quinta-feira, 9 de julho de 2020

Pódio (TV): Elisabeth Moss

Bronze: a mulher oprimida
3º The Handmaid's Tale (2017-)
Este Pódio foi o mais difícil da minha vida! Como foi difícil organizar as minhas atuações favoritas da Elisabeth Moss na televisão (a do cinema vai rolar também em breve). Handmaid's Tale é um programa contundente e tornou a atriz ainda mais conhecida na pele de June Osborne que padece num mundo totalitário (que parece o futuro dos tempos sombrios que vivemos atualmente) em que governo e religião se misturam. Se contar mais estraga. A série está prestes a ter sua quarta temporada e a forte atuação de Moss é brilhante, mesmo que a série tenha perdido fôlego no ano passado. 

Prata: a secretária de futuro
Que delícia foi acompanhar a história de Peggy Olson nesta série da AMC (que ganhou o mundo pela HBO). Ambientada nos anos 1960 (com figurinos impecáveis, muita bebida destilada no trabalho e cigarros por toda parte) vimos sua personagem começar como ingênua secretária e crescer ao longo das temporadas. Crescer não apenas na empresa, mas como pessoa, se tornando discípula do famigerado Don Draper (Jon Hamm) e, por vezes, até sua rival. Moss apresentou uma trabalho fascinante nas transições da personagem e deixou claro que era uma atriz com muitos recursos e, se fosse coadjuvante, roubaria a cena. 

Ouro: a detetive obstinada
Não sei explicar muito bem o motivo, mas a atuação de Elisabeth Moss que mais me deixa intrigado é neste trabalho independente da diretora Jane Campion para a televisão. Na pele da detetive Robin Griffin, encarregada de solucionar o sumiço de uma menina de doze anos em uma cidade nos cafundós da Nova Zelândia, sua atuação é sublime em introspecção e minúcias. Aos poucos o caso cede lugar para a história de Robin e estas duas camadas se misturam de forma irresistível. Pelo papel, Moss ganhou seu primeiro Globo de Ouro. A minissérie deu tão certo quem em 2017 ela recebeu uma continuação chamada Top of The Lake: China Girl igualmente elogiada. 

PL►Y: O Homem Invisível

Elisabeth: desmascarando um personagem clássico. 

O Homem Invisível era o filme que eu estava prestes a assistir quando os cinemas fecharam por conta da pandemia. O filme estava começando sua carreira ao redor do mundo quando sofreu um duro golpe, no entanto, manteve o sucesso ao ser liberado para on demand e posteriormente para exibições em drive-in. Meu interesse pelo filme já começa por sua protagonista, Elisabeth Moss, uma das atrizes mais interessantes dos EUA e que aqui tem seu primeiro papel em uma uma grande produção. Além disso, houve comentários de que colaborou com o diretor e roteirista para deixar a história ainda mais contemporânea e com novas camadas, assim, se você tinha receio de ver mais do mesmo de um personagem inspirado no clássico personagem de H.G. Wells lançado em 1897, não precisa se preocupar! O personagem recebeu várias versões para o cinema, sendo a mais recente a de Paul Verhoeven em 2000 (protagonizada por Kevin Bacon e Elisabeth Shue - gente, o Invisível tem um fetiche por Elisabeths?), mas o diretor Leigh Whannel resolveu fazer diferente vinte anos depois. Em comparação com o livro, o filme compartilha o cientista interessado em estudos de ótica que descobre uma forma de se tornar invisível aos olhos humanos - só que explora este aspecto dentro do contexto de um relacionamento abusivo. Quando o filme começa não entendemos muito bem o que está acontecendo com Cecilia (Elisabeth Moss), até entendermos que ela está fugindo do marido. Nesta tarefa ela conta com a ajuda da irmã Emily (Harriet Dyer) e do amigo James (Aldis Hodge), que a abriga em sua casa para não levantar suspeitas. No entanto, Cecilia tem tanto medo de ser descoberta que seu comportamento segue amedrontado. Entra em pânico quando a amiga a visita, treme ao ter que sair de casa e se alguém se aproxima ela imagina que foi descoberta. O roteiro não entra em detalhes sobre a realidade daquele casamento, mas a interpretação de Moss cria a exata medida do horror que a personagem vivenciou. Ainda que ele não esteja fisicamente ali, ela sente que é observada e vive em constante ameaça (num retrato brilhante do trauma que um relacionamento abusivo é capaz de provocar). Mas o filme precisa seguir por outros caminhos e o faz primeiro de forma sugestiva (com a câmera parada diante de uma cadeira ou de uma parede, como se houvesse realmente um personagem ali - e, estranhamente, você será capaz de sentir que realmente existe alguém diante da câmera) e depois duvidando da sanidade de Cecilia que acredita ser perseguida e logo depois se ver diante de uma armadilha. O filme impressiona pela substância que consegue dar à trama voltada para um personagem manjado, ancorado em um medo que cresce aos poucos, com efeitos especiais nos lugares certos, uma das cenas de luta mais angustiantes do ano e muita habilidade para preencher o imaginário do espectador. O australiano Leigh Whannel, que foi um dos criadores das tramas de Jogos Mortais (que no original de 2004 se defendeu muito bem como ator) e Sobrenatural (2010), faz tudo certinho no suspense que apresenta aqui (há um tropecinho no roteiro, mas não  chega a estragar a diversão) e conta com o talento de uma atriz espetacular para convencer o espectador de tudo que precisa nas reviravoltas que a trama oferece (não ficarei surpreso de ver Elisabeth Moss figurando nas premiações por este trabalho). Com texto engenhoso, O Homem Invisível é uma releitura bastante contundente de um personagem clássico e merece ser visto. 

O Homem Invisível (The Invisible Man / EUA -2020) de Leigh Whannel com Elisabeth Moss, Harrier Dyer, Aldis Hodge, Oliver Jackson-Cohen, Storm Reid e Michael Dorman. ☻☻☻☻

segunda-feira, 6 de julho de 2020

4EVER: Ennio Morricone


10 de novembro de 1928 ✰ 06 de julho de 2020

Ennio Morricone se consagrou como compsitor, arranjador e mastro italiano e estudou música nao Conservatório da Academia Nacional de Santa Cecília. Foram sessenta anos dedicados à trilhas sonoras para cinema, TV e rádio em sete décadas de carreira. Seus trabalhos se tornaram famosos por conduzirem magistralmente o tom da narrativa. Não por acaso, fez trilhas para mais de quinhentos filmes incluindo faroestes que ampliaram sua notoriedade, sobretudo a tríade Por um Punhado de Dólares (1964), Por Uns Dólares a Mais (1965) e Três Homens em Conflito (1966) de Sergio Leone. Morricone criou sonoridades referenciais para o cinema, tanto que Quentin Tarantino as citava em vários filmes e até a banda Metallica as utilizou em concertos. Ennio foi indicado seis vezes ao Oscar e após um Oscar honorário em 2007 foi premiado pelo trabalho na trilha de Os Oito Odiados (2015) de Tarantino (e o relacionamento entre os dois teve famosos atritos). Reza a lenda que ele chegava a trabalhar em quinze trilhas ao mesmo tempo! Morricone nasceu em Roma, na Itália. Seu pai tocava trompete e trabalhava em várias orquestras e a mãe havia montado uma pequena empresa têxtil. Morricone faleceu em decorrência de complicações de uma queda.  

PL►Y: Lucy in the Sky

Natalie: desperdiçada em produção confusa. 

Além de Yesterday, outro filme com título inspirado em música dos Beatles foi Lucy in the Sky de Noah Hawley. O filme teve uma produção tumultuada e, como era esperado, ao ser exibido a crítica não curtiu o resultado, assim como a público que não compareceu aos cinemas para ver Natalie Portman como astronauta em crise. O filme foi um fracasso mundial e chegou na maioria dos países através das plataformas digitais. Havia até a expectativa de que Natalie conseguisse outra indicação ao Oscar por sua performance, mas ainda que seja uma atriz notável, ela não consegue fazer milagre com o roteiro desengonçado. Também não ajuda os maneirismos de Noah Hawley, que após trabalhos em séries consagradas (entre elas Bones, Fargo e Legião) estreia como diretor de cinema com esta produção. Quem conhece o trabalho do moço, sabe que ele tem domínio da estética (e aqui ele chama atenção para forma como brinca com o formato de tela e cenas do imaginário da personagem), mas  tem dificuldade em criar uma coesão na narrativa. Aqui ele se inspira em fatos reais (mudando nomes e detalhes) para contar a história de Lucy Cola (Natalie Portman) que vive a emoção de visitar o espaço e depois apresenta dificuldades para retornar para a vida cotidiana na Terra. Voltando para a rotina de casa, ao lado do marido (Dan Stevens) e da sobrinha (Pearl Amanda Dickson, que parece muito a Jennifer Lawrence quando era mais jovem), ela sente necessidade de voltar ao espaço e sentir aquela emoção novamente. Nesta busca por sentir algo a mais, ela acaba se envolvendo com um colega de trabalho (Jon Hamm) e temendo a concorrência de colegas mais jovens (Zazie Beetz). O filme se arrasta neste desenvolvimento interno de sua protagonista, busca sua complexidade, mas deixa tudo confuso quando ela percebe que as chances de participar de uma nova missão diminuem. Seu descontentamento com a casa, o casamento e a família se tornam maiores, se expande para os colegas de trabalho, para a vida e ela começa a ver conspirações ao seu redor e o surto se torna inevitável. Natalie Portman faz o que pode para manter o interesse do espectador, mas o roteiro não ajuda e termina dando a impressão de que Lucy é apenas uma mulher desequilibrada e, portanto, não deve mesmo participar de missões da NASA. Seria esta a intenção do filme? Com um tema interessante (e uma música mitológica desperdiçada em sua execução horrenda no filme) o filme é mal desenvolvido, confuso e desperdiça uma atriz que poderia render mais uma atuação memorável.

Lucy in the Sky (EUA-2019) de Noah Hawley com Natalie Portman, Jon Hamm, Dan Stevens, Zazie Beetz, Pearl Amanda Dickson e Ellen Burstyn. ☻☻

PL►Y: Yesterday

Lilly e Himesh: quando o romance estraga tudo.

Imaginar um mundo sem Beatles me soa como uma ideia de filme de terror! Mas para os roteiristas Richard Curtis e (o estreante em cinema) Jack Barth é o ponto de partida para uma comédia romântica. Yesterday conta a história de Jack Malik (Himesh Patel) um funcionário de supermercados que sonha em ser um músico reconhecido. De shows para amigos e lugares vazios, a desmotivação começa a aparecer, mas sua amiga e empresária, Ellie Appletown (Lily James) sempre insiste para que ele continue em busca do reconhecimento. Eles nem imaginam que após um acidente tudo na vida de Jack irá mudar, já que após ser jogado pelos ares e perder um dente, ele acorda em um mundo em que os Beatles nunca existiram (assim como a Coca-Cola), mas.... ele é o único a lembrar das canções do quarteto de Liverpool. Não demora para ele perceber nisso a chance de fazer sucesso com as composições da banda. É uma brincadeira que funciona quando o filme investe no humor (como a não existência do Oasis por conta da ausência de John Lennon e seus parceiros), mas que repete todo tipo de clichê sobre o mundo da fama (problemas com a aparência, os empresários malvados, o artista tolhido...) e erra terrivelmente quando destaca o romance entre Jack e Ellie - aspecto que sempre puxa o filme para trás. Este lado romântico da história é típico de Richard Curtis (que foi indicado ao Oscar pelo texto de Quatro Casamentos e Um Funeral/1994) mas que não funciona pelas mãos do diretor Danny Boyle. Este é o filme mais brando do cineasta escocês, que se sente mais a vontade quando explora o lado surreal da ascensão de Malik e patina em gelo fino quando a música é deixada de lado e o foco recai sobre o romance sem sal. Nem vou dizer a antipatia que a garota me desperta ao depois de insistir para o moço continuar a carreira engrenar em uma chantagem emocional quando ele tem a chance de se destacar (e haja atitudes lamentáveis da garota). Lilly James sorri o tempo todo para fazer de conta que sua personagem é legal, mas o roteiro a transforma rapidamente numa chata egoísta disfarçada de boa moça (bem que ela poderia começar a receber uns papéis mais interessantes). A historinha de amor está sobrando aqui. Em sua estreia no cinema, Himesh Patel convence como o sujeito comum que alcança a fama e fica confuso perante um dilema moral complicado e isso já bastaria para sustentar o filme. Yesterday funciona bem até sua metade, dali em diante tem dois bons momentos (o casal misterioso que segue Malik e o encontro fantástico do protagonista com alguém muito especial - e não estou falando do Ed Sheeran que tem destaque como ele mesmo na história), mas que infelizmente não evitam o a história a murchar rumo ao desfecho de comédia romântica previsível.  

Yesterday (Reino Unido - Rússia - Japão - EUA / 2019) de Danny Boyle com Himesh Patel, Lilly James, Joel Fry, Ed Sheeran, Sanjeev Bhaskar e Kate McKinnon. ☻☻

domingo, 5 de julho de 2020

PL►Y: Judy - Muito Além do Arco-Íris

Renée: retorno em grande estilo. 

Em 1996 o filme indicado ao Oscar Jerry Maguire de Cameron Crowe apresentava para Hollywood uma jovem atriz candidata à estrela. Era a texana Renée Zellweger que aos 27 anos demonstrava talento, carisma e potencial ao lado de Tom Cruise. O filme abriu as portas para atriz que nos anos seguintes se consolidou como uma das atrizes mais populares do cinema americano. O Globo de Ouro por Enfermeira Betty (2000) ajudou bastante, mas foi o sucesso de O Diário de Bridget Jones (2001) que lhe rendeu a primeira indicação ao Oscar de atriz. Depois veio a indicação por Chicago (2002) e o Oscar de coadjuvante por Cold Mountain (2003) para consolidar o sucesso. Embora muito gente acusava a atriz de estar se repetindo, poucos se importavam. O problema foi quando uma sucessão de filmes esquecíveis e botox demais começaram a atrapalhar. Depois de vários fracassos de bilheteria, Renée repensou a vida e sumiu dos holofotes. Fez algumas plásticas que fizeram a glória dos sites de fofoca e ficou seis anos sem filmar. A retomada veio com O Bebê de Bridget Jones (2016), que não fez sucesso como os anteriores, mas demonstrou que a atriz estava disposta colocar a carreira nos trilhos. Portanto, o fato de cair em suas mãos a chance de interpretar Judy Garland era uma daquelas chances de ouro! Bastou o primeiro trailer de Judy: Muito Além do Arco-Íris para que seu nome já aparecesse como o nome da ser batido no Oscar. Garland é uma destas figuras míticas de Hollywood que mistura fama e drama. Estrela da era de ouro de Hollywood, começou a carreira aos sete anos e se tornou um dos rostos mais famosos do cinema - além de ter uma voz poderosa que lhe garantiu papeis importantes nos palcos e nas telas. Presente em clássicos eternos como O Mágico de Oz (1939), Nasce Uma Estrela (1954) e Julgamento em Nuremberg (1961), a década de 1960 marcou o início de seu declínio misturado aos problemas de sua vida pessoal. O filme do pouco experiente Rupert Goold (que antes dirigiu o razoável A História Verdadeira/2015) é pautado nos últimos shows da artista na Inglaterra, espetáculo que a manteve longe dos filhos menores (pela qual brigava pela guarda com o ex-marido), mas com a narrativa marcada por flashbacks que tentam explorar a complexidade de sua personalidade. Infelizmente o roteiro não tem fôlego para explorar a densidade de vários pontos da vida de Judy e se contenta a bater sempre nas mesmas teclas (a relação com a tirania dos diretores, o trabalho desde pequena, o gosto pela fama, a insegurança, a uato-estima, problemas com bebida, os casamentos complicados... o que deixa um pouco apressado entender como ela acaba se envolvendo com seu quinto esposo - que de cara gentil vira um grosseiro de uma cena para outra). A grande sorte do filme é ter Renée Zellweger transpirando talento e preenchendo as lacunas do texto. Na maior parte do tempo ela desaparece na personalidade de Judy e suas cenas de palco em nada lembram a Roxie Hart de Chicago. A voz de Renée impressiona com a carga emocional que imprime em cada cena e torna o filme bastante digno. Embora seja menos do que poderia, Judy é um filme comovente e nos faz conhecer um pouco mais de uma estrela que pagou caro pelo preço da fama. Liza Minelli (vivida aqui por Gemma-Leah Devereux em uma cena) foi uma grande crítica do filme que acusava o filme de não ser fiel à personalidade de sua mãe, independente disso, Renée marca seu retorno para Hollywood com um irresistível comeback factor regado a um um papel tão emblemático que lhe rendeu um justo Oscar de Melhor Atriz. 

Judy: Muito Além do Arco-Íris (Judy / EUA - Reino Unido - França / 2019) de Rupert Goold com Renée Zellweger, Jessie Buckley, Finn Wittrock, Rufus Sewell, Michael Gambon e Andy Nyman. ☻☻☻

PL►Y: Um Dia de Chuva em Nova York

Chalamet e Elle: para passar o tempo. 

Em 2018 no auge das manifestações contra os casos de assédio em Hollywood o passado do cineasta Woody Allen voltou ao debate. Não que haja denúncias de assédio em seus filmes, mas em seu comportamento familiar junto aos filhos do casamento com Mia Farrow (o que torna ainda mais assustador). Ao fato somou-se a notícia de que em seu novo filme um cineasta se apaixonava por uma estudante menor de idade. O filme em questão era esta Um Dia de Chuva em Nova York (ainda estou procurando onde o relato descrito anteriormente foi parar na trama), houve tanto protesto em torno de Woody que a Amazon engavetou o filme pronto e cancelou o contrato para produzir os próximos três filmes do cineasta (que moveu um processo milionário contra a empresa). Caído no limbo, o filme estreou no Brasil em novembro do ano passado, teve distribuição em países europeus, na América Latina e no oriente, mas permanece sem previsão de estreia nos Estados Unidos - reacendendo o debate sobre até que ponto a obra de um artista deve pagar por sua vida pessoal (além de dividir atores que o defendem e os que o repudiaram). Fosse um filme melhor, Um Dia de Chuva em Nova York poderia nos lembrar quantos filmes inesquecíveis o diretor já realizou, mas aqui ele apenas preenche aquela lacuna de "filme do ano", já que criou para si a obrigação de lançar uma produção anualmente  (no caso, 2018 deixou uma lacuna em sua cinematografia que seguia ininterrupta desde 1982). Em todo este trajeto houve filmes geniais e outros nem tanto, este aqui se enquadra na segunda categoria (aliás ele não cria um grande filme desde Blue Jasmine/2013). O ponto de partida é despretensioso, segue um jovem casal universitário formado por Gatsby (Thimothée Chalamet) e Ashleigh (Elle Fanning) por um dia pela famosa cidade quando Ash, estudante de jornalimo, está prestes a fazer uma entrevista com um dos seus cineastas favoritos para o jornal da facudade. Ele é o  cultuado Rolland Pollard (vivido por Liev Schreiber - que não sei porque o nome do personagem me lembra Roman Polanski, outro envolvido em denúncias de abuso sexual) que está prestes a lançar seu novo filme. Enquanto Ashleigh se envolve em vários acontecimentos após a entrevista (incluindo o sumiço de Rolland), seu namorado preenche o tempo encontrando antigos conhecidos - incluindo a irmã de uma ex-namorada, Chan (Selena Gomez). O casal se desencontra a maior parte do tempo, vivendo momentos que eles nem se dão conta de que estão colocando o relacionamento à prova com as tentações que a cidade reserva. Entre diálogos nervosos (e pouco engraçados), boa fotografia e infinitas participações especiais, o filme caminha para o seu final sem empolgar. A trama caminha sem ter para onde ir e termina formando um casal sem química alguma. Woody é famoso por seu trabalho com improviso, aqui é Elle Fanning que está mais à vontade, enquanto Thimothée começa imitando o típico personagem de Woody Allen (assim como o roteirista vivido por Jude Law) e Selena Gomez parece estar zangada com o papel sem graça (o que torna o desfecho até surpreendente, no pior sentido). Sem ter muito o que dizer, Um Dia de Chuva em Nova York ficará famoso mais pelas polêmicas que envolveram seu lançamento do que seus poucos predicados.  

Um dia de Chuva em Nova York (A Rainny Day in New York / EUA - 2019) de Woody Allen com Thimothée Chalamet, Elle Fanning, Liev Schreiber, Jude Law, Rebecca Hall, Selena Gomez, Annaleigh Ashford e Diego Luna. ☻☻

NªTV: DARK - 3ª Temporada: Final

Louis e Lisa: incesto através do tempo. 

A terceira temporada de DARK estreou no dia 27 de junho e confesso que evitei a curiosidade de maratonar a  série em um dia, preferi assistir aos poucos, um episódio por dia - geralmente à noite antes de dormir. Sei que perante a estrutura da série é um grande risco, já que sua fama de ser complicada deve-se muito ao fato de algum detalhe ser esquecido que ficou entre um episódio e outro (ou uma temporada e outra, o que sempre deixava os fãs aflitos nas lacunas entre elas e com intenção de rever tudo ou procurar resumos na internet quando uma nova temporada se aproximava). DARK no entanto entra para a história como uma série bastante peculiar, já que do primeiro ao último episódio sempre deixou seu espectador caminhando no escuro (será esta a origem do nome em inglês desta série alemã?), sem entender muito bem o que acontecia a maior parte do tempo até que as pontas se amarravam e novas surgiam. Ainda lembro quando assisti a primeira temporada estreou no final de 2017 e muita gente se apressou a comparar com Stranger Things, que já tinha sua segunda temporada (e deixou fãs aflitos com a explicação de que a terceira demoraria mais para ser lançada). No início dá até para entender as comparações, mas conforme a temporada avançava a trama se tornava mais complexa e sombria do que as aventuras daquelas crianças nos anos 1980. Ainda é SPOILER para alguém dizer que DARK promove a trama sobre viagens no tempo mais radical da história do entretenimento? Seus personagens voltam e avançam séculos, assim, se casam antes do ano de seu nascimento, mantem relações de parentesco surreais, conhecem a si mesmo em várias fases da vida, vivem romances proibidos e alteram a ordem "natural" das coisas. Não por acaso se fala muito de um nó (na verdade desencadeador de muitos outros que se embolam de tal forma que torna-se quase impossível de desfazer). Aos poucos descobrimos que existe por trás disso uma verdadeira guerra por manter o fluxo temporal alterado (ou seria não linear?). No final da segunda temporada eu fiquei com receio do que aconteceria com o Apocalipse se concretizando e o(s) desfecho(s) dados para Jonas (Louis Hofmann) e Martha (Lisa Vicari), o medo era que a série poderia beirar o ridículo ao mostrar realidades diferentes, na maior parte da última temporada, os roteiristas elevam tudo a um patamar nunca visto e muita gente deve ter ficado sem entender direito o que acontecia - e acredito que a ideia é esta mesmo. Se já chegamos aqui sabendo que Jonas se torna herói e vilão da própria história, agora não sabemos direito o que é bom ou ruim perante os interesses que estão em jogo. No entanto, em alguns momentos considerei cansativo as mortes, os encontros inusitados ao longo de um mesmo capítulo, a sensação é que aquelas viagens esgarçaram os limites da relação dos personagens ao máximo como uma proposta real dos criadores. Se a ideia parece absurda, ao menos nunca soa ridícula, mesmo quando na reta final tudo se torna mais simples e digno de solução. Existem tantas bifurcações na trama da terceira temporada que ao final eu imaginei que poderia ter visto somente os dois últimos episódios para entender o desfecho, no entanto, faz parte da graça e do prazer dos fãs se perder no meio das pirações da série. Faz parte se sentir tão perdido quanto Jonas e Martha (que merecidamente recebe mais destaque nesta temporada). Neste ponto, vale destacar todo o elenco pelo ótimo trabalho que sempre inseriu credibilidade nas guinadas mais estapafúrdias do programa. Considerada recentemente a melhor série da Netflix e projetada para ter três temporadas desde o início, DARK deixará saudades e sempre poderá ser revista - são só 23 episódios de um quebra-cabeça que vale a pena desvendar. 

DARK -  3ª Temporada (Alemanha/2020) de Baran bo Odar, Jantje Friese com Louis Hofmann, Lisa Vicari, Maja Schönne, Paul Lux, Jördis Triebel, Oliver Masucci, Julika Jenkins, Peter Benedict, Moritz Jahn e Mark Washke. ☻☻☻☻

sexta-feira, 3 de julho de 2020

4EVER: Leonardo Villar

25 de julho de 1923 ✰ 03 de julho de 2020

Batizado como Leonildo Motta, o homem nascido em Piracicaba (São Paulo) ficou famoso com o nome de Leonardo Villar. Antes de se tornar ator no final do anos 1940, Leonildo trabalhava como alfaiate até perceber que gostava mesmo era de atuar. Após se consolidar como ator dos palcos, recebeu convites para trabalhos no cinema e na televisão, colecionando vários trabalhos marcantes. No cinema se tornou protagonista do único filme brasileiro ganhador da Palma de Ouro no Festival de Cannes, o cultuado O Pagador de Promessas (1962) de Anselmo Duarte, um clássico do cinema nacional e considerado até hoje um dos melhores filmes de nossa cinematografia  (o filme também se tornou a primeira produção brasileira a concorrer ao Oscar de filme estrangeiro). Considerado um dos maiores atores de nosso país, Leonardo atuou em quinze filmes, incluindo Lampião: O Rei do Cangaço (1964), A Hora e Vez de Augusto Matraga (1965), Ação entre Amigos (1998) e Chega de Saudade (2008). O ator faleceu em decorrência de uma parada cardíaca.