domingo, 14 de agosto de 2016

PL►Y: Jogo do Dinheiro

Jack e George: nos bastidores da crise mundial. 

Indicada quatro vezes ao Oscar e ganhadora de dois, Jodie Foster foi por muito tempo a atriz mais respeitada de Hollywood. No entanto, nunca aceitou que os estúdios ditassem como ela deveria se comportar ou qual filme ela deveria fazer - talvez por isso ela atue cada vez menos. Essa identidade fica mais notável nos filmes que ela se aventura a dirigir. Quando estreou na direção com o excelente Mentes que Brilham (1991) ela já demonstrava que não queria ser óbvia em suas escolhas, tanto que ao tentar ser mais branda em Feriados em Família (1995) ela se deparou com seu pior trabalho atrás das câmeras. Ela só voltaria a dirigir em 2015, quando arrancou a melhor atuação de Mel Gibson em Um novo Despertar/2011, um dos filmes mais incompreendidos deste início de século. Animada com o resultado, investiu em dirigir episódios das séries House of Cards e Orange is The New Black (ambos do Netflix) até que chegou ao seu quarto filme como cineasta: Jogo do Dinheiro (2016), um filme em que prova, mais uma vez, que não está nem um pouco a fim de ser vista fazendo filmes inofensivos. A cada filme, Jodie demonstra que está mais segura ao deixar a sua voz ganhar força e aqui ela conta o pior dia da vida do apresentador Lee Gates (George Clooney), responsável por um programa que dita às pessoas comuns quais são os melhores investimentos no mercado. É verdade que grande parte do apelo e credibilidade de Lee vem do trabalho da diretora do programa, Patty Fenn (Julia Roberts), que está prestes a trabalhar para uma emissora concorrente. No dia de despedida de Patty, um rapaz invade o estúdio com uma arma e uma bomba, ameaçando explodir tudo se não receber oitocentos milhões de dólares. Conforme descobrimos mais sobre o rapaz (vivido por Jack O'Connell), percebemos que ele perdeu todas as suas economias ao investir numa das dicas de Lee Gates, mas isso é apenas o começo de uma trama que reserva várias surpresas para o espectador. Nem todas as surpresas funcionam, mas Jodie consegue construir tensão durante boa parte do filme - perdendo pontos quando aponta todas as acusações para um único personagem (o que faz o filme perder parte de suas nuances mais interessantes). O filme ainda conta com um time de atores dedicados, Clooney consegue transitar entre a canastrice e a seriedade de seu personagem com tranquilidade e Jack O'Connell entrega mais uma boa atuação que comprova que ele não está destinado a ser lembrado apenas como o protagonista do confuso filme de Anjelina Jolie (Invencível/2014). No entanto, Julia Roberts é quem mais se destaca como a produtora que se torna mediadora de uma situação improvável no que era para ser apenas mais um dia de trabalho (e se e levar em conta que a atriz contracena com Clooney sem tê-lo por perto fica ainda mais interessante). De quebra o filme ainda traz a pouco conhecida Caitriona Balfe  (da série Outlander) que poderia aparecer mais como o outro personagem feminino importante para a trama. Jogo do Dinheiro pode até perder o fôlego no meio do caminho, mas consegue prender o espectador em uma história que faz o favor de mostrar que a crise econômica mundial se tornou camuflagem para muita coisa esquisita. 

Jogo do Dinheiro (Money Monster/EUA-2016) de Jodie Foster com George Clooney, Julia Roberts, Jack O'Connell, Caitriona Balfe, Dominic West e Lenny Venito. ☻☻☻☻

PL►Y: O Fantasma do Futuro

Major e Batou: parceiros contra um hacker perigoso. 

De vez em quando corre um boato de que Hollywood prepara uma versão em carne e osso de uma animação japonesa de sucesso. Foi assim quando Keanu Reeves quase atuou na versão americana de Cowboy Bebop (1998) ou quando Emile Hirsch se animou em aparecer na live action de Akira (1988). No entanto, a única ideia que saiu do papel foi deste Ghost in the Shell (1995) - graças sobretudo ao animo de Scarlett Johansson embarcar no projeto. O filme deve estrear no ano que vem sob a assinatura de Rupert Sanders (Branca de Neve e o Caçador/2012) e  com Michael Pitt e Juliette Binoche no elenco. Portanto, se você não viu, vale a pena conferir a cultuada animação de Mamoru Oshin  que inspirou filmes de sucesso como a trilogia Matrix/1999 dos irmãos Wachowski. Lançado em 1995 o filme foi baseado num mangá de 1989 e recebeu comparações com o clássico Akira por afastar-se do universo infantil e investir em uma narrativa adulta, repleta e ação, violência e toques de existencialismo. Esse existencialismo nasceu das relações que a trama possui com Blade Runner/1982 de Ridley Scott, ao abordar um futuro onde máquinas e homens se misturam. Ambientado no ano de 2029 o filme retrata uma sociedade onde todo o mundo está interligado por uma rede de computadores, assim, uma empresa lidera um grupo de Ciborgues para combater o crime. Esse grupo, conhecido como Esquadrão Shell, enfrenta problemas para deter um hacker conhecido como "Mestre das Marionetes" que, torna-se ameaçador por utilizar a rede para controlar a mente das pessoas. Nessa jornada para deter o vilão que conhecemos os parceiros Major e Batou, dois ciborgues com algumas habilidades especiais. Conforme desvendam os planos do criminoso, Major começa a repensar sobre sua própria origem - o que será fundamental para o desfecho da trama. Você vai perceber várias relações do visual do filme com Matrix (desde os créditos iniciais com letras verdes em tela negra aos cabos conectados na nuca dos personagens), além de ser inevitável lembrar de Vingadores - Era de Ultron (2015) em alguns momentos. Ainda que não tenha alcançado o sucesso esperado nos cinemas, O Fantasma do Futuro tornou-se um sucesso ao ser lançado em DVD, conquistando uma legião mundial de fãs que nem se importam com a complexidade de seus diálogos capazes de transformar um vilão palpável o medo que o homem possui da tecnologia construída por ele mesmo. 

O Fantasma do Futuro (Ghost in the Shell / Japão - 1995) de Mamoru Oshii com vozes de Atsuko Tanaka, Ario Ohtsuka, Tamio Oki, Iemasa Kayumi e Kochi Yamadera. ☻☻☻☻

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Pódio: Keanu Reeves

Bronze: o advogado.
3º Advogado do Diabo (1997)

Sempre é bom lembrar que o Pódio não é sobre os melhores filmes de um artista, mas sobre as minhas atuações favoritas do ator em questão. Sendo assim, não poderia esquecer do filme de Taylor Hackford onde Keanu Reeves  é o advogado promissor de uma cidade do interior que aceita o convite da maior agência de advocacia de Nova York - e acaba conhecendo o coisa ruim em pessoa (além de suas próprias origens). Dividindo a cena com Al Pacino e Charlize Theron, Keanu Reeves tem aqui um de seus momentos mais relevantes como ator. 

Prata: o Buda. 
2º O Pequeno Buda (1993)

O controverso longa de Bernardo Bertolucci nunca alcançou o sucesso esperado - e isso respingou na carreira de todos os envolvidos (Bridget Fonda, Chris Isaak e o próprio Bertolucci), menos em Keanu Reeves. Keanu tem uma atuação luminosa como o príncipe Siddartha que deixa a vida confortável para encontrar a solução para o sofrimento universal (e torna-se o Buda). Essa parte é a mais elogiada no filme que conclui a trilogia oriental do cineasta que soube utilizar muito bem a anatomia do ator nascido no líbano e descendente de havaianos, ingleses e chineses: o personagem lhe caiu como uma luva. 

Ouro: o enviado. 
1º Matrix (1999)

Eu não curto a cultuada obra dos irmãos Wachowski, mas admito que sempre que falam de Keanu  eu lembro dele no universo virtual criado pelos diretores. Na pele do hacker Neo até parece que o ator tem como maior mérito demonstrar elegância  nos figurinos e cenas de luta, mas você pensa que é fácil bancar o salvador da humanidade num tempo em que as máquinas mascaram a realidade? No meio de tanta pretensão e efeitos especiais, Keanu Reeves tem o mérito de dar credibilidade a um personagem que poderia ser facilmente digno de desconfiança. 

PL►Y: Bata Antes de Entrar

Keanu e suas fãs: coleção de fetiches. 

Keanu Reeves foi um dos nomes mais badalados de Hollywood noa anos 1990. Nos anos 1980 ele começou a carreira em trabalhos para a TV e com Ligações Perigosas (1988) começou a chamar a atenção dos estúdios com seu rosto exótico e facilidade em demonstrar vulnerabilidade. O ator também apresentava uma certa resistência às grandes produções, preferindo aparecer em filmes mais artísticos como os dirigidos por Gus Van Sant (Garotos de Programa/1991) ou Francis Ford Coppola (Drácula/1992) e embora tenha filmes de ação de sucesso no currículo (Caçadores de Emoção/1991, Velocidade Máxima/1994) existem muitos outros que não acrescentaram muito ao seu currículo. Desde que largou a beca estilosa de Neo na trilogia inaugurada com Matrix/1999, a carreira de Keanu nunca mais foi a mesma. Embora ele continue ativo nas telas, faz tempo que o ator não consegue um papel interessante. Ano passado ele apelou até para o diretor Eli Roth em busca de um sucesso. Não deixa de ser uma mistura curiosa, já que Roth ficou famoso com filmes de terror sanguinolentos como Cabana do Inferno/2002 e O Albergue/2005 (embora eu prefira Eli como ator em Bastardos Inglórios/2009) e Keanu nunca foi muito fã do gênero, mas Bata Antes de Entrar pretende ser diferente das outras obras do diretor. Roth tenta fazer diferente, investe em diálogos e menos sanguinolência, tenta ser mais sugestivo, embora seu senso de humor nervoso (e um tanto histérico) esteja sempre presente. O ponto de partida é um tanto besta, já que consiste na noite chuvosa em que Evan (Keanu Reeves) está sozinho em casa enquanto sua esposa e filhos estão viajando. O que poderia ser uma noite solitária muda de rumo quando ele recebe a visita de duas jovens, Genesis (Lorenza Izzo) e Bel (Ana de Armas) procurando por ajuda. Pelo jeito das garotas você já imagina o que vai acontecer e conversa vai, conversa vem, Evan é seduzido dando início a um jogo estranho de fantasias, chantagens e morte. Por mais que Roth tente ser diferente, ele mais uma vez investe numa história onde o protagonista acha que terá momentos prazerosos e se mete numa enrascada, mas o que estraga mesmo é o pendor  do cineasta para o trash  - e isso inclui sua dificuldade em conduzir os atores. Lorenza e Ana suas duas atrizes atraentes, mas estão tão preocupadas em fazer caras e bocas sedutoras que a coisa acaba ficando meio ridícula quando Keanu aparece em cena tentando demonstrar "todo o sofrimento de seu personagem", mas ele só consegue parecer cada vez mais descolado. A certa altura o filme parece um inventário de fetiches com o ator (ele aparece no chuveiro com as duas, na cama com as duas, amarrado na cama, amarrado numa cadeira...) mas nada de bom gosto ou envolvente na sucessão de acontecimentos grotescos que se seguem. O filme custou mais de dois milhões de dólares e arrecadou somente trinta e quatro mil dólares nas bilheterias americanas. Fiasco total. Eu só consigo pensar o que Reeves tinha em mente quando se meteu numa produção dessas... mas aí lembrei que ele também tem contas para pagar. 

Bata Antes de Entrar (Knock Knock/EUA-2015) de Eli Roth com Keanu Reeves, Lorenza Izzo e Ana de Armas. #

PL►Y: Beira Mar

Martin e Tomaz: dois amigos no inverso sulista. 

Aplaudido no Festival de Berlim no ano passado (onde concorreu ao prêmio de melhor filme de estreia) e ganhador de dois prêmios no Festival do Rio em 2015 (Prêmio Especial do Júri e Prêmio Novos Rumos na mostra Premiere Brasil) o filme Beira Mar da dupla Filipe Matzembacher e Marcio Reolon é um filme que se desvenda aos poucos com a história de dois amigos que partem para um fim de semana no litoral da região sul do Brasil. Enquanto Martin (Mateus Almada) precisa reencontrar alguns parentes que não vê há muito tempo, Tomaz (Maurício Barcellos) pretende apenas lhe fazer companhia enquanto ficam numa casa de praia. O filme pretende explorar a busca da identidade de ambos num momento em que não existem pais ou adultos por perto, e logo se percebe que essa opção pelo distanciamento do universo a que pertencem normalmente (algumas vezes Tomaz cita a vida em Porto Alegre) os lançam numa espécie de mundo paralelo, prova disso é a praça vazia onde conversam ou a noite em que recebem alguns amigos para fazer brincadeiras, beber e, quem sabe, encontrar uma garota para passar a noite. Tudo em Beira Mar é propositalmente lento e arrastado, num ritmo bastante particular (e por isso mesmo, caiu nas graças dos europeus que estavam no Festival de Berlim) e o que importa é o entrosamento entre os dois amigos até que o final treaga uma revelação que pode mudar o rumo do relacionamento entre os dois. Sutil em sua narrativa, o filme é agradável de se assistir, mas parece um tanto engessado pela direção que opta por exagerar na melancolia de seus personagens, que aparecem sempre silenciosos e cabisbaixos - podem dizer que a ideia era que ambos escondiam seus verdadeiros sentimentos, mas acho que acabou faltando emoção, algo que tornasse a última cena dos amigos algo tão natural quanto inevitável. Para o cinéfilo mais antenado, a cena em que Tomaz tem o cabelo pintado de azul pode soar um indício dos rumos que o filme tomará, embora seja infinitamente mais discreto que um certo filme francês que pode vir à cabeça. 

Beira Mar (Brasil/2015) de Filipe Matzembacher e Marcio Reolon com Mateus Almada, Maurício Barcellos, Elisa Brittes e Fernando Hart. ☻☻

terça-feira, 9 de agosto de 2016

PL►Y: Oeste sem Lei

Kodi e Michael: faroeste ironicamente intimista. 

Ainda que o faroeste tenha fãs fiéis  trata-se do tipo de filme que não costuma render muitos lançamentos por aqui - e o fato dos distribuidores considerarem que o público do gênero não se renovou prejudica ainda mais (e filmes de Tarantino não contam, já que pertencem a um gênero específico diante do público). A lista de filmes que aguardam a atenção dos distribuidores é grande, vai de O Atalho/2010 (que acabou saindo somente em DVD) passando por Bone Tomahawk (2015) e o recente Jane Got a Gun (2016), em comum eles tem a tentativa de lançar um olhar diferenciado dentro dos conflitos do bom e velho faroeste. Slow West é um desses que ainda esperam a oportunidade de chegar ao público brasileiro - e nem a presença do badalado Michael Fassbender foi suficiente para o filme chegar nas telonas daqui.  Dirigido pelo estreante John Maclean, o filme conta a história de um jovem escocês que cruza os Estados Unidos para encontrar sua amada. Ao contrário do que costumamos ver nesse tipo de filme, o rapaz Jay Cavendish é vivido pelo franzino Kodi Smit-McPhee que possui coração nobre, mas precisa da companhia de um pistoleiro fora da lei chamado Silas Selleck (Fassbender) para servir de guia, segurança e companhia. Entre as paisagens valorizadas pela fotografia, o roteiro nunca deixa claro se os dois se tornam amigos, afinal, existe sempre a desconfiança de que Silas está na verdade interessado na recompensa que existe pela captura da amada de  Jay (que é procurada, ao lado do pai, pelas autoridades locais). Entre os desentendimentos entre os mocinho e anti-herói existe ainda um grupo de caçadores de recompensa que estão dispostos a atrapalhar os dois em sua jornada. O roteiro (escrito pelo próprio diretor) investe num tom intimista que valoriza a construção dos personagens e a atuação do elenco, sobretudo de sua dupla principal. McPhee já provou ser bastante eficiente desde que reparamos nele, ainda menino, em A Estrada/2009 e Fassbender dispensa comentários ao ser aclamado como um dos atores mais interessantes em atividade em Hollywood, afinal, ele tem aquela habilidade rara de explorar a ambiguidade de seus personagens sem parecer contraditório. Aqui ele consegue ser tão amigável quanto ameaçador, aumentando a tensão até o desfecho da história. Não cabe dizer o que acontece no final da jornada de Jay em busca do seu grande amor, mas o resultado consegue ser dolorosamente irônico e revela o quanto a trama flerta com a redenção e a tragédia dos típicos mocinhos do gênero. Ainda que não tenha recebido a atenção que merece, Slow West revela um diretor que tem grande sensibilidade para filmar o que poderia ser apenas brutal.

Oeste sem Lei (Slow West / Reino Unido - Nova Zelândia / 2015) de John MacLean com Kodi Smit-McPhee, Michael Fassbender, Ben Mendelsohn, Caren Pistorius e Rory McCann. ☻☻☻☻

domingo, 7 de agosto de 2016

10+: Os Melhores Inimigos do Cinema

Motivado por Esquadrão Suicida que reúne um time respeitoso de vilões para a telona sem seus inimigos super-heróis, resolvi fazer uma lista com os inimigos do cinema que eu mais curto:

#10   Commodus  X  Maximus 
(Joaquin Phoenix - Russell Crowe em Gladiador/2000)
Commodus matou o pai para se tornar imperador e, de quebra, perseguiu o general do antigo imperador e todos que chegassem perto dele...


#09   Ferris Bueller  X  Ed Rooney 
(Matthew Broderick - Jeffrey Jones em Curtindo a Vida Adoidado/1985)
Ferris é um aluno que não está nem aí para a escola - ele só não contava com Sr. Rooney, um diretor que faria de tudo para estragar seu dia de aventuras.


#08   A Noiva  X  Elle Driver
(Uma Thurman - Daryl Hannah em Kill Bill/2003-2004)
A Noiva teve o seu casamento arruinado por seus amigos criminosos, mas nos rumos de sua vingança nenhuma colega é tão traiçoeira como a caolha Elle Driver. 

#07   Loki  X  Thor
(Tom Hiddleston - Chris Hermsworth em Thor/2011)
Brigas entre irmãos são sempre complicadas, mas o que esperar quando esses irmãos são os deuses da mentira e do trovão? Haja paciência para Odin!


#06   James Bond  X  Silva 
(Daniel Craig - Javier Bardem em 007: Operação Skyfall/2012)
O agente secreto mais famoso do cinema encontrou finalmente o seu vilão mais interessante: uma versão distorcida de si mesmo!


#05   Alien  X  Tenente Ripley 
(Bolaji Badejo - Sigourney Weaver em saga Alien/1979-1997)
Tenente Ripley era uma mulher bem resolvida no planeta Terra, mas após se tornar astronauta encontrou um inimigo alienígena à altura de seu destemor. 

#04   Lex Luthor  X  Superman 
(Gene Hackman - Christopher Reeve em Superman: O Filme/1978)
Aqui o terráqueo é o vilão e o alienígena é o herói. Hackman foi o melhor Luthor de todos os tempos para o melhor Superman do cinema. 


#03   Roy  X  Rick Deckart
(Hutger Hauer - Harrison Ford em Blade Runner/1982)
Roy é um replicante, Rick é um caçador de replicantes. Nesse relacionamento fadado ao fracasso, o que está em jogo é a relação do ser humano e suas criaturas frente à mortalidade. 


#02   Coringa  X  Batman
(Heath Ledger - Christian Bale em O Cavaleiro das Trevas/2008)
Toda estratégia do Homem Morcego entra em colapso quando ele se depara com o vilão que se beneficia da atração humana pelo caos.  


#01   Darth Vader  X  Luke Skywalker 
(David Prowse - Mark Hamill em O Império Contra-Ataca/1980)
Só aquela revelação já vale a primeira posição, mas o embate entre Vader e Luke só prova o quanto os Skywalkers precisavam de muita terapia!

Na Tela: Esquadrão Suicida

O Esquadrão: construído, desconstruído, reconstruído...

Quando foi ao ar o primeiro trailer de Esquadrão Suicida estava claro que a Warner continuaria investindo no tom sombrio para os quadrinhos da DC Comics na telona. Depois que Deadpool (2016) se tornou o hit em sua abordagem de um anti-herói, a Warner achou que seria bom seu filme sobre um time de vilões tivesse um pouco mais de humor - e o diretor David Ayer foi convidado a filmar algumas cenas extras para uma nova montagem. Depois com todas as fichas investidas em Batman vs Superman (2016), a Warner teve que engolir reclamações sobre o filme que chegou às telas e, com receio do que iria acontecer, David Ayer teve que remexer no filme outra vez - inserindo novas cenas, cortando outras, alterando as cores, a trilha... - tudo para que o filme tivesse o tom menos sombrio que antes. Chegando aos cinemas, tantas alterações ficam evidentes, especialmente em sua primeira parte - onde se revela as maiores fraquezas da produção. Nos quadrinhos o Esquadrão Suicida é formado por um grupo de super-vilões que são escolhidos para enfrentar missões arriscadas, caso as concluam, suas penas recebem reduções (pequenas perante os vários anos que ficarão atrás das grades). No filme, eles se são escolhidos por Amanda Waller (a magnífica Viola Davis) para formarem um time difícil de lidar. O roteiro explica a necessidade do Esquadrão devido ao que aconteceu em Homem de Aço (2013) e Batman Vs. Superman (2016), gerando uma nova realidade na proteção do planeta, sendo assim, ela convence a segurança dos EUA a confiar em Atirador (Will Smith), Arlequina (Margot Robbie), Magia (Cara Delevingne), Crocodilo (Adewale Akinnuoye-Agbaje), Capitão Bumerangue (Jai Courtney), El Diablo (Jay Hernandez) e Amarra (Adam Beach). Para ajudar a controlar um grupo desses, são designados Rick Flag Jr (Joel Kinnaman) e Katana (Karen Fukuhara) - com sua espada capaz de aprisionar a alma de quem morre através dela. Com um grupo desses, era de se esperar que houvesse um desequilíbrio no tempo de tela... e a edição piora um pouco esse dilema. Nos primeiros minutos somos apresentados aos personagens em uma edição confusa embaladas por canções pop, com destaque (duas vezes) para Pistoleiro e Arlequina, os outros são apresentados com características escritas na tela e alguma piadinhas. Depois, a edição apela para os flashbacks para dar profundidade para o relacionamento entre Flag e June Moone (alter-ego da bruxa Magia), Diablo e família e, novamente, Arlequina e Coringa (Jared Leto). Os trailers já me deixavam intrigado quanto ao espaço que o Coringa teria na história, mas ele não é o inimigo que o Esquadrão deve combater, tendo uma trama paralela que serve de gancho para outras obras quando o filme chega ao fim. 

Jared: sem medo de Heath Ledger (ainda bem).  

Se Margot Robbie acerta o tom de sua personagem, o mesmo não se pode dizer de Jared Leto - e eu não posso dizer se é culpa do ator ou da montagem final, que dizem ter cortado mais da metade das cenas do personagem. Longe de ter a genialidade de Heath Ledger que viveu o palhaço do inferno anteriormente (no cultuado O Cavaleiro das Trevas/2008), o oscarizado Jared entrega um Coringa mais colorido, perturbado, mas sem o espaço necessário para ser realmente ameaçador - no entanto, tem um visual mais próximo das HQs e animações que o visto anteriormente. Apesar da edição ser um tanto confusa, o filme encontra seu ritmo quando o grupo precisa resgatar uma figura importante (que não fazem a mínima ideia de quem seja) quando uma ameaça bizarra assombra a cidade de Mid City. Entre efeitos especiais interessantes, lutas e tiros, o filme busca sua identidade em meio ao que sobrou de seu conceito inicial. Existem boas ideias, bom visual, bons efeitos, boas atuações (David, Robbie, Smith, Kinnaman, Hernandez...), mas faltou uma costura coerente (que talvez até existisse). Quem gerou expectativas gigantescas ficará decepcionado, mas quem espera um filme para se divertir pode até gostar - e se fizer isso os executivos da Warner agradecem. Se a ideia do estúdio era deixar os diretores criarem seu próprio conceito perante os personagens que tinham em mãos, o sucesso bilionário dos filmes da Marvel comprometeram essa ideia na concorrência. Porém, a criação de um universo unificado chegou tarde demais aos filmes da DC - e tem dado trabalho para encontrar o caminho. Os filmes da Marvel possuem uma identidade própria, resta às obras da Warner/DC descobrirem como construir a sua, mas para isso, precisa saber lidar com as comparações inevitáveis e ter a certeza do que querem - e nem adianta os fãs ficarem choramingando pelo tio Christopher Nolan, que configurou as aventuras de Batman para a era pós-moderna,  David Ayer (diretor de filmes como Marcados para Morrer/2012 e Corações de Ferro/2014) não é e nunca será Chris Nolan (até porque Ayer nem cogita isso), como cineasta ele só precisava de espaço para fazer o filme que apresentou no primeiro trailer que vimos do Esquadrão Suicida (mas somente na sequência ele consiga colocar as novas exigências devidamente ajustadas às suas ideias). Seja como for, o filme serve para colocar, pelo menos, uma peça importante nos rumos da Liga da Justiça, a ameaçadora Amanda Waller - vivida com gosto por Viola Davis


Esquadrão Suicida (Suicide Squad/EUA-2016) de David Ayer com Will Smith, Margot Robbie, Viola Davis, Jared Leto, Joel Kinnaman, Jay Hernandez, Cara Delevigne, Jai Courtnay e Adewale Akinnuoye-Agbaje. ☻☻

sábado, 6 de agosto de 2016

MOMENTO [OLÍMPICO] ROB GORDON - I: Atores Atletas

Com a chegada das Olimpíadas no Brasil nosso Momento Rob Gordon terá edições especiais. Nesta ele destaca cinco pessoas que tiveram destaque no mundo esportivo antes de fazer sucesso no cinema e na TV. O critério de classificação está associado aos títulos como atletas. 

05 Vinnie Jones 
No início de sua carreira, o diretor Guy Ritchie gostava de colocar homens com pinta de durões encarnando marginais espertos em seus filmes. Foi assim que o jogador de futebol foi parar no primeiro filme do diretor em 1998: Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes. Vinnie começou a carreira de jogador em 1984, foi representante e capitão da Seleção Galesa de Futebol, jogou pelo Chelsea, Leeds United e Wimbledon Football Club (pelo qual participou de 200 jogos entre 1986 e 1998). Antes de investir mais tempo em sua carreira no cinema, ele foi treinador do Queens Park Rangers.

04 Jason Statham
Guy Ritchie também foi responsável pela estreia do ator britânico que antes foi conhecido como atleta de saltos ornamentais. Jason fez parte da equipe nacional de mergulho da Grã-Bretanha por 10 anos, sendo classificado como 12º no Campeonato Mundial de 1992. Statham seguiu outro rumo quando seu agente o colocou como modelo de uma marca de roupas na Europa no final dos anos 1990, a French Connection. Não demorou para que Jason fosse convidado para seu primeiro filme, o cult Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes (1998) assinado por Ritchie.  

03 Esther Williams
A vida da diva poderia ter seguido outros caminhos caso houvesse acontecido os Jogos Olímpicos de 1940, afinal, ela era uma das grande promessas de medalha na modalidade de nada sincronizado e natação após ser campeã em natação no Campeonato Mundial de São Francisco.  Em 1940 não houve Olimpíada por conta da eclosão da Segunda Guerra Mundial e Esther aceitou convites para fazer apresentações ao lado do colega nadador Johnny Weissmüller (que ficou famoso como Tarzan). Foi o bastante para ser descoberta pela MGM - que a lançou em 1944 com o filme Escola de Sereias, que a tornou uma estrela especialista em musicais com números aquáticos. 

02 Bud Spencer
O italiano ficou famoso por seus filmes ambientados no Oeste ao lado de Terrence Hill. Spencer começou a carreira de ator com sua pequena participação no clássico Quo Vadis (1951). Desde então participou de mais de setenta produções para cinema e TV. O que pouca gente sabe é que Bud era na verdade Carlo Pedersoli, um excelente nadador que ganhou duas medalhas de prata nos Jogos do Mediterrâneo em Alexandria (1951) e uma de ouro em Barcelona (1955). Spencer ainda participou dos Jogos Olímpicos de Helsinki (1952), Melbourne (1956) e Roma (1960) antes de tornar-se famoso nos cinemas. 

01 Caitlyn Jenner
Antes de mudar de sexo, Caitlyn Jenner atendia pelo nome de Bruce. Bruce Jenner foi considerado o maior atleta do mundo nos EUA após conquistar a medalha de ouro no Decatlo das Olimpíadas de Montreal em 1976, consolidando a promessa sinalizada nos Jogos Pan-americanos na Cidade do México em 1975 (onde também recebeu a medalha de ouro pela modalidade). A fama o levou a fazer vários filmes para TV e cinema nos anos 1980. No século XXI ele ficou ainda mais conhecido com o Reality Show "Keeping up with the Kardashians" (2007-2016) e, posteriormente, I Am Cait (2015-2016) série documental que acompanha seu processo de transição de sexo aos 65 anos.