quinta-feira, 13 de outubro de 2016

PL►Y: Requisitos para Ser uma Pessoa Normal

Manuel e Leticia: normalidade fora do padrão. 

Existem filmes que podem fazer quem assiste contrair diabetes pelo excesso de doçura com que é feito. O espanhol Requisitos para Ser Uma Pessoa Normal pertence a este seleto grupo (e com honras), o mais interessante é que seus personagens tinham tudo para ser esquisitos num filme hollywoodiano, mas como não é, a narrativa investe em doses cavalares de açúcar para que todos pareçam perfeitamente adoráveis. Escrito, dirigido e estrelado por Leticia Dolera o filme conta a história de Maria de las Montañas, uma garota que já passou dos trinta anos e percebe que sua vida ainda não é do jeito que ela queria. Esse confronto com a realidade acontece numa entrevista de emprego que gera em sua mente alguns critérios que estabelecem o nível de normalidade de uma pessoa, ou seja, Maria considera normal uma pessoa que tem trabalho, casa, vida social, um namorado, um hobby, vida familiar e é feliz (de tal forma que ela até confere esses requisitos em alguns personagens que encontra no decorrer da história além de tentar alcançá-los - ainda que por vias não muito convencionais). O filme acerta ao não se contentar em tornar mais uma obra sobre lista a ser cumprida mecanicamente, deixando que a protagonista descubra aos poucos como a normalidade está bem longe dos padrões pré-estabelecidos que imagina. Ajuda muito a compor essa ideia aparece a amizade com o barbudo Borja (Manuel Burque), que está bem longe de ser o príncipe encantado estereotipado a que estamos acostumados, mas que aos poucos deixa claro que é a pessoa que mais combina com a protagonista. Colorido e repleto de diálogos espirituosos o filme é cheio de personagens que subvertem os pré-conceitos que temos sobre eles, das velhinhas espertas passando por um jovem com síndrome de Down, o painel construído por Dolera cria um filme que exagera no açúcar (a trilha sonora chega a ser insuportável) mas acerta na intenção de romper com padronizações (a própria forma como se constrói a sintonia cheia de química entre Maria e Borja é prova disso). O filme foi lembrado em algumas premiações espanholas, especialmente pelo jeito descontraído como aborda um tema fundamental em tempos de intolerância.

Requisitos Para Ser uma Pessoa Normal (Requisitos para ser Una Persona Normal / Espanha - 2015) de Leticia Dolera com Leticia Dolera, Manuel Burque, Jorge Suquet e Jordi Llodrà. ☻☻☻

Na Tela: Terra Estranha

Fiennes e Nicole: mistério no deserto australiano.

Exibido no Festival de Sundance no ano passado, o filme de estreia da australiana Kim Farrant seria uma boa aposta para Nicole Kidman fazer bonito nas premiações, mas a repercussão do filme não foi tão positiva quanto imaginavam, no entanto, vale a pena conferir a atmosfera de mistério que a diretora imprime à sua narrativa. O roteiro segue o drama do casal Parker, Catherine (Nicole) e Matthew (Joseph Fiennes) se mudaram a pouco tempo para uma cidade perto do deserto australiano de Nathgari e mal se acostumaram com o novo local que escolheram para morar, o casal precisa lidar com o desaparecimento dos dois filhos adolescentes. Farrant se preocupa menos com a trama policial que o desaparecimento desencadeia e mais com os conflitos gerados a partir dali. A busca serve apenas de pano de fundo para conhecermos um pouco mais sobre aquele casal reservado. Além dos problemas que tiveram no passado começarem a aparecer, o desespero da dupla faz com que se deparem com todo o tipo de explicação (algumas relacionadas à conduta da filha desaparecida, outras com preconceitos e até o folclore da região), pode até parecer que Farrant explora pouco as justificativas que aparecem pelo caminho, mas a diretora, de fato, está mais preocupada com a dimensão humana da história - tanto que quando um fato parece trazer respostas, as coisas ficam ainda mais confusas. Sendo assim, a sorte é de Nicole Kidman que apresenta uma atuação vigorosa, tensa e angustiada, conseguindo passar as emoções da mãe que não consegue lidar com o desaparecimento dos filhos no meio da noite. Conforme ela descobre um lado desconhecido da personalidade de sua filha, ela relembra sua própria juventude e as escolhas que precisou fazer para se tornar mãe e esposa. Tirando um pequeno tropeço desnecessário no roteiro, a atriz encontra sua melhor atuação em muito tempo (a cena de Nicole chamando pela filha na penumbra do deserto é de rasgar a alma). Já Joseph Fiennes consegue ser correto mais uma vez, mas nada que diferencie de outros personagens que já encarnou. Ainda vale destacar o magnífico trabalho de fotografia de P.J. Dillon, que consegue dar a exata dimensão que o deserto australiano necessita para ser um personagem em cena. Lento e claustrofóbico, Terra Estranha irá dividir opiniões, mas não deixa de ser uma estreia bastante promissora para uma diretora disposta a evitar o óbvio no que poderia ser apenas mais um suspense sobre crianças desaparecidas. 

Em Terra Estranha (Strangerland / Austrália-Irlanda/2015) de Kim Farrant com Nicole Kidman, Joseph Fiennes, Hugo Weaving, Maddison Brown, Nicholas Hamilton e Weyne Wyatt. ☻☻☻

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

APOSTAS PARA O OSCAR 2017: Capítulo I

Chegamos ao período de especulações para as premiações que culminam no Oscar! Alguns filmes que já passaram por aqui tem chances de conseguir indicações, especialmente os bem humorados Florence - Quem é Essa Mulher? (que pode render mais uma indicação ao Oscar para Meryl Streep), Zootopia (que é quase uma barbada na categoria de melhor animação) e até Ave César dos irmãos Coen que tem sua cota de admiradores fervorosos. No entanto, a grande maioria dos filmes que devem ser lembrados na temporada de ouro ainda se preparam para estrear por aqui! Seguem cinco filmes que já despontam como favoritos na temporada:

"La La Land" de Damien Chazelle
O musical do diretor de Whiplash colhe elogios por onde quer que passa. Premiado na categoria de melhor atriz (Emma Stone) em Veneza e considerado o melhor longa do Festival de Toronto, o filme tem chances crescentes pelo seu tom colorido e otimista sobre dois artistas que lutam por reconhecimento em Los Angeles. A história de amor entre um músico (Ryan Gosling) e uma atriz (Emma Stone) já é um dos favoritos ao Oscar (e deve levar para casa o Globo de Ouro de melhor comédia/musical do ano)!

"Hacksaw Ridge" de Mel Gibson 
Cotado para a categoria de melhor ator, o ex-Peter Parker Andrew Garfield protagoniza o filme que decidirá se Gibson ainda é relevante para Hollywood. O filme conta a história de um médico que é convocado para a Guerra e recusa-se a utilizar armas, no entanto, ele é condecorado com uma medalha de honra por salvar a vida dos seus companheiros no front. Há quem diga que o filme deve cair nas graças da Academia e figurar nas categorias principais. Será?

"A Chegada" de Dennis Villeneuve
Cotado para ser a ficção científica do ano, A Chegada tornou-se uma unanimidade nos festivais de Veneza e Toronto, que destacaram a inventividade do filme sobre uma linguísta (Amy Adams) que é convocada para se comunicar com alienígenas que chegam à Terra. Cheio de clima e atmosfera, o novo longa de Dennis Villeneuve pode cravar indicações importantes, inclusive para Amy Adams. 

"Jackie" de Pablo Larraín
Se você achava que a carreira de Natalie Portman tinha perdido o fôlego depois do Oscar por Cisne Negro, o filme que conta a história de Jaqueline Kennedy dias após a morte do presidente americano John F. Kennedy deve colocar o nome de Natalie novamente nos radares das premiações. O filme sofreu várias mudanças na produção - inlcuindo diretores e atrizes (como Spielberg e Rachel Weisz). Quem viu garante que Natalie é um dos nomes mais fortes no páreo de melhor atriz na temporada. 

"O Nascimento de Uma Nação" de Nate Parker
Premiado em Sundance o filme dirigido e estrelado por Nate Parker conta a história de Nat Turner, um homem escravizado que liderou uma rebelião de escravos no Condado de Southhampton em 1831. Embora tenha perdido o fôlego nos últimos meses - devido a uma grande polêmica envolvendo o diretor - o filme ainda é cotado para colher indicações pelo elenco. Estrelado ainda por Armie Hammer e Jackie Earle Haley o filme carrega, propositadamente, o título do questionável longa de 1915 de D.W. Griffith que fazia propaganda da Ku Kux Klan. 

PL►Y: O Que Richard Fez

Roisin e Jack: sentimentos difíceis. 

Conheci o trabalho do irlandês Lenny Abrahamson no pouco visto Frank (2014), mas ele ficou famoso mesmo no ano seguinte ao dirigido o elogiado O Quarto de Jack (2015), que lhe rendeu sua primeira indicação ao Oscar de direção - além de concorrer a melhor filme, roteiro adaptado e premiar sua estrela Brie Larson com a estatueta de melhor atriz. O Que Richard Fez é o terceiro filme de Lenny - e fez sucesso em várias premiações europeias com a história de um jovem promissor que se excede e comete um grande erro. Não vale a pena contar o que o título sugere já que faz parte da graça do filme construir certo suspense a partir dele -  já que em sua primeira parte não acontece nada demais. Richard (Jack Reynor) é um menino de ouro, atleta do time de rúgbi da escola e está prestes a entrar para a faculdade. Apresentado como um adolescente como outro qualquer entre seu grupo de amigos, ele conversa, fala bobagens, convive com a família e começa um namoro com Lara (Roisin Murphy). Nessa parte a direção de Abrahamson é praticamente invisível, deixando tudo muito espontâneo e com jeito de improvisação, o que deixa as relações do filme tão triviais quanto reais, tornando mais mais natural a forma como cresce o ciúme de Richard. A coisa complica depois de meia hora de projeção e tudo muda de tom. Devorado pela culpa, o protagonista torna o filme mais intimista com o dilema de assumir a consequência dos seus atos. Jack Reynor tem uma atuação convincente como o rapaz comum que percebe ter jogado a vida pelo ralo por um motivo tolo e transformou a vida de várias pessoas por acidente. A forma como utiliza os silêncios e o tom arrastado para criar a pressão sobre o personagem demonstra que Lenny Abrahamson já demonstrava o gosto por lidar com emoções difíceis de personagens que enclausurados (seja por uma cabeça de papel machê como em Frank ou num cubículo como em Quarto de Jack, ou, no caso, em sua própria culpa), mas aqui ele não tem medo de ser hermético e afastar parte do público que não está disposto a desfrutar da lentidão de sua narrativa. No entanto, O Que Richard Fez revela-se um bom cartão de apresentação de um cineasta europeu que promete chamar ainda mais atenção nos próximos anos.

O que Richard Fez (What Richard Did / Irlanda - 2012) de Lenny Abrahamson com Jack Reynor, Roisin Murphy, Sam Keeley, Patrick Gibson e Fionn Walton. ☻☻☻

terça-feira, 11 de outubro de 2016

PL►Y: O Hóspede

Stevens: Adeus Matthew Crawley. 

Dan Stevens ficou famoso mundialmente como o übergalã da série Downton Abbey (2010-2015). O culto ao seu personagem era tão grande que a saída dele gerou protestos mundiais e até a queda da audiência. Desde então, Dan procura um lugar ao sol no cinema - e recentemente conseguiu o disputado papel da Fera na nova versão de A Bela e a Fera a ser lançada no ano que vem. Antes disso, em 2014, o moço estava disposto a mostrar que era capaz de fazer um papel bem menos agradável de se ver em O Hóspede. Aqui ele interpreta David, um veterano de guerra que resolve visitar a família de um amigo que faleceu em combate. O casal formado por Laura (Sheila Kelley) e Spencer (Leland Orser) ainda não digeriram muito bem a morte do filho, mas os irmãos Anna (Maika Monroe) e Luke (Brendan Meyer) já parecem ter superado a perda. Ainda que o roteiro não gaste muito tempo aprofundando as relações existentes entre os personagens, David ocupa um lugar que estava vazio na casa, convencendo os pais do amigo de que não há nada demais que ele apareça ali e fique por alguns dias -  e o fato de Luke enfrentar todas as inseguranças do universo escolar também ajuda para que David seja visto como uma espécie de "irmão mais velho" protetor. O difícil é convencer a adolescente Laura de que ele é um homem de confiança. Não demora muito para que David se revele um sujeito perigoso, uma espécie de Jason Bourne Psicótico que lida com as pessoas que atrapalham a família do amigo sem grandes cerimônias - o que confere algo cômico para a história. O mais interessante de O Hóspede é que o filme não tem pudores em ser um filme B, tudo é apressado, um tanto farsesco e nem existe um mistério tão grande quanto o roteiro imagina, assim, se você embarcar na proposta você pode até se divertir, principalmente porque o protagonista está disposto a fazer você gostar do filme com todos os defeitos que ele tem. Entre tiros, mortes, explosões e piadinhas infames ditas por David, fica claro como é divertido para Dan Stevens sepultar de vez o jeito de bom moço que lhe rendeu tanto sucesso nas telinhas mundo afora. Feito para entreter, O Hóspede não faz a mínima questão de fugir do final "surpreendente" que renderia uma dezena de outros filmes quando os produtores precisarem pagar as contas nos próximos anos. 

O Hóspede (The Guest/ EUA-Reino Unido / 2014) de Adam Wingard com Dan Stevens, Maika Monroe, Sheila Kelley, Lance Reddick, Brendan Meyer e Leland Orser. ☻☻

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

PL►Y: Quando Te Conheci

Hoult e Stewart: os sentimentos como ameaça à ordem. 

Indicado ao Leão de Ouro no Festival de Veneza2015 o novo filme de Drake Doremus investe no tema da moda: distopia. O ruim é que ele contribui para demonstrar como a ideia de um futuro de extrema opressão antiutópica começa a ficar desgastada em sua abordagem cinematográfica. Depois de Jogos Vorazes (2012), Maze Runner (2014), Divergente (2014) e até O Lagosta (2015), mesmo com todas as qualidades o que vemos em Equals é mais um filme onde os personagens insatisfeitos tentam burlar o sistema para encontrar alguma satisfação. Em Quando te Conheci (nome péssimo para o bem mais sugestivo e original título em inglês) os personagens vivem num mundo onde todas as emoções são sufocadas a duras penas, afinal,  no passado, as autoridades perceberam o quanto ela contribui para a degeneração da sociedade e da própria identidade. Aqueles que ainda conseguem sentir alguma coisa são tratados como doentes com uso de medicamentos, retiros, vídeos e todo o tipo de terapias, no entanto, porém, existe a preocupação crescente com o aumento de suicídios e pessoas que ainda insistem em se apaixonar (o que é considerado uma verdadeira aberração) - e vale ressaltar que no universo do filme a procriação é feita somente por inseminação artificial (afinal, vai que o indivíduo faz sexo e resolver sentir prazer em outras coisas na vida!). É neste contexto pouco animador vivem Silas (Nicolas Hoult) e Nia (Kristen Stewart), dois jovens que já apresentaram comportamento disfuncional  e que agora são acompanhados de perto. Os dois trabalham juntos no mesmo lugar e aos poucos sentem atração um pelo outro, restando apenas resistir - mas não conseguem fazer isso por muito tempo e as consequências são inevitáveis. A investida do diretor Drake Doremus pela ficção científica revisita o tema do amor diante das adversidades de seus dois filmes anteriores (o elogiado Loucamente Apaixonados/2011 e o pouco lembrado Paixão Inocente/2013), com a diferença de construir um mundo bastante particular. Com boa trilha sonora e um visual bem executado  - que lembra a assepsia de THX-1138 (1971) e Gattaca (1997) - o filme funciona especialmente em sua primeira parte onde os personagens precisam esconder os sentimentos, depois tudo se torna bastante previsível (e não ajuda a mania do filme inserir toda hora um videozinho explicando o universo em que a história acontece). Nicolas Hoult está bem como o rapaz contido e tem o visual certo para isso e a própria Kristen Stewart encontrou o papel de sua vida ao viver uma jovem que não pode demonstrar emoções (mas quando a personagem precisa fazer isso, ela deixa de ser Nia e se torna a Kristen). Embora não seja tudo o que imagina, o filme acerta ao tratar as emoções como ameaças que precisam ser tratadas feito doenças - algo que parece cada vez mais comum no mundo contemporâneo. O melhor de tudo é como depois da sociedade usar o termo utopia em tom pejorativo, o seu oposto, a distopia ganha cada vez mais espaço na tela com histórias de pessoas que desafiam o sistema em que vivem. 

Quando Te Conheci (Equals/EUA-2015) de Drake Doremus com Nicholas Hoult, Kristen Stewart, Guy Pearce, Bel Powley e Jacki Weaver. ☻☻☻

PL►Y: A Jornada de Hank Williams

Elizabeth e Tom: casal em conflito. 

Nas especulações para o último Oscar algumas pessoas consideravam que Tom Hiddleston tinha chances de ser indicado por sua performance na pele do cantor Hank Williams na cinebiografia dirigida por Marc Abraham, mas, infelizmente, não foi o que aconteceu. O filme não encontrou espaço para estrear junto aos pesos pesados da temporada de ouro e teve que se contentar com aparições em festivais no ano passado e uma estreia modesta nas salas americanas em abril de 2016. Embora seja uma biografia bastante tradicional, A Jornada de Hank Williams é um filme bem feito a que se assiste sem grande esforço - o que  é ótimo, já que a narrativa flui naturalmente pela atuação de Hiddleston na pele do cantor que se tornou um dos maiores artistas da música country americana nos anos 1940 - e que morreu, precocemente, aos 29 anos de idade por insuficiência cardíaca quando seguia para fazer um show. O filme acompanha a ascensão de Hank, seus problemas de saúde e longo histórico com mulheres - o que deixava sua esposa profundamente irritada. Embora lembre em alguns aspectos o premiado Johnny & June (2005) o filme está longe de atenuar o desgastado relacionamento entre o cantor e sua esposa, Audrey (Elizabeth Olsen), que sempre enfrentou dificuldades para se firmar como cantora à sombra do marido (o que também ajudava a deixar o relacionamento sempre tenso). O filme ressalta como a vida de famoso naquela época já não era fácil - e se complicava cada vez mais com os remédios fortes utilizados por Hank para controlar as insuportáveis dores nas costas que sentia. Famoso por viver o vilão Loki nos filmes da Marvel, Tom Hiddleston já provou que não é sujeito de um papel só - e aqui sua performance será lembrada para além das cenas dramáticas, afinal, as cenas de palco são realmente boas pela desenvoltura com um violão nas mãos e um microfone (pois é, em algumas cenas o ator solta a voz de verdade!). Se lembrarmos que o ator nasceu na Inglaterra, seu trabalho impressiona ainda mais, já que aprendeu o sotaque sulista do personagem com perfeição (e Tom chegou a declarar que aprendê-lo foi uma das coisas mais difíceis de sua carreira), no entanto, não é apenas Hiddleston que está em plena sintonia com seu personagem, Elizabeth Olsen prova mais uma vez que é a irmã mais talentosa da família Olsen, criando uma Audrey que transita entre a mulher apaixonada e a amargura sem dificuldades (e sem escorregar no sotaque), no que pode se considerar seu melhor papel em muito tempo. Embora não tenha chamado atenção nos cinemas, A Jornada de Hank Williams merece atenção do público por relembrar um personagem importante da música americana e por trazer duas atuações marcantes em sua produção. 
  
A Jornada de Hank Williams (I Saw The Light/EUA-2015) de Marc Abraham com Tom Hiddleston, Elizabeth Olsen e Cherry Jones. ☻☻☻

sábado, 1 de outubro de 2016

10+ Trailers de Filmes Aguardados

Com a proximidade do fim do ano (e a eminente temporada de premiações), resolvi destacar no blog alguns trailers de filmes que aguardo ansiosamente para os próximos meses - e você pode aproveitar e  conhecer alguns filmes que devem aparecer nas apostas do Oscar/2017. 

10 "Manchester à Beira Mar" de Kenneth Lonergan 
O tipo de filme que já pede prêmios.
Estreia nos EUA em 18 de novembro de 2016


09 "Fome de Poder" de James Le Hancock
Mais um filme com Michael Keaton rumo ao Oscar?
Estreia prevista no Brasil em 2 de fevereiro de 2017


08 "A Garota no Trem" de Tate Taylor
Emily Blunt disposta a ser reconhecida pela Academia
Estreia no Brasil em 13 de outubro de 2016


07 " A Luz Entre Oceanos" de Derek Cianfrance
Drama de rasgar a alma com o casal do momento.
Estreia no Brasil dia 03 de novembro de 2016 


06 "Doutor Estranho" de Scott Derrickson
Benedict Cumberbatch devorando outro personagem icônico!
Estreia no Brasil em 03 de novembro de 2016



05 "O Nascimento de Uma Nação" de Nate Parker
O filme mais aclamado do Festival de Sundance.
Estreia no Brasil em 26 de janeiro de 2017



04  "Nocturnal Animals" de Tom Ford
O segundo filme de Ford promete ser bem diferente do anterior.
Estreia no Brasil em 17 de novembro de 2016


 
03  "La La Land" de Damien Chazelle 
Emma e Ryan juntos novamente (e agora, cantando!)
Estreia no Brasil em 12 de janeiro de 2017


3  "Sete Minutos Depois da Meia Noite" de J.A. Bayona 
Tudo que o último filme de Spielberg queria ser!
Estreia no Brasil em 27 de outubro de 2016


01 "A Chegada" de Dennis Villeneuve
Parece que será a temporada de Amy Adams!
Estreia no Brasil em 09 de fevereiro de 2017

Na Tela: Café Society

Jesse e Kristen: juntos pela terceira vez. 

Como é público e notório, Woody Allen possui uma verdadeira obsessão por lançar um filme por ano. Às vezes essa necessidade nem sempre ajuda no desenvolvimento dos filmes, que de vez em quando, não conseguem disfarçar que mereciam uma lapidada no roteiro (basta ver o que acontece em Magia ao Luar/2014). Seu filme mais recente, Café Society conseguiu críticas positivas ao contar uma história que não tem nada demais, mas que é feita com uma atmosfera bastante sedutora, principalmente na reconstrução da Los Angeles da década de 1930. O filme tem duas partes bem demarcadas sobre a trajetória do jovem James (Jesse Eisenberg, em sua segunda parceria com o diretor), que planeja ir para a capital do cinema trabalhar com seu tio (Steve Carrell), um magnata dos estúdios. Chegando lá o seu trabalho está bem longe do glamour que esperava, mas pelo menos ele conhece a secretária do tio, Vonnie (Kristen Stewart) e a atração entre os dois é inevitável - só que ele nem imagina que ela é amante do seu mentor. Allen não força a mão para que o triângulo amoroso se desenvolva, deixando que a trama siga quase que automaticamente para um desfecho melancólico e realista. Nesse momento a trama muda com o retorno de James para Nova York, quando ele começa a trabalhar com o irmão (Corey Stoll) - aspirante a gangster que está sempre a um passo para meter-se em confusão - e encontra um novo amor, Veronica (Blake Lively). Com novos  personagens e nova subtrama, Allen assume que não está preocupado em criar uma história com grandes surpresas, mas em mostrar o efeito do tempo sobre o romance entre os casal protagonista, afinal, tudo que era atraente e apaixonante, agora passa a ser ponderado e, até, decepcionante. Café Society consegue ser uma história de amor um tanto irônica ao subverter o happy end que parecia tão óbvio desde o início. Com belíssima fotografia assinada por Vittorio Storaro e boa reconstituição de época, Allen consegue criar um filme elegante (onde até o seu humor auto-depreciativo está contido) e homenageia mais uma vez sua amada cidade de Nova York entre o glamour e o crime. O elenco também está bem, mas ainda acho Kristen Stewart um problema. Em sua peregrinação por ser considerada uma atriz respeitada, ela mais uma vez não parece à vontade diante da câmera (repare como ela aparece de olhos fechados quase em todas as cenas), mesmo valorizada pela fotografia, ainda falta presença cênica à moça - e o fato dos personagens ressaltarem toda hora sua beleza deixa isso ainda mais evidente. No entanto, sua química com Jesse Eisenberg (que sempre acho repetitivo, mas aqui ele funciona) é eficiente e garante empatia ao filme, justamente por estarem longe dos estereótipos de perfeição que Hollywood ajudou a consolidar no gênero. 

Café Society (EUA/2016) de Woody Allen com Jesse Eisenberg, Kristen Stewart, Blake Lively, Steve Carrell, Corey Stoll, Parker Posey e Jeannie Berlin. ☻☻☻