quinta-feira, 2 de fevereiro de 2023

4EVER: Glória Maria

 
15 de agosto de 1949✰02 de fevereiro de 2023

Glória Maria Matta da Silva nasceu em Vila Isabel na cidade do Rio de Janeiro e sempre foi muito discreta quanto à sua vida pessoal (ao ponto de sua idade ter se tornado um mistério até a data de seu falecimento). Formada em jornalismo pela PUC do Rio de Janeiro, Glória chegou à Rede Globo disposta a conseguir um estágio e se tornou a primeira repórter preta a ter destaque na emissora nos anos 1970. Entre suas matérias históricas que foram ao ar, ela foi a repórter a aparecer ao vivo na primeira transmissão jornalística a cores da televisão brasileira. Aos poucos se consolidou como âncora nos principais programas jornalísticos da emissora em especial no Fantástico (de 1998 a 2007) e em 2010 passou a integrar a equipe do Globo Repórter. Famosa por seu estilo despojado, seja como jornalista ou apresentadora, Glória se tornou uma referência icônica no jornalismo brasileiro, além de ser a primeira pessoa a usar a Lei Afonso Arinos, em 1988 ao ser vítima de racismo. Em 2009, Glória adotou suas duas filhas. A jornalista faleceu em decorrência de metástase cancerígena. 

sábado, 31 de dezembro de 2022

Melhores 2022 - Cinema

Com a chegada do último dia de 2022, chega também a minha lista de favoritos cinematográficos do ano. Sei que algumas pessoas irão torcer o nariz para algumas de minhas escolhas, mas é sempre bom lembrar que uma lista é sempre subjetiva e de gosto bastante pessoal - o que não impede que você tenha escolhas diferentes do que foi visto durante o ano. Lembrando que os filmes citados foram lançados no Brasil em 2022, o que inclui filmes que foram lançados no exterior anteriormente e que chegaram aqui tardiamente. A seguir o que a minha memória levará de melhor do ano que chega ao fim:

ELENC


CINEASTA REVELAÇÃ

ROTEIR

ARTISTA REVELAÇÃ

ATRIZ C
✪ADJUVANTE

AT
✪R COADJUVANTE

MELHOR AT✪R

MELH✪R ATRIZ

DIREÇÃ

FILME DO AN

E quais foram seus favoritos do ano? Registre nos comentários que assim que eu voltar de férias aqui no blog eu prometo ler. Até breve!

sexta-feira, 30 de dezembro de 2022

PL►Y: Ruído Branco

 
Drive, Gerwig e família: o apocalipse nosso de cada dia. 

Ao que parece, White Noise era a grande aposta para a Netflix na temporada de ouro de 2022, mas as exibições para os críticos não foram muito promissoras. Reclamaram do tom e da narrativa um tanto perdida impressa pelo diretor Noah Baumbach na adaptação do livro de Don DeLillo (lançado em 1985) sobre uma família às voltas com um apocalipse iminente e as reflexões sobre vida e morte que ela provoca neste microcosmos (o próprio ruído presente no título é uma referência à morte que pode chegar a qualquer instante sem se fazer notar com muita antecedência). Conhecendo a cinematografia de Noah e o pouco que conheço de DeLillo imaginei que esta combinação seria um espetáculo ácido um tanto desproporcional ao que a maioria do público aprecia, foi com esta impressão que assisti ao filme. O filme conta a história de Jack (Adam Driver) um professor universitário especializado em estudos sobre Hitler que ao lado da esposa, Babette (Greta Gerwig), leva uma vida tranquila junto aos quatro filhos que juntaram debaixo do mesmo teto. Vivendo em um confortável subúrbio e com alusões à vida acadêmica, a família precisa lidar com algo inesperado quando um acidente acontece nas redondezas e precisam fugir às pressas de uma ameaça que ninguém sabe ao certo o que é - e gera teorias atrás de teorias. Se levarmos em conta que Jack guarda em segredo que não sabe falar alemão, que sua esposa utiliza escondida uma pílula misteriosa e que os filhos adoram uma teoria da conspiração iremos perceber que o filme trata do medo do desconhecido, tornando-se um prato cheio para Baumbach exercitar atmosferas até então não exploradas em sua carreira. Existe aqui um exercício de suspense em tom de farsa que beira a galhofa, mas que se contem para segurar a graça e a tensão até o final que beira o surreal. No fim das contas o desconhecido revela o medo da morte e as consequências insanas na vida dos personagens, capazes de aceitar qualquer promessa ilusória de perpetuar a existência, ainda que na maior parte do tempo ninguém pareça aproveitar a vida tanto assim. Este parece o filme mais elaborado e ambicioso de Baumbach, mas o senso de humor peculiar do diretor deve espantar parte do público que não captar o tom quase de paródia. Entre diálogos rebuscados, piadas com a vida acadêmica, a sociedade de consumo e  família, o filme diverte quem entrar na brincadeira. Pode até parecer um grande SPOILER, mas no fim das contas tudo termina do mesmo jeito que começa, talvez porque a vida seja um tanto assim mesmo - e aquela cena final do supermercado ao som de New Body Rhumba do LCD Soundsystem (que achei sensacional) deve ilustrar bem a mensagem do filme: "enquanto a morte não vem, resta aproveitar!"

Ruído Branco (White Noise / EUA - 2022) de Noah Baumbach com Adam Driver, Greta Gerwig, Don Cheadle, Raffey Cassidy, Sam Nivola, May Nivola e Andre L. Benjamin. ☻☻ 

quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

4EVER: Pelé

 
23 de outubro de 1940 ✰ 29 de dezembro de 2022

Edson Arantes do Nascimento nasceu na cidade de Três Corações em Minas Gerais. Filho de jogador de futebol, desde pequeno Edson gostava de jogar bola. Aos quatro anos se mudou para Bauru (SP) junto com a família e aos dez anos iniciava a carreira de jogador no infanto-juvenil do Bauru Atlético Clube onde conquistou o bicampeonato em 1954 e 1955. Pelé ganhou onze vezes o título de artilheiro do campeonato paulista, fez sua estreia na seleção brasileira em 1957 com 17 anos (incompletos) e em 1965 já era considerado o melhor jogador do mundo. O atleta se despediu da seleção em 1971 e se aposentou em 1977. Ao longo da carreira nos gramados, Pelé marcou 1282 gols. Após deixar os jogos, Edson Arantes do Nascimento foi Ministro dos Esportes de 1995 até 1998. O atleta faleceu em decorrência de um câncer de cólon diagnosticado no ano passado.   

NªTV: Melhores2022

Outra lista de favoritos para finalizar o ano que chega ao fim. Seguem os meus favoritos da TV, lembrando que é uma lista de gosto bastante pessoal e que não consegui ver tudo que tinha vontade em um ano tão corrido como 2022. Segue o que mais curti:

MELH✪R SÉRIE DE COMÉDIA 

AT✪R COADJUVANTE


 ATRIZ C✪ADJUVANTE 


MELHOR AT✪R

MELH✪R ATRIZ

MELHR SÉRIE DE DRAMA

PL►Y: Um Herói

Jadidi: quando a sorte vira azar. 

Os filmes de Asghar Farhadi costumam ser saudados como dramas tão engenhosos que começam a soar como um verdadeiro suspense diante dos desafios que recaem sobre seus protagonistas. Foi assim que ele levou para casa o Oscar de filme estrangeiro com o brilhante A Separação (2011) e depois repetiu o feito com O Apartamento (2016), mesmo quando seus filmes não alcançam todas as notas desejadas, eles costumam ser crônicas interessantes sobre o ser humano e as conjecturas que o cerca (foi assim com O Passado/2013 e Todos Já Sabem/2018). Este Um Herói saiu do Festival de Cannes do ano passado com o Grande Prêmio do Júri, mas acabou perdendo sua vaga no Oscar de Filme Estrangeiro. Pouco tempo depois o filme se envolveu numa polêmica em que Farhadi foi acusado de plágio por ter copiado a ideia de outro roteirista. Polêmicas a parte, o filme está disponível no Telecine Play e vale sua atenção para acompanhar a sucessão de desventuras de Rahim (Amir Jadidi), um homem que foi preso por conta de uma dívida. Liberado por dois dias para visitar a família, a namorada lhe apresenta uma bolsa que acabou de encontrar na rua e está cheia de moedas de ouro. Rahim fica tentado a usar as moedas para pagar a dívida, mas após uma série de situações resolve devolver a bolsa para a dona. O gesto chama atenção de muita gente que exalta sua postura e se comove com sua história de endividamento, ele só não imagina que depois de ser tão querido pela opinião pública, uma série de detalhes irá lhe causar mais transtornos do que imaginava. Um Herói abarca uma série de assuntos, alguns se relacionam com a cultura do Irã, outras com a velocidade com que as notícias se propagam nas redes sociais. A já notória habilidade de Asghar Farhadi lidar com os dois lados de uma história, torna uma tarefa difícil para o espectador classificar seus personagens entre mocinhos e vilões. Entre detalhes, mentiras e omissões, Um Herói se torna um labirinto angustiante para seus personagens e deixa o espectador cada vez mais curioso em imaginar como tudo aquilo irá terminar. Vale ressaltar o bom trabalho de Amir Jadidi como Rahim, que torna seu personagem confiável (ainda que seja  um dos sujeitos mais atrapalhados da história do cinema), além de Mohsen Tanabandeh como o antagonista sempre disposto a mostrar o outro lado da história para a plateia. Quando estes dois explodem, fica ainda mais difícil tomar partido de toda situação que o filme instaura. 

Um Herói (Ghahreman /Irã - França / 2021) de Asghar Farhadi com Amir Jadidi, Mohsen Tanabandeh, Sahar Goldust, Fereshteh Sadre Orafaiy, Sarina Farhadi e Ehsan Goodarzi ☻☻

PL►Y: The Souvenir - Parte II

 
Honor Swinton Byrne: o luto de uma cineasta em formação. 

É muito interessante imaginar a relação que o primeiro The Souvenir (2019) tem com a vida da diretora Joanna Hogg. A protagonista é uma estudante de cinema dos anos 1980, Julie (Honor Swinton Byrne) que escuta todo o tempo dizerem para ela contar mais de sua história em seus filmes. Ela se considera uma jovem privilegiada, com os pais sempre dispostos a bancar suas despesas e talvez por ter uma vida tão previsível se envolveu com Anthony (Tom Burke) - um diplomata que tinha sua cota de problemas pessoais para resolver e acaba drenando a namorada para dentro deles. Baseado em um romance vivido pela própria Joanna, a sinceridade impressa fez do filme um sucesso em festivais e perante o público cult. Com a repercussão do filme, ela bancou um segundo longa metragem sobre a jornada de Julie em busca da própria voz. O filme começa praticamente depois do desfecho do primeiro e agora a protagonista tenta se acostumar com a ausência do namorado. Quem viu o primeiro filme sabe que a vida dos dois não era um mar de rosas, mas a própria personagem estranha a espécie de vazio que se instaurou em sua vida sem ele. Embora ainda esteja disposta a investir em um novo romance, ela não sabe muito bem o quanto está disponível para viver uma nova história de amor e parece mais preocupada em terminar o seu filme de conclusão da faculdade de cinema. Mais uma vez, suas ideias e  roteiro sofrem críticas, de forma que pedem para que seja mais pessoal na construção de seu projeto e, enquanto observa as filmagens dos filmes de seus colegas, Julie parece um tanto intimidada na construção de um filme baseado em sua história com Anthony. Se já existe o estresse de fazer um filme para conclusão do seu curso, a coisa complica ainda mais quando precisa vivenciar novamente momentos complicados de seu relacionamento. São nestes momentos que considerei The Souvenir - Parte II um filme mais interessante que o primeiro. A parte do luto é um tanto repetitiva e maçante, deixando a melhor parte para os colegas de curso - que compõem sua equipe de filmagem - que começam a questionar detalhes cênicos, sejam as atitudes dos personagens (que Julie tenta reproduzir como de fato aconteceram) ou a estranha sensação de que os dias não passam naquela narrativa. Penso que Hogg imprime aqui alguns pontos que foram ressaltados sobre o primeiro filme e aqui ela afirma ser tudo intencional na reconstrução da história. Tilda Swinton (mãe da atriz principal na vida real) repete seu papel de mãe dentro da tela, mas o que chama atenção são os demais personagens que cruzam o caminho da personagem. Entre cineastas em potencial, atores e profissionais em formação, a diretora consegue imprimir uma atmosfera bastante realista sobre o universo habitado por Julie durante seu amadurecimento profissional e emocional. 

The Souvenir - Parte II (The Souvenir - Part II / Reino Unido - Irlanda - EUA / 2021) de Joanna Hogg com Honor Swinton Byrne, Tilda Swinton, Alice McMillan, Oli Bauer, Jaygann Ayeh, Charlie Heaton, Richard Ayoade, Frankie Wilson, Jack McMullen, Harris Dickinson e Jow Alwyn. ☻☻

terça-feira, 27 de dezembro de 2022

10+ Filmes de 2022

 Difícil escolher dez filmes entre os meus favoritos de 2022, mas ela segue prontinha. Lembrando que levei em consideração os filmes que foram exibidos no Brasil de 1º de janeiro até a data de hoje. Acho que está é minha lista mais diversa em muito tempo. Seguem os dez em ordem alfabética:











E quais foram os seus favoritos do ano?

PL►Y: El Planeta

 
Ale e Amalia: tempos de crise. 

Divertido e despretensioso, a estreia de Amalia Ullman enquanto diretora é uma bela crônica pós-crise econômica na Espanha, mas também fala um bocado sobre um mundo que vive cada vez mais de aparências, seja nas redes sociais ou fora delas. Este é por sinal um dos pontos mais interessantes do filme, que nos lembra que antes das ilusões vendidas nas redes, já existiam pessoas especializadas num jogo de aparente sucesso e felicidade constante no mundo real. O roteiro e a câmera de Amalia se voltam para duas personagens que sabem exatamente como se portar em determinados espaços para exalar uma imagem bem sucedida - ainda que dentro de casa a geladeira esteja vazia e precisem ler livros com a luz do corredor já que a grana curta não permitiu que a conta fosse paga. Existe um tanto de graça e outra porção de melancolia no retrato construído da mãe María Rendueles (Ale Ullman) e da filha Leonor Jimenez (a própria Amalia Ullman). María faz o que pode para manter a imagem de elegância fora de casa, sempre possui histórias sobre contatos influentes na sociedade e planos para o futuro. Ela Sabe quais são as melhores lojas e restaurantes, assim como domina a arte de devolver a mercadoria dentro do prazo de troca após usar na data pretendida. Já Leonor tenta a carreira de estilista, foi viver um tempo em Londres, mas acabou voltando para casa da mãe após não conseguir grande coisa, agora depende de um trabalho com Christina Aguillera, mas precisa de dinheiro para bancar a passagem de volta. Já cogitou até a prostituição para conseguir algum dinheiro, mas não acha que o valor a ser pago por um cliente não dá para comprar nada além de um livro. Em cartaz na MUBI, El Planeta acompanha as desventuras destas duas personagens com um humor refinado e irônico se beneficiando bastante da intimidade das duas atrizes que são mãe e filha fora da tela. Neste jogo de aparências quem ganha é a plateia que se diverte com as duas personagens que sabem o que é bom, mas não tem dinheiro para bancar o tipo de vida que almejam, assim como tantas pessoas que conhecemos em um país em que os números de inadimplentes só cresce.  

El Planeta (Espanha / 2021) de Amalia Ullman com Amalia Ullman, Ale Ullman, Nacho Vigalondo, Zhou Chen, Andrea Escobar e Carlos Carbonell.