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sexta-feira, 27 de julho de 2018

10+ Ilha dos atores de Wes Anderson

Wes Anderson
Wesley Wales Anderson nasceu em Houston no Texas em 1969. Filho de uma arqueologista e um publicitário,Wes viu o casal se divorciar ainda pequeno - e o fato influenciou bastante o seu cinema (que começou a tomar forma quando ainda fazia filmes em Super-8 no fundo do quintal). Anderson estreou no cinema profissional aos 35 anos, com o curta Bottle Rocket (1994), que transformou em longa-metragem em 1996. Em sua estreia ele já demonstrava sinais de seu estilo bastante próprio de contar histórias, começando ali a juntar seu grupo de atores favoritos. Na verdade, uma patota cinematográfica que conta com mais de dez atores que fazem parte do seu casting habitual. Esta lista é para lembrar dez artistas que são os mais frequentes nos filmes do cineasta - e que devem aparecer em muitos outros em breve. Para fazer a lista seu desenvolvi um critério de pontuação que acabou deixando de fora da lista Jeff Goldblum e Harvey Keitel, cada um deles com três filmes ao lado do diretor e sempre como coadjuvantes. Houve distribuição de pontos separados por longas, curtas e demais contribuições com o diretor

#10 Willem Daffoe 
A Vida Marinha de Steve Sizou / Fanstástico Sr. Raposo / O Grande Hotel Budapeste
O ator veterano já tem trinta e oito anos de carreira, mas somente três trabalhos com o diretor. A parceria começou em A Vida Marinha de Steve Sizou/2004, prosseguiu sendo a voz do único vilão animal de O Fantástico Sr. Raposo/2009 e depois ainda recebeu destaque como o capanga silencioso de O Grande Hotel Budapeste/2014. Foram três coadjuvantes bastante expressivos no universo do cineasta. 

#09 Tilda Swinton
Moonrise Kingdom / O Grande Hotel Budapeste / Ilha dos Cachorros
Atriz que adora transformações, a irlandesa Tilda Swinton impressionou como a octagenária amante de Ralph Fiennes de O Grande Hotel Budapeste, mas antes havia encarnado a vilanesca assistente social de Moonrise Kingdom/2012. A atriz pode ser vista, ou melhor, ouvida, como Oráculo, a cachorrinha que parece adivinhar o futuro na Ilha dos Cachorros/2018  - que é o  terceiro filme de Tilda com Wes. 

#08 Edward Norton
Moonrise Kingdom / O Grande Hotel Budapeste / Ilha de Cachorros
Famoso por seus papéis densos e personalidade forte, Ed andava em baixa até ser escalado para ser o tenso líder dos escoteiros em Moonrise Kingdom. Sua atuação foi tão elogiada que voltou ao universo do cineasta como o policial de O Grande Hotel Budapeste e, recentemente, empresta a voz para Rex, um dos cachorros protagonistas de Ilha dos Cachorros. Algo me diz que esta parceria vai longe...

#07 Bob Balaban
Moonrise Kingdom / O Grande Hotel Budapeste / Ilha dos Cachorros
A primeira parceria aconteceu em Moonrise Kingdom, onde o ator é o narrador da história. O trabalho funcionou tão bem que ele participou do curta de Wes inspirado no filme. Depois ele apareceu em O Grande Hotel Budapeste e recentemente na pele, digo, no pelo de King em Ilha dos Cachorros. Bob também pertence à outra patota, a do diretor Christopher Guest (reis dos mockumentaries).

#06 Adrien Brody
Viagem à Darjeeling / O Fantástico Sr. Raposo / O Grande Hotel Budapeste
O oscarizado ator já trabalhou com o diretor em três longas, sendo um dos protagonistas de Viagem à Darjeeling/2007 . Ele foi também o ratinho alfaiate de O Fantástico Sr. Raposo e o herdeiro mal intencionado de O Grande Hotel Budapeste. Meio esquecido em Hollywood, o ator também é o personagem principal do curta Come Together/2016 onde vive um fiscal de trem que precisa trabalhar no feriado de natal. 

#05 Luke Wilson
Pura Adrenalina / Rushmore / Os Excêntricos Tenenbaums
O ator texano alavancou sua carreira participando do curta Bottle Rocket/1994, primeira obra profissional do cineasta. Depois o diretor adaptou a história de dois irmãos que enveredam pelo mundo do crime para longa-metragem, lançado por aqui com o nome de Pura Adrenalina/1996. Luke ainda apareceu como o namorado inesperado de Rushmore/1998 e o apaixonado tenista Richie em Os Excêntricos Tenenbaums/2001. 

#04 Anjelica Huston 
Os Excêntricos Tenenbaums / A Vida Marinha com Steve Sizou / Viagem à Darjeeling
Diva nos anos 70, 80 e 90, Anjelica é a mãe cinematográfica do diretor. Ela foi  a atenciosa matriarca de Os Excêntricos Tenenbaums, a mãe descolada de Owen Wilson em A Vida Marinha com Steve Sizou e ainda encarnou a mãe em busca da espiritualidade (e perdida dos filhos) em Viagem à Darjeeling. Atualmente ela é a voz do poodle de Ilha dos Cachorros, sua quarta parceria com Wes. 

#03 Jason Schwartzman
Rushmore / Hotel Chevalier / O Fantástico Sr. Raposo
Membro da nova geração da família Coppola, Jason é um dos que mais trabalharam com o cineasta. O ator estreou nos cinemas aos dezoito anos como o inesquecível Max Fisher de Rushmore/1998. (filme que revelou os dois para o mundo). De lá para cá também fez Viagem à Darjeeling, O Fantástico Sr. Raposo, Moonrise Kingdom, O Grande Hotel Budapeste, além de estrelar três curtas (incluindo o cult Hotel Chevalier), um comercial e ajudar na escrita de dois filmes do amigo. Outro parceiro fiel de Wes na família Coppola é Roman Coppola, que prefere ficar só atrás das câmeras. 

#02 Owen Wilson
Pura Adrenalina / Os Excêntricos Tenenbaums / Viagem à Darjeeling
Parceiro de primeira hora do diretor, Owen já possui seis longas com o amigo conterranêo, além do  curta Bottle Rocket.  Ele participou de sua versão estendida, Pura Adrenalina.  Em ambos ajudou no roteiro, assim como em  Rushmore e Os Excêntricos Tenenbaums - onde os dois foram indicados ao Oscar de roteiro original (e Owen atuou neste como o escritor Eli Cash). Depois, o ator foi o filho perdido de A Vida Marinha com Steve Sizou, o irmão quebrado de Viagem à Darjeeling, o sobrinho de O Fantástico Sr. Raposo e fez uma ponta em O Grande Hotel Budapeste. Foram seis longas, um curta e quatro roteiros ao lado do amigo. 

#01 Bill Murray
Rushmore / Os Excêntricos Tenenbaums / A Vida Marinha com Steve Sizou
Como dá para perceber, Wes construiu uma grande rede de colaboradores em sua carreira, mas, para muitos, o veterano Bill Murray é seu ator favorito (e reza a lenda que o ator é bem difícil de trabalhar mais de uma vez com diretores, o que só aumenta o crédito do cineata). Bill trabalhou em Rushmore, Excêntricos Tenenbaums, A Vida Marinha com Steve Sizou, correu para entrar em Viagem à Darjeeling, (e não conseguiu), tem voz em Fantástico Sr. Raposo, aparece em Moonrise Kingdom, O Grande Hotel Budapeste e empresta a voz para Boss, um dos cães de Ilha dos Cachorros. Num total de oito filmes com o parceiro, ficando de fora somente do primeiro longa-metragem feito pelo seu cineasta favorito. 

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

FILMED+: Os Excêntricos Tenenbaums

Tenenbaums: o curioso olhar de Wes Anderson numa fábula urbana familiar.
Wes Anderson já havia mostrado inspiração na literatura infantil quando criou seus Tenenbaums, filme do ano 2001 que concorreu ao Oscar de roteiro original (escrito por Wes e o amigo ator Owen Wilson) - mas o filme merecia estar em pelo menos mais umas cinco categorias da premiação. Anderson já possuía outros dois filmes no currículo quando construiu o que muitos consideram sua obra-prima (antes fez seu Rushmore, que devo comentar mais tarde). O filme conta a história de uma família de gênios, tendo como matriarca Etheline Tenenbaum (Anjelica Houston, a musa de Wes) e o trambiqueiro Royal (Gene Hackman, em uma atuação saborosamente inspirada). Os dois possuem filhos, um empresário precoce chamado Chas (vivido por Ben Stiller na idade adulta, acho que Stiller tentou repetir o tom tragicômico em Greenberg e não conseguiu), um tenista promissor chamado Ritchie (vivido por Luke Wilson quando adulto) e a jovem dramaturga Margot (que quando adulta se torna Gwyneth Paltrow em atuação muito bem construída), filha adotiva do clã. Mas nada é convencional nessa trama, já que o roteiro se concentra no momento pós-genialidade, o ponto seguinte ao momento em que tudo sai dos trilhos para essa família e o que era promissor parece frustrante. Com o divórcio de Royal e Etheline somos apresentados, sem dramalhão, aos membros dessa família em seus amores e problemas com muito senso de humor e estilo. Outros personagens animam a sessão como o psicólogo casado com Margot (Bill Murray, o muso do diretor), o namorado de Etheline (vivido por Danny Glover), Eli Cash - o amigo de infância do trio de irmãos (Owen Wilson) - e o fiel escudeiro de Royal, Dusty (Seymour Cassel). Sem pressa e de forma episódica (afinal, as partes são apresentadas como parte de um livro infantil com desenhos e tudo o mais) descobrimos a paixão de Ritchie por Margot, o caso que esta mantêm com Eli (que sempre quis ser genial como seus amigos, ou pelo menos ser parte da família), o plano bobinho de Royal para voltar para a família (ao ponto de usar doces como remédio), a síndrome do pânico de Chas (que assim como seus filhos sempre veste um conjunto vermelho da Adidas) entre outros momentos levados curiosamente por Wes (já viram uma cena de suicídio ser tratada de forma cômica sem ser ofensiva? ou um acidente de avião em que só sobrevive o cachorro?). Wes cuida de toda a moldura em torno de seus personagens com o maior cuidado. Cada peça do cenário, cada roupa, cada música de sua exuberante trilha sonora só serve para reforçar os sentimentos de seus personagens. O melhor de toda a sessão é sentir o carinho com que Wes trata seus personagens transbordar da tela, muitos consideram seu estilo meio frio e travadão,  mas talvez por isso eu o considere tão interessante. Nos silêncios de seus personagens eu consigo depositar minhas sensações e fazer com que um filme que já é bom ser ainda melhor!
Os Excêntricos Tenenbaums (The Royal Tenenbaum's/EUA-2001) de Wes Anderson, com Gene Hackman, Anjelica Houston, Gwyneth Paltrow, Ben Stiller, Owen Wilson, Luke Wilson e Danny Glover. ☻☻☻☻☻

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Pódio: Gwyneth Paltrow

Bronze: a noiva desconfiada.

3º O Talentoso Ripley (1999) filha da atriz Blythe Danner e do produtor/diretor Bruce Paltrow, Gwyneth estava com todos os holofotes voltados para ela após o Oscar de melhor atriz (aquele mesmo roubado da Fernanda Montenegro e que virou peso de porta) quando apareceu na telona como Maggie - a namorada do milionário Dickie Greenleaf (Jude Law) que percebe ter algo de muito errado com o Tom Ripley (Matt Damon). Considero a performance aqui melhor do que a que lhe rendeu o Oscar por Shakespeare Apaixonado/1998 (que está fora da lista porque ela nunca me convenceu com aquele bigodinho). Passando de mulher apaixonada à iludida, desconfiada e incompreendida ela está muito competente no papel. 

Prata: a prodígio perdida. 
2º Os Excêntricos Tenenbaums (2001) Gwyneth já estava um tanto desanimada com a vida pós-Oscar, afinal, ninguém se torna a oscarizada mais jovem da categoria impunemente. Talvez por isso, ela tenha vivido Margot Tenenbaum com tanta desenvoltura. A menina prodígio que se torna uma menina complicada, casada com o terapeuta e apaixonada pelo irmão tem aquele estilo contido que Wes Anderson sabia imprimir tão bem aos seus personagens, a diferença é que Gwyneth imprime um calor à personagem que nunca está permitido de vir à tona. Com seu dedo de madeira e figurino que a tornou ícone fashion, Margot quase garantiu a medalha de ouro. Ainda lembro a decepção da atriz quando ela mesma anunciou o Oscar de roteiro original e viu os Tenenbaums perderem para Gosford Park. 

Ouro: a patricinha inglesa
1º Emma (1996) Sei que existe muito hate em torno de Gwyneth Paltrow, seja por sua empresa de produtos malucos, das pataquadas que ela diz em entrevista ou por conta da Fernandona mesmo, o fato é que houve um momento em que ela era uma jovem atriz promissora. O ponto de virada em sua carreira foi com esta adaptação do clássico de Jane Austen. Na pele da heroína imperfeita, Gwyneth personifica ao mesmo tempo a graça e a arrogância de uma personagem que domina com perfeição a casca de convenções sociais de seu tempo, mas que precisa descobrir sua própria leitura do mundo que a cerca. Embora muitos a achem sem sal, Gwyneth tinha 23 anos durante as filmagens e empresta muito de seus sonhos e ambições à Emma.  

sábado, 12 de julho de 2014

CATÁLOGO: A Vida Marinha com Steve Zissou

Zissou (Murray): o pior de Wes Anderson. 

Quem acompanha o blog sabe que sou fã do trabalho de Wes Anderson desde que assisti a Os Excêntricos Tenenbaums (2001), seu terceiro filme, que o retirou do gueto do circuito independente. Depois da indicação ao Oscar pelo roteiro original de Tenenbaums (ao lado do amigo Owen Wilson), Anderson gerava uma expectativa absurda para seu novo filme. Esse deve ser o meu maior problema com A Vida Marinha com Steve Zissou. Antes que o filme fosse lançado, assisti Três é Demais (1998) - o segundo filme do diretor - e a expectativa cresceu ainda mais. Some isso aos atores que pertencem à patota de Wes que estava no elenco (Bill Murray, Owen Wilson e Anjelica Huston) e os outros que se jutnaram (Willem Dafoe, Cate Blanchett, Jeff Goldblum e até Seu Jorge!) e você só poderia esperar pelo melhor de um diretor cada vez mais seguro do seu estilo. Quando assisti ao filme fiquei bastante decepcionado. Parecia uma colagem de assuntos dos outros filmes (principalmente em sua abordagem quase obsessiva sobre a figura paterna), só que sem a inspiração sentida neles. A trama gira em torno de Steve Zissou (Murray, muso do diretor), personagem inspirado no explorador marinho Jacques Custeau. Zissou é um cineasta que estuda o fundo do mar e parte na aventura de encontrar o raro Tubarão Jaguar,  uma busca que é quase uma vingança  - já que o tubarão é o responsável pela morte de seu melhor amigo. Zissou ainda vê nessa jornada a chance de revitalizar sua carreira, depois que sua última obra foi um fracasso. No meio do caminho precisa lidar com o assédio de uma jornalista grávida (Cate Blanchett) que quer acompanhar a expedição e de um filho (Owen Wilson) que até então não conhecia. Esses são os elementos do roteiro que se desenvolve conforme Zissou tenta acertar os ponteiros com sua carreira e com o filho ressentido que acaba de conhecer. Com relação à estética não há o que reclamar (repare nos cardumes feitos em stop motion ou a cena final onde todos estão num yellow submarine), mas... ainda que a tripulação de Zissou seja composta por tipos curiosos - que inclui Seu Jorge praticamente sem falas cantando versões em português das músicas de David Bowie (?!) - a história não decola. O humor não consegue encontrar o tom certo, assim como a atuação de Bill Murray que deveria parecer um "gênio incompreendido", mas encarna mais um personagem entediado com a vida. Ao final da sessão, tive a impressão que era um conjunto de ideias nonsense que não foram costuradas como deveriam. Visto hoje percebo que o filme talvez seja uma grande provocação do diretor. Afinal, parte da crítica o acusava de ser superficial na abordagem de suas tramas, abusar da simetria de seus enquadramentos, caricaturar personagens e artificializar situações, bem, se o diretor realmente fazia isso, aqui ele extrapola essas considerações, tornando tudo mais exagerado, mais artificial, mais distante do mundo real. Mesmo incompreendido, A Vida Marinha de Steve Zissou é uma declaração de amor de Wes à sua identidade como autor. O filme simplesmente esfrega na cara do espectador que seus filmes não tem a mínima pretensão de representarem o mundo real, mas um universo muito particular existente na mente do cineasta. Wes fez quase a mesma coisa com Viagem à Darjeeling (2007) para depois adaptar o aclamado O Fantástico Sr. Raposo (2009) - que foi Indicado ao prêmio de Melhor Animação pela Academia e fez às pazes do público e da crítica com Wes. Talvez Raposo tenha feito mais do que isso, fez o mundo perceber que a maneira como o diretor conduz seus filmes live action é bastante semelhante ao que associamos à estética dos desenhos. Em cartaz nos cinemas com o elogiado O Grande Hotel Budapeste (2014) que deve aparecer no Oscar, assim como ocorreu com o anterior (o nostálgico Moonrise Kingdom/2012), Wes Anderson é um desses sujeitos que basta uma cena para percebermos sua assinatura, mesmo que você não goste dela.  

A Vida Marinha com Steve Zissou (Life Aquatic with Steve Zissou/EUA-2004) de Wes Anderson com Bill Murray, Owen Wilson, Cate Blanchett, Willem Dafoe, Anjelica Huston e Seu Jorge. ☻☻

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

CENTØPÉDIA: FILMED+ (Parte I)

Nos cinco anos e sete meses do blog alguns dos meus filmes favoritos apareceram nos Filmes D+, aqueles longas que receberam a maior cotação por aqui. Muitos outros irão aparecer, mas os listados abaixo são os que compõem a primeira centena de filmes que considero obrigatórios:

(ordem alfabética)

A Árvore da Vida de Terrence Mallick
Adaptação de Spike Jonze
Adeus, Lenin! de Wolfgang Becker 
A Estrada  de John Hillcoat
Almas à Venda de Sophie Bartes
Amnésia de Christopher Nolan
Amor à flor da Pele  de Wong Kar-wai
A Origem de Christopher Nolan

Apenas o Fim de Matheus Souza
À Procura de Sugar Man  de Malik Bendjelloul
A Rosa Púrpura do Cairo  de Woody Allen
Asas da Liberdade  de Alan Parker
As Bicicletas de Belleville de  Sylvain Chomet
As Horas de Stephen Daldry
A Solidão dos Números Primos de Saverio Constanzo
A Viagem de Chihiro de Hayao Miyazaki
A Vida dos Outros de Florian Henckel von Donnersmarck
Batman - O Cavaleiro das Trevas  de Christopher Nolan

Beleza Americana de Sam Mendes
Bem Vindo à Casa de Bonecas de Todd Solondz
Birdman de Alejandro Gonzalez Iñárritu
Boogie Nights de Paul Thomas Anderson
Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças de Michel Gondry
Cabaret de Bob Fosse
Cidade dos Sonhos de David Lynch
Cisne Negro de Darren Aronofsky
Clube da Luta de David Fincher
Crepúsculo dos Deuses de Billy Wilder

Curtindo a Vida Adoidado de John Hughes
Desejo e Reparação de Joe Wright
Divertida Mente de Pete Docter 
Dogville / Manderlay de Lars Von Trier
Drive de Nicolas Winding Refn
Durval Discos de Anna Muylaert
Ed Wood de Tim Burton
Eleição de Alexander Payne
Encontros e Desencontros de Sofia Coppola
Entrevista com o Vampiro de Neil Jordan
Estômago de Marcos Jorge
Fargo de Joel & Ethan Coen
Ferrugem e Osso de Jacques Audiard
Festim Diabólico de Alfred Hitchcock
Fim de Caso de Neil Jordan 
Garota Sombria Caminha à Noite de Ana Lily Amirpour
Garotos Incríveis de Curtis Hanson
Gravidade de Alfonso Cuarón
Hedwig de John Cameron Mitchell
Jackie Brown de Quentin Tarantino
Janela da Alma de João Jardim e Walter Carvalho
Jogo de Cena de Eduardo Coutinho
Lavoura Arcaica de Luis Fernando Carvalho
Ligações Perigosas de Stephen Frears
Los Angeles - Cidade Proibida de Curtis Hanson
Magnólia de Paul Thomas Anderson
Minha Vida de Cachorro de Lasse Hallström


Moonrise Kingdom de Wes Anderson
Noivo Neurótico, Noiva Nervosa de Woody Allen
O Ano Mais Violento de J.C. Chandor
O Bebê de Rosemary de Roman Polanski
O Doce Amanhã de Atom Egoyam
O Escafandro e a Borboleta de Julian Schnabel
O Fabuloso Destino de Amélie Poulain de Jean Pierre Jeunet
O Impostor de Bart Layton
O Labirinto do Fauno de Guillermo Del Toro
Oldboy de Chan-wook Park
O Piano de Jane Campion
O Profeta de  Jacques Audiard
O Pianista de Roman Polanski
O Que Resta do Tempo de Elia Suleiman
Os 12 Macacos de Terry Gillian
O Sétimo Selo de Ingmar Bergman
Os Excêntricos Tenenbaums de Wes Anderson
O Show não Pode Parar de Bob Fosse
O Silêncio dos Inocentes de Jonathan Demme

Os Incompreendidos de François Truffaut
Os Incríveis  de Brad Bird
Os Matadores de Beto Brant
Os Suspeitos de Brian Singer
Pecados Íntimos de Todd Field
Perdidos na Noite de John Schlesinger
Persépolis de Marjane Strapi e Vincent Paronnaud
Prometheus de Ridley Scott
Que Horas Ela Volta? de Anna Muylaert
Quero Ser John Malkovich de Spike Jonze
Rede de Intrigas de Sidney Lumet
Réquiem para um Sonho de Darren Aronofsky
Rushmore de Wes Anderson
Sangue Negro de Paul Thomas Anderson
Sexy Beast de Johnatan Glazer
Star Wars: O Império Contra-Ataca de Irwin Kershner
Sweeney Todd  de Tim Burton 
Trainspotting  de Danny Boyle
Tootsie de Sidney Polack
Uma Relação Pornográfica  de Frédéric Fonteyne
Uma Vida Iluminada de Liev Schreiber
Um Dia de Cão de Sidney Lumet 
Um Dia Muito Especial de Ettore Scola
Um Grande Garoto de Chris Weitz e Paul Weitz
Um Sonho sem Limites de Gus Van Sant
Watchmen de Zack Snyder
Até os próximos 100 filmes D+ ! 

domingo, 28 de fevereiro de 2021

#FDS Robert Altman: Assassinato em Gosford Park

Os anfitriões e seus convidados: a parte de cima.

Sou daquelas pessoas que quando saem os indicados ao Oscar, procuro ver todos, especialmente na categoria de melhor filme. Confesso que às vezes alguns se perdem pelo caminho e outros eu não faço muita questão de assistir. Esta implicância boba foi o que fez com que eu demorasse uma eternidade para assistir Assassinato em Gosford Park de Robert Altman. Eu até comecei a vê-lo há alguns anos, mas confesso que dormi logo no início e nunca mais o retomei. Se me perguntarem o motivo de tanta bobagem eu diria que é a mistura de fatores: um professor que eu não gostava ter recomendado, aquela estética de filme inglês chato e o longa ter ganho o Oscar de roteiro original enquanto eu torcia para Os Excêntricos Tenenbaums do Wes Anderson (que concorria ao lado dos queridos Amnésia, O Fabuloso Destino de Amélie Poulain e o polêmico A Última Ceia). Neste mês encontrei com ele novamente em um destes finais de semana chuvosos e confesso que o azar de não ter visto o filme antes é todo meu, ou então, tentando ser otimista, não deixa de ser um pouco de sorte já que talvez não tivesse apreciado a obra como ela deveria em outros tempos. O fato é que Assassinato em Gosford Park é brilhante em sua proposta e bastante beneficiado pela direção precisa de Robert Altman em um dos seus melhores trabalhos. Se em outros tempos ele já apontou sua câmera para mundos bastante particulares como a guerra (M.A.S.H/1970), a música country (Nashville/1975) e até a indústria da moda (Prét-à-Porter/1994), aqui seu foco é sobre a aristocracia inglesa e seus empregados. Altman mais uma vez utiliza seu status de bom diretor para escalar um elenco impressionante com a nata do cinema inglês para encenar, uma fachada de pompa e elegância que esconde relações não tão bonitas assim, na mansão do lorde William McCordle (Michael Gambon) e sua esposa Sylvia McCordle (Kristin Scott-Thomas). Estamos aqui nos anos 1930 e os amigos irão comparecer à propriedade para um final de semana com jantares, momentos de caça e um bocado de tédio. Junto de todo os convidados chegam seus empregados, que ficarão na parte baixo da casa, sendo responsáveis para que tudo funcione corretamente. Os empregados passam a ser chamados pelo nome de seus patrões e tem seu lugar de importância entre o grupo medida pelo título de nobreza do patrão. O roteiro de Julian Fellowles (baseado numa ideia de Altman e do ator Bob Balaban) constrói então uma engrenagem de relacionamentos interessantíssima de dois mundos distintos, mas paralelos e que se cruzam em momentos bastante reveladores. São destes cruzamentos que nascem os grandes segredos do filme - e não me refiro ao assassinato que acontece quando já passa da metade de sua duração. Por trás daquele mundo de aparências existem histórias um tanto sórdidas sobre patrões e empregados, sejam estas de poder, de gênero, abuso ou afetividade. Existe aqui um humor tão refinado quanto cáustico e pedante  (geralmente transformados em um deleite por Maggie Smith - indicada ao Oscar de atriz coadjuvante). Entre segredos, traições, interesses e egos inflados, existem momentos mágicos como aquele momento ao som do piano ou aquele em que o espectador mais esperto descobre que a discreta governanta vivida por Helen Mirren (também indicada ao Oscar de atriz coadjuvante) construiu toda sua eficiência em antecipar as necessidades de quem se encontra na casa. A ideia é tão boa que Julian Fellowes investiu nela mais uma vez com tom diferente na cultuada série Dowton Abbey (2010-2015). Também lembrado nas categorias do Oscar de filme, direção, figurino e cenografia, a produção aborda as relações de seus personagens de forma tão minuciosa que não envelheceu com o passar do tempo, além de comprovar que Altman era um mestre quando o assunto era explorar vários personagens de um microcosmo e universaliza-lo num equilíbrio impressionante. Coisa de gênio.

Os empregados: a parte de baixo. 

Assassinato em Gosford Park (Gosford Park / EUA - Itália - Reino Unido / 2001) de Robert Altman com Kelly MacDonald, Maggie Smith, Michael Gambon, Clive Owen, Helen Mirren, Emily Watson, Kristin Scott Thomas, Eileen Atkins, Jeremy Northam, Bob Balaban, Tom Hollander, Ryan Phillipe, Richard E. Grant, Charles Dance, Camilla Rutherford, Sophie Thompson e Stephen Fry. ☻☻☻☻☻

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

INDICADOS AO OSCAR 2015: Melhor Diretor

ALEJANDRO GONZÁLEZ IÑÁRRITU (Birdman)
Desde que estreou no cinema concorrendo ao Oscar de Filme Estrangeiro com o antológico Amores Brutos (2000) que o mexicano caiu nas graças da Academia - 21 Gramas (foi indicado a melhor ator, atriz e ator coadjuvante), Babel (total de sete indicações, duas para Alejandro como produtor e diretor), Biutiful (Melhor Filme Estrangeiro e ator para Javier Barden) -, mas é com o humor negro de estilo inigualável de Birdman (e seus bastidores vertiginosos da fama) que o cineasta está mais perto da estatueta, ou melhor, das estatuetas, já que Alejandro concorre como diretor, roteirista e produtor do filme. Com cinco indicações no currículo, é a segunda vez que concorre ao Oscar de direção. Favorito na categoria, a pergunta é se a Academia irá premiar um latino após a consagração de Alfonso Cuarón no ano passado por Gravidade.  


RICHARD LINKLATER (Boyhood)
Lidar com gravações esporádicas ao longo de doze anos para acompanhar o crescimento de seu protagonista é uma tarefa árdua - e isso deve pesar nos votos a favor de Linklater. Por registrar as mudanças sutis na vida de seus personagens ao longo dos anos (e controlar os ânimos de quem desanimava no caminho, caso de sua própria filha Lorelei Linklater), o ator recebeu sua primeira indicação ao Oscar de direção (ele também concorre como roteirista e produtor do longa). Nem parece, mas Richard já possui 54 anos e mantem seu estilo indie - que já concorreu ao Oscar como roteirista por Antes da Meia-Noite (2013) e Antes do Por-do-Sol (2004).

WES ANDERSON (O Grande Hotel Budapeste)
Com estilo bastante peculiar, Wes Anderson entrou no páreo de melhor direção pela primeira vez depois de concorrer como roterista (Os Excêntricos Tenenbaums/2001 e Moonrise Kingdon/2012) e melhor animação (O Fantástico Senhor Raposo/2009). Anderson conta a história de um concierge conquistador num hotel luxuoso na fictícia República de Zubrowka durante o período delicado entre guerras na Europa. É a primeira vez que seu cinema incorpora elementos mais violentos e sombrios. Lançado no início de 2014, sua vitória no Globo de Ouro renovou seu fôlego na memória dos votantes, parece que finalmente entenderam sua forma de pensar e fazer cinema!


BENNETT MILLER (Foxcatcher)
Miller é um querido da Academia, sua primeira indicação foi em sua estreia com Capote (2005), depois viu Moneyball (2011) ser indicado a seis Oscars e deixá-lo de fora do páreo de diretor. Com Foxcatcher o prêmio de melhor direção em Cannes deu força para quando já o consideravam fora da disputa. Ótimo diretor de atores, Miller conta a história da desastrosa ligação entre o milionário Jon DuPont com os irmãos lutadores Mark e Dave Schultz com toda a atmosfera desoladora que merece. Ainda que não tenha muitos fãs, Miller já pode ser considerado um dos cineastas mais respeitados dos EUA.  


MORTEN TYLDUM (O Jogo da Imitação)
Se a Academia sentir falta da maneira mais tradicional de fazer cinema, o ganhador deve ser o norueguês que tem a árdua tarefa de manter sóbrio um filme que poderia descambar facilmente para apelação. É a primeira vez que o diretor realiza um longa em inglês e a Academia reconheceu seu trabalho sobre o importante trabalho do matemático Alan Turing em  decifrar o código de comunicação nazista durante a Segunda Guerra Mundial (e sua perseguição por ser homossexual). O Jogo da Imitação está no páreo de outras oito categorias - e mesmo que não ganhe, Tyldum tem o passaporte para Hollywood garantido (já está produzindo Pattern Recognition baseado na obra de William Gibson)


A ESQUECIDA: Ava Duvernay (Selma)
Apesar de algumas imprecisões históricas (como a de vários outros filmes "baseado em história real" que estão no páreo desse ano), o trabalho bastante digno e envolvente de Ava Duvernay ao abordar uma figura tão adorada como Martin Luther King merecia ser reconhecido. A diretora dribla alguns cacoetes da indústria para lidar com figuras histórias ilustres e consegue fazer um filme sobre a luta pelos direitos civis sem perder a dimensão humana de seu maior protagonista. Não por acaso sua indicação era dada como certa. A não indicação fez a Academia perder a chance de fazer história: ela seria a primeira diretora americana negra indicada à categoria. 

sábado, 11 de março de 2023

FILMED+: Fire of Love

 
Maurice e Katia: amor em lava quente. 

Posso dizer que tenho meu favorito na categoria de Melhor Documentário no Oscar deste ano, o melhor é que ele está disponível no Disney+,  o pior é o título que deram por aqui (Vulcões: a Tragédia de Katia e Maurice Krafft). Produzido pela National Geographic, a diretora Sara Dosa faz um trabalho fantástico com os inúmeros registros que o casal de Katia e Maurice para contar o interesse que os uniam: o estudo dos vulcões.  Embora tenham especialidades diferentes, os dois perceberam que seus estudos eram complementares para compreender aquela força da natureza e, sobretudo, serem capazes de entender suas erupções e evitar tragédias ao redor do mundo. O mais interessante é que a diretora consegue costurar o estudo de ambos com a cumplicidade que existia entre  os dois, especialmente quando se arriscavam cada vez mais para que houvesse maiores avanços em seus estudos (obviamente temperadas por curiosidade e um gosto pelo perigo, afinal, o que mais explicaria o dia em que Maurice resolveu navegar com um bote em um lago de ácido sulfúrico?). O casal se tornou bastante popular por seus estudos e o respeito por suas pesquisas cresceu tanto quando o tom mítico que pairava sobre eles. O filme ajuda a compreender um pouco mais a personalidade de ambos e os causos que existiam ao redor deles (como as especulações sobre a forma como se conheceram), mas o mais saboroso é o corte e a costura dos vídeos feitos pelo casal, que por vezes parecem saídos de um filme de Wes Anderson (em alguns momentos, o senso de humor das cenas são idênticos ao estilo do cineasta responsável por Os Excentricos Tenenbaums/2001), cenas  como os dois caminhando sobre os vulcões em roupas que parecem de astronautas ou  os momentos em que contemplam as explosões como se estivessem num parque de diversões (sob uma temperatura inimaginável) beiram o surreal. Além de explorar estes dois personagens históricos de forma bastante emocional, o filme ainda traz cenas tão belas quanto assustadoras. São espetáculos visuais marcados pela destruição, mas também pela transformação de nosso planeta. O uso de animações e da narração meiga de Miranda July ajudam a construir uma cadência irresistível para este registro biográfico de dois cientistas que pereceram fazendo o que mais gostavam. O último registro de ambos é um dos momentos mais tocantes (e assustadores) do filme. Não me surpreenderia se algum diretor já estiver pensando qual par de atores escalar para viver os dois em uma cinebiografia.  

Vulcões: A tragédia de Maurice e Katia Krafft (Fire of Love / EUA - Canadá / 2022) de Sara Dosa com Maurice Krafft, Katia Frafft e Miranda July. ☻☻☻☻☻