quinta-feira, 30 de dezembro de 2021
FAV✪RITOS 2021 - TELEVISÃO
sexta-feira, 24 de dezembro de 2021
PL►Y: Being the Ricardos
Para Aaron Sorkin não basta ser um dos roteiristas mais cultuados dos Estados Unidos, ele quer ser reconhecido como cineasta desde que estreou atrás das câmeras com A Grande Jogada (2017), que ironicamente lhe rendeu uma indicação de... melhor roteiro adaptado no Oscar. Aquilo deve ter soado como uma espécie de provocação e neste ano lá estava ele no Oscar novamente, só que com o amparo das sete indicações de Os Sete de Chicago (2020), que entrou no páreo de melhor filme, mas ficou de fora do prêmio de direção. Sorkin concorreu como roteirista de novo pelo texto original do longa e se ano passado a Netflix garantiu ao filme a projeção que o levou às premiações em 2021, Sorkin se aliou à Amazon para bancar seu novo trabalho como diretor. Lançado no Prime Video aqui no Brasil, Being the Ricardos chega a tempo de colocar Nicole Kidman no radar das premiações com sua interpretação da icônica Lucille Ball, estrela do cultuado seriado I Love Lucy, programa que estrelava ao lado de seu marido, Desi Arnaz (Javier Bardem) nos anos 1950. O filme acompanha uma semana nos bastidores do programa e mistura várias tensões na vida do casal que parecem anabolizadas quando Lucille cai na mira da caça aos comunistas na Terra do Tio Sam. A acusação parece girar em torno de um mal entendido, mas é o suficiente para colocar em risco não apenas o programa, mas também a carreira da atriz para sempre. No entanto, junte a isso as suspeitas de adultério do esposo, a produção do episódio semanal (que pode ser o último), a relação com os patrocinadores do programa e membros do elenco... tudo sugere que existe uma bomba prestes a explodir ao longo do filme. Tudo sugere, menos a direção de Aaron Sorkin, que encontra dificuldades para criar a atmosfera densa para contar a história que criou. A sorte é que isso não afeta o trabalho dos seus atores, que estão muito muito bem em cena, especialmente Nicole que desconstrói a imagem que temos da atriz envolta na personagem que Lucille imortalizou na televisão. I Love Lucy é um destes programas lendários que tinha a audiência fiel de mais de 60 milhões de espectadores por episódio (para se ter ideia o final de Game of Thrones atingiu quase vinte milhões de espectadores). O roteiro mostra outras nuances da estrela, demonstrando o cuidado que ela tinha com cada episódio, seu apreço pela comédia física, sua inteligência em torno da preparação das situações de cada capítulo, sua imaginação fermentando cada ideia. Ao lado disso, está o problema de Sorkin querer abraçar tanta coisa que as ideias sobrepostas fazem com que uma diminua o apelo da outra e, por vezes, o desfecho de cada uma delas não alcança o clímax desejado (um telefonema no final, um lenço sujo no outro, uma papo com as colegas de elenco...) parece que tudo se resolve de forma simples para um roteiro cheio de direcionamentos, entrevistas dramatizadas, flashbacks e contextos políticos, românticos, profissionais... no fim das contas, graças à aprovação da filha de Lucille e Arnaz, fica a sensação de que conhecemos um pouco mais daquele casal real, longe dos personagens da telinha. Nem vou entrar nos méritos da estranha maquiagem da Nicole e da criticada escalação do espanhol Barden para viver um cubano, afinal, acho que o talento de ambos compensa estes tropeços. Ao final da sessão, a principal ideia que fica é como Sendo os Ricardos (a tradução literal do filme calcada na família de Lucy e Ricky Ricardo) proporcionava a Lucille e Arnaz uma vida idealizada do dia, sem os conflitos de quando se deparavam com a realidade do lar ao final do dia.
Being the Ricardos - Apresentando os Ricardos (Being the Ricardos / EUA - 2021) de Aaron Sorkin com Nicole Kidman, Javier Bardem, JK Simmons, Nina Arianda, Alia Shawcat, Tony Hale e Jake Lacy. ☻☻☻
segunda-feira, 20 de dezembro de 2021
10+ Melhores Pôsteres de 2021
Inaugurando minhas listas de fim de ano está a tradicional postagem dos meus pôsteres favoritos do ano. Vale destacar que depois de um ano de cinemas fechados, os candidatos a prêmios de fim de ano capricharam nos cartazes para chamar atenção do público - e por isso, aparecem em várias posições por aqui. A seguir os meus dez favoritos, do décimo até o que mais gosto (e foi difícil decidir a ordem do pódio):
| #10 "Duna" de Denis Villenneuve |
| 09 "O Último Duelo" de Ridley Scott |
| #06 "Licorice Pizza" de Paul Thomas Anderson |
| #03 "Flee" de Jonas Poher Rasmussen |
| #01 "Belfast" de Kenneth Brannagh |
PL►Y: Encontros
PL►Y: A Mão de Deus
Ganhador do Leão de Prata no Festival de Veneza deste ano e indicado ao Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro, o italiano A Mão de Deus ambiciona uma vaga nesta mesma categoria no Oscar que se aproxima. Lançado aqui pela Netflix o filme chama atenção para quem conhece os filmes anteriores de Paolo Sorrentino, o oscarizado A Grande Beleza (2013) e A Juventude (2015) - este seu primeiro filme em língua inglesa - mas tem pouca relação com estes dois. O filme marca o retorno do cineasta à sua cidade natal, Nápoles, local em que não filmava desde a sua estreia em 2001 e ainda carrega a expectativa de trazer vários pontos inspirado em sua própria vida. No entanto é melhor calibrar as suas expectativas, já que o filme é bastante irregular em suas ambições. Mistura uma família "excêntrica", com futebol, a passagem para vida adulta, erotismo, uma tragédia pessoal numa verdadeira colagem de situações que não chega a ter uma cadência envolvente. Geralmente acusado de se preocupar mais com a forma do que o conteúdo dos seus filmes, aqui Sorrentino parece querer abraçar tudo o que a vida é capaz de proporcionar ao seu jovem protagonista, mas infelizmente deixa de lado a elegância que costuma estampar seus filmes. A trama é ambientada nos anos 1980 e gira em torno do adolescente Fabietto (Filippo Scotti que parece o irmão caçula do Timothée Chalamet), que vive com o pai, Saverio (Toni Servillo), a mãe (Teresa Saponangelo) e o irmão (Marlon Joubert) num apartamento em Nápoles. Enquanto o irmão sonha em ser ator, Fabietto quer ser filósofo e depois cineasta. O jovem é apaixonado por uma tia problemática (Luisa Ranieri) e por futebol, o que fica bastante evidente com a promessa da compra do craque Maradona para o seu time. Sorrentino tem o hábito de citar vários filmes italianos clássicos e aqui ele se utiliza de muitas referências de comédias familiares espalhafatosas, mas também apela para um forte teor de comédias picantes. Em alguns momentos fica difícil se equilibrar entre o bom senso e a vulgaridade principalmente nas cenas em que o filme apela para a exposição física da tia do rapaz e também na primeira experiência sexual do menino. O gosto duvidoso também aparece em algumas cenas de humor, como os comentários quando a tia obesa vai mergulhar ou do convidado que precisa de um aparelho para conseguir conversar (e o que acontece com ele é no mínimo lamentável). O título faz uma alusão ao histórico gol de Maradona contra a Inglaterra, mas também a um fato que muda a vida do protagonista para sempre. Quando o filme faz sua guinada dramática, ele parece ficar ainda mais disperso, dependendo muito da habilidade do diretor para construir suas cenas com auxílio de uma belíssima fotografia. Entre tantos tipos caricatos que cercam o rapaz, o meu personagem favorito acabou sendo o Marchino, o irmão mais velho de Fabietto. Indo contra o tom que na maioria das vezes soa tão postiço, o ator Marlon Joubert tem uma discreta e importante participação como um território seguro para as inseguranças do seu irmão, pena que a bela relação dos dois é pouco explorada. Quando chega ao final, A Mão de Deus se revela uma verdadeira colagem de ideias variadas (ou seriam memórias?), mas faltou uma forma mais sutil de costurá-las. Em cartaz na Netflix, o filme também conta com um pequeno documentário de Sorrentino falando um pouco sobre seu retorno à Nápoles e alguns pontos de inspiração, mas não melhora em nada a minha frustração com este filme.
A Mão de Deus (È Estata la mano di Dio/Itália - 2021) de Paolo Sorrentino com Filippo Scotti, Toni Servillo, Teresa Saponangelo, Marlon Joubert, Luisa Ranieri, Renato Carpentieri, Massimiliano Gallo e Betty Pedrazzi. ☻☻
domingo, 19 de dezembro de 2021
Na Tela: Homem-Aranha Sem Volta Para Casa
Falar de Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa e atender ao pedido de Tom Holland de não divulgar SPOILERS é um grande desafio, mas eu vou tentar em respeito aos espectadores que tem o mesmo direito de vivenciar a mesma experiência na sala escura. Vou começar ressaltando o que se tornou um verdadeiro lugar-comum na era Tom Holland na pele do herói aracnídeo, afinal, quem conhece o personagem nos quadrinhos ou nos filmes anteriores, sempre percebeu que havia uma série de questões que a Marvel parecia ter alterado para enquadrar Peter Parker no seu MCU. Dentro do universo dos Vingadores (2011) o personagem se tornou praticamente um Aranha de Ferro diante de toda a tecnologia que foi incorporada ao seu uniforme, o que teve um verdadeiro efeito colateral de o tornar muito dependente do Sr. Stark para se livrar dos problemas que enfrentou até aqui em seus últimos filmes solo - vale ressaltar que a maioria dos problemas foram criados por ele mesmo e aqui não é diferente. Como todo mundo já viu no trailer, a coisa ficou complicada quando Mystério (Jake Gyllenhaal) acusou o Homem-Aranha de assassiná-lo e que Peter Parker é a verdadeira identidade do herói. Daí em diante, a vida do mocinho virou um inferno. Com a mídia contra ele e parte da sociedade considerando que Mystério era o verdadeiro herói da história, a situação fica complicada e o diretor Jon Watts não poderia continuar na comodidade do clima de filmes adolescentes como antes, afinal, era o anúncio do que todos esperavam desde que esta nova versão chegou às telas: ver o Spider-boy amadurecer e virar Spider-Man. Para isso o filme parte de mais um erro de Peter: solicitar (e atrapalhar) Doutor Estranho (Benedict Cumberbatch) a fazer um feitiço que faça todos esquecerem que ele é o Homem-Aranha. Bem, na verdade ele quer que a MJ (Zendaya) continue sabendo, e a tia May (Marisa Tomei) também e o Happy (Jon Favreau) e... feitiço estragado, o mundo começa a ter que lidar com vilões vindos de universos diferentes, ou melhor de fases diferentes do herói nos cinemas. Assim, Doutor Octopus (Alfred Molina), Duende Verde (Willem Dafoe), Lagarto (Rhys Ifans), Homem-Areia (Thomas Hayden Church) e Electro (Jamie Foxx em versão repaginada de sua versão anteriormente idiotizada nos cinemas) estão de volta diante de um Peter Parker completamente desconhecido. Sendo assim, Parker também não sabe do que estes vilões são capazes, mas resolve ajuda-los a superar seus problemas metendo os pés pelas mãos mais uma vez. A graça do filme é justamente tentar dar segmento à trajetória destes vilões dentro das franquias que participaram, bem, é mais do que isso: é dar segmento às franquias das quais participaram. Afinal, todo mundo sabe que a primeira trilogia de Tobey Maguire terminou com um filme ruim e o quarto filme foi cancelado depois que diretores e elenco brigaram com a Sony. No entanto, o primeiro Homem-Aranha é lembrado com muito carinho por todos os fãs. Já os filmes de Andrew Garfield terminaram justamente quando ele perdia sua amada Gwen Stacy num filme lamentável. O que Sem Volta Para Casa faz de melhor é evitar que Tom Holland também fique pelo meio do caminho com todas as críticas que sua trilogia recebeu e, para isso, o estúdio ouviu os fãs e até exagera nos fan services que vemos na tela (calma, só acho que aquela primeira cena pós-créditos não precisava, embora parte do cinema tenha ido ao delírio). Não sei se era marketing, mas Holland antes da estreia do filme dizia que era a vez de ter um Homem-Aranha de outra etnia nas telas, depois disse que queria dar um tempo na carreira de ator por fazer isso desde os onze anos de idade (só que ao mesmo tempo era noticiado que viverá Fred Astaire numa cinebiografia), mas a Sony já falou do interesse de fazer uma nova trilogia com o garoto, especialmente com o desfecho cheio de possibilidades deste aqui. No fim das contas, o filme promove uma verdadeira celebração aos fãs de diferentes gerações e, ainda que sutilmente, utiliza as diferenças entre elas para construir o roteiro cheio de nostalgia (que se amplia nos tempos sinistros que vivemos). Criado para ser acelerado, inquieto, ligado em tecnologia como o público a que se destinava, faltava aquele momento em que o Peter de Holland finalmente deveria deixar a ficha cair e ver que "grandes poderes trazem grandes responsabilidade" e que, por vezes, a consequência dos seus atos podem ser irreversíveis (e ouvir a voz da experiência faz a diferença). Melhor parar por aqui antes que eu fale mais do que devia... o fato é que com o sucesso astronômico do filme, este Homem-Aranha ainda crescerá muito diante dos nossos olhos. Até ter dor nas costas? Talvez...
Homem-Aranha: Sem Volta para Casa (Spider-Man: No Way Home - EUA/2021) de Jon Watts com Tom Holland, Zendaya, Marisa Tomei, Benedict Cumberbatch, Willem Dafoe, Alfred Molina, Jamie Foxx, Charlie Cox e Jon Favreau. ☻☻☻☻
sexta-feira, 17 de dezembro de 2021
PL►Y: Imperdoável
sábado, 11 de dezembro de 2021
FILMED+: Lamb
10+ Apostas Para o Oscar 2022 (Parte II - Final)
Peço desculpas por não ter postado esta segunda parte conforme prometi no mês de novembro, a postagem acabou ficando inacabada até esta semana e precisei até fazer algumas reformulações já que alguns candidatos da Netflix ao Oscar já foram comentados por aqui - sim, Tick Tick Boom e Identidade possuem chances reais de cravar indicações junto à Academia. Outro que também estreou por aqui e está cada vez mais forte é Duna, que deve transcender as categorias técnicas. Mas nem tudo é festa, três estrelas oscarizadas que ambicionavam ser indicadas novamente, Jennifer Hudson (Respect), Sandra Bullock (Imperdoável) e Halle Berry (Ferida) devem ficar de fora dos prêmios de melhor atriz neste ano por conta de seus filmes bastante criticados, além de Wes Anderson também, já que seu aguardado A Crônica Francesa não emplacou. Abaixo seguem dez filmes que continuam na corrida por uma estatueta dourada: