sexta-feira, 12 de julho de 2013

CATÁLOGO: 300

Butler: um espartano como manda o figurino. 

Em 2006 chegava a encher o saco a quantidade de pessoas que ficava falando sobre 300, adaptação para o cinema da célebre graphic novel de Frank Miller sobre o famoso exército de Esparta. No Brasil o burburinho foi ainda maior com Rodrigo Santoro na pele do vilão semideus andrógino Xerxes O filme foi o segundo longa dirigido por Zack Snyder, que aqui percebeu que poderia mostrar tudo o que era capaz  de fazer na construção de imagens com ajuda de computadores. Se em Madrugada dos Mortos (2002), alguns mais céticos ainda suspeitavam da capacidade do diretor contar uma história decente, aqui ele demonstrou que pode retratar personagens com a mesma intensidade das cenas de ação cuidadosamente elaboradas. O filme é bastante fiel à obra de Miller, isso já agrada os fãs, mas a atmosfera agressiva impressa pelo diretor caiu no gosto do público que transformou o filme num sucesso que terá sua sequência lançada em 2014 (e onde somente Santoro participará do elenco origina). O filme ficou famoso por atrair os marmanjos com suas cenas violentas e a mulherada por conta dos atores de musculatura incrementada digitalmente em trajes sumários. Não deixa de ser curioso que o filme conte com atores que ganharam destaque nos anos seguintes: Michael Fassbender, David Wenham, Dominic West, Lena Headey e, obviamente, Gerard Butler. O filme colocou Butler na categoria brucutu favorito da mulherada (tanto que apareceu em várias comédias românticas), coisa que não acontecia quando era visto como um canastrão irlandês. Butler encarna o rei Leônidas de Esparta com uma gana impressionante! É da construção dessa figura emblemática que nasce a força dos 300 espartanos contra o avanço do império sanguinolento de Xerxes, rei da Pérsia. O bando de Xerxes era mais numeroso, mas não contava com a coragem, honra e senso de sacrifício da tropa de Leônidas. O final todo mundo já sabe, afinal trata-se de um embate emblemático da história da humanidade. Snyder capricha nas cenas de batalha, num ritmo vertiginoso em que o espectador parece estar no meio dos personagens! Tem sangue a rodo, mas o diretor parece saber o momento certo para definir cada personagem dentro da trama. Até mesmo o modesto papel da Rainha vivida por Lena Headey tem seus momentos de grande força dramática. Além do cuidado com o desenho cru dos personagens, 300 tem um trabalho gráfico impressionante, que sofreu algumas críticas (desnecessárias) por suas semelhanças com os games. Esteticamente irretocável e de ação incessante, 300 estabeleceu uma espécie de novo gênero: o "neo-épico", uma espécie de reinvenção que o diretor também experimentava em seu filme anterior (com os "neo-zumbis"), o maior mérito de Zack é que mesmo com tantos elementos que poderiam deixar o filme ridículo, ele mantém a testosterona no topo num equilíbrio que é mais complicado do que aparenta. Prova disso é Rodrigo Santoro como Xerxes, gigantesco em suas ambiguidades, assim como todo o filme - que serviu para Snyder fazer das adaptações de HQs o seu território favorito. 

300 (EUA-2006) de Zack Snyder com Gerard Butler, Michael Fassbender, Rodrigo Santoro, Dominic West e Lena Headey. ☻☻☻

CATÁLOGO: Madrugada dos Mortos

Polley (ao centro): arrastão zumbi em shopping center?

Aproveitando a chegada do Superman de Zack Snyder não custa nada lembrar do primeiro filme que o rapaz dirigiu. Estou falando de Madrugada dos Mortos, que somente no instante que resolvi escrever esse post me dei conta de que faz nove anos que foi lançado! De lá para cá, Snyder já dirigiu outros cinco filmes, o que serve para atestar que os estúdios e o público percebem méritos na sua forma de fazer cinema. Já em sua estreia Snyder padecia do que lhe serviria de rótulo até hoje (ser eficiente em levar para telas ideias de outras pessoas, seja HQs, livros ou remakes), uma vez que Madrugada dos Mortos é uma ideia original de George A. Romero que iniciou na década de 1960 sua famosa trilogia dos mortos (o clássico absoluto A noite dos Mortos-Vivos/1968, O despertar dos mortos (1978) e O dia dos mortos/1981) e não teria rendido essa refilmagem se Danny Boyle não houvesse utilizado sua prosa seca para o sucesso de Extermínio (2002). O estúdio precisava de alguém capaz de dar uma modernizada na trama e buscou no campo publicitário alguém que fosse capaz de remodelar uma ideia conhecida ao gosto da geração que cresceu com o ritmo de games e clipes, não por acaso o filme tem boa parte de seu tempo dedicado a um grupo de pessoas num shopping cercado de zumbis! No início existe até uma certa crítica social presente nessa ideia, com alfinetada no consumismo, na defesa da propriedade, o "ser e o ter" e blábláblá, mas depois tudo isso fica de lado para as cenas de ação. O filme começa com Ana (Sarah Polley), uma enfermeira que depois de uma noite de amor com seu esposo é atacada pela filha que parece estar com alguma doença misteriosa. Seu marido logo é infectado e ela precisa fugir, ao sair de casa ela percebe que uma espécie de praga zumbi inexplicável infectou os vizinhos. Ela acaba conhecendo outras pessoas que não foram contaminadas (papéis de Ving Rhames, Mekhi Phiffer e Inna Korobkina) e todos buscam refúgio em um shopping que se encontra no alto de uma colina. Lá encontram alguns seguranças autoritários (o mais bonzinho é vivido por Kevin Zegers) que atrapalham a convivência do grupo. O filme até investe em alguns dilemas morais entre os personagens, como a tentativa de salvar os que se infectam pelo caminho ou um vizinho a mercê dos zumbis, mas investe pesado mesmo é na sanguinolência e no visual de um bando desesperado de zumbis com fome de entranhas humanas. Com enquadramentos elaborados, algum senso de humor e suspense, Snyder transformou o filme num sucesso que ajudou a criar toda uma nova safra de filmes de mortos-vivos feitos sobre medida para uma geração que adora correria. Os fãs desse tipo de filme não tem do que reclamar, mas sinto que o filme perde parte do seu ritmo lá pela metade da sessão e demora para recuperá-lo. Seja como for, a bilheteria robusta garantiu um certo status ao seu diretor e ainda rende elogios pela estética que consegue imprimir em seus filmes inspirados em universos alheios.  

Madrugada dos Mortos (Dawn of The Dead/EUA-2004) de Zack Snyder com Sarah Polley, Ving Rahames, Jake Weber e Kevin Zegers ☻

quinta-feira, 11 de julho de 2013

DVD: Solteiros com Filhos

O'Dowd, Wiig, Scott, Jennifer, Maya e Hamm: nasce uma patota. 

Sempre acho interessante quando vejo se formar uma patota em Hollywood. Existem várias que estão associadas às comédias (mas não apenas a elas, temos George Clooney + Brad Pitt + Matt Damon + Steve Soderberg / Wes Anderson + Ben Stiller + Owen Wilson + Roman Coppola + David Schwartzman / Judd Apatow + Paul Rudd + Leslie Mann + Seth Rogen + James Franco + Jonah Hill...), recentemente outra patota cômica se formou na capital do cinema. Solteiros com Filhos que conta com alguns nomes que já vimos juntos em Missão: Madrinha de Casamento (2011): Kristen Wiig, Maya Rudolph, Jon Hamm e Chris O'Dowd. O quarteto dessa vez é coadjuvante da dupla   Jennifer Westfeldt e Adam Scott. Provavelmente você nem lembre da dupla protagonista, o título mais famoso do currículo de Jennifer é Beijando Jéssica Stein (2001), no qual interpretava a própria personagem do título e garantiu o sucesso do filme entre o público LGBT. A atriz passou boa parte da carreira atuando em séries de TV, mas tornou-se famosa por ser casada com Jon Hamm (o protagonista da badalada série Mad Men). Agora, a loura estreia como diretora, sorte que ela leva jeito para a coisa. Não deixa de ser curioso que tenha escalado para seu par o sempre simpático coadjuvante Adam Scott e deixado Hamm e Wiig repetir uma versão do casal malajambrado de Missão. No filme Jennifer é Julie, uma  mulher madura e bem sucedida (se não for assim a mulherada não gosta dela) que ao lado de seu melhor amigo, Jason (Scott), forma o único par de solteiros de seu círculo de amizades. No início, eles se deparam com o anúncio de Leslie (Maya) e Alex (O'Dowd) de que serão pais. A notícia é tratada com uma alegria desengonçada pela dupla, enquanto o casal Missy (Kristen) e Ben (Hamm) estão mais preocupados em arranjar um lugar para transar no restaurante. Passados alguns anos, os dois casais casados deram cria e Leslie e Alex percebem que estão sobrando entre o estresse de Leslie/Alex e o mal humor de Missy/Ben. No entanto, existe uma pontinha de inveja em vê-los com herdeiros - mas a dupla de amigos solteiros não querem os problemas que a convivência de um casal com filhos traz. Sendo assim, fazem um acordo para terem um filho, assim, como uma espécie de favor mútuo, podem sentir o prazer de ver o herdeiro crescer sem os problemas das responsabilidades de ser um casal casado. Obviamente que os amigos casados não vão compreender muito bem a ideia, veem a  ideia como quase uma afronta, mas os dois não se importam. É interessante como o filme que começa numa tagarelice irritante começa a descascar seus personagens tornando-os mais humanos e dignos de identificação da plateia. Além disso, não deixa de ser curioso que Leslie e Alex passem a conviver como pais e amigos melhor do que os outros, o que desperta alguns atritos no grupo. Claro que o filme irá revelar aos poucos um faísca de romance entre Leslie e Alex, tornando o filme cada vez mais uma comédia romântica convencional, perdendo alguns pontos em seu foco original. É meio óbvio que os conflitos entre o casal dos sonhos comece a aparecer quando querem seguir suas vidas e estão amarrados por conta do pequeno herdeiro (principalmente quando os rivais parecem perfeitos na pele de Edward Burns e Megan Fox). Ainda que tenha problemas em ser expressiva com a quantidade de botox que tem no rosto, Jennifer Westfeldt consegue construir uma personagem eficiente na difícil tarefa de guiar a si mesma enquanto diretora. Como diretora ela alcança os melhores momentos nas cenas mais complicadas, como a visita dos amigos casados ao lar de Julie/Alex e o jantar onde o grupo resolve lavar a roupa suja. São cenas complicadas com diálogos rápidos e quebrados com quase todo o elenco reunido e ela consegue alcançar as notas mais altas de sua narrativa. Pena que depois do jantar o filme perca um pouco de ritmo e caminhe cada vez mais para o final óbvio e pouco original (que os fãs de comédia romântica a-do-ram). Ainda assim, Solteiros com Filhos consegue um resultado bastante equilibrado e divertido sobre a temática que aborda (só para lembrar: o impacto dos filhos na relação de um casal), o que caracteriza uma bela estreia de Westfeldt atrás das câmeras. 

Solteiros com Filhos (Friends with kids/EUA-2012) de Jennifer Westfeldt com Adam Scott, Jennifer Westfeldt, Maya Rudolph, Kevin O'Dowd, Jon Hamm, Kristen Wiig, Megan Fox e Edward Burns. ☻☻☻☻

quarta-feira, 10 de julho de 2013

CATÁLOGO: Dick Tracy

Madonna e Beatty: romance dentro
e fora da tela
Criado em 1931 pelo cartunista Chester Gould para as tiras de jornal, o detetive Dick Tracy ficou famoso, por sua inteligência, habilidade em não ser baleado, agilidade em sacar uma arma e (especialmente) por enfrentar os vilões mais grotescamente feios das HQs. Com as aventuras ambientadas na Chicago da década de 1930, o personagem conquistou grande popularidade com suas histórias - algo tão grande que os fãs nem estranharam quando com a efervescência da corrida espacial na década de 1960, o personagem se tornou até policial de uma colônia humana na Lua! Tracy figurou nos jornais dominicais até o ano de 1977, quando suas tramas pararam de ser publicadas, no entanto, seu porte de ícone pop da cultura americana permaneceu inabalável - ao ponto de 1990 ganhar uma versão cinematográfica pelas mãos do astro Warren Beatty (que também encarna o detetive) e ganhar três Oscars! Para além de perseguir gangsteres de Chicago, a aventura de Dick Tracy nas telas tem nos três prêmios da Academia um bom começo para essa resenha. Beatty foi muito esperto ao contratar uma dupla que seria capaz de retratar com fidelidade a carranca dos vilões das tirinhas. O trabalho de John Cagliano Jr. e Doug Drexler merece todos os elogios por criar as personificações do vilão Big Boy Caprice (Al Pacino, ainda expressivo debaixo de tanta maquiagem, sendo indicado ao Oscar de coadjuvante) e seu bando de marginais (que conta ainda com Paul Sorvino e Dustin Hoffman). Outro ponto alto do filme é o tom berrante utilizado nos cenários (que garantiu o prêmio de melhor direção de arte), essa estratégia garante um certo tom de fantasia mesmo quando a violência aparece na história. Além disso, devemos admitir que o filme deve parte de seu sucesso à participação de Madonna, que estava no auge da indústria fonográfica e que namorava Beatty na época. A popstar encarna Breathless Mahoney, uma típica femme fatale com figurinos cuidadosamente criados pela consagrada Milena Canonero (indicado ao Oscar da categoria). Breathless canta no cassino clandestino de Caprice e flerta com Dick Tracy para o desespero da noiva certinha do detetive (Glenne Headley). Ainda que não alcance todas as nuances que apersonagem exige, a presença da loura na tela é marcante no joguinho de sedução que se estabelece. Além desse apelo, o roteiro constrói um típico caso de gato e rato entre mocinho  e bandido, com o diferencial de apresentar um novo vilão na história: um sujeito sem rosto que não se sabe ao certo seus interesses e que pode tanto ajudar quanto atrapalhar as investigações de Tracy. Com tantas estrelas no time dos vilões, Beatty foi até criticado por sua encarnação apenas "charmosa" do consagrado personagem, mas nada que prejudique o andamento da trama que é embalada por belas canções de Stephen Sondheim, que são defendidas com afinco por Madonna (tanto esforço garantiu ao filme o prêmio da academia para melhor canção original por "Sooner or Later" que ainda rendeu um dos momentos musicais mais marcantes da história do Oscar). Numa época em que filmes em quadrinhos ainda eram um risco, Beatty merece reconhecimento por ser fiel ao universo original de Tracy, com direito aos toques de film noir, bom humor e a presença de personagens importantes para o desenvolvimento do universo criado por Chester Gould. Falando nisso, vale ressaltar a presença do ator mirim popular nos anos 1990, Charlie Korsmo na pele de Kid, o comparsa mirim do detetive e que o ajuda em alguns momentos de apuros. Bem executado, o filme resulta numa divertida brincadeira com os filmes de gangster e ainda faria bonito nos cinemas de hoje em dia.

O time dos vilões: maquiagem certeira. 

Dick Tracy (EUA-1990) de Warren Beatty com Warren Beatty, Al Pacino, Madonna, Dustin Hoffman, Charlie Korsmo, Glenne Headley e Seymour Cassell. ☻☻☻

domingo, 7 de julho de 2013

DVD x Klássiqo: Caça aos Gangsteres x Os Intocáveis

Ribisi, Brolin, Gosling...: bons atores em quase caricaturas. 

Às vezes eu mesmo me assusto com a minha ingenuidade. Mas aí, volto à uma lição de minhas professoras de cinema que nunca falha: "cinéfilo que é cinéfilo repara o nome do diretor"! O problema é quando percebo o nome do diretor só quando estou assistindo ao filme. Quando começaram a falar de Caça aos Gangsteres com um elenco anabolizado por Sean Penn, Ryan Gosling, Nick Nolte e Josh Brolin, imaginei que seria uma espécie de versão moderna de Os Intocáveis (1997) de Brian de Palma, mas quando me dei conta de que Ruben Fleischer assinava o filme a coisa já começava a ficar esquisita. Ruben Fleischer pode ser sinônimo de filme engraçadinho quando você leva em consideração que ele estreou nas bilheterias polpudas de Zumbilândia (2009), depois ele deu uma derrapada com 30 Minutos ou Menos (2011), que eu ainda não consegui assistir inteiro (o que já é um mal sinal). Tudo piora quando se trata de filme de gangster. Baseado no livro de Will Beall e Paul Lieberman, Caça aos Gangsteres é um exagero só! Seu maior problema é que a trama tem semelhanças demais com o já clássico Os Intocáveis, mas a execução é um desastre. No filme de DePalma, Kevin Costner encarnava Eliot Ness, o responsável pelas investigações e confiscos que apontariam Al Capone (Robert DeNiro) como um chefão do crime organizado, responsável por várias infrações durante a lei seca nos EUA. Capone é mostrado como um sujeito famoso e que sempre conseguia espaço na imprensa para debochar de quem estava no seu encalço. Fleischer tenta fazer o mesmo com Sean Penn, mas o sabor é diferente. Penn interpreta Mickey Cohen, personagem que já apareceu em outro clássico recente (Los Angeles Cidade Proibida/1996), um ex-lutador de boxe que ascendia socialmente ao ponto de ter até uma professora de etiqueta com quem tinha um caso (Emma Stone, num papel bem diferente do que está acostumada). A violência de Cohen parece ainda mais elaborada do que a de Capone, especialmente quando seus negócios era feito a base de ilusões vendidas às garotas do interior que esperavam se tornar atrizes. O ano era de 1949, quando a polícia organizou um grupo especial para destruir as organizações de Mickey encabeçada pelo correto sargento John O'Mara (Josh Brolin). É até interessante como o filme aborda a escalação do time de O'Mara a partir das indicações de Connie O'Mara (Mireille Enos, da série The Killing), a esposa grávida de John. 

Emma Stone e Ryan: juntos outra vez? 

A partir de características mais pessoais do que profissionais, Connie escolhe a dedo aqueles em que pretende confiar a vida de seu marido. Fleischer peca por nunca deixar claro quais são as intenções das operações do grupo e quando existem as cenas de ação, elas beiram o pastelão. A pressa em criar momentos de perseguição fez com que o corte final do filme ficou bastante confuso. Os personagens são quase caricaturas, ganhando melhor desenvolvimento o sargento Jerry Wooters (Ryan Gosling, com uma voz bem diferente do normal) e a professora/amante de Cohen, Grace Faraday (Emma Stone). A inserção do romance num filme de gangster poderia soar mais original se Fleischer não houvesse copiado o casal da comédia romântica de sucesso Amor à Toda Prova (2011). Além disso, apesar de todo o esforço em parece sexy, Emma Stone tem aparência jovem demais para o papel. No entanto, o que compromete mais Caça aos Gangsteres é a falta de sutileza em nome de um ritmo frenético. As coisas poderiam melhorar se o final fosse poderoso, mas não é isso que acontece quando Brolin derrota Sean Penn no muque! A cena pode até ter acontecido de verdade, mas da forma que é mostrada parece um delírio de overdose testosterônico! Se você quer ver um filme sério sobre o assunto, é melhor procurar Os Intocáveis. O filme de DePalma se tornou um clássico do cinema depois que foi lançado em 1987. Ambientado nos anos 1920, o filme mostra as ações do grupo liderado pelo agente federal Eliot Ness no cerco ao império de Al Capone. DePalma ainda estava no auge quando conseguiu reproduzir com fidelidade o clima dos filmes policiais da era de ouro de Hollywood. Quando Hollywood já experimentava a mistura de ação e humor, o diretor opta por uma cadência mais solene com excepcional trilha sonora de Ennio Morricone já nos créditos inciais. Obviamente que Brian já tinha os seus delírios (uma coisa que Tarantino anabolizou nos dias de hoje), como o momento faroeste entre policiais e bandidos no meio do deserto - mas a tensão absurda que constrói durante boa parte do filme compensa essas notas dissonantes. Apesar da presença imponente de Kevin Costner como protagonista, o veterano Sean Connery soube construir uma espécie de mentor de Ness, tendo um dos momentos mais marcantes do filme - que lhe valeu o Oscar e o Globo de Ouro de ator coadjuvante. Existem pelo menos meia dúzia de cenas memoráveis no filme, algo que lhe dá fôlego para ser lembrado até os dias de hoje como uma referência do gênero. No fim das contas, apesar de toda a violência estilizada e semelhanças, Caça aos Gangsteres parece mais uma antítese de Os Intocáveis do que qualquer outra coisa. 

Os Intocáveis: referência clássica do gênero. 

Caça aos Gangsteres (Gangster Squad/EUA-2013) de Ruben Fleischer com Josh Brolin, Ryan Gosling, Sean Penn, Emma Stone, Giovanni Ribisi, Mireille Enos e Nick Nolte. ☻☻

Os Intocáveis (Untouchables/EUA-1987) de Brian DePalma com Kevin Costner, Robert DeNiro, Sean Connery e Andy Garcia. ☻☻☻☻

DVD: Detona Ralph

Vanellope e Ralph: contestando o sistema de dados. 

Ainda precisa aparecer alguém que me convença de que a vitória de Valente na categoria de melhor animação no Oscar deste ano, não foi uma injustiça com seus concorrentes! Não foram poucas pessoas que apontavam Detona Ralph como o favorito da categoria, afinal no ano em que a Pixar decepcionou lançando o filme mais Disney de sua trajetória, a Disney lançou o filme mais Pixar de sua carreira. Detona Ralph é o tipo de filme que chama a atenção desde o primeiro momento ao contar com vários personagens que fazem alusão ao mundo dos games. O protagonista é o vilão de um jogo das antigas. Sua função é quebrar um prédio enquanto Félix Fix Jr. (o mocinho do game) é encarregado de arrumar tudo com um martelo. O problema é que (como manda a cartilha dos vilões protagonistas de onde surgiram Megamente e Meu Malvado Favorito, ambos de 2010) ele entra em crise não apenas pela tarefa destruidora que deve realizar, mas também pelo alto índice de rejeição que tem entre os outros personagens do game (ao ponto de não ser convidado para uma festa que comemora o aniversário do jogo). Visivelmente discriminado, Ralph quer provar aos seus colegas de trabalho que é um cara legal - mas a iniciativa acaba gerando mais confusão no grupo. Com isso, acaba aceitando o desafio de conquistar uma medalha de herói e mostrar que não é apenas mais um vilão de video game. Ralph acaba buscando a medalha em outro jogo (o modernoso "Missão de Herói"), ignorando a regra de que se morrer em um jogo que não é o seu, você não ressuscita porque sua programação não corresponde aquele universo. Enquanto Ralph vai lutar contra os insetrônicos ao lado de uma capitã histérica e agressiva (cortesia da voz de Jane Lynch)  e depois tem sua medalha roubada no jogo Sugar Rush por Vanellope (uma menina com ambições de corredora a que todos acreditam ser um defeito de programação), o jogo original de Ralph corre o risco de ser desligado pela ausência de sentido - já que sem Ralph para quebrar tudo, não há necessidade de Félix consertar nada. O filme é bastante divertido e ainda consegue equilibrar as cenas de ação como eu não via desde Os Incríveis (2004) e ainda consegue ter uma lição de moral sem parecer chato. Longe de querer dizer que os vilões são fundamentais para o funcionamento do universo, o filme deixa claro que é preciso gente de todo tipo para que o mundo seja mais interessante e nem sempre quem parece o mocinho realmente o é - principalmente se ele aponta para o outro manipulando os preconceitos dos demais. Debaixo de todo o colorido e ritmo contagiante, Detona Ralph expressa que a verdade tem muitas faces, assim como discursos políticos tão bem encarnados pelo rei da colorida Sugarland (que manipula informações para que as pessoas ajudem a mantê-lo no poder, mesmo sem que elas percebam). No fundo, Ralph, Vanellope e até Felix Jr. são contestadores do sistema, ou melhor, da programação de seus jogos de origem. No fim das contas, eles percebem que se todos respeitarem suas  funções e particularidades o mundo será um lugar muito mais interessante. Obviamente que você não precisa reparar nada disso enquanto se diverte (e os fãs vão adorar ver conhecidos personagens juntos num longa metragem dizendo frases como "seu rosto é tão em alta definição"), mas filme bom é assim mesmo, as entrelinhas são ainda melhores do que há de mais evidente. 

Detona Ralph (Wreck it Ralph/EUA-2012) de Rich Moore com vozes originais de John C. Reilly, Sarah Silverman, Jane Lynch e Ed O'Neil.
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sexta-feira, 5 de julho de 2013

DVD: A Criada

Catalina: temperamental, complexa e fascinante. 

Assisti dia desses o chileno A Criada, filme premiado em Sundance que chegou até a receber torcida para ganhar uma vaguinha no Oscar em 2010. O filme teve alguns problemas de distribuição no Brasil (assim como 90% dos filmes não americanos), mas merece atenção nem que seja para acompanhar a atuação de Catalina Saavedra na pele da empregada Raquel - além de servir para perceber como um filme de baixo orçamento consegue ser interessante. O diretor Sebastián Silva conduz seu filme como se estivesse com uma câmera escondida na casa da família Valdés para entender a relação com a empregada que os serve ao longo de vinte e três anos. Sebastián trabalha com detalhes, pequenos gestos do cotidiano que evidenciam a rede de relações que se estabelece naquele lar, por isso mesmo, ao optar por uma narrativa realista pode ser incômoda a sensação de que nada acontece. Trata-se de um recorte temporal curioso daquela realidade fictícia, já que inicia-se com a festa surpresa para Raquel e termina com uma espécie de libertação daquele lar. A festa já parece que não vai funcionar  no momento que Raquel se recusa a ir para sala - quando chamada no momento "SURPRESAAA!", afinal ela deve comer na cozinha. Enquanto a patroa e as crianças cantam parabéns antes de comer  o bolo, o patrão sai para ir ao quarto e Raquel lembra que terá de lavar a louça. Fica claro que o filme pretende explorar essa relação de patrão/empregado, funcionária/amiga, família/agregada que acontece dentro daquela casa. Enquanto a senhora Valdés (Claudia Celedón) age dentro de suas limitações para agradar Raquel, a empregada tem problemas de relacionamento com a filha mais velha da família e um temperamento difícil de lidar. Parece que Raquel percebe que somente ela consegue fazer aquela casa funcionar: as refeições, as arrumações, contornar os atritos entre os meninos menores... todas essas coisas são percebidas como marcas de que sua presença naquele universo é imprescindível (e deve ser mesmo), embora nada disso a torne um membro da família para todos os Valdés. O problema cresce mesmo é quando fica evidente que Raquel está com problemas de saúde e a família resolve contratar ajudantes para ela. A partir desse ponto o filme fica repetitivo. Espero que a intenção do filme seja ser engraçado em alguns momentos, já que é impossível segurar o riso quando Raquel tranca suas ajudantes fora da casa e liga o aspirador de pó para fingir que não está ouvindo os apelos para que abra a porta. A primeira ajudante é uma boa moça que sofre ainda mais porque coincide com a presença de um gato na casa. A segunda tenta fazer Raquel notar que não é parte da família (o que para ela é praticamente uma ofensa) e a terceira candidata à ajudante é a que tem sua trajetória na trama melhor resolvida, fazendo com que o roteiro explore o que Raquel quer esconder do mundo. Essa transição na personagem ganha corpo na atuação notável de Catalina que reforça os méritos do filme. Quando lê as entrelinhas das relações, A Criada é um filme interessante, quando parece mais preocupado com seu formato documental em câmera digital a coisa parece meio amadora. Desculpem a minha ignorância, mas acho que a opção por alguns diretores por imprimir uma linguagem documental/realista em seus filmes, muitas vezes, compromete o próprio equilíbrio do filme, já que a montagem final conta com cenas que deveriam ter sido cortadas na ilha de edição (ou então, ser melhor escritas no roteiro). A Criada pode não ser genial como alguns críticos afirmam, mas é um olhar bem vindo sobre um tipo de personagem que está quase sempre à margem da narrativa. 

A Criada (La Nana - Chile/México - 2009) de Sebastián Silva com Catalina Saavedra, Mariana Loyola, Claudia Celedón, Augustin Silva e Alejandro Goic. ☻☻☻

FILMED+: Boogie Nights

Diggler (ao centro) e sua família: retrato de uma era. 

Eddie Adams era um coitado que tinha problemas de relacionamento com a mãe e ganhava um salário modesto como garçom numa discoteca da década de 1970. Para ganhar uns trocados a mais, ele exibia o dote que Deus lhe deu para fregueses pervertidos que notavam o que as calças não conseguiam disfarçar. Descoberto por um renomado produtor do cinema pornográfico, Eddie (Mark Wahlberg  provando que poderia ser levado a sério) largou a família e se tornou um ator mundialmente conhecido no mundo dos filmes adultos usando o nome artístico de Dirk Diggler (um nome que segundo ele estouraria até os letreiros em neon quando seu nome fosse anunciado). Delírios de grandeza (sem trocadilho) à parte, esse é o ponto de partida para o magnífico segundo filme de Paul Thomas Anderson. Antes, o diretor (que abandonou a faculdade de cinema em Nova York por considerá-lo conservador demais) havia dirigido o pouco visto Hard Eight/Jogada de Risco (1996) sobre o universo dos jogadores de pôquer, que apesar de estar longe da genialidade de Boogie, já apresentava um diretor com assinatura própria na condução de suas histórias. O plano sequência que abre seu segundo filme é genial! Apresentando os personagens devidamente ambientados nos anos de festa que foram a década de 1970. É ali que conhecemos o diretor Jack Horner (Burt Reynolds, indicado ao Oscar de coadjuvante e mais merecedor do que o premiado Robin Williams por Gênio Indomável) e a diva Amber Waves (a perfeita Julianne Moore, derrotada na categoria de atriz coadjuvante por Kim Basinger - L.A. Cidade Proibida) e boa parte dos seus agregados. É Horner que descobre quase que por acaso o potencial do jovem Eddie e o convida para participar de seus filmes. Curioso é que Horner não faz filmes somente sobre pessoas fazendo sexo, ele se preocupa com o enredo, o encadeamento dos fatos e até o desenvolvimento dos personagens - embora seu público se preocupe cada vez menos com isso (acho que Anderson reflete em Horner o que o próprio público espera de Boogie). Já renascido como Dirk Diggler (personagem que já aparecia no primeiro trabalho de Anderson, o curta de 1988: A História de Dirk Diggler), o rapaz só precisa de um filme para chamar a atenção da indústria. Além de Diggler o elenco de Horner inclui RollerGirl (Heather Graham no papel de sua vida), uma garota que não tira os patins para nada (nada mesmo), o amigável Reed Hotchild (John C. Reilly) e outros personagens curiosos que compõem uma família incomum, mas com papéis bem demarcados. Trabalhando os dramas de cada personagem em seu roteiro, fica evidente a maior referência do diretor em sua obra: Robert Altman, um mestre na habilidade de misturar personagens e histórias na construção de um painel humano cinematográfico sobre uma determinada era. Aos poucos o cineasta demonstra como a euforia dos anos 1970 caminha para uma espécie de ressaca na década seguinte. Todo o clima livre e festivo começa a se diluir no uso de drogas e na produção de filmes cada vez mais descartáveis - o que prejudica ainda mais a "seriedade" ambicionada pela trupe de Horner. É marcante como o corte temporal impresso pelo suicídio de um dos personagens delimita as características dessa transição na narrativa. Além disso, os estrelismos de Diggler, as depressões de Amber por conta de um divórcio problemático, além do preconceito que os personagens sofrem por terem ligação com a indústria pornô faz a narrativa caminhar para a decadência desses personagens no moralismo americano instaurado na década de 1980. A agressividade dos personagens fica mais evidente, assim como a atmosfera do longa se torna mais sombria. Paul Thomas Anderson ousou fazer um filme sobre uma temática perigosa, mas conseguiu um resultado excepcional pela humanidade que confere aos seus personagens. O filme aproveita o humor quando ele é possível, abraça os dramas quando surgem e explora tonalidades que poderiam desandar nas mãos de um cineasta menos habilidoso. Além disso, tem uma gama de atores certos nos papéis exatos (Don Cheadle como um vendedor de carros, William H. Macy como o esposo de uma ninfomaníaca, Alfred Molina como traficante e Phillip Seymour Hoffman como o gay apaixonado por Diggler...) emoldurados por precisa reconstituição de época (trilha sonora, figurinos, maquiagem, cabelos, gestos...) e com uma Julianne Moore que ficaria para sempre no imaginário masculino! Boogie Nights (me recuso a colocar o enganoso acréscimo no título que o filme recebeu por aqui) com toda a sua ousadia e estilo não deixa o espectador perder de vista, por um minuto que seja, sobre o que trata o filme: pessoas.

Boogie Nights (EUA-1997) de Paul Thomas Anderson com Mark Wahlberg, Burt Reynolds, Julianne Moore, John C. Reilly, Heather Graham, Phillip Seymour Hoffman, Melora Walters, Don Cheadle e Thomas Jane. ☻☻☻☻☻

terça-feira, 2 de julho de 2013

DVD: O Mestre

O Mestre: afinal, o filme é sobre o que mesmo?

Muita falação aconteceu em torno do novo filme de Paul Thomas Anderson. Desde que começou a selecionar o elenco, o diretor dos antológicos Boogie Nights (1997) e Magnólia (1999) teve que ouvir de gente como o amigo Tom Cruise, para deixar de lado sua ideia de criar um longa pautado na biografia de L. Ron Hubard, criador da cientologia (aquela religião que cresce em Hollywood). Mas Anderson estava obstinado. Quando o filme estreou, curiosamente o falatório diminuiu. Elogiava-se os atores (Joaquin Phoenix e Phillip Seymour Hoffman dividiram o prêmio da categoria no Festival de Veneza), a grandiloquência da narrativa do cineasta e quanto a abordagem da cientologia percebeu-se que o filme tinha uma história sobre algo maior: a busca de dois homens por uma redenção que talvez nem exista. É verdade que o filme mostra algumas amostras das teorias do que os personagens costumam chamar de "a causa", os métodos estranhos, as crenças em torno da regressão às vidas passadas e o culto de uma figura que parece mais contraditória do que digna de fé. No entanto, o filme deixa tudo tão em aberto (o que não chega a ser um defeito) que se a intenção era tecer alguma crítica ou deixar o espectador criar sua própria opinião sobre "a causa" o roteiro não disponibiliza informação nem para uma coisa nem para outra. Quem esquecer toda a campanha de marketing (até a capa do DVD diz: "o filme que aborda a polêmica da cientologia", mas que polêmica?) verá que a "causa" no filme não provoca nem mais nem menos estranhamentos do que a maioria das religiões que conhecemos de longa data. Deixando essa parte de lado, o que temos é um filme provocador, menos pela sua temática e mais pelo que exige do seu espectador ao jogo que o diretor estabelece entre seus personagens. O destroçado Freddie Quell (Joaquin Phoenix, excepcional) sobrevive às feridas de sua vida pessoal, que parecem ter se agravado com o fim da Segunda Guerra Mundial. Seu relacionamento com as pessoas e consigo mesmo é sofrível. Nesta parte onde somos apresentados ao personagem, o filme transborda a desconexão desse sujeito com o mundo, as cenas parecem soltas, despropositadas, mas fica claro que o sexo é um ponto de conexão de Freddie com o mundo que o cerca. Depois de uma bebedeira , ele conhece Lancaster Dodd (Phillip Seymour Hoffman, excelente), o mestre do título, que está formulando os preceitos de uma nova religião. É através dos preceitos do que O Mestre costuma chamar de "a causa" que ele pretende fazer Freddie lidar com seus vários conflitos. Os duetos entre Phoenix e Hoffman já valeriam o filme, já que são tensos e bastante aflitivos, mas Anderson oferece mais. Existe um jogo de influência entre os dois, uma manipulação entre um e outro que torna o filme bastante difícil para quem esperava um filme denúncia ou do tipo edificante. Há momentos que beiram o irritante pela repetição a que Quell é submetido como seu fosse uma cobaia de Dodd. É verdade que ainda em outros momentos, Quell se torna o cão de guarda de Dodd, somente um ator como Phoenix seria capaz de trabalhar emoções tão contraditórias! Destaca-se ainda no elenco a ótima Amy Adams como a dominadora Srª Dodd que alcança momentos assustadores, bem diferentes da maioria dos papéis que a atriz já interpretou. O trio foi todo indicado no Oscar, mas acabou saindo de mãos vazias. Ao final, percebe-se que Paul Thomas Anderson fez seu filme mais difícil - e a grandiloquência que fez de Sangue Negro (2007) um novo clássico, aqui parece direcionar o filme para uma espécie de limbo. A fotografia é belíssima, a trilha sonora de Johny Greenwood é de arrepiar (e torna tudo ainda mais estranho), mas na condução de sua história, Anderson se perde em alguns momentos em sua própria pretensão. O filme vale pelos atores (e se Phoenix não houvesse fingido um surto anos atrás ele teria até levado o Oscar de ator pelo filme) e a defesa do jogo de influências entre os dois protagonistas, o resto é pura pompa.

O Mestre (The Master/EUA-2012) de Paul Thomas Anderson com Joaquin Phoenix, Phillip Seymour Hoffman, Amy Adams, Laura Dern e Jesse Plemons. ☻☻☻