segunda-feira, 18 de janeiro de 2021
PL►Y: Você não Estava Aqui
PL►Y: O Caminho de Volta
domingo, 17 de janeiro de 2021
#FDS: A Trincheira Infinita
sábado, 16 de janeiro de 2021
#FDS Latinos para o Oscar: O Agente Duplo
sexta-feira, 15 de janeiro de 2021
#FDS Latinos para o Oscar: Ya No Estoy Aquí
Neste primeiro #FimDeSemana do ano irei postar comentários sobre três filmes latinos que concorrem a uma vaga na categoria de Filme Internacional no próximo Oscar. Lembrando, como sempre, que 2020 foi um ano bastante atípico para o cinema e a maioria dos países preferiram guardar suas produções para reabertura das salas, mas alguns optaram por vender para serviços de streaming e ganhar algum espaço perante o público. Vale lembrar que 93 países se inscreveram para a categoria da próxima edição (e obviamente que já existem favoritos). O de hoje foi selecionado para representar o México e está em cartaz na Netflix desde maio do ano passado. Ya no Estoy Aquí conta a história de Ulisses (Juan Daniel Garcia Treviño) tem dezessete ano e torna-se líder de um grupo de adolescentes periféricos da cidade de Monterrey, localizada no nordeste mexicano. O grupo de Ulisses se chama Los Terkos e a identidade do grupo é demarcada pelas roupas, pelo corte de cabelo e um estilo construído como um verdadeiro conceito baseado no ritmo musical da cumbia. No entanto, existe uma rivalidade agressiva entre os grupos e os amigos de Ulisses acabam vítimas de uma situação que faz com que o rapaz fuja ilegalmente para os Estados Unidos. Lá sua rotina é outra e percebemos aos poucos sua luta para manter a identidade em outro país e a dificuldade em lidar com este outro universo. Esta mudança insere novas camadas na história conduzida de forma quase documental pelo cineasta e roteirista Fernando Frias que mergulha nos conflitos destes dois mundos. Embora tenha bons momentos e seja impregnado de uma valorização cultural e identitária da periferia mexicana, o filme precisava ser melhor lapidado. Tem algumas cenas que são difíceis de engolir (a cena das mortes é tão tosca que parece de mentira), além disso o protagonista é de uma apatia pouco envolvente a maior parte do tempo. Com câmera estática e atuações que parecem improvisadas, o filme deixa a impressão que o tema renderia um ótimo documentário. O que salva o filme é o uso da sonoridade, das cores e a sua parte final, que consegue fechar toda a trama com o tom certo de melancolia para que fique remoendo em nossa mente por algum tempo. O México tem uma história bastante curiosa com o Oscar, já que três de seus mais conhecidos diretores já foram premiados como diretores, Alejandro González Iñárritu tem duas estatuetas de melhor diretor (por Birdman/2014 e O Regresso/2015), Alfonso Cuarón também tem duas (por Gravidade/2013 e Roma/2018) e Guillermo Del Toro tem uma (por A Forma da Água/2017), mas das oito vezes em que o país foi indicado na categoria de Filme Estrangeiro só levou mesmo por Roma - que também foi produzido pela Netflix. Ya no Estoy Aquí não é apontado como favorito para ter uma vaga na disputa, mas pode até surpreender caso os votantes queiram fugir da mesmice.
Ya No Estoy Aquí (México/EUA - 2019) de Fernando Frias com Juan Daniel Garcia Treviño, Yesica Silva, Xueming Angelina Chen e Sophia Metcalf. ☻☻
quinta-feira, 14 de janeiro de 2021
PL►Y: Seberg Contra Todos
quarta-feira, 13 de janeiro de 2021
PL►Y: The Souvenir
segunda-feira, 11 de janeiro de 2021
PL►Y: Ninguém Brinca com Jesus Quintana
É engraçado como O Grande Lebowski (1998) dos irmãos Coen não foi um grande sucesso em sua época de lançamento, mas com o passar do tempo se tornou uma das obras mais populares dos manos (graças as reprises dos canais por assinatura e os comentários positivos que atravessaram décadas). Boa parte da graça do filme está no grupo de personagens interessantes (e hilários) que gravitam em torno do protagonista vivido por Jeff Bridges. Entre eles está Jesus Quintana (John Turturro), craque do boliche e dono de uma aura pervertida que o precede. Como se aquela roupa lilás, a arrogância e a sensualidade brega não bastassem, ele ainda tem aquele hábito bizarro de lamber a bola de boliche com a ponta da língua antes de lança-la. É uma destas criaturas tão estranhas que você já imagina querer conhecer mais sobre ela e, desde então, o ator John Turturro insistia em reviver o personagem em um spin-off. Como os irmãos Coen não estavam interessados em retomar este universo, depois de muito tempo eles resolveram autorizar o amigo a fazer o longa que tanto queria. Vai entender o motivo de Turturro usar o personagem para refilmar Corações Loucos (1974) uma comédia francesa de Bertrand Blier bastante antiquada para os dias atuais. A ideia reduz as referências ao cultuado filme em que conhecemos Jesus Quintana e temos que nos contentar com uma história que caminha não se sabe para onde em tom de comédia sexual sem graça inserindo personagens como uma prostituta experiente (Sonia Braga), uma cabeleireira que não consegue ter orgasmos (Audrey Tautou) e uma ex-presidiária que está louca para fazer sexo (Susan Sarandon). Houvesse um roteiro bem amarrado que reunisse estas personagens não haveria problema, mas ele inexiste. O filme começa com Jesus Quintana deixando a prisão após um ato indecoroso diante de uma criança, ele logo reencontra seu parceiro Petey (Bobby Cannavale) e nem o roteiro sabe explicar direito o tipo de relação que existe entre os dois. Eles começam a se meter em confusões, aplicar pequenos golpes e a relação de Jesus com o boliche é reduzida à uma cena e um comentário. É só isso. O filme é desengonçado e não tem muita graça, padecendo por se render a um texto que envelheceu mal. Apesar de ser mais conhecido como ator, Turturro já dirigiu oito filmes (o meu favorito é Amante a Domicílio/2014, este sim um filme que sabia explorar tabus sobre sexualidade) e parecia que o Quintana estava em boas mãos. Um grande engano. Desperdiçando um bom elenco, Turturro trai o personagem e faz justamente o que o título em português tenta negar (mas o resultado é uma daquelas obras que você assiste e deseja apenas esquecer).
Ninguém Brinca com Jesus Quintana (The Jesus Rolls / EUA - 2019) de John Turturro com John Turturro, Bobby Cannavale, Audrey Tautou, Susan Sarandon, Jon Hamm, Pete Davidson, Christopher Walken e Tim Blake Nelson. ☻
PL►Y: A Assistente
Jane (Julia Garner) é a assistente de um grande executivo há cinco semanas. Ela costuma fazer de tudo, tirar cópias, organizar a agenda do chefe, pedir sanduíches para os colegas de trabalho, atende telefone, agenda viagens, entregas de malotes, prepara café, organiza a mesa do chefe, responde e-mails, escuta desaforos ao telefone... para dar conta do trabalho, chega ao escritório antes de todo mundo (antes do sol aparecer) e sai por último. Ela também costuma trabalhar no escritório nos fins de semana e esperançosa das possibilidades que aquele emprego pode lhe trazer, pode se perceber que ela faz mais do que o necessário para ter seu trabalho reconhecido - embora receba mais indiferença e reclamações do que algum reconhecimento. Quando o reconhecimento parece surgir, ele é bem menos convincente do que um elogio protocolar. Esta rotina massacrante de um ambiente de trabalho é a matéria-prima do primeiro longa de ficção da diretora Kitty Green, que filma um dia de Jane com o mesmo estilo impresso em seus trabalhos em documentários (ela que dirigiu o chocante Quem é JonBenet/2017 no catálogo da Netflix), sendo assim, muito do envolvimento que o espectador possui com o filme é devido ao bom trabalho de Julia Garner no papel principal. A postura e a expressão da atriz deixam claro como aquele ambiente é torturante, embora pareça aceitar resignada tudo o que acontece ao seu redor. Existe um bocado de situações ofensivas e abusivas em torno da personagem, dos colegas que pedem sua atenção lhe jogando bolinhas de papel, a exclusão das conversas, as intromissões em seu trabalho, as reclamações, tudo ajuda a compor um cenário um tanto desolador, mas Jane se incomoda mesmo é com a chegada de um nova assistente - que a fará repensar se vale a pena continuar calada. O roteiro de Kitty Green é um primor de sutilezas, o que pode construir um retrato tenso e realista da situação abordada, mas também entediar um bocado o espectador que aguarda uma reação mais enérgica da protagonista diante daquele universo, no entanto, a intenção da diretora é outro ao terminar deixando claro que aquele ciclo pode permanecer por tempo indeterminado. Ainda que sua cadência possa gerar estranhamento, A Assistente é uma construção interessante e deve aparecer em algumas premiações indies, embora não tenha fôlego para chegar ao Oscar como muitos alardearam, mas vale conferir o filme no catálogo do Prime Video. Vale destacar que para além de seu trabalho na série Ozark (que lhe rendeu dois Emmys de atriz coadjuvante nos últimos anos), Julia Garner deve receber cada vez mais destaque em produções no cinema. Atuando desde 2010, quando tinha quinze anos de idade, ela continua sendo uma das mais expressivas de sua geração. Ainda com aparência de adolescente ela prova aqui que consegue carregar um filme nas costas com força e desenvoltura sem precisar falar muito em cena.
A Assistente (The Assistant/EUA-2020) de Kitty Green com Julia Garner, Owen Holland, Jon Orsini, Rory Kulz, Noah Robbins e Clara Wong. ☻☻☻







