quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

DVD: Walt nos Bastidores de Mary Poppins

Hanks e Thompson: opostos que não se atraem. 

Tom Hanks (dois Oscars de melhor ator e outras três indicações ao prêmio) e Emma Thompson (dois Oscars, um de atriz e outro de roteiro adaptado, além de outras duas indicações ao prêmio) eram duas das estrelas mais reluzentes da década de 1990, de forma que um filme estrelado por eles dificilmente teria passado em branco pelos votantes da Academia. Porém, os tempos mudaram e ainda que ambos tenham o talento reconhecido, perderam a influência entre os votantes do maior prêmio do cinema. O maior problema no entanto não está na personificação dos dois em seus personagens que existiram de verdade, mas no tom tatibitate impresso pelo diretor John Lee Hancock (Um Sonho Possível/2009) - e o título esquisito que o filme recebeu no Brasil só afasta mais ainda o público. Ao contrário do que o título em português anuncia, o foco está totalmente na escritora P.L. Travers (Emma Thompson) e sua relutância quase psicótica de evitar a adaptação de sua obra Mary Poppins para o cinema. O mau humor de Travers aos poucos revela-se relacionado às lembranças que a autora possui do pai, um banqueiro australiano fracassado (vivido por Colin Farrell). Ambientado em 1961, o filme apresenta o relacionamento difícil dos estúdios Disney com a escritora, o que já era esperado depois de vinte anos de insistência de Walt Disney (Tom Hanks) para receber um modesto "talvez" da autora - quando ela estabeleceu que o filme poderia ser feito se ela aprovasse o roteiro por completo. O que poderia parecer uma tarefa simples para os roteiristas mais experientes, se mostrou uma tarefa complicada, já que além de reclamações sobre o elenco e o uso de animação, P.L. proibiu que usassem a cor vermelha em qualquer cena do filme e implicava com as músicas compostas para a produção. Embora Emma Thompson (que poucas vezes o cinema reconheceu como comediante de mão cheia) tenha excelentes momentos em sua atuação ranzinza, o filme tem alguns problemas sérios de execução. Afinal, os flashbacks não conseguem explicar como Travers, criadora de uma obra tão agradável tornou-se tão amarga. Da mesma forma, Walt Disney mostra-se unidimensional demais em sua simpatia, faltando nuances para que Tom Hanks possa enriquecer a atuação. Todo mundo sabe que Mary Poppins tornou-se um sucesso, mas poucos devem lembrar que Travers odiou o filme. Para falar a verdade, Travers odiava muita coisa, morrendo solitária aos 96 anos e dificilmente teria gostado do retrato que recebe nesse filme. No fim das contas, Walt nos Bastidores de Mary Poppins é uma fantasia sobre dois personagens opostos complexos que se desentenderam muito mais do que o tratamento benevolente que o episódio gerou para a telona - ou talvez, seja uma espécie de vingança do estúdio com as implicâncias de Travers (que termina transformada numa personagem cômica, o que ela detestava).

Walt nos Bastidores de Mary Poppins (Saving Mr. Banks/EUA - Reino Unido - Austrália / 2013) de James Lee Hancock com Emma Thompson, Tom Hanks, Paul Giamatti, Colin Farrell, Ruth Wilson e Jason Schwartzman. ☻☻☻ 

Na Tela: Uma Viagem Extraordinária

Spivet (Kyle Catlett): um verdadeiro achado. 

Certa vez li em uma revista que o francês Jean-Pierre Jeunet realiza "filmes de confeiteiro", na época achei que era alguma espécie de provocação, já que Jeunet estava nas alturas com o seu filme mais adorado, O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (2001). Mais de uma década depois (e dois filmes que ficaram bem longe do sucesso esperado), o diretor acertou a mão novamente com Uma Viagem Extraordinária, filme que merece estar entre seus melhores trabalhos. O mais curioso é que o longa já deve ter sido visto por um bom grupo de pessoa antes de entrar no circuito nacional, uma vez que apareceu em vários festivais até que os distribuidores se animassem em exibir essa adaptação do livro ilustrado de Reif Larsen para o cinema. O filme conta a história de um menino chamado T.S. Spivet (o ótimo Kyle Catlett), que vive numa fazenda junto com o pai cowboy (Callum Keith Rennie), a mãe especialista em insetos (Helena Bonhan Carter), a irmã adolescente com pretensões de ser atriz (Niamh Wilson) e o irmão gêmeo que pretende seguir os passos do pai (Jakob Davies). T.S., no entanto parece não ter características especiais, até que envia para um concurso o projeto de uma máquina de movimento perpétuo feita com base em pólos magnéticos (e que ele explicará diversas vezes não ser perpétuo, já que funciona somente 400 anos). Esse é o ponto em que percebemos que o fofo T.S. é um geniozinho, mas não um desses chatinhos que aparecem na TV e no cinema constantemente, Spivet tem uma inteligência natural, sem afetação, esnobismo ou convencimento, o rapaz é simplesmente um menino brilhante - e todo mundo descobrirá isso quando ele tiver que ir para uma renomada universidade receber um prêmio pelo projeto (ainda que tenha que mentir um pouco para chegar lá) com uma mãozinha da cientista G.H. Jibsen (Judy Davis), que verá no menino prodígio toneladas de publicidade gratuita para sua instituição. No entanto, a viagem do título é mais do que a mostrada com belas paisagens de sonho sobre o sul dos EUA, mas uma viagem de Spivet sobre seus dilemas acerca do lugar que ocupa na família que possui, especialmente depois de um acidente ocorrido com seu irmão gêmeo. É nessa inadequação de Spivet com o mundo ao redor que vemos o coração de Jeunet posto na história. Quem conhece sua obra sabe que o moço não curte criar obras realistas, pelo contrário, aprecia doses  cavalares de fantasia na trajetória de seus personagens, mas que são capazes de revelar-lhe a alma real de suas histórias. Na viagem de seu pequeno brilhante, Jeunet cria momentos divertidos e outros realmente tocantes, onde Spivet revela-se uma criança como tantas outras diante de um bando de gênios. Portanto, não deixa de ser surpreendente que em meio a duas atrizes renomadas (Carter e Davis), o centro de toda atenção fique por conta do talentoso Kyle Catlett (o menino é realmente um achado)! Ele nunca está fora do tom e sabe lidar com piadas complicadas como o fato de nenhum personagem poder abraçá-lo por conta de um problema com a polícia (mas repare como sua mãe pode abraçá-lo sem que ele sinta dor  alguma). Exuberante visualmente, Uma Viagem Extraordinária pode não conquistar a legião de fãs e prêmios de Amélie Poulain, mas com certeza irá conquistar admiradores com sua história aparentemente simples, mas contada com irresistível magnetismo de aventura infanto-juvenil. 

Uma Viagem Extraordinária (L'extravagant voyage du jeune et prodigieux T.S. Spivet / França - Austrália - Canadá/ 2013) de Jean Pierre Jeunet, com Kyle Catlett, Helena Bonhan Carter, Judy Davis, Callum Keith Rennie e Dominique Pinon. ☻☻☻☻

domingo, 14 de dezembro de 2014

Combo: Somos Todos Aliens


5 - Sob a Pele (2014) A ficção científica de Jonathan Glazer tornou-se cult ao trazer Scarlett Johansson como uma alienígena que transforma corpos humanos em combustível para o seu planeta natal. Sua trajetória no planeta é bastante simples: atrair homem para um galpão e providenciar para que todo seu organismo seja transformado em energia (deixando somente a pele de suas vítimas para trás). Silencioso, lento e arrastado, o filme vale pela forma como Glazer conduz sua trama cheia de estilo e tons sombrios (incluindo os dias em que a protagonista experimenta ser humana até seu triste final). 

4 - Starman (1984) Celebrado como um dos maiores atores americanos, Jeff Bridges tem um Oscar na estante e seis indicações ao prêmio no currículo. Pouca gente lembra que sua terceira indicação da Academia foi ao viver um homem que veio do espaço nessa fantasia romântica de John Carpenter. Bridges vive o alienígena que toma forma de um fazendeiro falecido - o que deixa a viúva (Karen Allen) bastante confusa. Na verdade ele é um alien bem intencionado que aceitou o convite da nave Voyager II para estabelecer contato com nosso mundo - mas quando chega o governo o persegue na mais descarada "hospitalidade" terrena.

3 - Minha Noiva é Uma Extraterrestre (1988) Dirigido por Richard Benjamin, que nunca foi levado a sério, esse filme com Kim Basinger tem sua cota de fãs fervorosos pela personificação de uma das alienígenas mais sexys de todos os tempos. Kim já era uma das louras mais cobiçadas da década de 1980 e o papel da tresloucada Celeste Martin lhe caiu como uma luva. Sua missão na terra é seduzir um cientista (Dan Aykroyd, outro ícone da época) que pode colocar em risco as intenções de seu planeta natal. Entre as trapalhadas de humor quase pastelão, ela precisa despistar a enteada que suspeita que a loura não é desse mundo (e não é por conta do discreto chapéu vermelho). 

2 - O Homem Que Caiu na Terra (1976) David Bowie já era conhecido como o alienígena Ziggy Stardust quando aceitou o papel neste filme de Nicolas Roeg. Na pele do extraterrestre Thomas Jerome Newton, ele vem à Terra buscar água para seu planeta que está morrendo, em troca ele oferece seu alto conhecimento tecnológico. O problema é que Thomas acaba afundando em vícios terrenos, tornando-se mais vulnerável e explorado. Roeg cria uma espécie de conto com deslocamentos espaço-temporais em sua narrativa - que confundia muita gente nessa alegoria da cultura americana a partir de um ET ( e Bowie está a cara da Tilda Swinton no filme).

1 - Superman (1978) Kal-El deve ser o alienígena de imagem humana mais famoso do mundo, pelo menos no cinema foi o único a emplacar seis filmes (sem contar um em produção), além de seriados e desenhos animados. Vale a pena lembrar que a aparência pode enganar, mas Kal-El é natural do planeta Krypton e em nosso planeta, a luz solar e a atmosfera causaram mutações em seu corpo lhe conferindo super poderes! Sorte nossa que ao invés de se tornar um vilão ele preferiu se tornar um famoso super-herói! É verdade que, como diria Quentin Tarantino, seu olhar sobre a humanidade é pouco lisonjeiro, sendo retratado no seu disfarce frágil e desajeitado chamado Clark Kent. 

DVD: Estraterrestre

Villagrán: invadindo a intimidade de um casal. 

Júlio (Julián Villagrán) e Julia (Michelle Jenner) resolvem passar a noite juntos e no dia seguinte estranham o silêncio do prédio, as ruas vazias, a falta de informações, ausência de telefone e encontram um enorme disco voador que pode ser visto da janela. Parece que o mundo foi invadido por alienígenas e os dois nem se deram conta. Depois descobrem que um vizinho intrometido (Carlos Areces) também está no prédio e, um pouco depois, que Carlos (Raúl Cimas) o namorado de Júlia estava tão preocupado que apareceu para visitar a namorada. A partir daí, Julio e Julia precisaram de um punhado de mentiras e um bocado de jogo de cintura para que a traição dela não seja descoberta. A princípio apresentado como um sujeito perdido em meio ao caos, Julio se torna aos poucos amigo de Carlos, ainda que não consiga tirar os olhos de Julia (e o casal aproveita qualquer oportunidade para apimentar companhia um do outro). A partir de um certo momento, a única forma de ficarem juntos é se aproveitando da invasão alienígena (e das paranoias que gera nas mentes mais férteis) para elaborar planos para se livrarem dos demais, afinal, os extraterrestres podem estar disfarçados ou apenas invisíveis observando o andamento da vida dos humanos. Se estiverem de fato observando, irão achar muita graça das trapalhadas do casal que tenta se livrar de uma noite de adultério enquanto se enrolam cada vez mais nele. O espanhol Nacho Vigalondo, fez sucesso em festivais com essa comédia besteirol que brinca com gêneros cinematográficos com bastante desenvoltura e cria algumas suspeitas na mente do espectador sobre os personagens e suas intenções. Enquanto mistura os desejos de seus personagens (inclusive alguns que estavam bem escondidos: como tornar-se guerrilheiro ou divulgar a intimidade da vizinha), Vigalondo cria uma história bastante particular (e de econômica realização) que poderia estar nas entrelinhas de qualquer ficção-científica. No fim das contas, o invasor mais evidente é Júlio que, engenhosamente, muda o cotidiano tão seguro dos demais personagens. Seria ele o verdadeiro extraterrestre do filme? Vale a pena conferir. 

Extraterrestre (Espanha/2011) de Nacho Vigalondo com Julián Villagrán, Michelle Jenner, Raúl Cimas e Carlos Areces. ☻☻☻ 

DVD: Os Homens São de Marte... e é pra Lá Que eu Vou

Gustavo, Monica e Daniell: queimar sutiã para quê?

Sucesso no teatro desde 2005, "Os Homens são de Marte... e é pra lá que eu vou" recebeu uma adaptação quase inevitável para o cinema perante o interesse da plateia por comédias nacionais. Com o sucesso nos cinemas a peça acaba de virar uma série de TV. A trama acontece a partir das desventuras amorosas de Fernanda (Monica Martelli) que diz ter 39 anos (falo mais sobre isso depois), tem vida sexual ativa, mas que ainda não casou - e isso parece ser a morte para uma mulher madura que se dedica a planejar festas de casamento. Fernanda tem dois fiéis escudeiros, Aníbal (Paulo Gustavo no papel de sempre) e a aspirante à atriz Nathalie (Danielle Valente), que tentam ajudar a protagonista a realizar seu casamento de colocar uma aliança no dedo. Meu problema com esse tipo de filme está longe de ser as piadas (eu admito, eu ri de várias cenas), mas que sempre algo me parece fora do lugar. A começar por Monica Martelli, ela pode ser bonita,  em forma e elegante, mas não convence como mulher que ainda não chegou aos 40. Parece pouco, mas sempre que vejo sua personagem caindo de amores por um homem depois de uma noite de sexo ela parece mais se comportar como uma daquelas adolescentes pegajosas que mentem para si mesmas para enganar-se de que aquele relacionamento tem futuro.... bem... ela diz que tem 39 anos (mas eu até relevo esse deslize já que muitas mulheres não dizem a idade verdadeira nem sob tortura) mas se comporta como uma garota que está começando a vida amorosa somente agora (e isso pode explicar porque os homens acabam fugindo dela). Mas tudo bem, vai que Fernanda trata isso com o analista há anos e ainda não conseguiu mudar!? Talvez se fosse mais esperta e aprendido com seus tropeços ela teria evitado o coração partido por um político (Eduardo Moscovis), um empresário cheio de si (Humberto Martins) e aproveitado os conselhos de Marcelinho (José Loretto) que pede para ela relaxar depois dos finalmente. Não tem jeito, amigo, a mulher é tensa mesmo! Bem sucedida em sua profissão, independente financeiramente e com um belo apartamento, Fernanda precisa de um homem para ser completa. É isso mesmo?! Ela parece nutrir-se daquela expectativa de que ele vai ligar, ele vai decidir onde ir, ele vai estabelecer o dia e horário do encontro, ou seja, ele vai libertar a submissa que tem dentro dela. Isso para alguns pode parecer romântico, mas soa um tanto doentio e beira a neurose  (e isso não significa que não tem graça, já que Woody Allen vive fazendo comédias com neuras, histerias, hipocondrias, transtornos... só que com mais personalidade do que vemos aqui). Meus momentos favoritos ficam por conta do namoro de Fernanda com o alemão, quase baiano, Nick (Peter Ketnath, ótimo) que lhe ensina a desapegar das coisas até o limite do suportável.  Esse relacionamento, somado ao casamento que Fernanda organiza para ser um tiro n'água, dá a entender que a protagonista irá entender que sua obsessão é um tanto exagerada para uma mulher independente do século XXI, mas o final deixa claro que o casamento é o único caminho da felicidade para ela - pelo menos até a última cena. Talvez eu tenha que lembrar que o título, no entanto, revela que tudo pode ser apenas uma provocação com o best seller "Homens são de Marte e Mulheres são de Vênus" de John Gray, lançado em 1992 e que fez sucesso por dizer que homens e mulheres são feitos para pensar e agir de forma diferente - e isso explica a piada que perpassa todo o filme. Os Homens São de Marte... e é Pra Lá que Eu Vou é escrito essencialmente por mulheres, mas deixa claro que a fonte inspiradora é de um homem. 

Os Homens são de Marte... e é pra lá que eu Vou (Brasil/2014) de Marcos Baldini e Homero Olivetto com Monica Martelli, Paulo Gustavo, Danielle Valente, Eduardo Moscovis, Humberto Martins, José Loretro, Peter Ketnath e Marcos Palmeira. ☻☻☻

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

INDICADOS AO GLOBO DE OURO 2015

Birdman: sete indicações confirmam o posto de melhor filme do ano?

Hoje foram divulgados os indicados ao Globo de Ouro, premiação organizada pela crítica estrangeira dos Estados Unidos. As surpresas foram poucas, eu já considerava Mapa das Estrelas e seu humor corrosivo fora do páreo, mas o filme garantiu para Julianne Moore sua segunda indicação na  mesma edição do Globo (a outra já era dada como certa). Outra surpresa foi a menina de Indomável Sonhadora/2012 aparecer entre as indicadas em Melhor Atriz de Comédia, de resto foi tudo bastante previsível (até a indicação de Robert Duvall e Christoph Waltz fazendo mais do mesmo). Nas categorias televisivas senti falta de Penny Dreadful entre os indicados, ou pelo menos de Eva Green entre as candidatas. Entre a maior certeza está Birdman disputando com força o favoritismo da temporada. A premiação acontecerá dia 11 de janeiro, e, como o tempo é curto já arrisco os favoritos de cada categoria (com o tradicional ☻):

Melhor Drama – Filme
Boyhood ☻
Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo
O Jogo da Imitação
Selma
A Teoria de Tudo

Melhor Comédia – Filme
Birdman ☻
Caminhos da Floresta
Pride
Um Santo Vizinho

Melhor Diretor
Alejandro González Iñárritu - Birdman 
Wes Anderson - O Grande Hotel Budapeste
Ava DuVernay - Selma
David Fincher - Garota Exemplar
Richard Linklater - Boyhood ☻

Melhor Atriz de Drama – Filme
Jennifer Aniston - Cake
Felicity Jones - A Teoria de Tudo
Julianne Moore - Para Sempre Alice ☻
Rosamund Pike - Garota Exemplar
Reese Witherspoon - Livre

Melhor Atriz de Comédia – Filme
Amy Adams - Big Eyes ☻
Emily Blunt - Caminhos da Floresta
Helen Mirren - A 100 Passos de Um Sonho
Julianne Moore - Mapa para as Estrelas
Quvenzhané Wallis - Annie

Melhor Ator de Drama – Filme
Steve Carell - Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo
Benedict Cumberbatch - O Jogo da Imitação ☻
Jake Gyllenhaal - O Abutre
David Oyelowo - Selma
Eddie Redmayne - A Teoria de Tudo

Melhor Ator de Comédia – Filme
Michael Keaton - Birdman ☻
Bill Murray - Um Santo Vizinho
Joaquin Phoenix - Vício Inerente
Christoph Waltz - Big Eyes

Melhor Atriz Coadjuvante – Filme
Patricia Arquette - Boyhood
Jessica Chastain - A Most Violent Year ☻
Keira Knightley - O Jogo da Imitação
Emma Stone - Birdman
Meryl Streep - Caminhos da Floresta

Melhor Ator Coadjuvante – Filme
Robert Duvall - The Judge
Ethan Hawke - Boyhood
Edward Norton - Birdman
Mark Ruffalo - Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo
J.K. Simmons - Whiplash: Em Busca da Perfeição ☻

Melhor Roteiro
Wes Anderson - O Grande Hotel Budapeste
Gillian Flynn - Garota Exemplar
Alejandro G.Inarritu, Nicolas Giacobone, Alexander D. Jr. - Birdman ☻
Richard Linklater - Boyhood
Graham Moore - O Jogo da Imitação

Melhor Canção Original - Filme
“Big Eyes” – Big Eyes (Lana Del Rey) ☻
“Glory” – Selma (John Legend, Common)
“Mercy Is” – Noé (Patty Smith, Lenny Kaye)
“Opportunity” – Annie (Sia)
“Yellow Flicker Beat” – Jogos Vorazes: A Esperança - Parte 1 (Lorde)

Melhor Trilha - Filme
Alexandre Desplat – O Jogo da Imitação
Yohan Yohanson – A Teoria de Tudo
Trent Reznor – Garota Exemplar
Antonio Sanchez - Birdman ☻
Hans Zimmer – Interestellar

Melhor Animação - Filme
Operação Big Hero
Festa no Céu
Os Boxtrolls
Como Treinar o Seu Dragão 2 
Uma Aventura Lego ☻

Melhor Filme Estrangeiro
Força Maior (Suécia)
Gett: The Trial of Viviane Amsalem (França)
Ida (Polônia) ☻
Leviatã (Rússia)
Tangerines (Estônia)

Melhor Minissérie/Filme feito para TV
Fargo 
The Missing
Olive Kitteridge

Melhor série de TV de Comédia
Girls
Jane the Virgin
Orange Is the New Black
Silicon Valley ☻
Transparent

Melhor Série Dramática
The Affair
Downton Abbey
Game of Thrones 
The Good Wife
House of Cards ☻

Melhor Atriz de Drama - TV
Claire Danes – Homeland
Viola Davis – How to Get Away with Murder ☻
Julianna Margulies – The Good Wife
Ruth Wilson – The Affair
Robin Wright – House of Cards

Melhor Ator de Drama - TV
Clive Owen - The Knick
Liev Schreiber -Ray Donovan
Kevin Spacey - House of Cards ☻
James Spader - The Blacklist
Dominic West - The Affair

Melhor Atriz de Comédia – TV
Lena Dunham - Girls
Edie Falco - Nurse Jackie
Gina Rodriguez - Jane the Virgin
Julia Louis-Dreyfus - Veep ☻
Taylor Schilling - Orange is the New Black

Melhor Atriz em série, Filme para TV ou Minissérie
Maggie Gyllenhaal – The Honorable Woman
Jessica Lange – American Horror Story: Freak Show
Frances McDormand – Olive Kitteridge ☻
Frances O’Connor – The Missing
Allison Tolman – Fargo

Melhor Ator em série, Filme para TV ou Minissérie
Martin Freeman – Fargo
Woody Harrelson – TrueDetective
Matthew McConaughey – True Detective ☻
Mark Ruffalo – The Normal Heart
Billy Bob Thornton – Fargo

Melhor Atriz coadjuvante em série, Filme para TV ou Minissérie
Uzo Aduba – Orange Is the New Black
Kathy Bates – American Horror Story: Freak Show ☻
Johane Frogat – Downton Abbey
ALlison Janney – Mom
Michelle Monaghan – True Detective

Melhor Ator coadjuvante em série, Filme para TV ou Minissérie
Matt Bomer - The Normal Heart ☻
Alan Cumming - The Good Wife
Colin Hanks - Fargo
Bill Murray - Olive Kitteridge
Jon Voight - Ray Donovan

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

DVD: Miss Violência

A família: crueldades na medida para chocar plateias. 

Há quem perceba em Miss Violência uma analogia com a atual crise econômica da Grécia, numa associação de que a crise financeira desencadeie uma crise moral logo em seguida. O diretor Alexandros Avranas prefere não associar seu filme ao contexto político-econômico de seu país, apreciando mais que seu seja visto como o drama de uma família disfuncional (embora, conforme sua trama avance, Miss Violência pareça mais um filme de horror). Exigindo nervos de aço da plateia, Avranas conta a história de um lar assombrado pelo suicídio de uma menina de onze anos no dia de seu aniversário. Durante a distração de sua família, ela quase sorri para a câmera antes de se atirar do apartamento em que vive. A partir do trágico episódio, o filme acompanha o cotidiano daquela casa, revelando aos poucos os motivos que poderiam gerar o suicídio da menina. De início não fica muito claro os laços entre os personagens, somente depois descobrimos que o clã é formado por um casal de idosos, uma filha adolescente e outra adulta que possui um casal de crianças cujo pai nunca é apresentado. A filha adulta é a mãe da menina suicida e terá que explicar para o serviço social o que poderia ter motivado aquela situação. Não cabe explicar muito mais do que isso, uma vez que estragaria as surpresas desagradáveis que o filme reserva ao espectador. Para além da agressividade dos personagens com os mais jovens, cenas de humilhação, constrangimento e punição são constantes no cotidiano daquela família aparentemente comum, mas que o roteiro reserva ainda outras situações capazes de revirar o estômago da plateia. Lentamente, Avranas esconde e revela aspectos doentios daquele grupo, mas conforme a narrativa avança, perde pontos por tornar algumas situações explícitas demais com a única intenção de chocar a plateia que já entendeu do que o filme trata. Se o longa perde em sutilezas em sua reta final, ganha o asco do espectador conforme avança para o desfecho  quase inevitável de uma dinâmica familiar marcada pela crueldade. Conforme revela seus segredos, a frieza de Miss  Violência desperta no espectador a sensação incômoda do próprio mal que pretende deflagrar com seus personagens que observam a violência passivamente. Vencedor dos prêmios de melhor diretor e melhor ator no festival de Veneza, penso no filme como uma espécie de irmão do indicado ao Oscar de filme estrangeiro Dente Canino (2010), outro longa grego desagradável que reproduz a atmosfera cinematográfica do austríaco Michael Haneke.  Ambos parecem dizer que a realidade do país está destroçando as famílias ou então que Haneke é o cineasta favorito por aquelas bandas que inventaram a comédia e a tragédia em sua essência. 

Miss Violência (Miss Violence/Grécia-2013) de Alexandros Avranas com Themis Panou, Reni Pittaki e Eleni Roussinou. ☻☻

Na Tela: O Homem mais Procurado

Philip: despedida em grande estilo. 

Falecido em fevereiro desse ano Philip Seymour Hoffman foi um dos atores mais aclamados de sua geração sendo cobiçado para vários projetos. Portanto, era de se imaginar que após sua despedida precoce houvesse alguns filmes estrelados por ele prestes a estrear. O Homem Mais Procurado é um deles e estreou sem grande estardalhaço nos cinemas, mesmo sendo alardeado como o último trabalho realizado pelo ator. Baseado no livro de John Le Carré, o filme conta com a direção do holandês Anton Corbjin, que utiliza uma narrativa tradicional para mostrar o jogo de interesses governamentais nas ações antiterroristas. Como é de praxe nas obras inspiradas do autor, as cenas de ação cedem espaço para estratégias de espionagem que costumam revelar surpresas no final. Hoffman vive Günther Bachmann, que lidera uma equipe da Inteligência alemã em Hamburgo - que conforme explicado por ele, age na clandestinidade por realizar ações que o governo alemão não autorizaria. Sua equipe segue pistas sobre um homem suspeito de lavagem de dinheiro para financiar atos terroristas. Enquanto Bachman investigam o tal sujeito, cruza-lhes o caminho o jovem Issa Karpov (Grigoriy Dobrygin), imigrante ilegal, que foi submetido à tortura e sob suspeita de ter cometido atos terroristas. Issa conta com a ajuda a advogada Annabel Richter (Rachel McAdams) para permanecer na Alemanha e resolver pendências da herança que recebeu de seu pai. Parte checheno, parte russo, Issa apresenta marcas de tortura em seu corpo e intenções menos extremistas do que poderiamos suspeitar. As duas investigações se cruzam e Bachman percebe a chance de deter seu alvo principal, mas para isso deve enfrentar os interesses de seus superiores e de uma aliada americana (Robin Wright) - com quem já trabalhou anteriormente de maneira frustrante. Corbjin desenvolve sua trama de maneira linear, sem truques, destacando a atuação de Hoffman como um homem que dedicou sua vida à um trabalho que talvez nem ele confie mais - ainda que tenha que inspirar confiança aos que cruzam seu caminho (e essas cenas são as melhores do filme). O roteiro de Andrew Bovell tem o trunfo de tratar seus personagens com mais complexidade do que estamos acostumados, mostrando as ambiguidades de suas decisões e atos sem firulas ou melodramas. Em vários momentos não sabemos dizer quem são os mocinhos ou os bandidos, até que o final faz questão de ressalta essa diferença numa espécie de cadeia alimentar da espionagem. O Homem mais Procurado pode decepcionar quem espera cenas de ação mirabolantes, mas consegue tratar a vida de espiões de forma crua em seus sacrifícios pessoais, sem o glamour ilusório que atribuem a esse ofício. 

O Homem mais Procurado (The Most Wanted Man/EUA - Reino Unido - Alemanha) de Anton Corbjin com Philip Semour Hoffman, Willem Dafoe, Rachel McAdams, Robin Wright, Grigoriy Dobrygin, Daniel Brühl e Nina Hoss. ☻☻☻ 

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

DVD: O Homem de Gelo

Shannon: outro grande acerto. 

Admito que tenho uma espécie de fetiche por Michael Shannon, já que ele se tornou um dos poucos atores que quando vejo associado a um projeto já o aguardo ansiosamente. O ator pode ainda não ser um astro (e talvez nunca seja), mas já entregou atuações difíceis de esquecer. Ele me chamou atenção pela primeira vez como o paranoico de Possuídos (2006) e depois como o vizinho de parafuso frouxo (ou seria apertado demais?) de Foi Apenas um Sonho (2008) que lhe valeu uma indicação ao Oscar de ator coadjuvante. Depois vieram os bons trabalhos em The Runaways (2010), O Abrigo (2011) e nesse O Homem de Gelo (2012), todos filmes independentes que fazem mais por sua carreira do que a participação como vilão em superproduções como Homem de Aço (2013). Embora sempre viva personagens complexos psicologicamente, Shannon sempre os preenche de características bastante distintas e, por isso mesmo, merece atenção. Por esse aqui alguns até cogitavam que ele concorresse ao Oscar (mas até eu sei que sua próxima indicação será por um sujeito comum e meio cômico que anda faltando em seu currículo). Shannon interpreta Richard Kuklinski, um matador profissional que da década de 1960 até a data de sua prisão em 1986 estima-se ter matado mais de cem pessoas. De origem polonesa, Kuklinski começou a carreira de matador meio que por acaso, após problemas em seu emprego de origem (ele trabalhava com revelação de filmes) ele é convidado a tornar-se matador profissional pela frieza com que lidava com as ameaças que recebia. Se profissionalmente tornou-se conhecido por seu sangue frio, na vida pessoal ele foi casado e feliz com Debora Pellicotti (Winona Ryder), com quem teve duas filhas enquanto escondia sua profissão obscura. Família e amigos acreditavam que trabalhava com câmbio e especulações financeiras, mas ele prestava serviços para o mafioso Roy Demeo (Ray Liotta) e seu bando, até que a recusa de assassinar uma testemunha de 17 anos comprometeu sua relação com o mafioso. O filme divide a atenção com a vida familiar de Richard e os serviços que executa com cruel maestria, ou seja, um papel na medida para Shannon demonstrar porque é um dos atores mais cobiçados para viver papéis sinistros. No entanto, preciso destacar que seu elenco de apoio ajuda bastante, Ryder parece o contraponto ideal para a ideia de uma versão marginal de A Bela e a Fera, além disso, se você identificar David Schwimmer bigodudo, tente reconhecer o parceiro de Richard nos momentos de crise! Em termos de narrativa o filme pode não ser inovador em reproduzir aquela atmosfera dos dramas criminais da década de 1970, mas consegue prender a atenção do espectador até o final onde o que Kuklinski tem de mais valioso é colocado em risco. Depois de analisar a vida de um assassino o diretor Ariel Vromen irá abordar as memórias de um agente da CIA em Criminal (previsto para 2015). 

O Homem de Gelo (The Iceman/EUA-2013) de Ariel Vromen com Michael Shannon, Winona Ryder, Ray Liotta, David Schwimmer, Chris Evans, James Franco, John Ventimiglia e Stepehn Dorff. ☻☻☻