domingo, 11 de janeiro de 2015

Na Tela: Whiplash - Em Busca da Perfeição

Teller e Simmons: muito além dos clichês.

O professor Fletcher vivido por J.K. Simmons será facilmente lembrado como um dos maiores carrascos da história do cinema, tanto que as premiações miram nele como destaque entre os coadjuvantes do ano (o ator está indicado ao Globo de Ouro de coadjuvante e provavelmente ao Oscar da categoria - e merece por seu discernimento num papel complicado que cairia facilmente na caricatura). No entanto, seria uma enorme infelicidade reduzir o filme de Damien Chazelle à atuação fenomenal do ator. Whiplash pulsa como a bateria que está no centro da narrativa, mesmo com os atores em destaque, o instrumento se torna a alma do filme, afinal, é ela que precisa ser domada com perfeição pelo ambicioso estudante de música Andrew Neiman (Milles Teller). Aluno de uma prestigiada escola de música, o Conservatório Shaffer  (versão fictícia para a mais que exigente Juilliard School), Andrew pensa que só ficará satisfeito quando conseguir chamar a atenção do prestigiado professor Fletcher, líder do principal conjunto de jazz da escola. O rapaz acredita que somente com as exigências do mestre, ele poderá escrever seu nome ao lado dos maiores bateristas de jazz de todos os tempos. Quando ele consegue chamar a atenção do professor sua dor de cabeça está apenas começando. Não satisfeito em dispararar insultos aos seus discípulos, Fletcher nunca está satisfeito com o máximo que seus alunos tem a oferecer e utiliza a trajetória pessoal deles para massacrá-los com mais vigor. Sujeito à pressão absurda que seu mentor o submete, Andrew parece não se incomodar de descer ao inferno se isso o tornar o exímio baterista que deseja. Na dinâmica estabelecida entre os dois personagens é palpável como Andrew percebe que sua habilidade serve aos desafios que o professor lhe oferece, mas ao mesmo tempo é quase impossível que o mestre admita isso (e depois de treinar a tocar bateria até descarnar as mãos, Miles Teller está bastante crível no papel). Chazelle orna seu filme com bastante sangue, um bocado de suor e um tanto de lágrimas para que Andrew alcance seus objetivos através de sacrifícios a que poucos seriam capazes de se submeter, mas seria isso tudo realmente necessário? Premiado em Sundance e aclamado pela crítica americana, Whiplash parece o caso extremo do discurso americano de perseguir o "sonho" e superar os adversários que aparecem em seu caminho e isso vigora até perto do final. Tudo que Andrew deixa pelo caminho (uma namorada, as inibições, um pouco do amor próprio, sua sanidade e limites variados) pode deixar o filme com ares de exagero, mas é em sua vertiginosa sequência final que o roteiro eleva a dinâmica de seus personagens a patamares acima do clichê que tememos. Quando ambos estão visivelmente derrotados em suas trajetórias, existe uma revelação arrepiante de Fletcher  - e o desastre parece certo, mas ainda existem pendências e rancores a serem acertados na guinada surpreendente no desfecho do filme. Whiplash poupa a plateia de mimimi e expõe a fúria de seus personagens através das baquetas (que dita o ritmo da edição, do som, das atuações) e, por isso mesmo, torna-se uma obra fascinante de assistir. 

Whiplash - Em Busca da Perfeição (Whiplash/EUA-2014) de Damien Chazelle com Miles Teller, J.K. Simmons, Paul Reiser, Melissa Benoist, Austin Stowell e Nate Lang. ☻☻☻☻

sábado, 10 de janeiro de 2015

PL►Y: John Morre no Final

John (ao fundo): mistureba alucinógena.

Obviamente que não podemos levar a sério um filme com um nome desses, no entanto, logo se percebe que o anúncio revelador do título é o que menos importa na história delirante criada por Don Coscarelli. Talvez nem seja de propósito, mas John Morre no Final parece uma paródia do seriado Supernatural. O filme não perde tempo explicando as bobagens que aparecem na trajetória de Dave (Chase Williamson) e John (Rob Mayes), dois amigos que passam a lidar com o sobrenatural quase que por acaso. A história avança e retrocede conforme de forma quase desordenada conforme Dave conta os acontecimentos muito estranhos de sua vida ao escritor Arnie Blondestone (Paul Giamatti). Aos poucos descobrimos que os poderes paranormais que Chase parece possuir são relacionados a uma trama repleta de bichos grotescos, drogas desconhecidas e dimensões paralelas. Coscarelli mistura todos esses elementos num clima conspiratório que (ainda bem) nunca leva a sério o que está sendo mostrado. Sendo assim, a droga que causa alucinações e poderes em Chase é chamado de óleo de soja o tempo inteiro, os policiais que aparecem em seu caminho podem ser reais ou imaginários e ainda tem um doido (Duncan Jones) que lhe oferece a missão de enfrentar uma entidade chamada Korrok num mundo paralelo. Deu para entender? É mais ou menos isso. A graça do filme reside em sua mistura do universo trash com ficção científica, o que funciona bem em sua primeira metade  ao construir um suspense instigante enquanto lida com seu humor malucado. Pena que o filme perde seu pique na metade final, tornando-se cada vez mais confuso e cansativo em suas reviravoltas sobre as ameaças em nosso mundo. O que achei mais interessante é que a brincadeira de Coscarelli parece uma homenagem aos filmes mais antigos de David Cronenberg com seu suspense alimentado por um humor estranho e criaturas grotescas. Os monstrengos que aparecem no filme (sejam insetos ou construídos com pedaços de carne que fariam Lady Gaga imaginar um novo modelito bizarro) devem muito ao cineasta canadense de A Mosca (1986), Mistérios e Paixões (1991) e Existenz (1999) que hoje dedica a revirar o estômago do espectador de outras formas em filmes como Cosmópolis (2012). Longe de ser tão esperto quanto imagina, o filme deve agradar quem curte a mistura de terror com humor. 

John Morre no Final (John Dies at the End/EUA-2012) de Don Coscarelli com Chase Williamson, Rob Mayes, Clancy Brown, Paul Giamatti, Duncan Jones, Jimmy Wong e Johnny Weston. ☻☻

PL►Y: A Pequena Loja de Suicídios

Michima: primo do Gomez?

O francês Patrice Leconte tem seu número de fãs conquistados com filmes do porte de Um Homem Meio Esquisito (1989), O Marido da Cabelereira (1990) e o indicado ao Oscar Caindo no Ridículo (1996). Prestigiado, o diretor resolveu se aventurar pela animação em A Pequena Loja de Suicídios, baseado no livro de Jean Teulé. Cheio de humor negro, o filme é interessante em suas contradições e pode agradar para quem não exigir demais da obra. O filme conta a história do casal Tuvache, Mishima (Bernard Alane) e Lucrèce (Isabelle Spade) que cuidam de uma loja destinada a vender apetrechos para suicidas em potencial. Os produtos vão de forcas prontas, armas e venenos variados. Ajudam a cuidar da loja os filhos Marilyn (Isabelle Giami) e Vincent (Laurence Gendron) que são um tanto deprimidos pelo ambiente mórbido em que vivem. Embora Marilyn pense em seguir o mesmo caminhos dos clientes, seus pais sempre lhe tiram a ideia da cabeça, já que ela precisará conduzir os negócios da família no futuro. As coisas começam a sair dos tilhos quando Lucrèce dá a luz ao terceiro filho do casal, o alegre Alan (Kacey Mottet Klein), que incomoda-se com os negócios da família e passa a sabotar os produtos dos Tuvache. Alan ainda revela algumas regras obscuras da família, como sufocar a alegria e não desejar bom dia aos clientes (vai que eles acreditam e desistem de fazer compras na loja?). A ambientação cinzenta da cidade apresentado no filme (ainda que a loja seja multicolorida) e o traço sisudo dos personagens revela, em contraste com Alan que o filme pretende ser uma espécie de manifesto contra o pessimismo. A Pequena Loja de Suicídios tem algumas ideias bem sacadas como o alto valor dos produtos (afinal, se tudo der certo, eles, os clientes não precisarão mais de dinheiro), a clientela sempre rareando (já que consome e morre) e os personagens cheios de referência pop (Michima remete diretamente ao Gomez da família Adams, Marilyn parece a versão crescida a Angélica do Rugrats). No entanto, tem alguns problemas, aos poucos o roteiro revela não ter tanto o que contar, assim, exagera nas músicas desanimadas. É engraçado como as produção reza fora da cartilha da fofura Disney, mas rende-se ao uso de canções que nem sempre acrescentam à narrativa. Tirando a primeira, onde os personagens apresentam a loja, as outras canções não conseguem ser divertidas, emocionantes ou originais como deveriam. As sonoridade das músicas é clássica demais, criando um contraponto desajeitado com a narrativa politicamente incorreta. Outo problema é o último ato, simplista demais, onde todos os problemas se resolvem como num passe de mágica. Leconte mostra ter um olhar mais atento quando faz filmes com personagens de carne e osso, já que não são poucos os momentos em que o filme se excede por caminhos que não alcançam seus objetivos (como por exemplo Alan desenvolvendo o hábito de fumar sem aproveitamento algum para a história). No fim das contas, a obra daria uma excelente animação nas mãos de Tim Burton, nas mãos do cineasta francês, o filme resulta apenas um esboço do que seu início prometia.  

A Pequena Loja de Suicídios (Les Magasin des Suicides/França-2012) de Patrice Leconte com Bernard Alane, Isabelle Spade e Isabelle Giami. ☻☻

CATÁLOGO: As Virgens Suicidas

As irmãs Lisbon: desejo silenciado. 

Antes de estrear como cineasta em As Virgens Suicidas, Sofia Coppola era lembrada como a filha do celebrado Francis Ford Coppola e sua participação equivocada em O Poderoso Chefão III (1990). Na época, Sofia tinha pouca experiência como atriz (conquistada em pequenas participações na telona) e receber um papel de detaque na conclusão da saga escrita pelo seu pai foi um desastre. Espinafrada pela crítica, detestada pelo público, Sofia se afastou dos holofotes. Seguiu a vida tentando encontrar seu caminho no mundo da moda, até que ao final dos anos 1990 descobriu que tinha algo a dizer. Em 1999 lançou seu primeiro longa metragem no Festival de Cannes e foi considerada uma revelação. Depois de elogios em Cannes e indicações a alguns prêmios, notou-se que Sofia estabelecia uma conexão interessante com os jovens, tanto que ganhou um prêmio no MTV Movie Awards de melhor diretor estreante. Baseado no livro do recluso Jeffrey Eugenides, As Virgens Suicidas já possui um título que remete aos sacrifícios de antigas civilizações - o que evoca uma forte simbologia antes que assistamos ao filme. Filhas de Ronald Lisbon (James Woods) e Srª Lisbon (Kathleen Turner), Lux (Kirsten Dunst), Mary (A.J. Cook), Cecilia (Hanna Hall), Therese (Leslie Hayman) e Bonnie (Chelse Swain) são admiradas por quatro meninos adolescentes com verdadeira devoção. O ritmo lento e a bela fotografia criam uma atmosfera de sonho para as personagens (com o auxílio da bela trilha do duo francês Air), as garotas surgem como anjos perante os temores da fase em que os hormônios começam a dar o ar da graça - e trazer a intensidade adolescente para todos os poros. Nesse ponto, a sexualidade surge como um fantasma para o casal Lisbon. O excesso de cuidado do casal com as filhas cria, aos poucos, uma atmosfera sufocante para as meninas e, o reflexo disso é a tentativa de suicídio da caçula, Cecilia, que alcança seu objetivo na segunda oportunidade. A morte destroça a família, mas aumenta a obsessão por controle na casa dos Lisbon. Quase proibidas de ter vida social e contato com rapazes, os efeitos colaterais da educação ultraconservadora destaca Kirsten Dunst na pele de Lux, a filha mais provocante da família. Luxúria, assim como suas irmãs, estão fortemente atraídas pelo recém chegado Trip Fontaine (Josh Hartnett) e a perda da virgindade ganha corpo no imaginário coletivo do filme. Sofia já apresenta aqui seu olhar delicado sobre as personagens, a preocupação com os detalhes, os olhares e silêncios que preenchem a narrativa de intenções que palavras talvez não conseguem expressar em suas sutilezas. No entanto, a opção de um olhar distanciado através dos meninos (que conta ainda com o primo-Coppola Robert Schwartzman e Johnatan Tucker) evita que os dilemas das meninas sejam expostos de forma mais pessoal, torna-se uma espécie de olhar do espectador para espectador. No entanto, não deixa de ser interessante que mesmo belo visualmente, o filme causa estranhamento em sua tranquilidade interiorana perante uma tragédia iminente. Há de se destacar ainda a humanização do casal Lisbon, que não parecem figuras de um filme de terror, mas pais, como tantos outros, que querem cuidar dos filhos sem medir as consequências do controle exagerado sobre a vida de seus rebentos, uma tentativa inútil de evitar que descubram a vida com seus próprios olhos... daí surge a ironia do texto, já que perante o título o objetivo é até cumprido - mas por uma via colateral devastadora. 

As Virgens Suicidas (EUA-1999) de Sofia Coppola com Kirsten Dunst, James Woods, Kathleen Turner, James Woods e Josh Hartnett. ☻☻☻☻

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

N@ CAPA: Ano Cinéfilo 2014

2014: Um bom ano cinéfilo. 

Para deixar gosto de saudade dos longas que vi em 2014, fiz uma colagem de despedida de alguns dos melhores momentos cinematográficos do ano. A maioria deles estão entre os meus favoritos e quem não está fez por merecer a lembrança ao final de dezembro e início de janeiro. Dos cotados ao Oscar 2014, passando por filmes brasileiros de destaque, sucessos como Uma Aventura Lego, Malévola, A Culpa é Das Estrelas, Interestelar, X-Men... considerei um bom ano nas telas para os cinéfilos tupiniquins! Que 2015 siga o exemplo de seu antecessor. 

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

PL►Y: Bling Ring - A Gangue de Hollywood

A Gangue: a vida como um reality show!

Quem acompanha a carreira cinematográfica de Sofia Coppola já conhece bem as obsessões da diretora. Além de ter grande atração por personagens desconectados com o ambiente que os cercam, a diretora consegue imprimir em seus filmes um visual pop de plasticidade bastante peculiar.  Embora pareça cada vez mais distante de seu cultuado Encontros e Desencontros/2003 (filme que lhe rendeu o Oscar de roteiro original e o posto de primeira mulher americana indicada ao Oscar de direção), Sofia tem bastante personalidade na criação de seus filmes, construindo uma espécie de universo paralelo que se revela aos poucos. Não vou entrar no mérito de que esse universo é bem menos genial do que seus fãs percebem, mas  não deixa de trazer um olhar curioso sobre o que tendemos a naturalizar. Inspirado em uma história real, Bling Ring alterou o nome dos personagens para evitar maiores polêmicas, já que todos os envolvidos eram menores de idade e ficaram bastante conhecidos na mídia americana, ainda que contando diferentes versões do que vemos aqui. A Gangue de Hollywood é formada por jovens bem nascidos em famílias de situação confortável, mas que para satisfazer sua paixão por celebridades e estrelato, resolveram assaltar casas de celebridades em busca de jóias, sapatos, bolsas e adereços variados de grifes milionárias. Ou seja, ao invés de ir ao shopping comprar o que queriam, o grupo invadia casas de personalidades como Paris Hilton, Rachel Bilson e Orlando Bloom para conseguir o que queriam. No filme a ideia parte de Rebecca (Katie Chang) que torna-se amiga de Marc (Israel Broussard) e juntos passam a procurar o paradeiro e endereço de celebridades na internet para ver se podem "visitar" a casa desses sem muito perigo. Exibindo o que conseguiram nas escolas e festas, eles conseguem novos membros para o grupo, como a aspirante a modelo Nicki (Emma Watson), a quase celebridade Chloe (Claire Julien) e Sam (Thaissa Farmiga). Sofia imprime um tom documental ao filme, que mostra a total ausência de limites desses adolescentes, que em momento algum demonstram arrependimento do que estão fazendo. Quando um deles é questionado sobre os motivos que podem ter motivado os assaltos, mostra-se a ideia do filme: a necessidade de pertencer a um mundo. Os objetos funcionariam como totens de uma celebridade e confeririam a quem os possui uma espécie de status? Pela lógica dos personagens, parece que sim. Há um verdadeiro fetiche entre eles pelos objetos de desejo que colecionam, tornando-os elementos quase mágicos.  As fotos em redes sociais e a venda dos objetos roubados são outros aspectos que recebem destaque nas ações do bando. Apesar do tema interessante, a opção de Coppola pela linguagem documental faz com que situações e personagens fiquem um tanto soltos, o que pode incomodar os fãs de uma narrativa mais tradicional. Somente Marc e Nicki recebem um pouco mais de profundidade na história, além disso, são defendidos com graça, respectivamente por Israel Broussard e Emma Watson. Nem o envolvimento com drogas deixa Marc com jeito de caso perdido, Broussard mostra ter talento para encarnar personagens dúbios (a sexualidade incerta do personagem é um verdadeiro acerto nas mãos do jovem ator) e Emma Watson mostra-se bastante a vontade (e cômica) na pele da jovem deslumbrada que encarna - que vive como se participasse de um reality show. No fim das contas Bling Ring deixa o sabor de crônica sobre uma geração criada com permissividade e poucos limites. Ainda que o roteiro pudesse aprofundar mais a história, Sofia apresenta um olhar astuto sobre o culto às celebridades - que gera momentos quase surreais durante a trama. 

Bling Ring - A Gangue de Hollywood (EUA / França / Reino Unido / Alemanha / Japão - 2013) de Sofia Coppola com Israel Broussard, Emma Watson, Leslie Mann e Katie Chang. ☻☻

PL►Y: O Verão de Minha Vida

Rockwell e Liam: bela dupla. 

Filmes sobre férias de verão são praticamente um gênero cinematográfico, o difícil é conseguir driblar os clichês do gênero e conseguir um bom resultado. Mas talvez, ainda mais difícil, seja abraçar os clichês e conseguir ser algo realmente bom. O Verão de Minha Vida tem um monte de elementos que já foram vistos e revistos nesse tipo de filme, mas consegue equilibrá-los com tanta sinceridade que o resultado consegue ser até surpreendente. Tem o menino tímido, o padrasto chato, as meninas antipáticas, a vizinha maluquete, a garota rebelde que depois mostra-se interessante e o amigo doido que te faz sentir bem consigo mesmo. A diferença está no texto escrito e dirigido por uma dupla conhecida de Alexander Payne. Nat Faxon e Jim Rash dividiram o Oscar de roteiro adaptado com Payne por Os Descendentes/2011, além de serem conhecidos como atores e fazerem participações bem humoradas no filme que dirigem. O filme conta um verão na vida de Duncan (Liam James da série The Killing), que viaja para a casa de praia do namorado de sua mãe (Toni Collette), o insuportável Trent (Steve Carrell). O relacionamento de Duncan com Trent não é dos melhores e piora consideravelmente quando ele diz para o enteado que numa escala de um a dez, ele é uma pessoa três. O efeito disso, somado a todas as inseguranças de ter quatorze anos, tem um efeito complicado sobre o menino. Trent ainda tem uma filha não mais simpática chamada Steph (Zoe Levin) que parece se divertir em humilhar o novo irmão ao lado de suas suas amigas adolescentes., mas entre elas está Susanna (AnnaSophia Robb), filha da vizinha veranista (Allison Janney) de Trent e que aos poucos se aproxima do mocinho. Quando o verão parece ter chegado ao estágio máximo da tortura com as festas de Trent e a passividade de sua mãe, o rapazinho encontra refúgio num parque aquático gerenciado pelo descolado Owen (Sam Rockwell). Ali consegue um emprego de verão e mantém em segredo aquele pequeno universo paralelo. Fazendo novos amigos e descobrindo que não é preciso carregar todo o peso do mundo sobre os ombros, Duncan aprende a ser mais seguro e tomar iniciativas que antes não parecia preparado a tomar. Rash e Faxon fazem um filme extremamente agradável de assistir, simpático e com personagens defendidos por um bom elenco que não decepciona perante as mudanças que seus personagens anunciam. O Verão da Minha Vida é praticamente sobre isso, o anúncio de mudanças que estão por vir, algo bem característico da adolescência - mas não exclusividade dela, como alguns personagens adultos do filme conseguem expressar tão bem em sua permanência nos dilemas da idade de Duncan. 

O Verão de Minha Vida (The Way Way Back/EUA-2013) de Jim Rash e Nat Faxon com Liam James, Sam Rockwell, Toni Collette, Steve Carrell, AnnaSophia Robb, Allison Janney e Amanda Peet. ☻☻☻☻

BREVE: The Babadook

Daniel e Essie: horror psicológico de primeira. 

Ainda que seu trailer tenha gerado uma espécie de culto na internet, o terror australiano The Babadook ainda aguarda espaço para chegar aos nossos cinemas. O filme escrito e dirigido por Jennifer Kent conta a história de uma mãe (Essie Davis) e seu filho hiperativo (Noah Wiseman) que ainda tentam superar a morte do patriarca da família. Não bastasse essa ferida, é cada vez mais visível o esgotamento da mãe com o comportamento do menino. Apesar de toda boa vontade do mundo, existem momentos em que ela não faz a mínima ideia do que fazer. A situação piora consideravelmente quando ela encontra um livro infantil bizarro que conta a história de um personagem chamado Babadook que bate na porta antes de entrar e atormentar quem estiver na casa que visita. O livro de imagens sinistras aparece sem maiores explicações, ao mesmo tempo que aterroriza a mulher que não considera a obra apropriada para o filho, assim como percebe ali um pouco do seu esgotamento físico e psicológico. É disso que nasce a melhor parte do filme, já que o Babadook aprofunda os tormentos da mãe que pretende ser exemplar e tomar as rédeas de sua vida, mas que percebe naquele livro misterioso as consequências a que sua dura rotina poderá levar. Esqueça os personagens secundários que abandonam os dois protagonistas e concentre-se no jogo psicológico que a cineasta traça a partir das poucas peças de sua narrativa. Apesar dos truques cênicos utilizados, o que funciona melhor é o pavor que Essie tem do reflexo de si mesma que o livro pode deflagrar - auxiliada magistralmente pela figura esquisita do persnonagem. A saga do Bicho Papão se funde perfeitamente com a atuação de Essie Davis perante os medos de sua personagem. O mais interessante é que Jennifer Kent não tem medo de mergulhar no estranhamento que sua história pode apresentar, perdendo as estribeiras no terceiro ato, quando o que parecia ser apenas terror psicológico se materializa para flertar com o que há de mais trash na concepção do "livro assombrado capaz de libertar um espírito do mal". Do horror classudo que remete aos clássicos do horror da década de 1970, o filme caminha para uma espécie de monstro de estimação sem perder a sinistrice de sua história. The Babadook pode perder parte do seu brilhantismo em sua segunda metade, mas ainda consegue ser mais arrepiante do que os jorros de sangue que vemos associados ao gênero. No entanto, vale destacar que seu maior trunfo é a  atuação da pouco conhecida Essie Davis, que dá corpo e expressões consistentes para os temores de sua personagem. 

The Babadook (Austrália/2014) de Jennifer Kent com Essie Davis, Noah Wiseman, Daniel Henshall e Bridget Walters. ☻☻☻

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Combo: Expectativa 2015

Para começar o ano nada melhor do que conhecer o que ele nos reserva! Esse combo traz os cinco filmes que espero mais ansiosamente! Vale lembrar que destaco filmes que entram em cartaz mundialmente somente em 2015, o que exclui os filmes de 2014 que ainda não estrearam por aqui. Os filmes que espero fazer minha alegria em breve são os seguintes:

5 Tomorrowland
Pouco se sabe sobre o novo filme do diretor Brad Bird, mas podemos perceber que ele pegou gosto por filmes live action - depois do sucesso de animações oscarizadas como Os Incríveis/2004. Agora ele investe numa ficção científica sobre uma adolescente que embarca numa missão em algum lugar no tempo e no espaço (mas que só existe no pensamento coletivo). Parece doido? E deve ser mesmo! Essa produção da Disney estrelada por George Clooney, Judy Greer e Hugh Laurie estreia no Brasil dia 28 de maio.


4 Divertida Mente
Faz um tempinho que a Pixar anda devendo ideias inovadoras, talvez por isso esse filme de Pete Docter (UP/2009) seja um dos mais aguardados do ano. Curiosamente, trata-se de outra produção que se passa na mente de seus personagens, no caso a mente de uma menininha. A narrativa é contada a partir das interações entre seus sentimentos perante os fatos de seu cotidiano. Raiva, Medo, Nojo, Tristeza e Alegria são os personagens que habitam a mente da garotinha e tornam o filme mais original. O elenco de vozes conta com Diane Lane, Kyle McLachlan, Amy Poehler, Bill Hader e Mindy Kaling. O filme deve entrar em cartaz em 02 de julho de 2015.

3 Crimson Peak 
Quem acompanha a carreira do mexicano Guillermo Del Toro, desde antes da ida para Hollywood, sabe como o diretor curte histórias de horror com pendores góticos - e pode imaginar minha decepção com Círculo de Fogo/2013, filme que nem me dei ao trabalho de comentar aqui no blog. Crimson Peak é o retorno do cineasta ao seu gênero favorito. No elenco, o diretor repete a parceria com Charlie Hunnan (que parece ter se dado bem após ser chutado da filmagem de 50 Tons de Cinza, filme que nem #$%&@* eu colocaria aqui) que está na companhia de Jessica Chastain, Tom Hiddleston e Mia Wasikowska numa trama sobre fantasmas do passado dentro de uma casa que parece ter vida própria. O filme tem estreia prevista para 16 de outubro nos EUA e  ainda não tem data de lançamento no Brasil.       

2   007: Spectre

Sam Mendes parece ter conseguido o impossível: fazer-me esperar ansiosamente pelo novo filme de 007!!! Nunca fui fã do personagem, nem da série, mas o que o diretor de Beleza Americana/1999 fez com Skyfall/2012 foi impressionante ao jogar para o alto todas as regras da franquia, dando um ar imprevisível e, ao mesmo tempo bastante pessoal para a terceira aventura de Daniel Craig na pele do espião mais famoso do cinema. O filme irá dar uma repaginada na organização criminosa do título - que já apareceu em Moscou contra 007 (1963) - o elenco estelar é composto ainda por Ralph Fiennes, Monica Bellucci, Christopher Waltz, Léa Sydoux, Ben Whishaw e Naomie Harris. O filme deve estrear no distante 12 de novembro de 2015!


1 Os Vingadores 2 - A Era de Ultron 
Depois de ser o maior sucesso da Marvel nos cinemas, o novo filme do grupo de heróis tem a pretensão de ser o maior filme de HQ de todos os tempos - tanto que o filme é promete grandes mudanças no universo Marvel no cinema. O grupo formado por Capitão América (Chris Evans), Homem de Ferro (Robert Downey Jr.), Thor (Chris Hemsworth), Viúva Negra (Scarlett Johansson), Hulk (Mark Ruffalo) e Gavião Arqueiro (Jeremy Renner) vão penar nas mãos do super robô vilanesco Ultron. O filme também é aguardado por conta das participações de Feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen) e Mercúrio (Aaron Taylor-Johnson), dois mutantes do universo X-Men que darão as caras na aventura. O filme mais aguardado do ano estreia dia 30 de abril (com a responsabilidade de ser a maior bilheteria do ano após o orçamento inchado de 250 milhões de dólares)! A direção permanece nas mãos de Joss Whedon.