domingo, 5 de novembro de 2023

4EVER: Lolita Rodrigues

10 de março de 1929✰ 05 de novembro de 2023

Sylvia Gonçalves Rodrigues Leite nasceu na cidade de Santos em São Paulo e começou a participar de radionovelas aos dez anos de idade na Rádio Record de São Paulo. No entanto, Sylvia não se contentava em ser atriz, ela também trabalhava como cantora, fazendo trajetória pelas principais rádios da época (Bandeirantes, Cultura e Tupi). Como nome artístico, ela adotou o apelido que recebeu da mãe em homenagem à uma prima espanhola, Lolita. Sua estreia na televisão aconteceu em 1950, na estreia da TV Tupi, momento em que cantou o Hino Nacional. Na ocasião substituiu Hebe Camargo, de quem se tornou amiga de longa data. As duas ao lado de Nair Belo, se tornaram um dos trios mais conhecidos da televisão brasileira e fizeram história como pioneiras da TV em nosso país. Sua primeira protagonista foi em 1957 em O Corcunda de Notre Dame, produção em que viveu Esmeralda, o par do protagonista. Ao todo Lolita participou de mais de quarenta produções na televisão, incluindo clássicos como 2-5499 Ocupado (1964), As Pupilas do Senhor Reitor (1970), Direito de Nascer (1978), Sassaricando (1987), Rainha da Sucata (1990), A Viagem (1994) e Terra Nostra (1999). Sua última novela foi Viver a Vida (2009). Lollita faleceu de Pneumonia.

sexta-feira, 3 de novembro de 2023

4EVER: Elizângela

11 de dezembro de 1954✰03 de novembro de 2023

Elizângela do Amaral Vergueiro nasceu no Rio de Janeiro, filha de um executivo e uma dona de casa, a artista começou a atuar aos sete anos  de idade na TV Excelsior fazendo comerciais ao vivo e aparecendo em outros programas da emissora em seguida. Em 1966 foi contratada pela Rede Globo para ser assistente de palco no programa infantil Capitão Furacão. Três anos depois estreou nos cinemas com o filme Quelé de Pejeú (1969) de Anselmo Duarte e aos quinze anos se aventurou pelo teatro. Em 1971 estrelou sua primeira novela, O Cafona, em que interpretou a filha de Francisco Cuoco. Desde então se tornou um dos nomes mais conhecidos da TV, sendo que ao final dos anos 1970 chegou a lançar dois trabalhos como cantora para trilha sonora das novelas Pecado Rasgado (1978) e Marrom Glacê (1979). Em cinquenta anos de carreira, a atriz estrelou mais de sessenta produções para a televisão, incluindo os sucessos mais recentes A Favorita (2008), a refilmagem de Ti Ti Ti (2010), Terra Prometida (2016) e Força do Querer (2017). A atriz faleceu de uma parada cardiorrespiratório em sua residência em Guapimirim.

terça-feira, 31 de outubro de 2023

HIGH FI✌E: Outubro

 Cinco produções assistidas no mês que merecem destaque:

"Assassinos da Lua das Flores" de Martin Scorsese
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"Neruda" de Pablo Larraín
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"Uma Boa Pessoa" de Zach Braff
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Na TV: A Queda da Casa de Usher

Os Usher: as maldições do Poeverse.

 Quando soube que Mark Flanegan (de A Maldição da Residência Hill/2018 e Missa da Meia-Noite/2021, duas das melhores produções já feitas pela Netflix) faria uma adaptação do conto A Queda da Casa de Usher de Edgar Allan Poe, eu fiquei bastante animado. Quando me dei conta de que seria uma minissérie, a animação virou preocupação. O conto com pouco mais de cem páginas daria conta de um filme, mas uma minissérie? Lembrei logo da sensação de quando O Hobbit (2013) foi anunciado como uma trilogia com filmes de três horas... quase a mesma coisa de uma série com oito episódios de aproximadamente uma hora. Sorte que Flanegan não estava somente interessado em contar a saga do patriarca que testemunha seus filhos morrerem um a um ciente de que se trata de um acerto de contas com o destino. Flanegan queria mesmo era homenagear a obra de Poe, ou como diria minha amiga Morgana: "criar um Poeverse". Flanegan deu uma patinada em gelo fino quando resolveu homenagear outro clássico do terror (A Outra Volta do Parafuso de Henry James que inspirou a Maldição da Mansão Bly/2021), mas aqui, ele parece ter montado um esquema que funciona melhor com suas intenções. Os fãs de Flanegam podem até estranhar a forma mais elaborada (e menos sanguinolenta)  com que ele costura os episódios, mas para quem curte a obra de Poe é um deleite catar as referências à obra do autor (seja nas evidenciadas no título de cada capítulo e, não podendo esquecer, a presença obrigatória do Corvo). Existe aqui um fio condutor que entrelaça poder, cobiça, ambição, traição e outros sentimentos pouco nobres que motivam a família Usher, o que garante aos membros do clã características que são compartilhadas entre todos em maior ou menor grau, sem que o texto caia na tentação de dizer "este é o bonzinho", "esta é a inteligente", "este é o doidinho", "esta é a ignorante"... no fundo nenhum dos filhos vale muita coisa, o que deixa a sensação de ser uma paródia gótica de Succession da HBO (o que acho ótimo já que a abandonei na primeira temporada por achar sem sal). Aqui o patriarca Roderick Usher (vivido jovem por Zack Gilford e mais velho por Bruce Greenwood) e sua irmã (a jovem Willa Fitzgerald e a madura Mary McDonnell, que pouca gente lembra ter sido indicada ao Oscar por Dança com Lobos/1990) ergueram um verdadeiro império farmacêutico enquanto observam a vasta prole de Roderick brigar entre si para chamarem a atenção do pai. Quando o primeiro morre num incidente bizarro, os demais herdeiros começam a falecer um a um corroídos por suas próprias culpas e fraquezas. No decorrer de tudo isso existem outros dois personagens importantes que se sobressaem, uma é a mulher misteriosa que funciona como a chegada a morte (e que se torna ainda mais estranha com a imagem de Carla Gugino mostrando-se bastante versátil em facetas assustadoras de tonalidades variadas), o outro é Arthur Gordom Pym o famigerado sobrevivente da única novela de Allan Poe, que aqui aparece mais velho como o experiente advogado (e assessor para assuntos ilícitos) da família encarnado com gosto por Mark Hamill. Uma das minhas cenas favoritas é o encontro de Hamill e Gugino, ato em que uma fagulha de esperança aparece entre toda a perdição dos Usher. Falando nisso, se existe um aspecto que me incomodou na trama foi um certo exagero na intenção de modernizar os personagens, que por vezes parecem com um bando de outros caracteres de séries por aí, a sorte é que Flanegan puxa a cordinha para o seu mundinho particular antes que a coisa se torne repetitiva demais. Entre legítimos e bastardos, mortos e feridos, A Queda da Casa de Usher pode não ser uma obra perfeita, mas chega até perto pela ambição do seu criador inspirado em um dos ícones do gênero a que parece conhecer as entranhas históricas com propriedade acima da média.

A Queda da Casa de Usher (The Fall of the House of Usher / EUA -2023) de Mark Flanegan com Bruce Greenwood, Mary McDonnell, Carla Gugino, Mark Hamill, Zach Gilford, Willa Fitzgerald, Henry Thomas, Rahul Kohli, Samantha Sloyan, T’Nia Miller, Michael Trucco, Katie Parker, Matt Biedel, Crystal Balint, Ruth Codd, Kyliegh Curran, Carl Lumbly, Kate Siegel, Sauriyan Sapkota, Paola Núñez, Malcolm Goodwin e Daniel Jun. ☻☻☻☻

segunda-feira, 30 de outubro de 2023

Palpites para o Oscar 2024 - Parte III

Para encerrar a trilogia: os últimos palpites para a temporada de ouro:

"A Cor Púrpura" de Blitz Bazawule
É preciso ter um bocado de coragem para criar uma nova versão da obra de Alice Walker  depois que Spielberg fez a obra-prima de 1985 que esta foi indicada a 11 Oscars (e vergonhosamente não levou nada para casa). O tempo passou, o filme se tornou mais amado e ganhou uma versão musical nos palcos que chega agora aos cinemas. A Warner está confiante e até deixou alguns filmes para o ano seguinte para esta repaginada na história difícil de Nettie. O elenco estelar conta com Taraji P. Henson, Halle Bailey, Aunjanue Ellis, Danielle Brooks, Colman Domingo e Fantasia Barrino. 

"Saltburn" de Emerald Fennell
Depois da consagração na estreia com Bela Vingança/2021 (que lhe rendeu o Oscar de roteiro original), Fennell volta à dirigir mais uma mistura de comédia, drama e suspense, desta vez sobre um estudante de Oxford que cai em tentação quando vai passar alguns dias junto com a excêntrica família de um colega endinheirado. O filme dividiu opiniões no Festival de Veneza, mas colheu elogios para as atuações de Barry Keoghan e Jacob Elordi. Pelo visto, obras divisivas serão a especialidade da diretora, acostumem!

"Priscilla" de Sofia Coppola
Jacob Elordi também tinha outro filme a apresentar no Festival de Veneza, um filme em que ele vive ninguém menos que o Rei: Elvis Presley. Mas ao contrário do filme de Baz Luhrman, o foco de Sofia Coppola está em sua esposa, Priscilla Presley, que ele conheceu ainda adolescente e viveu um conto de fadas contaminado pelos problemas do mundo real. Embora o filme tenha recebido alguns elogios, o que sustenta mesmo o filme é o trabalho da novata Cailee Spaeny (com uma vibe Lana Del Rey) premiada como melhor atriz em Veneza. Ela segue forte na corrida do Oscar.

"Origin" de Ava DuVernay
O roteiro parte de uma ideia interessante: apresentar as relações sociais entre a diversidade racial dos Estados Unidos dentro de uma hierarquia de divisões humanas. Essa espécie de crônica sobre o sistema de castas da Terra do Tio Sam chamou a atenção de crítica e público, mas há quem diga que ficaria melhor se fosse moldado como um documentário. Será? Com atuações elogiadas de Aunjanue Ellis, Jon Bernthal, Vera Farmiga e Nick Offerman, o filme tem chances na categoria de melhor atriz (Ellis) e roteiro original. 

"Nyad" de Jimmy Chin e Elizabeth Chai Vasarhelyi
Será que Annette Benning finalmente levará para casa o Oscar de melhor atriz? Após quatro indicações ao longo da carreira, a Netflix planeja investir pesado no prestígio nunca oscarizado da atriz para que ela saia agraciada da cerimônia. O papel tem o maior cheiro de prêmio: ela vive Diana Nyad, atleta que aos 60 anos tenta realizar o sonho de nadar 110 milhas em mar aberto de Cuba até a Flórida. Mas nem só de Annette vive o filme, Jodie Foster vive sua melhor amiga e treinadora (e está cotada para categoria de atriz coadjuvante). 

"Napoleão" de Ridley Scott
O diretor não anda cotado junto à Academia após seus últimos projetos (e até virou piada na cerimônia de 2021), mas pode ser que ele tenha sorte com este épico baseado na vida de uma figura histórica. O filme oferece uma visão pessoal das origens de Napoleão (Joaquin Phoenix) e de sua ascensão rápida e implacável ao império, no entanto, destaca seu relacionamento intenso com a esposa, Josephine (Vanessa Kirby). Especula-se muito sobre indicações para o casal de protagonistas, mas resta saber se a Academia renovada curtirá um filme desses para além das categorias técnicas.

domingo, 29 de outubro de 2023

FILMED+: Assassinos da Lua das Flores

 
Leo e Lily: história de amor em meio ao genocídio.

Lançado em 2017, o livro de David Grann  sobre as investigações sobre as mortes entre o povo originário Osage nos Estados Unidos chamou a atenção do mestre Martin Scorsese quando ele percebeu a quantidade de camadas históricas que existia naquela narrativa. Basta imaginar que os Osage, como boa parte da população indígena nos Estados Unidos, foi dizimada (como cansamos de ver nos faroestes) e os sobreviventes acabaram ficando com um pedaço de terra que ninguém tinha muito interesse, mas que se mostrou uma cobiçada fonte de petróleo. Com isso, aquela nação se tornou um dos grupos mais ricos do país. Obviamente que isso chamou atenção de muita gente, que começou a gravitar em torno deles. No entanto, o número de mortes entre os osages era assustador nos anos 1920. Geralmente os casos eram considerados acidentes ou decorrentes de doenças cujo organismo Osage ainda não estava acostumado. Sim, é para soar estranho mesmo. Na mente de Scorsese, Leonardo DiCaprio era um investigador que tentava entender o que estava acontecendo por ali a partir do apelo de Mollie (Lily Gladstone) ao presidente dos EUA. As filmagens já tinham começado quando a pandemia de Covid-19 fez tudo parar. Vendo o que estava realizando, Scorsese percebeu que aquela não era a forma correta de contar a história que tinha em mãos. Ele refez o roteiro em parceria com Eric Roth e mudou o foco da trama para tentar ver de dentro os horrores vivenciados ali. Assim, DiCaprio deixou de ser um agente federal (papel agora vivido por Jesse Plemons) e passou a ser o esposo aparentemente tapado de Mollie, Ernest Burkhart, que chega para viver naquela região após sobreviver à guerra. Agora ele está sob os cuidados do tio, William Hale (Robert DeNiro). Ernest se encanta por Mollie, que antes de ser sua esposa, torna-se uma passageira recorrente em seu táxi. Embora tudo indique que Ernest realmente se apaixona por Molly, são os interesses de seu tio, somados à adoração do rapaz por dinheiro que fazem com que ele se torne peça importante nas engrenagens daquele lugar. Scorsese conta como funciona a lógica do homem branco naquela região sem pressa, ressaltando dicotomias que contradizem qualquer oposição que o cinema tradicional fazia entre o indígena apresentado como selvagem e o colonizador como civilizado. Assassinos da Lua das Flores desmonta qualquer discurso nesse sentido e o faz com um vigor invejável. Acho fascinante ver o cineasta aos 81 anos filmar com tamanha energia e, mais ainda, estar disposto a se repensar sem pudores. Digo isso não apenas por sua desenvoltura em mudar o ponto de vista do seu projeto inicial, mas também em absorver as críticas a quem acusa a violência de seus filmes ser estilizada (aqui ela surge mais covarde, absurda e estúpida do que nunca) ou daqueles que disseram que seus filmes não destacavam personagens femininas (um exagero, já que ele rendeu o Oscar para Ellen Burstyn em Alice não Mora Mais Aqui/1974 e Cate Blanchett por Aviador/2004, ele também conseguiu indicações para a precoce Jodie Foster por Taxi Driver/1976, Cathy Mortiarty por Touro Indomável/1980, Lorraine Bracco por Os Bons Companheiros/1991 e Sharon Stone por Cassino/1995, sem falar que foi ele o responsável por revelar a poderosa Margot Robbie em O Lobo de Wall Street/2013). Não sei se isso teve relação ao destaque que foi dado aqui para a personagem Molly Burkhart, mas isso rendeu para Lily Gladstone um dos personagens mais complexos da temporada. Aliás, tenho que agradecer a Scorsese por escalar uma atriz que merecia estar em alta desde sua participação em Certas Mulheres/2016 . É a química entre Lily e DiCaprio que fazem a história de um genocídio ganhar tons de uma história de amor fadada à derrota. Ela está perfeita e desponta como uma das favoritas ao Oscar de melhor atriz. Se DiCaprio está bem (deixando seu personagem ambíguo até após a subida dos créditos - afinal, é possível alguém ser tão tapado? ou ele está fingindo para se safar?), Robert DeNiro está perfeito como o populista cheio de más intenções. Juntar os dois atores favoritos de gerações distintas do cineasta é quase um mimo aos fãs (lembrando que Scorsese foi quem revelou DiCaprio ao produzir O Despertar de Um Homem/1993, também estrelado por DeNiro). Acho que Scorsese ficou tão satisfeito com o resultado de sua ideia repaginada que até deu a graça de sua presença no final, em que realiza uma esquete que soa como uma crítica a quem possa ver uma história dessas como mero entretenimento. Porém, Assassinos da Lua das Flores não é diversão é quase uma reparação cinematográfica no formato de um crucial anti-faroeste. Manter uma narrativa dessas fluindo por três horas e vinte minutos não é para qualquer um e Scorsese o faz com maestria. Obrigado mestre! Seu novo Oscar chega logo logo. 

Assassinos da Lua das Flores (Killers of the Flower Moon/EUA - 2023) de Martin Scorsese com Leonardo DiCaprio, Lily Gladstone, Robert DeNiro, Jesse Plemons, Tantoo Cardinal, Cara Jade Myers, John Lithgow, Jillian Dion, Jason Isbell, Scott Shepherd, Tatanka Means, Louis Cancelmi, William Belleau, Janae Collins, Brendan Fraser, Jack White e Martin Scorsese. ☻☻☻☻☻

Pódio: Alfredo Castro

Bronze: o Homossexual Fugitivo.

3º Sinfonia Inacabada (2006) Alfredo Castro nasceu no Chile em 1955, estudou teatro na Faculdade de Artes na Universidade do Chile e após receber prêmios no teatro ano final dos anos 1970, começou uma extensa carreira na televisão na década seguinte. Não satisfeito com seus dotes artísticos, foi se aprimorar na London Academy of Music and Dramatic Arts nos anos oitenta. A carreira no cinema começou com este filme de estreia de Pablo Larraín, com quem realizou vários trabalhos posteriormente (entre eles O Clube/2015 e o recente O Conde/2023). Aqui, o ator vive um homossexual confinado em um sanatório, mas que planeja sua fuga. Longe de ser o protagonista, ele rouba a cena e se torna o personagem mais interessante em cena. 

Prata: o Psicopata Dançarino
2º Tony Manero (2018) Alfredo interpreta Raul Peralta, um homem  obcecado pelo personagem de Os Embalos de Sábado à Noite. Raul é um sujeito com uma única expressão - que não muda sequer quando está se requebrando ao som da trilha sonora do filme que já assistiu ao uma dezena de vezes e o faz encontrar sentido até nas falas mais toscas do verdadeiro Tony. O sonho de Peralta é participar de um concurso na TV que procura encontrar o melhor Tony Manero do Chile. Ele não se envolve com política (o filme é ambientado na ditadura de Pinochet) e, vale ressaltar, também é um psicopata. O tempo me fez gostar ainda mais deste filme sombrio - e esta parceira de Alfredo Castro com Pablo Larraín os revelaram para o mundo. 

Ouro: o Voyeur Misterioso.
1º De Longe Te Observo (2015) Ganhador do Leão de Ouro no Festival de Veneza, o filme rendeu várias indicações para a atuação de Alfredo Castro no papel de Armando, que poderia ser apenas mais um voyeur se não fosse o dia em que conhece o jovem Elder (Luis Silva), rapaz agressivo, homofóbico e envolvido com gangues de rua. O interesse dele só cresce em torno do rapaz. Começa então um verdadeiro jogo de sedução e poder entre os dois, mas  nada é o que parece. Nas mãos de Castro, Armando torna-se um verdadeiro enigma. Tão incômodo quanto sutil, o filme surpreende ao abordar o cruzamento entre temas sociais e desejos reprimidos. Uma aula de atuação e de cinema. 

#FDS Pablo Larraín: Neruda

 
Gael: personagem perseguindo o seu escritor. 

Pablo Neruda é um escritor que se tornou mundialmente famoso, ao ponto de receber o Nobel de Literatura em 1971. No entanto, em um dos períodos mais sombrios de seu país, o escritor se tornou fugitivo ao final da década de 1940 por ser filiado ao partido comunista (Neruda foi até eleito senador pelo partido). Este período em que Neruda precisou fugir e ficar escondido se tornou o ponto de partida para o filme que fecha o #FinalDeSemana dedicado à obra do cineasta Pablo Larraín. Apesar do teor político da história, o chileno constrói aqui o seu filme mais poético ao dar asas à sua imaginação perante a busca pelo paradeiro do escritor. O espectador já sabe desde o início os passos de Neruda (vivido com gosto por Luis Gnecco), que está a maior parte do tempo ao lado da esposa, Delia (Mercedes Morán), no entanto, enquanto se impõe um cativeiro para a própria segurança, seu temperamento começa a ficar um tanto alterado pela tensão que começa a se construir ao seu redor. Uma fuga para Argentina se torna a solução. Quem se torna responsável por sua captura é o agente Óscar Peluchenneau (Gael Garcia Bernal), que aos poucos se torna o eixo da narrativa que passa a desenvolvê-lo como se fosse um dos personagens do escritor, um policial obcecado por encontrar seu procurado, mas que entra em crise perante sua jornada. Essa ideia de que Peluchenneau é uma criação do próprio Neruda permite que Larraín aprofunde cada vez mais a atmosfera noir do filme. Aqui existem cenas que são lindamente filmadas como uma espécie de reprodução dos clássicos que Hollywood realizava na mesma década em que a trama se passa. Dos figurinos, aos diálogos, passando pelas paisagens que são nitidamente projeções em uma parede, Larraín capricha na embalagem do filme. Curiosamente, o filme estreou no mesmo ano em que ele se aventurou pelo cinema americano com Jackie (2017), que rendeu uma indicação ao Oscar para Natalie Portman no ano em que este aqui pretendia conseguir uma vaga na lista de filme estrangeiro. No entanto, nada disso aconteceu. Muita gente torceu o nariz para Neruda  pela forma como o diretor apresenta o cultuado escritor, visto aqui como um sujeito de boa vida, que foi apontada como "vida burguesa" por vários críticos, que também torceram o nariz para suas visitas a bordeis e o diálogo com uma proletária, cenas que refletem uma imagem que arranha a percepção de um artista comunista engajado (particularmente acho uma ingenuidade imaginar que o escritor fez voto de pobreza durante a vida por ser comunista, já que a ideologia que ele acreditava está muito além do que essa superficialidade). Larraín não tinha a mínima intenção de criar um retrato fidedigno de Neruda - e visitando seus filmes posteriores envolvendo figuras históricas, como a já citada Jackeline Kennedy, Lady Di (em Spencer/2021) ou Pinochet em O Conde (2023), sabemos que seu interesse em criar histórias sobre esses personagens é muito mais um artístico do que documental. O melhor do filme é ver como o filme é construído de forma quase surreal até pouco antes do desfecho, naquele momento belíssimo no gelo com um monólogo estupendo de Gael. Tendo em vista que para Larraín ninguém é sagrado (basta ver a participação minúscula reservada a Alfredo Castro, seu ator favorito), trata-se de um filme de encher os olhos (e os ouvidos). 

Neruda (Chile/2016) de Pablo Larraín com Gael Garcia Bernal, Luís Genecco, Mercedes Morán, Diego Muñoz, Marcelo Alonso, Michael Silva e Pablo Derqui. ☻☻☻☻

sábado, 28 de outubro de 2023

4EVER: Matthew Perry

19 de agosto de 1969✰ 28 de outubro de 2023

Nascido em Massachussets (EUA), Matthew Langford Perry cresceu no Canadá após o divórcio de seus pais. O pai de Matthew também era ator, o que lhe rendeu o interesse pela profissão. No entanto, durante a adolescência, a paixão pelo tênis quase o fez desistir da carreira de ator. Desde pequeno, Perry demonstrava interesse pela comédia, exercitando sua habilidade de fazer os outros rirem desde os tempos de escola. A vida de ator começou em 1979, o ator fez algumas participações em programas de televisão, mas as tentativas de um voo solo sempre naufragava por perder espaço para atores mais conhecidos. Nesses tempos chegou a fazer uma participação na primeira temporada de Barrados no Baile (1991), mas o sucesso veio mesmo em 1994 quando conseguiu o papel de Chandler Bing na cultuada série Friends. A sitcom durou dez anos e lhe rendendo um dos maiores salários da TV e uma indicação ao Emmy. A fama lhe rendeu papeis de destaque no cinema como em Fools Rush In (1997) com Salma Hayek e Three to Tango (1999) com Neve Campbell, mas a carreira no cinema não decolou. Perry realizou outros programas para a televisão, mas seus problemas pessoais provocados pelo uso excessivo de analgésicos (após um acidente de jet ski em 1997) prejudicaram sua carreira. Perry foi encontrado em casa com sinais de afogamento.