sábado, 18 de agosto de 2018

Combo: Autismo

5 - O Nome dela é Sabine (2007) Entre os anos 1980 e 1990 a atriz Sandrine Bonnaire era uma das estrelas mais famosas do cinema francês. Ela ganhou dois prêmios César e foi indicada outras seis vezes ao longo da carreira, o que pouca gente sabia era que Sandrine tinha uma irmã mais nova, Sabine, que foi diagnosticada com autismo. Foi justamente a história da irmã que a motivou a estrear como diretora neste documentário que mistura 25 anos de vídeos de família, comentários da atriz e uma crítica ao tratamento que os pacientes com este distúrbio neurológico podem sofrer em tratamentos com profissionais despreparados. 

4 - Mary & Max: Uma Amizade Diferente (2009) Esta animação australiana conquistou vários fãs pela forma sensível como apresenta a amizade de uma garota australiana com um americano de 44 anos que possui Síndrome de Asperger. Vivendo em continentes diferentes, os dois se correspondem através de cartas e ajudam um ao outro a lidar com a solidão. Entre momentos cômicos, comoventes e sombrios, o filme apresenta uma abordagem bastante madura sobre as dificuldades dos personagens. Com vozes de Phillip Seymour Hoffman e Toni Collette, a animação do oscarizado Adam Elliott é um grande acerto. 

03 Gilbert Grape (1993) Leonardo DiCaprio foi indicado ao Oscar pela primeira vez como coadjuvante por seu excelente trabalho como o jovem Earnie, o irmão autista do Gilbert Grape (Johnny Depp). Leo está perfeito, nos gestos, no olhar, na forma de falar, ele consegue criar um personagem realmente cativante em uma família que tem lá sua cota de problemas de relacionamentos para lidar. O filme de Lasse Hallström é uma delícia de assistir e muitos consideram até hoje que traz a melhor interpretação do ator em toda sua carreira. 

02 Temple Grandin (2010)
Produzido pela HBO este telefilme ficou muito famoso pela atuação de Claire Danes que ganhou todos os prêmios daquele ano pelo papel real de Temple Grandin, uma mulher que driblou as dificuldades e se tornou uma das maiores pesquisadoras dos Estados Unidos. Seus trabalhos foram revolucionários para os trabalho no alívio do estresse de crianças autistas, além de ter realizado contribuições relevantes na criação de gado. Com o apoio da família e dos professores,  a trajetória de Temple é um exemplo não apenas de superação, mas também na construção de práticas inclusivas. 

01 Rain Man (1988) Ganhador do Oscar de Melhor Filme, diretor (Barry Levinson), ator (Dustin Hoffman) e roteiro, o filme concorreu ainda a outras quatro estatuetas ao contar a história da relação entre dois irmãos. Um é o ambicioso Charlie (Tom Cruise), que descobre ter um irmão, Raymond (Hoffman) que passou anos afastado da família em uma instituição de tratamento. Com uma herança em jogo, os dois irão passar bastante tempo juntos e Charlie aprenderá a ter outro olhar sobre a vida na companhia de Ray. O filme tornou-se um marco na abordagem do tema em Hollywood. 

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

PL►Y: Sei que Vou te Amar

Luke e Rhys: irmãos em conflito. 

Foi com grande surpresa que me deparei com este filme na televisão durante o final de semana. Realizado na Austrália e com participação da estrela Toni Collette, o filme não foi lançado nos cinemas brasileiros e nunca foi muito divulgado, ou seja, apenas descobri sua existência dez anos após seu lançamento. Embora o título possa ser confundido com o clássico do cinema brasileiro dirigido por Arnaldo Jabor (lançado em 1986), o filme não aborda o relacionamento entre um casal, mas entre dois irmãos. Thomas (Rhys Wakefield) e Charlie (Luke Ford) são os filhos de Simon (Erik Thomson) e Maggie (Toni Collette) que são novos na cidade por conta do trabalho do patricarca que é militar. Charlie é o primogênito e foi diagnosticado com autismo severo, ao ponto de ter parado de falar quando ainda era muito pequeno, já Thomas está atravessando as inseguranças dos dezesseis anos e considera que o comportamento do irmão é um fator que pode prejudicar a popularidade entre os colegas. Embora Charlie sempre esteja disposto a colaborar nos cuidados com o irmão, existem momentos em que Thomas está visivelmente insatisfeito em ter que tomar conta dele. A situação tende a se agravar com a gravidez da mãe, que sendo considerada de risco, deixará os três homens da casa ainda mais ocupados em manter a rotina da casa. A relação entre os irmãos tende a ficar mais tensa quando Charlie se aproxima de Jackie (Gemma Ward), que surpreende ao tenta fazer com que o rapaz tenha um olhar mais carinhoso e compreensivo com o irmão. Sei que Vou Te Amar tem o maior jeito de comédia adolescente, mas passa longe disso, embora o diretor opte sempre pela leveza em tratar as situações preparadas pelo roteiro. O tom é muito semelhante a de vários filmes australianos, o que só confirma que o cinemão de lá tem um estilo bastante identificável e que se adapta bem entre momentos divertidos, tensos e emocionais. O filme é praticamente um longo ajuste no relacionamento entre os dois irmãos e não deixa de apontar um olhar inclusivo sobre as relações, especialmente pela forma com que Charlie é capaz de perder a razão ao lidar com as particularidade do irmão e reconhecer as  semelhanças entre os dois. É um filme que passaria fácil na Sessão da Tarde e que chamaria atenção principalmente pelo trabalho de Luke Ford que recebeu alguns prêmios de coadjuvante em sua terra natal pelo trabalho como o irmão autista. O papel de Toni Collette é pequeno, mas tem alguns momentos de destaque em meio aos conflitos dos filhos. Vale destacar que o protagonista, Rhys Wakefield (embora aqui não faça nada demais) já atua em Hollywood e apareceu no remake sem sal de Amor sem Fim (2014) e estará na aguardada terceira temporada de True Detective prevista para o ano que vem na HBO 

Sei Que Vou Te Amar (The Black Balloon / Australia - 2008) de Elissa Down com Rhys Wakefield, Toni Collette, Luke Ford, Gemma Ward e Erik Thomson. ☻☻☻

Na Tela: Você Nunca Esteve Realmente Aqui

Phoenix: mais um esquisito para a coleção. 

A escocesa Lynne Ramsay começou a fazer curtas em 1996 e desde o seu longa de estreia (Ratcatcher/1999) deixou claro que não estava com vontade de realizar filmes amenos. Foi por conta desta característica que ficou famosa com seu terceiro longa metragem, Precisamos Falar Sobre Kevin (2011) - um dos filmes mais impressionantes da década. Nos seis anos que separam a obra sobre a relação de uma mãe com o filho psicopata e este seu novo filme, o fã clube de Ramsey cresceu consideravelmente. Você Nunca Esteve Realmente Aqui foi exibido no Festival de Cannes no ano passado e saiu de lá com o prêmio de melhor ator para Joaquin Phoenix - que provavelmente terá chances no Oscar se o filme for bem trabalhado depois de sua pífia distribuição nos Estados Unidos. Joaquin está realmente bem no filme em mais um personagem sombrio. O filme nunca conta direito a sua história, restando ao espectador juntar "pedaços" do seu passado em flashes que perpassam a narrativa. Tudo indica que ele tem alguns traumas de infância e do período em que combateu em alguma guerra. Some a isto seu instinto suicida, o corpo marcado, o rosto que parece uma máscara entre barba e cabelo, além do corpo truculento que já não tem o mesmo vigor da juventude. Ele se chama Joe, um homem que faz o serviço sujo para quem não quer sujar as mãos. Seus princípios nunca ficam muito claros, ao contrário, suas ações costumam ser camufladas por uma certa indiferença que por vezes cede lugar para uma catarse pessoal perante um mundo desacreditado. O único ele de Joe com sua humanidade  é o fato dele morar com a mãe idosa (mas isto não impede que exista uma brincadeira com a famosa cena de Psicose/1960, mas que também emula as ambiguidades do relacionamento entre mãe e filho presentes no clássico de Hitchcock). Tudo desanda quando Joe recebe mais uma tarefa e seu mundo desaba - e a parte mais interessante da narrativa são os minutos em que a diretora apresenta este desmoronamento. Baseado no livro de Jonathan Ames, Lynne Ramsey sempre busca o complicado equilíbrio entre o brutal e o tom intimista, em alguns momentos constrói cenas belíssimas, em outro se perde no exercício estilístico que mantem um ritmo oscilante em toda duração do filme. Por tentar apresentar o protagonista por meio de sugestões, o espectador sempre busca referências que possam dar sentido à história por trás do que se vê na tela, mas fica a sensação de que faltam alguns pedaços. Tudo poderia ser amarrado no desfecho, mas ele prefere apresentar uma alucinação em que o mundo só demonstra sua indiferença diante da vida ou da morte. Você Nunca Esteve Realmente Aqui é um exercício narrativo interessante com um bom ator, mas não chega a empolgar.

Você Nunca Esteve Realmente Aqui (You Were Never Really Here/Reino Unido/França/EUA - 2018) de Lynne Ramsay com  Joaquin Phoenix, Judith Roberts, Elaterina Samsonov e Alessandro Nivola. ☻☻☻

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

4EVER: Aretha Franklin

25 de março de 1942 ✰ 16 de agosto de 2018

Nascida em Memphis nos Estados Unidos, Aretha Louise Franklin se tornou um ícone da música. Cantora e compositora de canções que transitavam entre o gospel, R&B, soul,  pop, rock, jazz e blues, a voz da diva sempre impressionava. Aretha era filha de um pastor itinerante da Igreja Batista e começou a cantar na igreja de seu pai aos dez anos de idade. A menina cresceu, sendo reconhecida como uma das maiores vozes da história da música! Ela é a personalidade mais premiada na história do Grammy, com dezoito prêmios ao longa da carreira (incluindo um especial pelo conjunto da obra). Aretha também foi a primeira mulher a entrar para o cobiçado Rock'n Roll Hall of Fame em 1986. Com várias canções que se tornaram hits, o maior sucesso de sua carreira talvez seja Respect (lançada em 1967), que se tornou um hino feminista na busca por direitos iguais e respeito - e ela tinha apenas 24 anos quando lançou a canção, o que foi considerado por muitos algo revolucionário. A cantora  faleceu em decorrência de um câncer no pâncreas diagnosticado em 2010.

sábado, 11 de agosto de 2018

BREVE: Thoroughbreds

Olivia e Anya: amigas do mal. 

Quando chegou aos cinemas americanos em março deste ano, Thoroughbreds já havia conquistado a crítica em sua passagem por vários festivais, realmente o trabalho do estrante de Cory Finley impressiona pela segurança em construir uma atmosfera bastante particular, que mistura suspense, drama, filme teen e verniz de humor sinistro. A história parte do reencontro entre duas amigas, Lily (a ótima Anya Taylor-Joy) e Amanda (a também ótima Olivia Cooke) que depois de um tempo sem se encontrarem, tem um encontro armado pela mãe de uma das duas. Desde o início, Amanda percebe que Lily está diferente, um pouco distante e indiferente - e ela está realmente certa já que a amiga lhe confessa que cansou de fingir emoções. Amanda deixa a amiga assustada ao afirmar nunca sentiu culpa, alegria, remorso ou empatia por ninguém. Aumenta o estranhamento a capacidade de Amanda perceber que algo incomoda Lily, ou, para ser mais específico, a presença do padrasto Mark (Paul Sparks). Não demora muito para que as duas organizem um plano para se livrar dele - o problema é colocar em prática (com a ajuda de um traficante vivido pelo falecido Anton Yelchin). Na execução deste plano, o diretor demonstra bastante firmeza e sempre soa irônico quando priva o espectador de ver toda a violência que a história possui. Existem cenas com sangue, ferimentos e fotos brutais que são mencionadas (e nunca mostradas), toda esta discrição ressalta ainda mais como por trás de todo aquele universo esconde algo bastante desagradável. Lily e Amanda são de famílias com alto poder aquisitivo, estudaram em escolas caras (não por acaso, a tradução do título original é "puro-sangue", uma alusão ao cavalo da história e ao prestígio familiar das meninas), mas a todo instante existem pontos que só ressaltam como tudo aquilo é postiço (exemplo mor é a mãe de Lily, Cynthia vivida por Francie Swift - ela sorri o tempo inteiro, mas em tempo algum consegue parece sincera). Bem escrito, o roteiro é repleto de diálogos cortantes que são embalados por uma trilha sonora com base em ruídos e sons dissonantes (que por vezes parecem gritos, suspiros ou gemidos). Tão interessante quanto ácido, o resultado parece um filme adolescente imaginado pelo grego Yorgos Lanthimos que depois dos estranhos (Dente Canino/2009 e O Lagosta/2015 nos apresentou um adolescente diabólico em O Sacrifício do Cervo Sagrado/2017), no entanto, o humor do novato Cory Finley consegue ser bem menos sisudo. Finley é um nome para se ficar de olho nos próximos anos - assim como Anya e Olivia, que estão cada vez melhores! 

Thoroughbreds (EUA/2018) de Cory Finley com Anya Taylor-Joy, Olivia Cooke, Anton Yelchin, Paul Sparks e Francie Swift. ☻☻☻☻

PL►Y: Verão 1993

Laia: presença magnética. 

O candidato espanhol para uma vaga no Oscar de filmes estrangeiro em 2018 foi exibido em poucas salas no Brasil no final do ano passado e, para quem conhece a fama do cinema espanhol, o singelo Verão 1993 pode surpreender com a história da menina órfã que sai da cidade para morar com os tios no campo. A narrativa não chega a ser exuberante e investe em poucos diálogos, preferindo uma abordagem quase documental do que está acontecendo naquela família que se forma pelos desvios do destino. A diretora Carla Símon opta por uma direção quase invisível, onde a câmera é uma intrusa naquele universo captado pelos olhos da pequena Frida (a impressionante Laia Artigas), uma garota de seis anos que passa a ser cuidada pelo tio (David Verdaguer) e pela esposa dele (Bruna Cusí) após uma perde significativa. Em sua nova casa, Frida ainda ganha a companhia de Anna (a fofa Paula Robles) sua prima de quatro anos. Depois que somos apresentados aos personagens, o roteiro e a direção encontram sustentação principalmente nas entrelinhas desta história de adaptação da protagonista à nova família - o que lhe promove uma verdadeira avalanche de sentimentos que não chegam a ser traduzidos por palavras, mas por gestos e olhares sempre ambíguos diante da situação. De momentos de alegria, passando por outros de fúria, ciúme, desprezo e desentendimento, Verão 1993 joga o tempo inteiro com o que está por trás das emoções desta nova filha que chega na casa. Neste período complicado, situações simples como uma brincadeira no quintal, a visita de parentes e o relacionamento entre Frida e Anna recebem camadas que só o tempo será capaz de trabalhar e cicatrizar. Existem alguns segredos na história que são tratados de forma bastante discreta, como a causa da morte da mãe da personagem ou as suspeitas que pairam sobre a menina. Com bela fotografia, edição correta e momentos realmente encantadores, o que faz o filme brilhar de verdade é a presença magnética de Laia Ortigas, que é a alma do filme e torna fácil a tarefa do espectador projetar nela as emoções que sente.  Verão 1993 tem ainda o aspecto interessante de demonstrar como as posturas e papéis se ajeitam dentro de uma família diante de uma situação delicada - neste ponto, a participação do casal formado por Bruna e David, somado à doce Paula tem papéis importantíssimos, ao ponto de nos fazer acreditar que assistimos a um recorte temporal de uma família de verdade (pelo menos até que a última cena nos faça lembrar que era tudo um filme). 

Verão 1993 (Estiu 1993 / Espanha-2017) de Carla Simóns com Laia Artigas, Paula Robles, David Verdaguer, Bruna Cusí e Isabel Rocatti.
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sexta-feira, 10 de agosto de 2018

PL►Y: Conflitos em Família

Abby, Edie e Jenny: a infidelidade sob análise. 

A cineasta americana Gillian Robespierre caiu nas graças da crítica com seu longa de estreia, Entre Risos e Lágrimas (2014), que lhe rendeu várias indicações a premiações voltadas para o cinema independente. O filme era uma adaptação do curta Obvious Child (2009) também protagonizado por Jenny Slate (que só ficou famosa depois do filme de 2014). Quando Gillian começou a preparar seu segundo filme, ela garantiu um lugar para sua musa e ainda percebeu ter prestígio para ter Edie Falco e John Turturro no elenco. O resultado é Conflitos em Família, filme que agradou o público e a crítica, pelo bom humor como lida com um tema complicado: o adultério (tema compatível com a diretora que fez uma comédia em torno de uma gravidez indesejada). Desta vez a história gira em torno das irmãs Dana (Jenny Slate) e Ali (Abby Quinn) que descobrem que o pai (Turturro) está traindo a esposa (Edie Falco), no entanto, a própria Dana tem telhado de vidro no assunto, já que está traindo o noivo (Jay Duplass) com um velho conhecido (Finn Wittrock). Assim, a própria Dana está repensando na proposta de casamento, monogamia e existir um casal feliz (e fiel) para sempre. Existe um  leve contraponto entre estas traições com o relacionamento de Ali, que ainda é uma adolescente e vivência o que parece ser o seu primeiro relacionamento sério. Gillian demonstra mais uma vez o seu humor agudo, muitas vezes desconfortável e que algumas pessoas poderiam achar humilhante até, mas que conta com o carisma de Jenny Slate para disfarçar esta sensação (seja na cena de abertura em que  Dana e o noivo tentam fazer sexo num bosque ou a consequência disto sendo descoberta durante o banho). Existem vários bons momentos na história (todo trecho da Uva Passa Californiana é o meu favorito) que tentam conviver com algumas piadinhas muito bobas que poderiam ter ficado de fora na edição. No entanto, é notável como a qualidade do texto e da narrativa é muito superior a do filme de estreia de Gillian. Aqui se percebe com clareza o arco de cada personagem, a forma como suas ideias entram em conflito e se transformam ao longo da história, além de ter um acabamento visual mais caprichado (provavelmente pelo orçamento mais generoso que a diretora conseguiu após o sucesso do seu filme anterior), além disso, tem o charme de ser um filme ambientado  em 1995 - com roupas, trilha sonora (P.J Harvey, Crystal Waters...) e referências às celebridades da época (uma capa da Rolling Stone com o Hole e outra com Winona Ryder). Por tudo isto, Conflitos em Família resulta numa obra simpática que demonstra como Gillian é uma cineasta mais madura e de identidade bem demarcada numa tela de cinema. 

Conflitos em Família (Landline/EUA-2017) de Gillian Robespierre com Jenny Slate, Abby Quinn, Edie Falco, John Turturro, Jay Duplass e Finn Wittrock . ☻☻☻

PL►Y: Ella e John

Donald e Helen: carisma irresistível. 

Exibido no Festival de Veneza e lançado nos Estados Unidos de olho nas premiações do final de 2017, Ella e John conseguiu uma indicação para Helen Mirren na categoria de melhor atriz de comédia no Globo de Ouro - e seu parceiro Donald Sutherland bem que poderia ter sido lembrado também. O filme mistura drama e comédia na estrutura de road movie, tendo como protagonista um casal de idosos, os Spencer. Ao que tudo indicada, quando Ella Spencer (Mirren) deveria começar um tratamento médico, ela decide pegar a estrada a bordo do trailer dirigido pelo esposo, John Spencer (Sutherland) - que tem a memória cada vez mais comprometida pelo Alzheimer. A forma como o filme aborda a situação de John gerou alguma controvérsia por considerarem um tanto debochada a forma como seu esquecimento é tratado na história, no entanto, a atuação de Sutherland não me parece em momento algum ofensiva ou caricata, pelo contrário, consegue ser bastante humana e sensível diante do personagem que tem em mãos. Parte disso se deve à construção de uma identidade espirituosa por parte do ator - o personagem parece sempre bem mais leve do que Ella (o que também é compreensível, já que a esposa está cada vez mais desgastada com os cuidados que o marido precisa a todo instante). Quando os dois estão na estrada, lembram dos tempos em que ainda viajavam com os filhos (agora crescidos e chatos demais), das aventuras da juventude e ainda encontram tempo para se meterem em algumas confusões - muitas por conta da memória de John. A direção do italiano Paolo Virzì opta pela leveza no decorrer da narrativa, mas tempera toda a história com sensibilidade, pesando de vez somente no final. Se a história e a direção não possuem nada demais, o casal de protagonistas se torna o grande destaque do filme. A inglesa Helen Mirren (dona de um Oscar e outras três indicações) está ótima como a mulher americana, madura e sulista (com sotaque e tudo) que é muito mais esperta do que imaginam, o que proporciona à atriz lidar com uma gama de emoções bastante variada em uma mesma cena. O americano Donald Sutherland (que nunca recebeu uma indicação ao Oscar, tendo recebido um pedido de desculpas neste ano com um Oscar honorário da Academia) corresponde à altura, com um personagem de carisma irresistível - que funciona até quando um desconfortável segredo do passado aparece. Ella e John não é um filme inesquecível (sem trocadilho), mas deve agradar boa parte do público. 

Ella e John (The Leisure Seeker/EUA-2017) de Paolo Virzì com Helen Mirren, Donald Sutherland, Christian McKay, Janel Moloney e Dana Ivey. ☻☻☻

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

10+ : Robin Williams

Robin Williams nos deixou em 2014, mas seus vários trabalhos permanecem. Sua filmografia tem trabalhos e atuações para todos os gostos - e aqui eu destaco as dez interpretações favoritas deste ator americano que marcou época:

#10 "Gênio Indomável" de Gus Van Sant (1997)
Eu confesso, o filme que deu o Oscar de coadjuvante a Willians não é o meu trabalho favorito do ator. Aqui ele interpreta mais uma vez o mentor que ajuda o protagonista a superar os seus problemas - algo que já fez várias vezes, mas desta vez a Academia notou que ele realmente nasceu para este tipo de papel. 

#09 "Uma Babá Quase Perfeita" de Chris Columbus (1993)
Esqueça que o filme não convence de que um Robin disfarçado conseguiria enganar a esposa e os filhos que era uma babá exemplar.... mas o filme é divertido e Robin até que se saiu muito bem ao bancar uma senhora diante da câmera (uma boa mostra de sua habilidade corporal). 

#08 "Desconstruindo Harry" de Woody Allen (1997)
Robin foi responsável por um dos personagens mais geniais da filmografia de Allen: um ator que nunca consegue ter foco numa filmagem. A situação inusitada parece uma maldição e Robin consegue transparecer esta angústia  com maestria em um dos seus trabalhos mais interessantes. 

#07 "A Gaiola das Loucas" de Mike Nichols (1996)
É preciso ter coragem para aceitar embarcar na refilmagem de um clássico cultuado da comédia europeia. Sorte que além de coragem, Robin tem talento suficiente para fazer a versão americana de Armand um dos seus personagens mais carismáticos (e muito bem acompanhado por Nathan Lane). 

#06 "Sociedade dos Poetas Mortos" de Peter Weir (1989)
Sei que este é o filme favorito de Robin para muita gente. Com ele o ator conseguiu sua segunda indicação ao Oscar e satisfez muita gente que ainda duvidava de sua habilidade de fazer um papel sério. Ele era de fato o melhor ator para interpretar um professor fonte de inspiração. Carpe Diem! 

#05 "Bom Dia, Vietnã" de Barry Levinson (1987)
Pela história verídica de um radialista que procurava entreter as tropas americanas em meio à Guerra do Vietnã, Williams conquistou sua primeira indicação ao Oscar. Foi o trabalho ideal para utilizar seu carisma misturando drama e comédia - e a constroversa história de Adrian Cronauer comove até hoje. 

#04 "Moscou em Nova York" de Paul Mazursky (1984)
Robin foi indicado pela primeira vez ao Globo de Ouro por um papel no cinema pelo papel do russo Vladimir Ivanoff - que se muda para os Estados Unidos e percebe que se adaptar à Terra do Tio Sam será mais difícil do que imagina. Um ótimo filme que vale a pena ser redescoberto. 

#03 "Retratos de Uma Obsessão" de Mark Romanek (2002)
Na ótima estreia de Romanek nos cinemas, Robin interpreta um personagem sombrio: um atendente que desenvolve uma obsessão por uma família - o que revela cada vez mais sua estranha personalidade. A atuação intimista valeu uma indicação ao Critic's Choice Awards de melhor ator. 

# 02 "O Mundo Segundo Garp" de George Roy Hill (1982)
Ótimo filme baseado na obra de John Irving,! Foi o segundo longa de Robin nos cinemas (o primeiro foi o fiasco Popeye/1980) e lhe rendeu elogios por viver um personagem da adolescência até a vida adulta. Destaque para o elenco de apoio - com Glenn Close e John Lithgow (ambos indicados ao Oscar). 

#01 "Tempo de Despertar" de Penny Marshall (1990)
Desculpem quem curte Patch Adams/1998, mas o meu médico favorito interpretado pelo ator é o doutor Malcolm Sayer que ajuda um grupo de pessoas catatônicas a recuperarem os movimentos e o gosto pela vida. Filme emocionante que foi indicado a 3 Oscars (mas Robin ficou de fora). Filmão!