segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

CATÁLOGO: IMPÉRIO DOS SONHOS

Dern: perdida em si mesma na última sandice de David Lynch.

Todo cinéfilo que se preze sabe que David Lynch não é um cineasta convencional, mas é um dos poucos que consegue envolver quem assiste seus filmes como se fosse um personagem o fazendo mergulhar na estranheza do universo entre a realidade e a fantasia em que constrói suas histórias - muitas vezes interpretadas como sem pé e nem cabeça. Às vezes ele facilita a vida do espectador (como em O Homem Elefante ou A História Real), em outras gosta de embaralhar nossa atenção em vários pedacinhos, numa espécie de quebra-cabeça em película. Lynch domina a arte cinematográfica como poucos. Iluminação, edição, trilha-sonora, atuações, tudo está a serviço da atmosfera que consegue construir apoiado num roteiro muitas vezes enigmático. Se em Cidade dos Sonhos (Mulholland Drive/2001) ele conseguiu duas indicações ao Oscar (direção e roteiro adaptado – ambas merecidíssimas) a coisa parece não ter funcionado como o esperado em Império dos Sonhos que funciona quase como uma sequência do anterior na forma como explora o processo de fazer cinema. Lynch teve a idéia de fazer o filme quando descobriu que o esposo de sua musa Laura Dern nascera em Inland Empire (o título original do filme, tão sonoro e interessante como Mulholland Drive), instigado com o nome da cidade, o diretor construiu mentalmente as cenas sem se preocupar com o encadeamento do roteiro. Assim, foi filmando seu elenco ao longo dos meses sob a trama aparentemente simples: uma atriz que para de distinguir o que é sua vida, o que é sonho, o que é memória e o que é ficção. Nesse pretexto o diretor faz de tudo que tem vontade, salpicando mistérios, subtramas, focos, portas, texturas, dezenas de personagens (às vezes me parecia uma versão hardcore de Robert Altman com as participações de Diane Ladd, Willian Macy e Laura Elena Harring nos créditos) e os embaralha numa montagem caótica e cheia de atmosfera em que cabe ao expectador construir o filme em sua mente. No meio do caos somos guiados pela atuação de Laura Dern que consegue nos tragar para a angústia de sua personagem. Obviamente que um filme de Lynch não é para todos os gostos, mas o espectador devidamente avisado pode apreciar os méritos do filme. Império dos Sonhos é uma experiência acima de tudo sensorial sobre os labirintos do processo de construção de uma personagem (e por isso, seria melhor ter traduzido o título original como Império Interior). Acho que não precisa mencionar a premissa do filme que conta a filmagem de um roteiro baseado no folclore polonês que parece amaldiçoado, no meio de tanta linhas narrativas isso é o que menos importa. O clima opressor, sombrio e obscuro nas mãos de Lynch continua sendo estranhamente atraente mostrando o quanto é capaz de criar pesadelos como ninguém, seja com coral de prostitutas ou seres coelho. Mas os delírios criativos comprometem o encadeamento da narrativa (o que não acontecia em Cidade dos Sonhos ou A Estrada Perdida), o tornando longo e árduo em sua segunda hora de duração (p.s.: são três!!), mas esse  aspecto pode ser atenuado pelos fãs do estilo do diretor – afinal, se o cinema pode ser visto como sonho e fantasia, a cinematografia de Lynch habita o limite dessa premissa.

Império dos Sonhos (Inland Empire/EUA-Polônia e França-2006) de David Lynch com Laura Dern, Justin Theroux, Harry Dean Stanton e Julia Ormond. ☻☻☻

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

COMBO: Natal Inusitado

Para evitar uma lista com os cinco melhores filmes sobre o Natal resolvi preparar uma lista em que a Noite Feliz é vivida dentro de um contexto completamente diferente do usual. Prepare as rabanadas:

5 Um Dia de Louco (1994) Nora Ephron estava querendo um sucesso no cinema para isso resolveu misturar a docilidade do espírito natalino com uma boa dose de comédia besteirol. O resultado acabou recebendo esse título que tira o ânimo de qualquer Papai Noel, mas é engraçado ao acompanhar as atividades de um grupo de atendentes telefônicos no dia de Natal. Imagine que o lugar é dirigido por Steve Martin e você terá ideia do que está por vir: um travesti (Liev Schreiber, que também fez um travesti em Aconteceu em Woodstock), uma maluquete grávida (Juliette Lewis), um bobo apaixonado (Adam Sandler) entre outros personagens em situações inusitadas - que inclui uma involuntária encenação de um auto de Natal no momento mais meigo do filme.

4 Férias Frustradas de Natal (1989) Comédia natalina é uma coisa até comum, mas de nenhuma delas eu lembro com tanto carinho como essa protagonizada por Chevy Chase e sua família Griswold desastrada. Depois de ir para um parque temático e se perder pela Europa, a família do cara agora enfrenta desventuras de um Natal com tudo para ser um... desastre. Entre castores, centenas de lâmpadas e o peru mais seco da história das ceias natalinas o filme rende boas risadas. Chase continua tendo uma química incrível com sua patroa (Beverly d'Angelo) e o elenco ainda recebeu os acréscimos de Randy Quaid e... Juliette Lewis (quem diria que a moçoila era chegada numa comédia natalina?). Entre as trapalhadas sobra até um espacinho para pequenas lições natalinas.

3 Feliz Natal (2005) Quando lemos o título do filme pensamos logo em Papai Noel, presentes e famílias reunidas, mas esse filme multinacional indicado ao Oscar mostra uma realidade bem diferente, embora ambientada numa história real inusitada. O filme mostra como o exército da França, da Alemanha e da Escócia fizeram uma trégua em meio à Primeira Guerra Mundial, no ano de 1914 para confraternizar com o inimigo no dia 25 de dezembro - fato que acaba mudando a vida de vários personagens. O filme divide opiniões pelo seu tom água com açúcar diante de um aspecto tão delicado como a guerra e a morte de inocentes, mas não deixa de ser interessante conhecer melhor esse acontecimento histórico inusitado. No elenco estão Daniel Brühl e Diane Kruger.  

2 Feliz Natal (2008) Era de se esperar que houvesse mais de um filme com esse nome da história da cinema, mas esse é brasileiro e marcou a estréia do ator Selton Mello na direção. Ao contar a história do reencontro de uma família desajustada na noite de Natal, Mello não tem medo de meter o dedo na ferida de seus personagens com fotografia obscura e closes intensos em seus personagens. Apesar de ser protagonizado por Leonardo Medeiros como o filho que volta para casa na comemoração do Natal, o destaque fica por conta da atuação de Darlene Glória como a mãe alcolizada do clã e de Lúcio Mauro num personagem bem diferente do usual. Mello faz o título soar cada vez mais irônico até o fim da sessão.

1 O Estranho Mundo de Jack (1993) Cada vez que vejo essa animação eu gosto mais dela. Produzido por Tim Burton o filme parte de uma premissa interessantíssima ao contar a história do personagem de Halloween que quer trocar sua data comemorativa pelo Natal. Para isso acaba armando o sequestro do Papai Noel para que possa assumir o posto natalino. Entre músicas irônicas, visual gótico e várias surpresas o filme tem sido considerado um clássico dos filmes de Natal. O diretor realizou recentemente Coraline (indicado ao Oscar do ano passado) e colaborou com Tim Burton na feitura de A Noiva Cadáver, o qual tem grande parentesco com os personagens desse filme que merece ser redescoberto.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

DVD: (500) dias com ela

Joseph e Zooey: o encontro de This Charming Man com Girl Afraid.

No fim de semana aconteceu uma coisa muito engraçada, eu fiz uma espécie de maratona cinéfila com minha prima e fiquei extremamente surpreso com um filme que ela chorou um bocado. Trata-se de (500) Dias com Ela, a promissora estréia cinematográfica do diretor de clipes Marc Webb - e atual diretor da nova versão de Spider Man. Como todo mundo sabe o filme está longe de ser um dramalhão e foi aclamado como uma das melhores comédias românticas do século XXI - e o fato de ser elogiado em Sundance e esquecido no Oscar só aumentou sua aura de cult. Webb parte de uma ideia simples, o típico caso de rapaz conhece moça e se apaixona, o diferencial é que a recíproca não acontece. Desde o início sabemos que Summer (Zooey Deschannel) é uma garota de mais mistérios do que aparenta, seu visual retrô, cheio de vestidinhos e penteados de décadas atrás lhe conferem uma aparência da clássica heroína romântica de Hollywood, mas esse papel cabe mesmo ao rapaz do filme, Tom (Joseph Gordon-Levitt, excelente e indicado ao Globo de Ouro). Tom deve ser o cara mais bem intencionado das comédias românticas recentes e talvez por isso a gente torça por ele, não fosse a atuação de Joseph ele provavelmente seria um chato meloso, mas o ator faz um trabalho magistral com o personagem, o transformando num cara comum, digno de compaixão enquanto vimos seu coração despedaçar a cada cena que anuncia a inevitável separação. Summer deixa claro desde o início que não quer compromisso, mas ele finge não entender, mergulhando cada vez mais num romance que desde os primeiros dias parece fadado ao fim. A grande diferença no filme é como o diretor conta a sua história cheia de estilo, com a trilha sonora inspirada que um casal que começa o relacionamento ao som dos Smiths merece. Além da trilha o diretor utiliza bem o recurso de utilizar o contador de dias mostrando os contrastes do auge do amor com os piores momentos da dor de cutovelo de Tom. Para os cinéfilos de plantão ainda existem as paródias dos filmes clássicos em preto e branco que o protagonista assiste no fundo da fossa... apesar de tantas estripulias narrativas (que ainda conta com uma cena musical após a primeira noite de amor e  a tela explorando a oposição entre realidade e expectativa do moço) o filme tem sua alma mesmo no romance do casal e no desfecho diferente do que se imagina de um filme do gênero sob o tom agridoce que o mais memorável dos romances pode ter. O grande trunfo do filme é perceber que por mais que o romance nos deixe meio bobos, ele não nos transforma em idiotas. O filme ainda se benficia por não demonizar Summer enquanto santifica Tom - mas claro que minha prima não pensou em nada disso e odiou o que Summer fez com Tom (enquanto exaltava as característícas do bom moço), mas aposto que ela deve ter lembrado de alguns Toms que viu pelo caminho. 

(500) Dias com Ela (500 days of summer/EUA-2009) com Joseph Gordon Levitt, Zooey Deschannel, Clark Gregg e Chloe Moretz. ☻☻☻☻

CATÁLOGO: Tolerância Zero

Gosling: polêmicas e atuação promissora

Recentemente indicado para o Globo de Ouro de ator dramático pelo filme Blue Valentine, o canadense Ryan Gosling chamou a atenção da crítica pela primeira vez com sua atuação em Tolerância Zero (2001). No polêmico filme de Henry Bean sobre um estudante da escola judaica de Nova York que se torna um anti-semita ele ganhou o Independent Spirit de melhor ator daquele ano. Essa relação paradoxal ganha carne e osso na atuação de Gosling no papel de protagonista. O ex-participante do Clube do Mickey (ao lado de Justin Timberlake, Britney Spears e Christina Aguilera) é Danny Balint (Gosling), um jovem complexo que possui teorias sobre os judeus, sobre o holocausto e o nazismo que vão contra o bom senso, mas esse é apenas o ponto de partida para uma atuação de várias camadas. Após conhecer um grupo fascista (liderado por Billy Zane e Thereza Russel) ele percebe que pode sair do discurso e partir para a ação, ou seja, assume suas conotações neonazista de forma despudorada. O problema é quando ele passa a fazer parte de um grupo de conotações terroristas nazistas e sua identidade judaica passa a ser descoberta. Nesse momento o roteiro alcança seu melhor momento ao fazer brotar dessa repulsa de Balint o próprio retorno às suas origens familiares. O ponto de mutação do personagem é ser ouvinte num grupo de sobreviventes do holocausto. As memórias revividas ali irão infectá-lo como um fantasma – mesmo que o diretor utilize esse recurso da forma mais óbvia no decorrer da sessão. Fora essa relação com o grupo, Balint ainda engata um romance com uma jovem de fortes tendências masoquistas e a origem de sua raiva começa a ser cada vez mais exposta: um sentimento de culpa o qual rejeita - ao mesmo tempo que esta o devora. O filme de estréia de Henry Bean tem alguns problemas e por vezes apela para o sensacionalismo (o beijo com gosto de vômito, as vestes judaicas em Balint quando está prestes a matar um ícone judeu...) e o final apela para a saída mais óbvia, mas talvez a mais correta devido às conotações religiosas que o filme apresenta. O importante foi que o filme serviu de material para Gosling entrar no grupo de atores mais promisssores de Hollywood, aspecto que só cresceu quando encarnou o herói romântico de Diário de uma Paixão (2004) e o professor viciado em crack de Half Nelson (2006) – que lhe valeu sua primeira indicação ao Oscar.

Tolerância Zero (The Believer/EUA-2001) de Henry Bean com Ryan Gosling, Rainn Phoenix, Thereza Russel e Billy Zane. ☻☻☻

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

INDICADOS AO GLOBO DE OURO 2011

The King's Speach: está no páreo e Firth é o favorito.

Hoje sairam os indicados ao Globo de Ouro, eu achei um monte de bizarrices na lista. Coloquei meus comentários gentis em alguns casos especiais e meus acertos sinalizados com ☻. Então:

MELHOR FILME - DRAMA:
A Origem ☻
A Rede Social ☻
The King’s Speach ☻
Black Swan ☻
The Fighter (minha surpresa na categoria)

MELHOR FILME – COMÉDIA OU MUSICAL
Minhas mães e meu pai ☻
RED (eu subestimei o filme)
The Tourist (o fime foi vaiado em suas indicações)
Alice no País das Maravilhas (piada, né!!)
Burlesque (Cher e Aguilera tem mais fãs do que eu pensava)

DIRETOR
Christopher Nolan (A Origem) ☻
David Fincher (A Rede Social) ☻
Darren Aronofski (Black Swan) ☻
David O. Russel (The Fighter) (só para estragar meu gabarito)
Tom Hooper (The King’s speech) ☻

MELHOR ATOR – DRAMA
Jesse Eisenberg (A Rede Social) ☻
Colin Firth (The King’s Speach) ☻
Ryan Gosling (Blue Valentine) (ótima surpresa)
Mark Wahlberg (The Fighter) (onde foi parar o Robert Duvall?)
James Franco (127 Hours) ☻

MELHOR ATOR – COMÉDIA
Johny Depp (The Tourist) (o filme é um fiasco)
Jake Gyllenhall (Love & Other Drugs) (surpresa?)
Kevin Spacey (Cassino Jack) (COMEBACK FACTOR?)
Paul Giamatti (Barney’s Version) ☻
Johny Depp (Alice no País das Maravilhas) ☻

MELHOR ATRIZ - DRAMA
Jennifer Lawrence (Winter’s Bone) ☻
Natalie Portman (Black Swan) ☻
Nicole Kidman (Habbit Hole) ☻
Michelle Williams (Blue Valentine) ☻
Halle Berry (Frankie & Alice) (eu ia votar em Berry, mas subestimei sua campanha solitária)

MELHOR ATRIZ – COMÉDIA/MUSICAL
Annete Benning (Minhas mães e meu pai) ☻
Julianne Moore (Minhas mães e meu pai) ☻
Emma Stone (Easy A) (merecido)
Anne Hathaway (Love and other drugs) (a apresentadora do Oscar tem chances?)
Angelina Jolie (The Tourist) (:O)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Andrew Garfield (A Rede Social) ☻
Geofrey Rush (The King’s Speech) ☻
Jeremy Renner (The Town) (o cara de Guerra ao Terror emplaca mais uma)
Michael Douglas (Wall Street 2) (uma homenagem muito bem vinda)
Christian Bale (The Fighter) ☻

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Helena Bonhan Carter (The King's Speach) ☻
Amy Adams (The Fighter) ☻
Mila Kunis (AAAARG! EU JURO QUE APOSTAVA NELA! MALDITA JULIETE LEWIS!)
Melissa Leo (The Fighter) ☻
Jacki Weaver (Animal Kingdom) ☻

ROTEIRO
A Rede Social ☻
A Origem ☻
127 Horas (prêmio de consolação para Danny Boyle?)
The Kids are All right (é justo?)
The King’s Speach ☻

ANIMAÇÃO
Como Treinar o Seu Dragão ☻
Toy Story 3 ☻
Meu Malvado Favorito (Pensei que a lista acabaria por aqui)
Tangled (pensei que Megamente tinha mais chances)
The Ilusionist (um filme europeu que promete dar trabalho)

MINHAS APOSTAS ACABAM AQUI!

32 Acertos em 53 apostas... tenho que melhorar para o Oscar!!!

FILME ESTRANGEIRO
Biutiful (México) (eu só lembrava desse)
The Edge (Rússia)
In a Better World (Dinamarca/Suécia)
I Am Love (Itália) (A presença de Tilda Swinton deve ajudar)
The Concert (França) (Mélanie Laurent deve ajudar)

MELHOR CANÇÃO
Bound to You (Burlesque) (Os fãs de Cher e Aguilera são fortes!!!)
Coming Home (Country Song) (É aquela da Gwyneth Paltrow?)
I See the Light (Enrolados)  (Uma animação para manter a tradição)
There’s a Place for Us (As Crônicas de Nárnia: A Viagem do Peregrino da Alvorada)
You Haven’t Seen the Last of Me (Burlesque) (Precisa repetir?)

PALPITES PARA O GLOBO DE OURO 2011

A Origem: Nolan tem chances contra o Facebook?

Hoje sai os indicados ao Globo de Ouro 2011 e estou arriscando os meus palpites. Não me concentrei em todas as categorias apenas nas onze que considero as principais. Sendo assim:

MELHOR FILME - DRAMA:
A Origem
A Rede Social
The King’s Speach
Black Swan
Habbit Hole

MELHOR FILME – COMÉDIA OU MUSICAL
Minhas mães e meu pai
Scott Pilgrin contra o mundo
Somewhere
Made in Dangehan
How do you Know

DIRETOR
Christopher Nolan (A Origem)
David Fincher (A Rede Social)
Darren Aronofski (Black Swan)
Danny Boyle (127 Hours)
Tom Hooper (The King’s speech)

MELHOR ATOR – DRAMA
Jesse Eisenberg (A Rede Social)
Colin Firth (The King’s Speach)
Robert Duvall (Get Low)
Javier Barden (Biutiful)
James Franco (127 Hours)

MELHOR ATOR – COMÉDIA
Ben Stiller (Greenberg)
Robert Duvall (Get Low)
Stephen Dorff (Somewhere)
Paul Giamatti (Barney’s Version)
Johny Depp (Alice no País das Maravilhas)

MELHOR ATRIZ - DRAMA
Jennifer Lawrence (Winter’s Bone)
Natalie Portman (Black Swan)
Nicole Kidman  (Habbit Hole)
Michelle Williams (Blue Valentine)
Naomi Watts (Fair Game)

MELHOR ATRIZ – COMÉDIA/MUSICAL
Annete Benning (Minhas mães e meu pai)
Julianne Moore (Minhas mães e meu pai)
Sally Hawkins (Made in Dagenham)
Tina Fey (Uma Noite Fora de Série)
Anne Hathaway (Love and other drugs)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Andrew Garfield (A Rede Social)
Geofrey Rush (The King’s Speech)
Mark Rufallo (Minhas mães e meu pai)
Sam Rockwell (Conviction)
Christian Bale (The Fighter)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Helena Bonhan Carter (The King's Speach)
Amy Adams (The Fighter)
Lesley Manville (Another Year)
Melissa Leo (The Fighter)
Jacki Weaver (Animal Kingdom)

ROTEIRO
A Rede Social
A Origem
Get Low
Toy Story 3
The King’s Speach

ANIMAÇÃO
Como Treinar o Seu Dragão
Toy Story 3
Megamente

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Na tela: A Rede Social

A Rede Social: uma ação entre amigos nas mãos de David Fincher.
David Fincher parece estar alcançando sua maturidade, sempre o criticaram pelo seu estilo arrojado que transbordava de seus filmes desde sua estréia em Alien³ (1992). Em Clube da Luta (1999) ele radicalizou seus conceitos cinematográficos e amargou polêmicas, voltou simplificado em Quarto do Pânico (2000) e se viu cotado para dois filmes que ditariam os rumos de sua carreira. Um era Missão Impossível 3 (o qual desistiu) e o outro era Dália Negra (que perdeu para Brian de Palma). Na ausência desses dois projetos fez Zodíaco (2005), que foi elogiado e desprezado pelo grande público nas mesmas proporções. Em Zodíaco já podíamos perceber uma mudança em Fincher, estava mais controlado, econômico e nisso as atuações se sobressaiam angariando elogios. Depois veio Benjamin Button, sua terceira parceria com Brad Pitt que foi todo indicado ao Oscar, mas acabou ganhando em categorias secundárias. Neste ano Fincher volta ao Oscar como o grande favorito, mas quem acompanha seu trabalho desde o início sabe que alguma coisa mudou, ele não é mais o sujeito visualmente inebriante de outrora.  Em A Rede Social, sua competência de sempre está impressa em cada minuto, na frieza dos ambientes, na precisão das atuações e ritmo vertiginoso que confere a um roteiro sem cenas mirabolantes de ação. A ação está nos diálogos bem lapidados pelo roteirista Aaron Sorkin e na forma como destrincham seus personagens palavrosos. Seria muito reducionista dizer que o filme trata da criação do Facebook, afinal a trama amplia os ingredientes de forma universal através de poucos personagens. No centro de tudo está Mark Zuckerberg (Jesse Eisenberg, numa versão anabolizada de seu personagem de A Lula e a Baleia), um gênio de Harvard que é dispensado pela namorada após cuspir suas chatices em cima dela. Na mesma noite em que é dispensado ele resolve curar suas dores teclando veneno em seu blog na madrugada, não satisfeito resolve espinafrar as garotas criando um site/game chamado Facemash. Por aí podemos perceber que Zuckerberg não é uma pessoa muito bacana. Ressentido, invejoso, ciumento, com a auto-estima abaixo do subsolo e com problemas crônicos de socialização o rapaz irá responder três processos pela sua tática de curar o seu ego: criar um clube onde ele seja o dono. Para ele não interessa a grana, amigos ou inimigos que deixa pelo caminho, o que importa mesmo é sua autoimagem inabalável. Junta-se a essa equação o amigo brasileiro Eduardo Saverin (Andrew Garfield, o novo Spider Man e  cotado para o Oscar de coadjuvante),  que será dispensado logo que possível –, os gêmeos bem nascidos (e – para a fúria de Zuckerberg – atléticos) Cameron e Tyler Winklevoss (Armie Hammer em papel duplo) que criam a ideia inicial do Facebook e o cara do Napster, Sean Parker (ironicamente encarnado por Justin Timberlake, que estraga todas as chances que tem de se tornar uma das peças mais importantes da narrativa. Seu Parker não parece um nerd que codificou a música para os tempos da internet, mas um ídolo pop frustrado). A trama transborda as características abstratas do mundo virtual durante os processos que Mark sofre, afinal a quem pertence uma ideia? O que é ser ético em tempos virtuais? O mais curioso da trama é que quanto mais Zuckerberg amplia sua criação, mais afasta as pessoas pelo qual nutre alguma afeição, esta é a dissonância que serve de alimento para a narrativa da primeira até a genial última cena. O grande trunfo do filme é falar diretamente sobre uma geração que possui muita informação e possibilidades de comunicação, mas que nutre um potencial ao isolamento alimentado pelo individualismo exacerbado. Para alguns pode parecer um filme sobre negócios, para outros uma obra sobre ética, para a grande maioria soa como um filme de tribunal onde o que está em pauta é o rumo que uma geração está tomando diante de novas regras de relacionamento. Baseado no livro “Bilionários por Acaso", acho que interessa menos o que é verdade e mentira na trama, e mais a construção de um anti-herói que emerge de uma sociedade que vê nos outros apenas uma escadaria para elevar o próprio ego.
A Rede Social (The Social Network/EUA-2010) de David Fincher com Jesse Eisenberg, Andrew Garfield, Justin Timberlake, Armie Hammer e Max Minghela. ☻☻☻☻

domingo, 12 de dezembro de 2010

MOMENTO ROB GORDON: Melhores Pôsteres de 2010

Obviamente que estou preparando as minhas listinhas de fim de ano, mas para dar início a esse hábito blogueiro comum, preparei um sobre o que estabelece, na maioria das vezes a nossa primeira relação com um filme, não, não estou falando do trailer que precisa de nossa presença (e atenção) por alguns minutos em determinada mídia, mas do poster - que pode estar em qualquer lugar e só precisa de alguns segundos de atenção. O critério de seleção e votação dos candidatos foi bem simples: eu ter visto o poster  e ter despertado meu interesse pela obra. Pré-selecionei todos os posteres que vi neste ano, e como não houve lista no ano anterior, resolvi misturar filmes que foram do ano passado (mas estrearam neste ano no Brasil) e filmes desse ano (que estrearam por aqui ou não). A lista ficou assim:

05 - Os Homens que Encaravam Cabras

 

 Às vezes o poster consegue traduzir melhor a idéia de um filme do que... o próprio filme. Basta lembrar que nem todos os atores importantes de um filme recebem a devida atenção num poster. Então pense agora em um filme protagonizado por nomes oscarizados como George Clooney, Jeff Bridges, Kevin Spacey e o eterno candidato à indicação Ewan McGregor, quem falta? Ora, a cabra!! O filme é uma sátira (que pouca gente entendeu) sobre as paranóias americanas e como ela se torna motor de um projeto militar. Dizem que motivado numa história real de um grupo militar que na década de 1970 (sempre essa década, notaram?) que resolveu explorar os poderes da mente. Quem paga o pato? A cabra!! Besteirol de título hilariante com poster genial. Para conferir basta ir na locadora.

04 -   Sede de Sangue
 

O filme de Park Chan Wook (de Oldboy) fez menos estardalhaço do que merecia com sua trama de um padre com dotes vampirescos que se apaixona por uma mulher comprometida. O poster deixa claro que Crepúsculo é filme para criancinha quando o negócio é chupar sangue e reprimir desejos. Simples e bem bolado - o padre e a garota numa posição espelhadamente erótica (que evoca agressão e desejo sem nudez) é de uma sutileza quase ofensiva. Se você perdeu o filme nos cinemas não pode cometer esse sacrilégio em DVD...

03 - Rabbit Hole


John Cameron Mitchel encaretou depois de fazer Hedwig e Shortbus, mas foi por uma boa causa: colocar Nicole Kidman na linha de frente mais uma vez do Oscar. Sendo assim o poster de Rabbit Hole (ainda sem título em português) não devia trair essa intenção: destaca as nuances da atuação de Nicole como uma mãe que tenta superar a morte do filho a partir do uso de recortes, tal como o trailer - que aliado ao poster deixa claro que o longa tem fortes chances de fazer bonito nas premiações. O filme estréia no Brasil dia 04 de março de 2011.

02 - A Origem

 Por pouco o filme de Christopher Nolan não ficou em primeiro lugar. O filme acabou de chegar em DVD e está cotado para os prêmios mais cobiçados da temporada. Desde o primeiro poster Nolan deixava claro que o foco do filme era o poder infinito de criação de nossa imaginação, essa inspiração ganha traços  na obra de Escher (1898-1972), especialmente de suas escadarias retorcidas pautadas no paradoxo gemométrico.  Troque escadas por prédios e atores do primeiro time e voilá: um dos melhores posteres do ano que bebe na fonte na lógica quebrada do universo criado pelo diretor.


01 - Black Swan / Cisne Negro
  

Talvez motivado pela minha expectativa, ou pela beleza de Natalie Portman, o poster de Black Swan ficou em primeiro lugar. Mas não é só isso, o novo filme de Darren Aronofski traz novamente os traços que mais admiro em sua cinematografia: cenas estranhas, uma queda pelo lado sombrio do ser humano e um apuro visual incomparável. Black Swan é baseado no balet  O Lago dos Cisnes e aborda o esforço descomunal de uma bailarina em seu processo de criação. Natalie Portman está cotada para os prêmios da temporada, não por sua perfeição física evidente no poster, mas pela forma como mergulha na fissura estampada em sua face. O filme deve chegar por aqui em 21 de janeiro de 2011.

DVD: Onde vivem os Monstros


Max encara seu monstro externalizado: Jonze explica.

Nem só de bichinhos fofos viveu as adaptações de obras infantis em 2009, Spike Jonze resolveu levar para as telas o livro Onde Vivem os Monstros de Maurice Sendak no mesmo ano, bem... mais ou menos. O projeto demorou anos para ser concluído devido a alguns problemas na produção, o estúdio achou a primeiro copião do filme muito sombria e pediu para que algumas cenas fossem refeitas. Depois ainda havia o empecilho das fantasias de monstros usadas por atores (entre eles, James Gandolfini e Paul Dano) que eram muito quentes e alguns chegavam a passar mal ali dentro. Jonze ouviu várias críticas por resolver utilizar atores no lugar de efeitos digitais para encarnar os monstrinhos e houve quem dissesse que ter optado por uma animação seria o mais correto, o fato é que o filme estreou e apesar de não ter se tornado um sucesso de bilheteria (apesar de ter sido o mais visto em sua semana de estréia) agradou os críticos e apareceu em várias listas de produções mais interessantes de 2009. É visível desde a primeira cena que o diretor não quis fazer um filme infantil, mas um filme sobre a infância, algo que conseguisse despertar a nostalgia dos adultos e que tocasse na espinha dorsal da trama de Sendak: o momento em que aprendemos a dominar nossos monstros internos e começamos a nos preparar para a vida adulta. O filme conta a história de Max (o bom Max Records) um menino que tenta lidar com o namorado de sua mãe (Catherine Keener) e com o crescimento de sua irmã – que não se dedica mais às brincadeiras. Depois de um momento malcriado ele acaba fugindo de casa e encontrando uma ilha habitada por monstros que gostam de se agredir, mas diante de alguma hostilidade, Max é eleito o rei do pedaço – mas sem antes perceber que a coroa se encontrava ao lado de um monte de ossinhos do rei anterior. Max aos poucos terá de lidar com a agressividade de seus súditos, assim como o ciúme, a inveja, o orgulho e outros sentimentos pouco nobres que os monstrengos demonstram sem a menor cerimônia. No fim Max vai descobrir que seus monstros podem devorá-lo. Pois é, a abordagem de Jonze é bem mais melancólica do que o livro de poucos parágrafos de Sendak supunham (e deve ter dado um trabalhão na confecção do roteiro por tentar explicar o que no livro não precisa de explicação) mas tem qualidades - e talvez a maior delas, pulse na trilha sonora (indicada ao Globo de Ouro) de Karen O. (do Yeah Yeah Yeahs!) que resgata cantigas de roda ao lado de um grupo de crianças. Depois de nos fazer penetrar na mente de (Quero Ser) John Malkovich (1999) e esmiuçar o processo criativo em Adaptação (2002), Jonze lembrou dos monstros internos que ameaçam nossa relação com o mundo.


Onde vivem os monstros (Where the wild things are/EUA-2009) de Spike Jonze, com Max Records, Catherine Keneer, James Gandolfini, Paul Dano e Mark Ruffalo. ☻☻☻