terça-feira, 20 de janeiro de 2015

PL►Y: Amor sem Pecado

Robin, James, Xavier e Naomi: mar de açúcar. 

Não há dúvidas de que Naomi Watts e Robin Wright são ótimas atrizes, por isso mesmo são capazes de fazer a diferença numa produção como Amor Sem Pecado. Apesar de ter causado algum estardalhaço no exterior, o filme foi pouco visto nos cinemas e não conseguiu espaço nas telas brasileiras. Acredito que o motivo para isso não seja a polêmica dos romances intergeracionais abordados pelo roteiro e sim, a direção um tanto frouxa da francesa Anne Fontaine. O roteiro é assinado pela própria diretora e o renomado Christopher Hampton (do clássico As Ligações Perigosas/1988), pena que o texto tende a açucarar demais a história e perde a oportunidade de nos fazer refletir sobre um tema que ainda parece tabu: o romance entre jovens rapazes com mulheres maduras. A verdade é que existem vários filmes onde o protagonista mais velho namoram mulheres mais jovens, mas o contrário não acontece com frequência. É verdade que se levarmos em conta a aparência de Naomi (46 anos) e Robin (48), nem iremos imaginar que já possuem idade para serem as avós do título do livro de Doris Lessing em que a produção se baseia. Em meio às paisagens paradisíacas do litoral australiano conhecemos as meninas Lil e Roz. As duas crescem amigas e a proximidade permanece quando Lil (Naomi Watts) e Roz (Robin Wright) enfrentam a vida adulta com os desafios do casamento e de criar os filhos. A proximidade das duas amigas afeta diretamente a relação entre seus filhos, respectivamente Ian (Xavier Samuel) e Tom (James Frecheville) que também são grandes amigos. Lil teve que criar o filho praticamente sozinha depois que ficou viúva e Roz vive um casamento que já caiu na rotina. O filme tenta mostrar a proximidade entre os quatro personagens de forma espontânea, mas parece um tanto forçada em sua trivialidade artificial. Por conta disso, fica a impressão que aquele universo praiano é isolado do resto do mundo e, qualquer personagem que aparece por ali que não sejam as duas e seus filhos, são intrusos - incluindo Harold (Ben Mendelsohn) esposo de Roz. Sendo assim, é fácil imaginar que com a escassez de companhia, as duas mulheres irão ceder aos encantos dos filhos uma da outra. No entanto, enquanto Ian cai no amor proibido por Roz, as investidas de Tom sobre a mãe do amigo sempre parecem ter gosto de revanche. A temática que poderia ser bombástica e repleta de cenas tórridas, prefere investir nos dilemas desencadeados pela relação de ambos os casais. A ideia seria ótima, se não deixasse a impressão que não aprofunda as situações como deveria. A solidão de Lil que a faz se apegar ao rapaz mais jovem como se fosse sua última chance de ser feliz, ou a necessidade (um tanto infantil) de Roz criar uma simetria entre as duplas é explorada com tanta naturalidade que o filme perde bastante a sua força narrativa. Talvez seja esse o maior problema do filme: ao naturalizar demais a situação, perde a oportunidade de enfatizar o que tem de mais instigante e original aos olhos do espectador, desperdiçando a chance de criar um filme mais interessante. Ao final da sessão, tem se a impressão que os personagens ficam à deriva no mar dos sentimentos que sentem um pelo outro, o problema é que esse mar tem gosto de água com açúcar.   

Amor Sem Pecado (Perfect Mothers/Austrália-França/2013) de Anne Fontaine com Naomi Watts, Robin Wright, Xavier Samuel, James Frecheville e Ben Mendelsohn. ☻☻

domingo, 18 de janeiro de 2015

INDICADOS AO OSCAR 2015: Atriz Coadjuvante

PATRICIA ARQUETTE (Boyhood)
Ela andava esquecida no cinema, mas o papel maternal do filme de Richard Linklater colocou um dos nomes mais promissores de Hollywood na década de 1990 novamente no mapa. Por criar um personagem extremamente emocional de carne e osso, sem medo de envelhecer diante da câmera (que a acompanhou por 12 anos!), Patricia tornou-se a favorita da categoria durante a temporada. Pelo papel já levou para a casa o Globo de Ouro e, se ganhar novamente no dia 22 de fevereiro, a filha de uma família de atores será a primeira do clã a ser oscarizada. Essa é a primeira indicação da loura ao prêmio. 

EMMA STONE (Birdman)
Aos vinte e seis anos, Emma é a mais jovem atriz no páreo da categoria desse ano. Na pele da filha do ex-astro de filmes de ação (e que tenta fazê-lo cair na real depois de anos de decadência), Emma obteve muitos elogios na temporada. Também indicada ao Globo de Ouro, a indicação prova que a garota já é levada a sério em Hollywood e celebra um ano em que trabalhou com Woody Allen (Magia ao Luar) e no sucesso O Espetacular Homem Aranha 2. Um ano de muito trabalho e versatilidade que é coroado com sua primeira indicação ao Oscar (acredito que virão outras em breve). 

MERYL STREEP (Caminhos da Floresta)
Há quem diga que entrega do Oscar sem Meryl Streep não tem graça. A recordista de indicações ao prêmio da Academia, acabou de conquistar sua 19ª indicação!!! A atriz vive a bruxa que desencadeia toda a ação nessa adaptação do famoso musical da Broadway. Fazia tempo que Meryl era convidada para encarnar um papel de bruxa - e quando ela finalmente aceitou o Oscar não poderia ignorar! Meryl já foi premiada na categoria em 1980 com Kramer Vs. Kramer e duas vezes na categoria de Atriz (com A Escolha de Sofia/1982 e A Dama de Ferro/2012). Entre as concorrentes é a única premiada anteriormente.

KEIRA KNIGHTLEY (O Jogo da Imitação)
Prestes a completar 30 anos, a inglesa conseguiu finalmente mais uma indicação ao Oscar (ela tentava isso há tempos), a primeira foi com Orgulho e Preconceito (2005) na categoria de Melhor Atriz. Keira interpreta Joan Clarke, a matemática que trabalhou com Alan Turing e acabou se envolvendo amorosamente com ele (o que ajudava muito para ele manter a homossexualidade em segredo). Keira está longe de ser a favorita na categoria, mas não deve estar se importando com isso, já que os elogios por sua performance foram grandes. 

LAURA DERN (Livre)
Maior surpresa na categoria, a atriz não é lembrada pela Academia desde As Noites de Rose (1991). Estrela favorita de David Lynch, Dern voltou aos holofotes ano passado quando acompanhou o pai (Bruce Dern) na cerimonia em que estava indicado pelo filme Nebraska de Alexander Payne. A participação como a mãe zelosa de A Culpa É das Estrelas também ajudou a lembrar que essa talentosa atriz andava esquecida injustamente. Em Livre ela vive a mãe da personagem que resolve fazer uma caminhada que é quase uma peregrinação no filme de Jean Marc-Vallé. Com a indicação espero ver Laura mais vezes na telona. 

A ESQUECIDA: Jessica Chastain (O Ano Mais Violento)
Sempre lembrada como uma das atrizes mais cobiçadas da atualidade, a indicação de Chastain era dada como certa por esse elogiado filme de J.C. Chandor. A indicação ao Globo de Ouro pela performance como Anna Moralles, que ao lado do esposo, fará tudo para manter os negócios da família no violento ano de 1981 em Nova York. Talvez o jeitão de filme da década de 1970 tenha afugentado os eleitores, mas a performance de Jessica ainda a deixa no mapa hollywoodiano por muito tempo. A atriz já foi indicada ao Oscar de atriz por A Hora Mais Escura (2012) e coadjuvante por Histórias Cruzadas (2011). 

sábado, 17 de janeiro de 2015

PL►Y: O Que Os Homens Falam

Os amigos: catarse sempre adiada. 

Ricardo Darín está no elenco do espisódico Relatos Selvagens, que colocou a Argentina novamente no páreo do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Curiosamente, esse não foi o único filme de histórias curtas em que Darín atuou e que entrou em cartaz no Brasil em 2014. O Que Os Homens Falam estreou por aqui em maio e fez algum sucesso, embora seja bem menos radical que o elogiado filme argentino. Os personagens do filme espanhol dirigido por Cesc Gay estão bem longe da barbárie sugerida no filme oscarizável Seus personagens são homens maduros que encontram-se em algum momento de crise e insatisfação, mas tem uma dificuldade enorme de externalizar o que de fato estão sentindo, mesmo para os amigos (e por isso o final do filme torna-se tão especial quanto frustrante). O filme conta histórias pequenas sobre um grupo de personagens comuns que enfrentam algum problema em sua vida pessoal. Tem o jovem esposo (Eduardo Noriega) que tornou-se pai recentemente e flerta com a colega de trabalho, o homem que segue a esposa (Darín) até a casa do amante e encontra um conhecido (Luís Tosar) que sugere que ele conte a ela que sabe do adultério, o homem que se divorciou por conta de uma aventura e agora arrependeu-se (Javier Cámara) e os dois melhores amigos (Alberto San Juan e Jordi Mollá) que descobrem mais sobre o outro conversando com a esposa dele do que em anos de amizade. O episódio mais criticado é justamente o primeiro, em que dois conhecidos se encontram depois de muito tempo (Eduard Fernández e Leonardo Sbaraglia) e, devido a reserva de ambos, nunca fica muito claro qual a relação que existe ali. Teriam sido amantes? Quase impossível ter certezar, já que os dois nunca falam o que realmente importa (mas é bastante provável que foram devido aos olhares cheios de cumplicidade de um para o outro). Acho que não é por acaso que diante de tantas histórias mais interessantes, o cineasta optou por começar seu filme com a história mais morna que tinha em mãos, afinal, ela estabelece, desde o início, a dificuldade dos homens falarem sobre seus sentimentos. Apesar do título brasileiro (o original seria algo como Uma Pistola em Cada Mão). O que Os Homens Falam mostra que eles nem falam tanto assim e, quando o fazem, na grande maioria das vezes, não estão falando sobre o que queriam. A cena final, onde vários personagens se encontram numa festa retrata bem isso, já que a esperada catarse coletiva é sempre adiada e a última frase do roteiro soa como uma autoafirmação distante da realidade que assistimos.  

O Que os Homens Falam (Una Pistola en cada Mano/Espanha-2012) de Cesc Gay com Eduard Fernández, Leonardo Sbaraglia, Javier Cámara, Candela Peña, Ricardo Darín, Luis Tosar, Eduardo Noriega, Alberto San Juan, Jordi Mollá e Leonor Watling. ☻☻☻

PL►Y: Em Segredo

Oscar e Elizabeth: de amantes a cúmplices. 

Baseado no romance Thérese Raquin (1867) de Émile Zola, o ator Charlie Stratton estreia na direção criando um filme interessante, ainda que os literatos considerem que a versão da obra considerada o marco inaugural do naturalismo literário merecesse mais profundidade. Talvez por não ler o livro, achei que o longa alcança um bom resultado em sua atmosfera de romance para os desiludidos. Stratton foi esperto também na escolha de seu elenco, escalou a veterana Jessica Lange para um papel complicado, um casal de atores que ainda não receberam o reconhecimento que merecem (Elizabeth Olsen e Oscar Isaac) e rostos conhecidos como eficientes coadjuvantes (Tom Felton e Shirley Henderson). Na história Thérese é deixada ainda criança na casa de uma tia (Lange) que gasta o tempo cuidando do filho doente, Camille. A menina cresce aguardando o pai voltar, mas ela logo percebe que isso nunca acontecerá. Já crescida (e na pele de Olsen), sua sexualidade começa a despertar enquanto ajuda a tia a cuidar do primo adoentado (Tom Felton, o Draco Malfoy de Harry Potter que virou um rapaz esquisito). O roteiro até sugere algumas investidas da moça sobre o rapaz, mas ele nunca corresponde. Como vive no século XIX, a garota sem posses acaba noiva do primo e casa-se com ele para satisfazer a vontade da tia. Quando o jovem marido consegue um emprego em Paris, o trio se muda para a cidade e o filme torna-se ainda mais sombrio, como se a cidade simplesmente não deixasse a luz entrar na vida dos personagens. Na cidade, Camille reencontra um velho amigo, Laurent (Oscar Isaac) pintor que percebe a insatisfação de Thérese com o marido e não vai demorar para que ela descubra os prazeres da carne com o tal amigo. Os dois vivem um romance tórrido e um acidente irá mudar para sempre o rumo dos personagens. Stratton acerta no tom sombrio e na atmosfera sufocante a que submete o casal de amantes, o desejo torna-se culpa e o rumo dos acontecimentos só piora o relacionamento do casal fogoso que aos poucos reduz-se a cúmplices. Para aumentar a dramaticidade, a presença de Jessica Lange como a sogra (com potencial de megera) que começa a juntar as peças e entender o que aconteceu aumenta o suspense da história. Imagino as toneladas de escrita que Zola utilizou para desenhar o interior dos seus personagens e que ficou de fora do roteiro, mas em termos de narrativa, Em Segredo consegue ser bastante correto com pequenos toques que só aumentam o horror da história (como o quadro de Camille, os pesadelos...) até o seu final trágico e inevitável. Trata-se de uma produção que merece ser conhecida, ainda que tenha recebido pouca atenção nos cinemas americanos. 

Em Segredo (In Secret/EUA-2013)  de Charlie Stratton com Elizabeth Olsen, Jessica Lange, Oscar Isaac, Tom Felton, Shirley Henderson e Matt Lucas. ☻☻☻

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

INDICADOS AO OSCAR 2015

Oscar 2015: Os Oito no páreo de Melhor Filme do Ano. 

Hoje foram os divulgados os indicados ao Oscar e (ainda bem) tivemos algumas surpresas que deixaram a ocasião mais interessante para quem achava que seria tudo um tanto óbvio. A maior delas foi contar com oito candidatos ao prêmio de melhor filme (poderia ser dez, mas as pontuações acabaram deixando duas chances desperdiçadas). Eu mesmo previ que Sniper Americano colocaria Clint Eastwood de volta no radar da Academia, mas errei feio ao achar que O Ano Mais Violento teria maiores chances depois de figurar em várias listas de melhores do ano - o filme de J.C. Chandor foi banido do Oscar. Isso nos leva a uma das maiores surpresas: Jessica Chastain, estrela do filme de Chandor, ficou de fora e cedeu espaço para Laura Dern (que parecia ter poucas chances de indicação). Outra que saiu da competição foi Jennifer Aniston, que fez o dever de casa direitinho em Cake, mas perdeu espaço para Marion Cotillard pelo francês "Dois Dias, Uma Noite" (e já estava na hora da oscarizada atriz de Piaf/2007 ser reconhecida novamente). Jake Gyllenhaal (O Abutre) acabou perdendo o fôlego para Bradley Cooper (que é indicado pela terceira vez seguida à premiação). Outro desprezado que merecia mais atenção é Uma Aventura Lego - que de favorito foi cuspido da categoria de Melhor Animação do Ano. Se Hoje Eu Quero Voltar Sozinho ficou fora da disputa de filme estrangeiro, será a primeira vez que um filme da Mauritânia concorre ao Oscar (quantos filmes eles devem produzir anualmente por lá?) - e a Argentina (depois de ganhar duas vezes) está na área mais uma vez... mas nem tudo está perdido: o Brasil está com um pezinho no páreo de Melhor Documentário (na co-produção O Sal da Terra). Só para terminar: se eu fosse Angelina Jolie pediria indenização por danos morais!!! Colocaram tanta expectativa em seu pomposo segundo filme na direção (Invencível) que ele acabou ficando fora das categorias mais cobiçadas. A seguir os indicados de 2015 e meus acertos (☻) nas poucas categorias em que ousei fazer previsões:

Melhor Filme
"Birdman" ☻
"Boyhood" ☻
"Selma" ☻

Melhor Diretor
Alejandro Gonzalez Iñárritu ("Birdman") ☻
Richard Linklater ("Boyhood") ☻
Bennett Miller ("Foxcatcher")
Wes Anderson ("O grande hotel Budapeste")
Morten Tyldum ("O jogo da imitação") ☻

Melhor Ator
Steve Carell ("Foxcatcher") ☻
Bradley Cooper ("Sniper Americano")
Benedict Cumbertatch ("O Jogo da Imitação") ☻
Michael Keaton ("Birdman") ☻
Eddie Redmayne ("A teoria de tudo") ☻

Melhor Ator Coadjuvante
Robert Duvall ("O juiz") ☻
Ethan Hawke ("Boyhood") ☻
Edward Norton ("Birdman") ☻
Mark Ruffalo ("Foxcatcher") ☻
JK Simons ("Whiplash") ☻

Melhor Atriz
Marion Cotillard ("Dois dias, uma noite")
Felicity Jones ("A teoria de tudo") ☻
Julianne Moore ("Para sempre Alice") ☻
Rosamund Pike ("Garota exemplar") ☻
Reese Whiterspoon ("Livre") ☻

Melhor Atriz Coadjuvante
Patricia Arquette ("Boyhood") ☻
Laura Dern ("Livre")
Keira Knightley ("O jogo da imitação") ☻
Emma Stone ("Birdman") ☻
Meryl Streep ("Caminhos da floresta") ☻

Melhor Roteiro Original
Alejandro G. Iñárritu, Nicolás Giacobone et al. ("Birdman") ☻
Richard Linklater ("Boyhood") ☻
E. Max Frye e Dan Futterman ("Foxcatcher")
Wes Anderson e Hugo Guinness ("O grande hotel Budapeste") ☻
Dan Gilroy ("O Abutre")

Melhor Roteiro Adaptado
Jason Hall ("Sniper americano") ☻
Graham Moore ("O jogo da imitação") ☻
Paul Thomas Anderson ("Vício inerente")
Anthony McCarten ("A teoria de tudo")
Damien Chazelle ("Whiplash")

Minhas apostas foram só até aqui
Total: 32 acertos de 43 indicados (saldo razoável)

Melhor Filme em Língua Estrangeira
"Ida" (Polônia)
"Leviatã" (Rússia)
"Tangerines" (Estônia)
"Timbuktu" (Mauritânia)
"Relatos selvagens" (Argentina)

Melhor Documentário
"O sal da terra"
"Citizen Four"
"Finding Vivian Maier"
"Last days"
"Virunga"

Melhor Documentário em curta-metragem
"Crisis Hotline: Veterans Press 1"
"Joanna"
"Our curse"
“The reaper (La Parka)"
"White earth"

Melhor Animação
"Operação Big Hero"
"Como treinar o seu dragão 2"
"Os Boxtrolls"
"Song of The Sea"
"The Tale of the Princess Kaguya"

Melhor animação em curta-metragem
"The bigger picture"
"The dam keeper"
"Feast"
"Me and my moulton"
"A single life"

Melhor curta-metragem em 'live-action'
"Aya"
"Boogaloo and Graham"
"Butter lamp (La lampe au beurre de Yak)"
"Parvaneh"
"The phone call"

Melhor Fotografia
Emmanuel Lubezki ("Birdman")
Robert Yeoman ("O grande hotel Budapeste")
Lukasz Zal e Ryszard Lenczewski ("Ida")
Dick Pope ("Sr. Turner")
Roger Deakins ("Invencível")

Melhor Edição
Joel Cox e Gary D. Roach ("Sniper americano")
Sandra Adair ("Boyhood")
Barney Pilling ("O grande hotelBudapeste")
William Goldenberg ("O jogo da imitação")
Tom Cross ("Whiplash")

Melhor Design de Produção
"Caminhos da floresta"
"Sr. Turner"

Melhores Efeitos Visuais
"Planeta dos macacos: O confronto"

Melhor Figurino
Milena Canonero ("O grande hotel Budapeste")
Mark Bridges ("Vício inerente")
Colleen Atwood ("Caminhos da floresta")
Anna B. Sheppard e Jane Clive ("Malévola")
Jacqueline Durran ("Sr. Turner")

Melhor Maquiagem e Cabelo

Melhor Trilha Sonora
Alexandre Desplat ("O grande hotel Budapeste")
Alexandre Desplat ("O jogo da imitação")
Hans Zimmer ("Interestelar")
Gary Yershon ("Sr. Turner")
Jóhann Jóhannsson ("A teoria de tudo")

Melhor Canção
"Everything is awesome" ("Uma aventura Lego")
"Glory" ("Selma")
"Grateful" ("Além das luzes")
"I'm not gonna miss you" ("Glen Campbell…I'll be me")
"Lost Stars" ("Mesmo se Nada Der Certo")

Melhor Edição de Som
"O hobbit: A batalha dos cinco exércitos"
"Invencível"

Melhor Mixagem de Som
"Invencível"

Em breve irei comentar os indicados nas categorias principais. 
O que você achou dos concorrentes?
A entrega do Oscar acontece dia 22 de fevereiro!

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

PALPITES PARA OS INDICADOS AO OSCAR 2015

 
Oscar 2015: façam suas apostas! 

Amanhã a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos EUA divulgam os indicados ao Oscar 2015 e não custa nada apostar em quem deve ser indicado esse ano. Como já falei antes, considerei a safra bastante interessante, uma das melhores dos últimos anos - e reflexo disso é um ano de favoritos equilibrados com os demais, onde até os indicados podem surpreender (ainda acho que Sniper Americano de Clint Eastwood aparecerá em algumas categorias importantes e que O Ano Mais Violento ganhou força com tantas resenhas positivas, de resto será muito semelhante aos indicados ao Globo de Ouro). Acho que as categorias principais ficarão mais ou menos assim: 

FILME
Birdman
Boyhood
Sniper Americano
O Grande Hotel Budapeste
O Ano Mais Violento
O Jogo da Imitação
Selma
A Teoria de Tudo
Foxcatcher

DIREÇÃO
Alejandro Gonzalez Iñárritu (Birdman)
Ava DuVernay (Selma)
Richard Linklater (Boyhood)
J.C. Chandor (O Ano Mais Violento)
Morten Tyldum (O Jogo da Imitação)

ATOR
Michael Keaton (Birdman)
Benedict Cumberbatch (O Jogo da Imitação)
Eddie Redmayne (A Teoria de Tudo)
Jake Gyllenhaal (O Abutre)
Steve Carrell (Foxcatcher)

ATRIZ
Rosamund Pike (Garota Exemplar)
Julianne Moore (Para Sempre Alice)
Felicity Jones (A Teoria de Tudo)
Reese Whiterspoon (Livre)
Jennifer Aniston (Cake)

ATOR COADJUVANTE 
Edward Norton (Birdman)
J.K. Simmons (Whiplash)
Ethan Hawke (Boyhood)
Robert Duvall (O Juiz)
Mark Ruffalo (Foxcatcher)

ATRIZ COADJUVANTE 
Patricia Arquette (Boyhood)
Emma Stone (Birdman)
Keira Knightley (O Jogo da Imitação)
Jessica Chastain (O Ano Mais Violento)
Meryl Streep (Caminhos da Floresta)

ROTEIRO ORIGINAL
O Grande Hotel Budapeste
Birdman
O Ano Mais Violento
Selma
Boyhood

ROTEIRO ADAPTADO
O Jogo da Imitação
Garota Exemplar
Livre
Sniper Americano
Guardiões da Galáxia

Combo: Hollywood Porn

05 Dotado Para Brilhar (2011) De vez em quando Hollywood volta seu olhar para a produção da indústria de filmes eróticos. Na grande maioria das vezes o resultado costuma ser bastante sem graça - tal e qual essa comediota dirigida por Tom Brady que conta a história de Bucky Larson (Nick Swardson), um rapaz que descobre que seus pais eram astros de cinema pornô e resolve seguir a carreira que eles deixaram para trás. Nem o elenco de apoio com Christina Ricci, Don Johnson e Stephen Dorff conseguem salvar o filme da bobeira generalizada mais descartável. Tanta ruindade valeu seis indicações ao Framboesa de Ouro (incluindo pior filme, pior roteiro e pior ator).

04 Pagando Bem, que Mal Tem? (2008) Outra comédia sobre o ramo que capengou nas bilheterias foi essa assinada por Kevin Smith. No filme, um casal de amigos platônicos, Zack (Seth Rogen) e Miri  (Elizabeth Banks) resolvem embarcar na produção de um filme erótico para superar os problemas financeiros - mas acabam descobrindo a forte atração que sentem um pelo outro. Smith é craque na criação de diálogos, mas não desenvolve sua história como deveria. O resultado tem momentos divertidos, mas está longe de aproveitar todas as ideias que aparecem na trama. 

03 Como Não Perder Essa Mulher (2013) O filme de estreia na direção de Joseph Gordon-Levitt pode não ser ambientado no mundo da pornografia, mas pode ser bastante divertido quando levamos em consideração os comentários do viciado em sites eróticos que justifica seu vício com pompa de trabalho acadêmico (fundado em fantasias que estão bem longe da realidade). Quem curte o gênero pode até gostar ainda mais pelas inúmeras inserções de cenas calientes na edição do filme. Ou seja, se sua namorada quiser ver pensando que é mais uma comédia romântica de Hollywood é bom dizer para ela se preparar para o que está por vir. 

02 Lovelace (2013) Houve quem acreditasse que esse filme pudesse colocar Amanda Seyfried na mira das premiações ao encarnar a estrela do clássico Garganta Profunda (1972) e outros filmes hardcores em sua curta carreira como atriz (seis filmes de 1971 até 1975), mas que a transformou num ícone do gênero. O filme conta a história de  Linda Lovelace, nascida em Nova York e estrela de filmes adultos. O filme mergulha nos dilemas de sua carreira, com destaque para o relacionamento abusivo com o ator e produtor Chuck Trainor (Peter Sarsgaard) - com quem acabou se casando. Os diretores Rob Epstein e Jeffrey Friedman fazem um filme limpinho e coerente sobre a vida da atriz que depois se tornou atuante contra a pornografia e seus malefícios.  

01 Boogie Nights (1997) Depois de uma estreia sisuda com Jogada de Risco (1996), Paul Thomas Anderson mostrou que tinha potencial de gênio ao voltar seu olhar para cinema pornô da década de 1970. A trajetória de Dirk Digler (Mark Wahlberg, em sua melhor atuação) torna-se um grande astro nas mãos do cineasta Jack Horner (Burt Reynolds, ótimo) ao lado das estrelas Rollergirl (Heather Graham) e a diva Amber Waves (a excepcional Julianne Moore). No entanto, a trajetória dos personagens irá atravessar a euforia da década de 1970 e a decadência dos anos 1980 com vários tropeços pelo caminho. Anderson usa o gênero como tempero para uma trama que investe nos personagens e seus conflitos - o que torna o filme no melhor olhar do cinema sobre o tema. Já considerado um clássico dos anos 1990, Boogie Nights concorreu e perdeu três Oscars: ator coadjuvante (Reynolds), atriz coadjuvante (Julianne) e roteiro original (Anderson) - embora merecesse todos eles. 

PL►Y: Como Não Perder Essa Mulher

Joseph: estreia na direção. 

Joseph Gordon-Levitt é ator desde os sete anos de idade. Depois de fazer sucesso como o alienígena adolescente Tommy Solomon do seriado 3rd Rock from the Sun, Joseph tornou-se astro de cinema com o sucesso de (500) Dias com Ela/2009, uma das comédias românticas mais elogiadas dos últimos anos. Desde então o rapaz de 33 anos já fez mais de uma dezenas de filmes com variados gêneros e orçamentos. Eis que o moço queria mais e resolveu investir na carreira de diretor. Seu primeiro filme atrás das câmeras não chegou a empolgar como ele gostaria, mas serviu para mostrar seu gosto pela ousadia. Como Não Perder Essa Mulher (nome oco para o original Don Jon) conta a história de Jon (Levitt depois de meses na academia para ficar sarado) um rapaz que faz o maior sucesso com a mulherada, embora encontre dificuldades para manter um relacionamento sério. Toda noite ele sai com os amigos e não volta para a casa desacompanhado, porém, Jon não é satisfeito com sua vida sexual, já que precisa complementar suas conquistas com o uso de pornografia. Jon acha tudo isso muito natural e, como um especialista em filmes do gênero, é capaz de justificar porque aquele universo faz o sexo parecer muito melhor do que na vida real. No entanto, quando ele conhece Barbara (Scarlett Johansson), o romance torna-se cada vez mais sério e ele percebe que a pornografia irá atrapalhar seu relacionamento.  Aos poucos Jon irá perceber que é viciado nos filmes do gênero e determinada Barbara não parece disposta a dividi-lo com uma tela de computador. O vício em pornografia é um assunto raro no cinema, embora torne-se cada vez mais comum com a revolução causada pela internet. Todo mundo sabe que os sites eróticos são os mais visitados na internet, mas Hollywood nunca pareceu muito a fim de colocar o assunto em debate.  Joseph Gordon-Levitt tenta levantar a questão e consegue, ainda que de forma muito simplista, tratar o assunto com alguma seriedade, principalmente com a inserção da madura personagem Esther (Julianne Moore), que aos poucos recebe destaque na história. Embora perca o ritmo quando o personagem percebe que é viciado, o filme consegue manter o interesse de quem não se incomodar de ver inúmeras inserções de pequenas cenas de filmes eróticos espalhados pela trama.  Existem trechos ironicamente engraçados, como Jon dirigindo e xingando todo mundo que atrapalha seu trajeto para a igreja, confessando seus pecados na igreja (e pagando suas penitências enquanto pratica musculação), as cenas em família do protagonista (formada por Tony Danza, Glenne Headly e a irmã viciada em celular vivida por Brie Larson), mas o toque mais esperto são os comentários quase acadêmicos do personagem justificando seu gosto pelos filmes adultos. O título pode enganar os desavisados que imaginam uma comédia água com açúcar e embora Scarlett tenha destaque na trama, ela é bem menos importante na história do que o título brasileiro anuncia (o que deve deixar muita gente decepcionada). 

Como Não Perder Essa Mulher (Don Jon/EUA-2013) de Joseph Gordon-Levitt com Joseph Gordon -Levitt, Scarlett Johansson, Julianne Moore, Tony Danza, Glenne Headly, Rob Brown e Brie Larson. ☻☻

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

GANHADORES GLOBO DE OURO - 2015

A turma de Boyhood: rumo ao Oscar.

Ontem foi a entrega do Globo de Ouro 2015, a premiação para os melhores do cinema e da TV segundo a associação de críticos estrangeiros que atuam nos Estados Unidos. Se a festa começou previsível e bem humorada com a apresentação de Amy Poehler e Tina Fey, aos poucos apareceram tantas surpresas como discursos de tons políticos em contraponto com os agradecimentos de sempre. A seguir os ganhadores, meus acertos (sinalizados por ☻) e meus comentários sobre o impacto dos prêmios na iminência das indicações ao Oscar no dia 15!

GANHADORES - CINEMA

Melhor filme – Drama: Boyhood ☻
Era o mais óbvio da noite e ganha força para os prêmios da Academia. O Globo de Ouro lava um pouco o espectro de filme indie demais para o Oscar. 

Melhor filme – Comédia ou musical : Grande Hotel Budapeste
Se não foi a maior surpresa da noite eu não faço ideia de qual foi. Enquanto todos apostavam em Birdman, o filme de Wes Anderson mostrou ter fôlego para ser votado pela Academia - deve ficar entre os candidatos a melhor do ano, mas o embate maior ainda será entre Boyhood e Birdman. 

Melhor filme estrangeiro: Leviatã (Rússia)
Outra surpresa - e tornou-se o maior oponente ao cultuado Ida (Polônia) na temporada de prêmios, mas essa história de corrupção russa me parece superestimada. 

Melhor filme de animação :  Como treinar seu dragão 2
Menos bacana que o primeiro episódio, o Globo de Ouro surpreendeu ao esnobar o favorito "Uma Aventura Lego", mas não vou me surpreender se Como Treinar seu Dragão 2 não tiver fôlego para chegar ao Oscar desse ano. 

Melhor ator – Drama:  Eddie Redmayne (A teoria de tudo)
Todos esperavam que prêmio fosse para Benedict Cumberbatch por O Jogo da Imitação, mas quem resiste a um jovem ator vivendo um personagem real (e vivo) com sérios problemas de saúde? No entanto, o páreo  no Oscar continua acirrado entre Eddie, Benedict e...

Melhor ator – Comédia ou musical: Michael Keaton ("Birdman") ☻
O comeback factor é irresistível, mas vale lembrar que apesar de andar sumido e ter sido visto em filmes de caráter duvidoso nos últimos anos, Keaton nunca foi considerado um mau ator. Birdman é a prova de que o ator merece ser levado a sério de verdade. 

Melhor atriz – Drama: Julianne Moore ("Para sempre Alice") ☻
O que dizer? Moore merece todos os prêmios a que é indicada - e isso lhe oferece mais fôlego para receber seu primeiro Oscar (depois de quatro indicações náufragas ao longo da carreira). 

Melhor atriz – Comédia ou musical: Amy Adams ("Grandes olhos") ☻
Deve ter sido a categoria mais fraca desse ano e não tenho grandes expectativas de que nenhuma das concorrentes crave uma indicação no Oscar. O prêmio para Amy prova que ela é bastante querida em Hollywood e que seria o azarão entre as demais atrizes no Oscar. 

Melhor ator coadjuvante: J.K. Simmons ("Whiplash") ☻
Fala sério, se outro ator levasse o prêmio seria uma marmelada sem tamanho. Simmons já deve ter feito uns cinquenta filmes a que você já assistiu, mas sempre como coadjuvante. O papel do professor carrasco lhe cai como uma luva para seu talento ser reconhecido finalmente. 

Melhor atriz coadjuvante: Patricia Arquette ("Boyhood")
Acho Patricia Arquette a dona da melhor interpretação do cultuado filme de Richard Linklater, além do despudor de envelhecer diante da câmera, ela constrói uma personagem realmente de carne e osso no filme. Ela pode ser até a favorita para o Oscar no momento, mas eu ainda acho que Jessica Chastain (O Ano Mais Violento) pode surpreender. 

Melhor diretor: Richard Linklater ("Boyhood") ☻
Você achou que poderia ser outro? Iñárritu, talvez... no entanto, os dois prometem repetir a concorrência até o Oscar. 

Melhor roteiro: Alejandro González Iñárritu ("Birdman") ☻
Entre os indicados, deve ter sido o mais trabalhoso e, por isso mesmo, serviu de grande prêmio de consolação para um dos filmes mais elogiados do ano. 

Melhor trilha original para filme: Johann Johannsson ("A teoria de tudo") 
Foi surpresa, mas a categoria sempre é com a subjetividade que evoca. No Oscar pode haver outras surpresas. 

Melhor canção original para filme: "Glory" – "Selma" (John Legend, COmmon)
Um prêmio de consolação para um dos filmes mais elogiados do ano (e no Oscar deve acontecer o mesmo). 

07 ACERTOS EM 12 CATEGORIAS 

GANHADORES - TV

Com relação aos prêmios televisivos, a premiação rendeu-se às novidades e às séries de internet como House of Cards (Netflix) e Transparent (Amazon). A maior surpresa ficou por conta de Joanne Frogatt de Downton Abbey. Os meus míseros acertos estão sinalizados com ☻

Melhor série de TV – Drama
"The Affair"

Melhor série de TV – Musical ou comédia: 
"Transparent"

Melhor minissérie ou filme para TV: 
"Fargo"

Melhor ator em série de TV – Drama: 
Kevin Spacey ("House of cards") ☻

Melhor ator em série TV – Comédia ou musical: 
Jeffrey Tambor ("Transparent")

Melhor ator em minissérie ou filme para a TV: 
Billy Bob Thornton ("Fargo")

Melhor atriz em série de TV – Drama : 
Ruth Wilson ("The Affair")

Melhor atriz em série de TV – Comédia ou musical: 
Gina Rodriguez ("Jane the virgin")

Melhor atriz em minissérie ou filme para a TV: 
Maggie Gyllenhaal ("The honorable woman")

Melhor ator coadjuvante em série, minissérie ou filme para a TV: 
Matt Bomer ("The normal heart") ☻

Melhor atriz coadjuvante em série, minissérie ou filme para TV
Joanne Froggatt ("Downton Abbey")

02 ACERTOS EM 11 (kkk vexame total!)