Cinco filmes assistidos no mês que merecem destaque:
domingo, 31 de julho de 2022
PL►Y: Em Família
PL►Y: Persuasão
PL►Y: A Professora do Jardim de Infância
Assistindo à interpretação de Maggie Gyllenhaal em A Professora do Jardim de Infância, eu só lembrava de sua estreia na direção com A Filha Perdida (2021). Se no antológico Secretária (2002) a atriz de rosto meigo já demonstrava sua atração por personagens complexos em seus trabalhos como atriz (o que deixa o contraste ainda mais interessante), com sua estreia atrás das câmeras, demonstrou também extrema habilidade narrativa emoldurando este tipo de protagonista (tanto que foi indicada ao Oscar pelo roteiro adaptado do livro de Helena Ferrante). Caso o roteiro caísse nas mãos dela hoje em dia, provavelmente a Maggie iria tentar fazer deste seu novo projeto na direção. Desculpe se daqui em diante possa aparecer alguns SPOILERS. Não sei se é apenas na minha cabeça, mas enxergo um bocado de semelhanças entre os dois filmes. A primeira delas é que ambas tratam de professoras. A segunda é que ambas estão visivelmente insatisfeitas. A terceira é que a relação que possuem com os filhos vai de mal a pior. A quarta é que eu não ficaria surpreso se a personagem de Olivia Colman fizesse exatamente o que a de Maggie neste aqui se tivesse a chance - e existem semelhanças nos desdobramentos reservados ao roteiro sobre o "sequestro" de algo importante. Vamos à história: Lisa Spinelli (Maggie Gyllenhaal) é a professora do título que parece ter deixado de achar graça no trabalho. A vida em família também não anda muito empolgante. Por debaixo de toda a rotina, percebe-se que existia uma mulher com grandes ambições literárias que foram silenciadas ao longo do tempo e das obrigações que ele trouxe. Sua vida recebe uma luz diferente quando ela descobre em sua sala um menino de cinco anos capaz de fazer poesias espontaneamente. Lisa fica fascinada com a forma como o garotinho diz seus pensamentos de forma poética e tenta contar com a ajuda da babá dele para descobrir outras preciosidades que ele possa recitar ao longo do dia. Jimmy (Parker Sevak) é um menino comum, que não recebe muita atenção da família, mas que aos poucos Lisa começa a construir uma verdadeira obsessão. Admiradora das criações do menino, ela começa a ter atitudes cada vez mais radicais em nome do talento que enxerga nele, mesmo que isso possa custar tudo o que construiu até ali. A diretora Sara Colangelo utiliza o encontro destes dois personagens em fases de vida completamente diferentes em suas vidas para que a professora comece a entrar em conflito com o que construiu em sua vida e os desejos que tinha para si. Diante das suas atitudes cada vez mais desesperadas existe um tanto de fazer o que se pode para preservar o talento do menino, mas também um tanto de medo de cair no abismo que ela mesmo construiu para si perante o pragmatismo da vida adulta. A Professora do Jardim de Infância é um destes filmes aparentemente simples que se torna mais interessante quando notamos o que está em suas entrelinhas, e estas são escritas com maestria por Maggie em um dos melhores trabalhos de sua carreira de atriz.
A Professora do Jardim de Infância (The Kindergarten Teacher/ EUA - 2018) de Sara Colangelo com Maggie Gyllenhaal, Gael Garcia Bernal, Michael Chernus, Parker Sevak e Sam Jules. ☻☻☻☻
sábado, 30 de julho de 2022
4EVER: Nichelle Nichols
Na Tela: Elvis
PL►Y: Psychobitch
Uma das sensações mais deliciosas do universo (e sempre que escrevo isso, penso em fazer uma lista prosaica listando as dez mais na minha humilde opinião) é você encontrar um filme do qual você nunca ouviu falar, assistir e perceber que ele é um verdadeiro tesouro. Tive esta sensação esta semana com Psychobitch, dramédia romântica adolescente norueguesa que estava prestes a sair da MUBI - o que me fez correr para assistir na minha lista. O filme se passa quase o tempo todo dentro de uma escola em meio às situações mais corriqueiras da adolescência. A trama gira em torno do garoto exemplar Marius (Jonas Tidemann), que tem ótimo comportamento, tem boas notas, é esportista e precisa lidar com seu total oposto: Frida (Elli Rhiannon Müller Osborne), uma garota instável com fama de temperamental, irresponsável e um tanto doidinha (pois é, o título do filme é em sua homenagem). Eis que um professor resolve juntar os dois para fazerem um trabalho (e com isso melhorar as notas da menina) e, os dois começam a se estranhar até que começam a perceber que os sentimentos que começam a nascer entre ambos podem ser bastante transformadores para ambos. Este é o terceiro filme do diretor Martin Lund que demonstra aqui o quanto é esperto para saber que o melhor do cinema é compor uma cena e não ficar descrevendo para o espectador o que se vê na tela. Aqui os personagens não precisam ficar ressaltando oralmente as suas características para nos fazer entender o que se passa na cabeça de cada um deles (e estamos falando de adolescentes, o que torna tudo ainda mais complicado). Desde o início sabemos que Marius é um bom moço, assim como percebemos que existe um bocado de dor e ação defensiva no comportamento de Frida (que tem sua cota de fantasmas para exorcizar). O mais legal é a forma como o laço entre o jovem casal de fortalece e mexe um bocado com a estrutura das relações que os cercam, seja com os pais, com os colegas, com a pretendente que nunca sabe direito o que quer fazer... o fato é que Lund parece manjar bem sobre este universo e faz com que o filme cresça com as inseguranças de seus personagens, os medos, as pretensões e os conflitos com aquele momento em que você se vê diante da escolha de deixar de ser o que os outros esperam de você e ser o que você deseja. Psychobitch pode até ser previsível, mas é conduzido de forma impecável e bastante sensível sobre as dores da adolescência e os amores que serão eternos enquanto durem. É precisa ressaltar a importância da trilha sonora e o trabalho dos jovens atores no resultado final. Elli consegue nos fazer simpatizar gradativamente com sua personagem conforme o roteiro lhe oferece novas camadas, assim como Marius que por vezes tem algumas atitudes questionáveis em nome de uma reputação que nem ele sabe se quer continuar mantendo. Uma verdadeira pérola que se tornará um clássico juvenil europeu no meu calejado imaginário cinéfilo.
Psycobitch (Noruega/2019) de Martin Lund com Jonas Tidemann, Elli Rhiannon Müller Osborne, Saara Sipila-Kristoffersen, Bethina Nærby e Eilov Gravdal. ☻☻☻☻
PL►Y: Eduardo e Mônica
Eduardo e Mônica é um clássico do rock nacional, além disso é uma das músicas mais populares (e fofas) da Legião Urbana. Aquele tipo de música que conta a história de personagens, mas que ao invés de toda a densidade da famosa Faroeste Caboclo (que virou filme em 2013 pelas mãos de René Sampaio), aqui a sensação é de leveza, descontração e alegria proporcionada pelo encontro com sua alma gêmea - ainda que por vezes, pareça que são diferentes demais para dar certo. Existe uma simpatia tão grande pela música que é como se aqueles personagens fossem velhos conhecidos que, sempre que ouvimos a música, lembramos que existem e a história de ambos se passa na nossa cabeça feito um filme. Levar uma história destas ao cinema era uma ideia que já parecia ter metade do apelo perante o público garantido. A outra metade ficaria por conta da capacidade do cineasta e a equipe honrarem o legado da canção em tom leve e despretensioso. No entanto, mais uma vez, tenho a sensação que René Sampaio escuta outras versões das músicas da Legião quando resolve fazer um filme sobre elas. No caso, a versão que ele ouviu de Eduardo e Mônica deveria ser um LP arranhado que e sem a parte final da faixa. Se tenho minhas reclamações sobre o filme de Faroeste Caboclo, aqui elas são maiores ainda. Em Faroeste pelo menos havia a proximidade com a atmosfera da composição de Renato Russo, aqui, ele filma o que poderia ser uma despretensiosa comédia romântica como se fosse criar um drama denso baseado em Pais e Filhos. Não combina. Pouca coisa combina para falar a verdade. Os anos 1980 parecem presentes somente na trilha sonora de hits daquele época (embora misture punks ouvindo B52's), tem muita festa estranha com gente (não tão) esquisita (este deve ser o trecho favorito do diretor sobre a história do casal). Ele também lembrou que Eduardo jogava futebol de botão com seu avô, mas desperdiça todas as chances de diálogos e assuntos que a canção oferece para as conversas entre os dois. Chega a dar raiva como as preferências de ambos é simplesmente jogada no meio das conversas até que eles comecem um romance que não ata, desata ou empolga. O Gabriel Leone está bem como Eduardo e o torna convincente com o que o roteiro capenga lhe oferece. O maior problema está na escalação de Alice Braga para viver a Mônica. Desde que soube de sua escolha achei algo bastante problemático. Todo mundo sabe que ela a personagem é mais velha que sua cara metade, mas Alice já está beirando os quarenta e está longe de ter a leveza que a personagem pediria para convencer ao lado de um garoto que "tinha dezesseis". Na sua concepção, a Mônica é uma chata prestes a ficar velha e sozinha. Assim, a diferença entre os dois aparece principalmente porque ela e Gabriel estão em filmes diferentes que teimam em se misturar por alguma magia estranha da montagem final. Difícil convencer que os dois são caras metades destinadas a passar a vida juntos, acho que nem um, nem outro são apaixonados para isso. Para completar a estranha sensação que o filme oferece, no final surge todo o elenco cantando a música com uma animação que ficou fora de todas as cenas do filme. Sendo mais denso do que precisava (ele começa com cinzas de alguém sendo jogadas ao vento e termina com o clássico verso "quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração" exposta de forma, digamos... "tão criativa"), a pretensão pesou sobre o projeto. Prefiro botar meu LP (anos oitenta, tá pessoal) e ouvir a música fazendo o filme na minha cabeça. É muito mais divertido.
Eduardo e Mônica (Brasil - 2022) de René Sampaio com Gabriel Leone, Alice Braga, Juliana Carneiro da Cunha, Otávio Augusto e Victor Lamoglia. ☻☻
domingo, 24 de julho de 2022
Pódio: Michelle Yeoh
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| Bronze: A Sogra Milionária. |
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| Prata. A Guerreira Destemida. |
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| Ouro: A Mulher no Multiverso. |














