Duffer e Ross Duffer com Millie Bobby Brown, David Harbour, Winona Ryder, Noah Schnapp, Jamie Campbell Bower, Finn Wolfhard, Caleb McLaughlin, Gaten Matarazzo, Joe Keery, Sadie Sink, Natalia Dyer, Maya Hawke e Charlie Heaton.