sábado, 13 de abril de 2019

NªTV: Love Death + Robots

Three Robots: será que rola um longa, Netflix?

A série de animação Love Death + Robots da Netflix se tornou no maior acerto do serviço de streaming dos últimos tempos. Não para menos, já que não consigo lembrar de nenhum programa semelhante. Composto por dezoito episódios com histórias independentes, a série mostra-se um verdadeiro catálogo de estilos de animação - e para quem se acostumou com os traços da Disney e da Pixar nos últimos anos irá se surpreender com a diversidade que podemos ver em cada episódio. Existem algumas técnicas com tamanha riqueza de detalhes que temos até dúvidas se estamos diante de uma animação ou de uma produção live action (e a série até brinca com isso no décimo sexto episódio estrelado por Topher Grace e Mary Elizabeth Winstead em carne e osso). Reza a lenda que este projeto de David Fincher é uma forma de curar sua insatisfação de nunca ter conseguido convencer os estúdios de Hollywood de que era uma boa ideia refilmar a animação hardcore Heavy Metal (1981). Espécie de terapia para frustração, esta produção capricha não apenas na qualidade das imagens e sons, mas também mergulha em temáticas que dificilmente uma animação cinematográfica ousaria - ainda mais com o pesado e antiquado rótulo de que "desenho é para criança". Faz tempo que não é. Aqui temos algumas histórias com detalhes obscenos, palavrões e nudez suficientes para incomodar os mais puristas, mas também possuem criatividade que poderiam ganhar um Oscar de curta-metragem (são os casos de Quando o Iogurte Domina a Terra, do introspectivo Zima Blue e até do ousado A Testemunha - se a Academia fosse um tantinho mais liberal). Alguns poderiam gerar longa-metragens futuramente - sei que vão me achar um bobo, mas eu adoraria ver Três Robôs em uma história com, pelo menos, noventa minutos de duração ou rever os fazendeiros defendendo o gado com robôs gigantes em Trajes em uma história mais ampla. Particularmente não achei muita graça em episódios que parecem recriar histórias de games, mas eles estão longe de atrapalhar o todo. Com censura dezoito  anos a série criada por Tim Miller (que antes de dirigir o primeiro Deadpool/2016 foi indicado ao Oscar pelo curta Gopher Broke/2004) tem sinal verde para inovar e deixa nos fãs a curiosidade do que pode rolar numa próxima temporada (e eu adoraria que algumas histórias fossem revisitadas, mas deixa isso para outro momento). Por enquanto, quem gostou do estilo do programa poderia satisfazer a vontade visitando o canal Dust do Youtube, que tem algumas produções bem legais em animação (e live action) com algumas temáticas parecidas.

Love Death + Robots (EUA-2019) de Tim Miller com Topher Grace, Mary Elizabeth Winstead, Samira Wiley, Aaron Himelstein, Josh Brener, Graham Hamilton, Emily O'Brien e Neil Kaplan. ☻☻

segunda-feira, 8 de abril de 2019

4EVER: Seymour Cassel

22 de janeiro de 1935  08 de abril de 2019

Nascido na cidade de Detroit, Michigan (EUA), Joseph Seymour Cassel ficou conhecido no início de sua carreira por participar de vários filmes independentes, foi assim que se tornou um dos atores favoritos do ícone John Cassavetes. Foi John que rendeu a ele o seu primeiro filme, Sombras (1958). Ao lado do diretor, Cassel participou de vários filmes como Canção da Esperança (1961) e Amantes (1984), mas foi pela interpretação de um hippie que foi indicado ao Oscar de coadjuvante pelo filme Faces (1968). Descendente de irlandeses (por parte de mãe), judeus russos e alemães (por parte de pai), Cassel estudou interpretação no American Theatre Wing e no Actors Studio  e chegou a declarar que atuaria em qualquer filme indie que gostasse do roteiro pelo valor de valor de uma passagem de avião. A influência do ator transcende o cinema, já que foi ele que sugeriu que Saul Hudson utilizasse o nome artístico de Slash junto ao Guns'n Roses. Nos últimos anos, o ator foi visto com frequência nas obras de Wes Anderson, numa parceria que começou em Rushmore (1998) e rendeu outros frutos posteriormente. O ator faleceu em decorrência de complicações com Alzheimer.  

domingo, 7 de abril de 2019

PL►Y: A Sombra da Árvore

Sigurður em silêncio no coral: da comédia para a tragédia. 

Não é novidade que a intolerância está cada vez mais forte ao nosso redor. No meio das auto-verdades os conflitos se tornam cada vez mais presentes e inflamados, de forma que qualquer pequena discordância ou suspeita pode gerar uma verdadeira guerra. Embora seja ambientado na Islândia, a história de A Sombra da Árvore poderia ser ambientada em qualquer lugar que os acontecimentos poderiam ser exatamente os mesmos. Por esta capacidade de universalizar seu olhar sobre os relacionamentos humanos o filme foi escolhido pelo país para representar sua cinematografia no Oscar de filme estrangeiro. A obra acabou ficando de fora (afinal, são apenas cinco vagas para filmes de todo tipo do mundo inteiro), mas continua digno de atenção por sua trama que começa inofensiva e descamba para a tragédia. O início é quase cômico quando uma esposa percebe que seu marido gravava vídeos de sexo com a ex-namorada e ainda os utiliza para se satisfazer sozinho diante do computador. O episódio acaba o levando de volta para a casa dos pais, um lar aparentemente confortável no subúrbio de casas de quintal verde e tons pastéis. Enquanto ele tenta convencer a esposa a aceitá-lo de volta, sua mãe começa a ter conflitos crescentes com um casal de vizinhos. As discussões começam por conta de uma árvore que faz sombra no quintal deles, mas o que poderia ser resolvido sem maiores problemas, começa a gerar suspeitas e discussões cada vez mais aguçadas entre os vizinhos. Um dos pontos mais interessantes do roteiro é justamente apresentar personagens que são pessoas comuns, ainda que sejam calcados em alguns arquétipos, estão bem longe de se caracterizarem como heróis e vilões, são pessoas que poderiam estar próximas seja em Reykjavik, Buenos Aires ou Niterói - da mesma forma, todos podem perder as estribeiras quando o bom senso se perde no meio das percepções subjetivas sobre a realidade, afinal, a verdade é bem mais complicada do que a minha opinião. Ao escolherem suas verdades, o diálogo se torna cada vez mais inviável, a crueldade surge implacável disfarçada de "justiça", as palavras se tornam mais ásperas e as pessoas param de perceber que no fundo todos são feitos de carne e osso, qualidades e defeitos, erros e acertos.. Lá pelo fim das contas você até consegue entender o motivo de um personagem decidir sair daquele ambiente de um forma dolorosamente radical. A Sombra da Árvore ilude seu público com seu humor cortante e aos poucos se revela um drama devastador sobre seres humanos presos em sua Torre de Babel pós-moderna.    

A Sombra da Árvore (Undir Trénu/Islândia-2017) de Hafsteinn Gunnar Sigurðsson com  Steinþór Hróar Steinþórsson, Edda Björgvinsdóttir, Sigurður Sigurjónsson e Selma Björnsdóttir. ☻☻

Na Tela: Shazam!

Zachary e Grazer: DC menos sombria e mais 'família".

Confesso que estava bastante preocupado com a produção de Shazam! afinal, o universo da DC Comics nos cinemas era mais alvo de controvérsia do que sucesso nos últimos anos. Depois que Liga da Justiça (2017) não atingiu as expectativas do estúdio, o sinal de alarme soou e as produções em andamento já começaram receber outro direcionamento. Esta reformulação baniu Ben Affleck (o Batman), Henry Cavill (o Superman) e, recentemente, Ezra Miller (o Flash) e sobreviveram Gal Gadot salva pelo sucesso de Mulher-Maravilha (2017) e Jason Momoa que conseguiu fazer de Aquaman (2018) um redentor blockbuster. Restava a Shazam consolidar esta nova cara da DC no cinema e nada melhor do que um herói que é a versão poderosa de um adolescente de quatorze anos para fazer isso. Este ponto de partida é tudo que o estúdio precisa para demonstrar que aprendeu a lição após tentar costurar no improviso um Universo dos quadrinhos no cinema. É verdade que o bom humor dos filmes da Marvel serve de referência para o que vemos aqui, mas Shazam! em toda sua leveza tem personalidade própria. O filme começa tenso para depois mergulhar no drama do órfão Billy Batson (Asher Angel), que após se perder em uma parque de diversões, pula de lar em lar enquanto procura suaa mãe. Ainda que seja rebelde, Billy guarda dentro de si um bom coração e, por este motivo, será escolhido por um mago (Djimon Hounsou) para ser uma espécie de guardião dos sete pecados capitais - agora libertos pelo insano Doutor Sivana (Mark Strong). A questão é que quando Billy se transforma em Shazam! ele surge crescido, mas a mente continua sendo a de um adolescente. Para além deste toque jovial em sua narrativa, o filme ainda tem um apelo terno pelos laços que se constroem entre Billy e seu novo lar capitaneado por Rosa (Marta Milans) e Victor (Cooper Andrews), que cuidam de outras cinco crianças: a fofa Darla (Faithe Herman), o reservado Pedro (Jovam Armand), o nerd Eugene (Ian Chen), a crescida Mary (Grace Fulton) e o esperto Freddy (Jack Dylan Grazer), que aos poucos se torna o melhor amigo de Billy. Para além de cada personagem ter características que conferem àquele lar uma conotação marcada pela diversidade, o filme recebe uma atmosfera bastante emocional, sobretudo quando revisita a história de Billy fazendo com que sua forma de perceber o mundo seja alterada mais pelo afeto do que propriamente pelos poderes que recebeu. O diretor David F. Sandberg tem bastantes elementos para lidar e sua história transita por diversos gêneros, sorte que ele tem habilidade para costurar todas elas com várias referências sobre o mundos dos heróis (existem várias citações à Batman e Superman durante o filme e até mesmo sobre a confusa trajetória de Shazam nas histórias em quadrinhos - por isso ele recebe vários nomes ao longo da trama). Em termos de elenco todos estão bem. Quem conhece Zachary Levy das temporadas da série Chuck sabe que o ator tem bastante carisma  para encarnar o super-herói, ele é seguido de perto por Jack Dylan (antes visto em It: A Coisa/2017) e Mark Strong criando um vilão de respeito na pele de Dr Sivan. Leve e divertido, Shazam! é uma mostra interessante do que vem pela frente da DC nas telona, mas ainda não sei qual o preço deste tom luminoso e bem humorado a longo prazo. Por enquanto, o resultado tem sido filmes para dar risadas e  passar o tempo, mas um pouco de surpresa não cairia mal. 

Shazam! (EUA-2019) de David F. Sandberg com Zachary Levy, David F. Sandberg, Mark Strong, Asher Angel e Djimon Hounsou. 

quinta-feira, 28 de março de 2019

4EVER: Agnès Varda

30 de maio de 1928 ✰ 28 de março de 2019

Nascida em Bruxelas na Bélgica, Agnés Varda tornou-se conhecida como fotógrafa e cineasta, sendo principalmente reconhecida como uma das precursoras do da nouvelle vague do cinema francês. Seu cinema foi desde sempre marcado por uma mistura de comentário social, feminismo e experimentação com a linguagem documental. Com mais de cinquenta filmes no currículo, Agnès é uma cineasta que merece destaque em um tempo em que mulheres cineastas buscam reconhecimento. Casada por muito tempo com o cineasta Jacques Demy, Agnès esteve recentemente em cartaz nos cinemas brasileiros com o excepcional Visages, Villages (2018) realizado junto ao fotógrafo JR. Pelo filme foi indicada ao Oscar de melhor documentário - logo após receber um Oscar honorário pelo conjunto de sua obra. Agnès faleceu em decorrência de uma batalha contra um câncer. 

segunda-feira, 25 de março de 2019

Na Tela: Nós

Lupita: performance arrepiante. 

Antes de Corra! (2016) o ator Jordan Peele era essencialmente conhecido como um comediante. Depois que seu filme fez um sucesso estrondoso nos cinemas levando para casa o Independent Spirit de Melhor filme de 2016 e o Oscar de Melhor Roteiro Original (o filme também concorreu às estatuetas de diretor, filme e ator/Daniel Kaluuya) sua carreira mudou definitivamente de patamar. Com público e crítica interessados no próximo passo do diretor, assistir Nós é uma experiência de grandes expectativas. Se levamos em conta que um dos próximos projetos de Jordan é a nova versão de Além da Imaginação, os universos de seus filmes fazem ainda mais sentido. Talvez Nós não seja tão celebrado quanto seu longa anterior, mas, ainda igual atenção. A história tem como protagonista Adelaide (Lupita N'Yongo), mulher casada e com filhos, que ainda carrega traumas de um dia em que se perdeu dos seus pais numa temporada no litoral. Quando menina ela se perdeu numa casa de espelhos, o episódio lhe custou ficar sem voz por alguns dias e ainda hoje ela percebe que foi marcada por aquela noite. O que poderia ser visto como uma simples paranoia, ganha contornos reais quando num final de semana perto da praia com o esposo (Winston Duke), a filha (Shahadi Wright Joseph) e o filho (Evan Alex), ela recebe a visita de uma família inesperada. Assim, o que era para ser um final de semana sossegado se torna um pesadelo de proporções inimagináveis. A genialidade de Peele está justamente em pegar um ponto de partida batido (uma casa sendo invadida) e tomar rumos cada vez mais surpreendentes, assim, sempre que o espectador considerar saber o que acontecerá, o filme surge com um novo ato que amplia o anterior. Dificilmente outro diretor poderia conceber um filme como Nós, afinal, Jordan Peele já possui uma assinatura própria, que aqui  ganha contornos ainda mais definidos. São próprios de seus estilo a subversão dos clichês do terror, o excelente trabalho com atores e a mescla de terror com comédia (que aqui aparece mais fluído do que em Corra!). O núcleo principal está excelente na dupla concepção de seus personagens, com destaque para Lupita N'Yongo, que está assustadora na pele da versão obscura de Adelaide). A atriz que tem um Oscar de coadjuvante por 12 Anos de Escravidão/2013 recebeu tantos elogios por este novo trabalho que possivelmente será lembrada na próxima temporada de ouro. Por outro lado, Peele mantem o foco em suas camadas de crítica social, mas torna-se mais sutil, surreal e amplo - especialmente se levarmos em consideração a enorme corrente que vemos na última cena. Nós assusta não apenas por falar de nossos dois lados, mas por mostrar que esta rivalidade raivosa que se instaurou nos últimos anos, faz com que esqueçamos o que temos em comum. A ideia do filme me lembra um pouco a premissa de um filme com Elisabeth Moss (que interpreta uma amiga do casal protagonista) chamado As Complicações do Amor/2014), só que aqui a comédia romântica dá lugar ao terror (algo que o cineasta já disse ter feito com Quero Ser John Malkovich/1999 em Corra! - e ambos contavam com Catherine Keener no elenco). Embora eu considere que em seu desfecho o filme perca um pouco da força por fantasiar demais, Nós tem tudo para se tornar um dos filmes mais relevantes do ano. 

Nós (Us / EUA-2019) de Jordan Peele com Lupita N'Yongo, Winston Duke, Shahadi Wright Joseph, Evan Alex, Elisabeth Moss e Anna Diop. 

domingo, 24 de março de 2019

§8^) Fac Simile: Ben Affleck

Benjamin Géza Affleck-Boldt
Faz algum tempo que Ben Affleck lida com os altos e baixos de Hollywood. Atua, escreve, dirige, produz e já tem dois Oscars na estante (pelo roteiro de Gênio Indomável/1997 e pela produção de Argo/2012) ainda que nunca tenha sido indicado ao prêmio de ator. Ele já fez todo tipo de filme, das viagens cerebrais de Terrence Mallick à correria explosiva de Michael Bay, sendo o único ator que já encarnou Superman em Hollywoodland (2006) e Batman, além do herói da Marvel Demolidor. Já namorou as mulheres mais cobiçadas do cinema e já flertou com o que o mundo da fama tem de mais tóxico. Enfim, Ben tem muita história para contar e foi num rápido encontro com nosso repórter imaginário que ele respondeu cinco perguntas nesta entrevista que nunca existiu:

§8^) Primeiramente quero dizer que fiquei muito triste quando deixou de ser o Batman nos filmes da DC Comics! Ainda considero o seu Homem-Morcego o melhor de todos. 

Ben Realmente agradeço o seu elogio. Estou tão acostumado à imprensa pegando no meu pé que fico realmente surpreso. Obrigado mesmo, de coração. Eu estava muito animado para viver o Batman! Afinal, ele é o melhor super-herói que temos! Ele não é uma alienígena, um mutante, um deus ou coisa parecida. Ele é um homem de carne e osso que luta por justiça. Foi este aspecto que tentei trabalhar nos filmes. Era isto que eu gostaria de fazer no meu projeto para ele, mas as coisas foram tomando rumos diferentes e percebi que não me encaixava mais ali. As pessoas não entendem mas, quando um ator mergulha em qualquer projeto ele investe muito de suas emoções ali e quando tudo muda de configuração pode ser um pouco frustrante. Eu me sentia inadequado naquela nova concepção do herói na telona, mas tenho certeza que a DC está buscando o melhor para os seus personagens e os fãs vão perceber isso. 

§8^) Você disse que a imprensa costuma pegar no seu pé, você faz ideia de qual o motivo disso?

Ben Não sei. Sei que já fiz muitos filmes ruins, mas já fiz muita coisa interessante. Alguns filmes são massacrados quando chegam ao cinema e passa alguns anos as pessoas elogiam e percebem que foram muito duras com eles. Sou um ator que busca um tipo de interpretação mais intimista, sei que às vezes me perco e as pessoas reclamam, mas não sou de exageros, de atuações expansivas, caricatas... gosto mais de personalidades mais internas, sutis e alguns costumam falar que sou mecânico, inexpressivo, frio, sem emoção... lamento dizer, mas aquele na tela não era eu, mas o personagem interpreto. 

§8^) Seu irmão Casey Affleck faz uma linha parecida e levou um Oscar de ator para a casa (por Manchester à Beira-Mar/2016) enquanto isso, o Oscar nunca indicou nenhuma interpretação sua...

Ben Exatamente. Já fui indicado ao BAFTA de melhor ator por Argo e ao Globo de Ouro por Hollywoodland, que inclusive me rendeu o prêmio de atuação no Festival de Veneza. Acho que a Academia não entende minhas interpretações, ou o meu trabalho em geral. Se você pensar, quando dirigi Argo ele foi todo indicado ao Oscar, mas eu fiquei fora do páreo de melhor direção. O filme levou o prêmio de Melhor Filme e o diretor não estava nem entre os cinco melhores do ano. O filme se fez sozinho? Em alguns aspectos, os prêmios não podem ser levados tão a sério. 

§8^) Sua vida amorosa e pessoal foi por muito tempo alvo de tablóides, este assédio da imprensa te irrita muito?

Ben Bastante. Já disseram todo tipo de coisa sobre eu e Matt Damon, sobre meu casamento com a Jen, mas a pior época foi quando eu estava com a J.Lo, naquele tempo as coisas ganharam uma proporção insuportável. Houve também aquela época que namorei a Gwyneth (Paltrow) logo depois que ela terminou com o Brad Pitt e ficavam dizendo que eu não era tão bonito quanto Brad... eu sempre fico rindo com este tipo de bobagem. Eles achavam que eu me olhava no espelho e me comparava com outros atores? KKKKKK. A última foi o alvoroço quando meu pênis aparecia rapidamente em Garota Exemplar/2014 e todos me perguntavam mais sobre isso do que qualquer outra coisa do filme. A coisa mais ridícula era me perguntar sobre ele como se fosse alguma novidade para mim. Uma vez eu cheguei a dizer: "sim, ele é meu e o conheço desde que nasci". 

§8^) Foi difícil ficar sem roupa diante da câmera?

Ben Eu sou sem roupa, né? Todos nós somos. Debaixo de tudo isso tem um corpo, um corpo de homem como outro qualquer. Sei que o fato de eu ser famoso gera especulações e fantasias... mas ainda fico impressionado quando em pleno século XXI descobrem numa sala de cinema o que um homem tem entre as pernas. Sinceramente, não tenho do que me envergonhar. Além disso era uma cena tão simples e natural. 

§8^) Quando comecei a trabalhar para o Diáriw Cinéfilo a Jennifer Garner foi minha primeira entrevistada... 

Ben Eu sei. Ela me disse coisas horríveis sobre você. 

§8^) Sério? Eu adorei falar com ela...

Ben Sim, a Jennifer é realmente adorável. Ainda a considero o grande amor da minha vida, se respiro hoje é graças à ela. Pode escreve isto aí. Ela achou muita petulância sua teoria de eu ter um fetiche por Jennifers. 

§8^) E você tem?

Ben Acho que não... ou a Jennifer Lawrence já te contou alguma coisa?

PL►Y: Operação Fronteira

Oscar e seus amigos: um Mercenários levado a sério. 

O americano J. C. Chandor chamou atenção da crítica faz tempo. Seu primeiro longa-metragem (o bom Margin Call/2011) lhe rendeu uma indicação ao Oscar de melhor roteiro original e fez muita gente gravar seu nome. Desde então, estes já perceberam que J.C. não cria para si uma zona de conforto, prefere escolher projetos com temas e gêneros diferentes. Se a estreia abordava uma empresa na véspera da explosão da última grande crise da economia americana (aquela, da marolinha), seu filme seguinte colocava Robert Redford em um texto sem diálogos lutando pela sobrevivência dentro de uma barco (Até o Fim/2013). Depois ele merecia ter feito bonito no Oscar com o magnífico O Ano Mais Violento (2014) - que bebia diretamente no final dos anos 1970 para criar uma atmosfera muito envolvente. Depois da completa esnobada da Academia de Hollywood, Chandor volta acompanhado do premiado roteirista Mark Boal  (do oscarizado Guerra ao Terror/2009) numa produção original da Netflix. Há mais de Boal do que Chandor em Operação Fronteira. É o tipo de filme que costumo passar longe, mas com estes nomes e um elenco interessante não há desculpa para resistir. O filme parte de uma premissa bastante batida: um grupo de agentes especiais se reencontra para descobrir o paradeiro de um grande traficante da América Latina. A ideia parte de Santiago (o catalão Oscar Isaac), que procura o amigo aposentado em crise Tom (Ben Affleck), o parceiro Francisco (Pedro Pascal), além dos irmãos William (Charlie Hunnan) e Ben (Garrett Hedlund). O quinteto parte para uma jornada que inclui vários países latino americanos (o Brasil inclusive) e encontram várias surpresas pelo caminho. Na jornada eles colocarão as vidas em risco, viverão dilemas, matarão inocentes e terão vários confrontos com traficantes. O resultado não impressiona, mas tem momentos de grande tensão (especialidade de Chandor), mas os personagens não dão liga, provavelmente porque suas personalidades não são muito  trabalhadas na trama, com isso você nunca se envolve realmente com nenhum deles. Ben Affleck parece bastante aborrecido no filme (dizem que ele filmou durante as negociações que o colocaram para fora do novo filme do Batman), mas está convincente como o homem experiente que já está de saco cheio da vida. Os irmãos também não tem muito o que fazer além de um ser a frieza em pessoa e o outro ser desmiolado. Pascal é o que mais parece de carne e osso, mais por conta do ator do que pelo personagem. Oscar Isaac acaba assumindo o posto de protagonista, mas acho que você torce por ele mais pela química com a informante (a ótima Adria Arjona) do que por qualquer outra coisa. Curti a cena do helicóptero, a casa cheia de dinhe Operação Fronteira é um filme de ação que faria sucessoiro e outras duas cenas. Se fosse lançado nos cinemas agradaria aos fãs do gênero e talvez rendesse até continuação com seu estilo de Os Mercenários (2010) com alguma seriedade. No entanto, os fãs de aclamado diretor ficarão decepcionados.  

Operação Fronteira (Triple Frontier/EUA-2019) de J.C. Chandor com Oscar Isaac, Ben Affleck, Pedro Pascal, Charlie Hunnan, Garrett Hedlund e Adria Arjona. 

sábado, 23 de março de 2019

4EVER: Domingos de Oliveira

28 de setembro de 1936 ✰  23 de março de 2019

Antes de se apaixonar pelo teatro, Domingos cursou faculdade de engenharia e por pouco o Brasil não perde um cineasta, diretor de teatro, dramaturgo, ator, produtor e roteirista. Domingos José Soares de Oliveira se consagrou como um dos principais autores de nossa produção cultural. Com dezenove filmes no currículo, Domingos ficou mais conhecido após sua estreia como cineasta em Todas as Mulheres do Mundo (1966) que marcou época com a musa Leila Diniz. Vários de seus sucessos no teatro ganharam versão para o cinema aos seus cuidados, como Amores (1998), Feminices (2004), Confissões de Mulheres de 30 (2007) e Todo mundo Tem Problemas Sexuais (2008). Dono de um estilo espirituoso e bem-humorado, ele gostava de trabalhar o ator Paulo José como seu alter-ego constante nas telas. Nascido no Rio de Janeiro, o cineasta faleceu em decorrência de dificuldades respiratórias em sua cidade natal.