segunda-feira, 14 de novembro de 2022
CICLO VERDE E AMARELO: Meteoros
domingo, 13 de novembro de 2022
CICLO VERDE E AMARELO: Os Primeiros Soldados
Começando o Ciclo Verde e Amarelo de 2022, escolhi um filme que assisti meio que por acaso numa noite dessas. Trata-se de "Os Primeiros Soldados", que aborda um tema ainda pouco explorado no cinema brasileiro. Aqui temos a história de Suzano (Johnny Massaro) que passou um tempo na Europa antes de voltar para sua cidade natal para visitar a irmã (Clara Choveaux) e o sobrinho no Espírito Santo. O ano é 1983, mas durante o período em que esteve fora nada parece ter mudado com relação à vida de homossexuais em suas cidade, afinal, eles continuam se encontrando de forma clandestina e sofrendo preconceitos de formas variadas. Se para ele a realidade já é complicada, imagine para Rose (Renata Carvalho), uma travesti discriminada no transporte público ou no hospital em que grita por atendimento. A coisa só complica com uma doença diferente que ninguém sabe como é transmitida ou como tratar. Estamos nos anos 1980. O HIV começava a surgir no Brasil e contaminar principalmente um grupo já discriminado, adepto do sexo livre (presente da contracultura das décadas anteriores) e que era visto de forma marginalizada pela sociedade, especialmente quando a chamada "peste gay" apresentava seus primeiros sintomas. Dirigido por Rodrigo de Oliveira, Os Primeiros Soldados faz alusão aos primeiros que foram para a frente de batalha do enfrentamento da AIDS em meio a todos os mecanismos sociais que os discriminavam e não faziam a mínima ideia de como lidar com um vírus que liquidava a imunidade do organismo humano. A ideia do título fica ainda mais forte quando Suzano e Rose se juntam a Humberto (Vitor Camilo) numa casa de campo utilizando recursos enviados pelo parceiro estrangeiro de Suzano, no que seria a busca de um tratamento que ainda era experimental. O diário de bordo realizado pelo trio torna o filme ainda mais angustiante, seja pelo isolamento, seja pela falta de perspectivas e a ideia de que a morte está cada vez mais perto. A atmosfera de festas e conquistas sexuais logo é substituída por uma mais fúnebre e desesperançada, construindo um retrato bastante eloquente do período em que a trama se passa. Johnny Massaro apresenta aqui mais um belo trabalho, no início com um tom afetado que aos poucos se diluí em olhos marejados. Ele está muito bem acompanhado de Renata Carvalho (que também aparece no forte Vento Seco/2020, excelente na pele de uma mulher trans artista que ainda é rotulada de transformista. Os Primeiros Soldados é tão contundente que parece até ser uma dolorosa história verídica. Talvez seja.
Os Primeiros Soldados (Brasil-2021) de Rodrigo de Oliveira com Johhny Massaro, Renata Carvalho, Clara Choveaux, Vitor Camilo e Alex Bonini. ☻☻☻☻
sábado, 12 de novembro de 2022
10+ Cotados para o Oscar 2023
As conversas sobre o Oscar já estão bem avançadas e alguns filmes cotados já até estrearam por aqui. Top Gun: Maverick tem chances crescentes após fazer o dever de casa direitinho e pode até trazer Tom Cruise de volta ao gosto da Academia após longo jejum. Outro que pode ser lembrado é Elvis de Baz Luhrman, que pode deixar para trás outras biopics para trás - incluindo Blonde (Ana de Armas bem que merecia uma indicação) e I Wanna Dance With Somebody que conta a carreira da diva Whitney Houston. Quem parece ter lugar garantido é Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo, que deve abocanhar várias indicações com sua história doida e cheia de sentimento. Alguns com assinaturas de prestígio já floparam pelo caminho, caso de The Son de Florian Zeller (podem chorar por Hugh Jackman, parece que a indicação não sai), White Noise de Noah Baumbach deve ficar pelo meio do caminho assim como Bardo de Alejandro Gonzalez Iñárritu (ambos da Netflix). Porém, a gigante do streaming tem um grande trunfo com todos os elogios de Nada de Novo no Front, o impressionante filme alemão que deve marcar presença em várias categorias enquanto desponta como favorito ao prêmio de filme internacional. A seguir outros filmes que possuem chances ampliadas nesta temporada de ouro:
PL►Y: Passei por Aqui
Passei por Aqui estreou na Netflix mês passado e chamou atenção de público e crítica pela sua atmosfera com tonalidades políticas (o que sempre dá um sabor especial a este tipo de filme). A produção é o novo projeto do diretor que fez bonito em sua estreia com Sob a Sombra (2016) e depois realizou o estranho Contato Visceral (2019). Em todos os seus projetos, nota-se que Anvari tem uma preocupação com temas atuais e criatividade suficiente para abordá-los com pitadas de fantasia e terror. Aqui ele deixa de lado o que seus filmes podem ter de mais fabuloso e finca os dois pés no chão para contar uma história que passa o foco da narrativa a cada um dos seus personagens, algo como uma troca de bastão. O filme começa com o rebelde grafiteiro Toby (George MacKay) que costuma invadir casas de endinheirados com o amigo Jameel (Percelle Ascott), a dupla deixa a frase do título escrita nas paredes e começa a ganhar atenção dos jornais. A mãe de Toby, Lizzie (Kelly MacDonald) não faz a mínima ideia do que o filho anda fazendo nas ruas (já que em casa ele não lava sequer a louça). O discurso rebelde contra o sistema é o que motiva o rapaz a continuar em suas desventuras, mas a coisa complica quando ele vai parar na casa de um figurão público da advocacia, Hector Blake (Hugh Bonneville), e descobre um chocante segredo escondido no porão daquele homem. Blake é cultuado como uma figura importante na defesa de refugiados, mas Toby descobre que sua persona é bem mais sinistra do que aparece nos telejornais. Conforme Blake ganha contornos de vilão, o filme começa a sepultar seu elenco de forma um tanto cansativa e perde alguns pontos quando começa a buscar uma causa estapafúrdia para as atitudes do ricaço (mas não dá para esperar muita lógica na mente de gente doida). Embora perca o ritmo aqui e ali enquanto firma o personagem de Hugh Bonneville como personagem principal, Passei por Aqui é um bom suspense sobre o que se esconde por trás do discurso sedutor de alguns cidadãos de bem, pena que as vidas que ficam pelo caminho não retornam para um final feliz.
Passei por Aqui (I Came By/Reino Unido - 2022) de Babak Anvari com George MacKay, Hugh Bonneville, Percelle Ascott, Kelly BacDonald, Antonio Aakeel, Franc Ashman e Tarik Badwan. ☻☻☻
quarta-feira, 9 de novembro de 2022
4EVER: Gal Costa
terça-feira, 8 de novembro de 2022
PL►Y: Operação Cerveja
É sempre interessante como um filme gera grande expectativa para a temporada de prêmios e depois observamos que sua força dilui até que seja esquecido no meio das apostas. Por vezes a expectativa é gerada pelo próprio filme que confia demais no que tem para apresentar ao público, outras vezes toda a expectativa fica por conta dos nomes envolvidos na produção. Operação Cerveja está no segundo grupo. O longa foi por um tempo aguardado como um dos favoritos para galgar categorias robustas no Oscar, no entanto, quando li a sinopse achei que seria difícil convencer os votantes da Academia de que um filme sobre um rapaz que resolve levar cerveja para seus amigos na Guerra do Vietnã era algo a ser levado a sério (embora seja baseado em uma história real bastante, digamos, pitoresca), porém, no alto dos créditos está Zac Efron em uma daquelas performances em que ele sempre almeja ser reconhecido não como colírio, mas como ator de verdade. Só que não é nome dele que alimenta todo o buzz premiável em torno do filme, mas o do diretor Peter Farrelly - que junto ao irmão Bobby Farrelly fez uma penca de comédias politicamente incorretas como Debi & Loid (1994), Quem Vai Ficar com Mary (1998), O Amor é Cego (2001) e por aí vai... até redefinir a carreira com um dos filmes mais controversos a levar o Oscar de melhor filme (e roteiro) para casa: Green Book (2018). Peter sempre teve interesse por abordar temas delicados de uma forma debochada em seus filmes, com seu longa oscarizado ele tentou demonstrar maior seriedade e aqui ele tenta fazer o mesmo. Tirando toda a expectativa em torno do filme, Operação Cerveja se mostra um filme bastante despretensioso perante o tema delicado que aborda. O longa é tecnicamente bem realizado em sua adaptação do livro biográfico de John "Chickie" Donohue que narra uma experiência inusitada em sua vida. Chikie tinha alguma experiência na Marinha Mercante, mas vivia acomodado com a família em Nova York em 1967, período da Guerra do Vietnã. Enquanto recebe a notícia de um amigo morto na Guerra, ele presencia protestos contra o confronto e decide levar um incentivo aos seus amigos no campo de batalha: cerveja. A ideia absurda acaba tendo desdobramentos ainda mais surreais quando ele é confundido com um agente da CIA e se mete no meio do fugo cruzado (sempre com aquela expressão de que não fazia a mínima ideia do que era uma guerra de verdade). Misturando drama e comédia, Zac Efron carrega o filme nas costas com desenvoltura (e poderia até concorrer ao Globo de Ouro de ator de comédia se o prêmio existir no ano que vem) e embora o filme tropece ao deixar várias ideias pelo meio do caminho, existem momentos em que a ideia absurda do protagonista casa perfeitamente com o absurdo da guerra em si - e choca pelo contraste entre a comédia e o drama de uma cena para outra. Vale registrar que Russell Crowe tem uma boa participação como um correspondente de guerra calejado e Bill Murray também aparece com a cara de sempre como o dono do bar que Chickie se reúne com os amigos. No fim das contas Operação Cerveja é mais um filme sobre a amizade do que sobre a guerra em si.
Operação Cerveja (The Great Beer Run/EUA-2022) de Peter Farrelly com Zac Efron, Russell Crowe, Kyle Allen, Jake Picking, Archie Renaux, Will Roppe e Bill Murray. ☻☻☻
segunda-feira, 7 de novembro de 2022
FILMED+: Nada de Novo no Front
PL►Y: Raymond & Ray
Raymond & Ray (EUA - 2022) de Rodrigo García com Ewan McGregor, Ethan Hawke, Maribel Verdú, Sophie Okonedo, Todd Louiso, Maxim Swinton, Vondie Curtis Hall, Chris Silcox e Chris Grabher. ☻☻☻☻
PL►Y: Meu Policial
Confesso que em determinado momento minha mente doentia misturou tudo e pensou que este filme e Não se preocupe, Querida (2022) eram a mesma produção. Logo que o filme dirigido por Olivia Wilde chegou aos cinemas, percebi que havia outro filme estrelado pelo astro pop Harry Styles a ser lançado também em 2022. Me atrevo a dizer que Harry é meu cantor pop favorito da atualidade e, obviamente, pela legião de fãs que possui ao redor do mundo, sua popularidade também chama atenção dos produtores que querem agregar uma parcela de audiência garantida para seus projetos. O moço apareceu pela primeira vez na telona com o indicado ao Oscar Dunkirk (2017) de Christopher Nolan. Conseguiu provocar gritinhos na sala de cinema com sua rápida aparição em Eternos (2021) da Marvel (num papel que deve repetir em breve) e recentemente teve destaque no já citado Não se Preocupe, Querida - filme que deu mais o que falar por suas fofocas de bastidores do que pelo filme em si. De certa forma o drama Meu Policial era o filme que Harry precisava para colocar sua carreira de ator sob nova perspectiva. O filme já está disponível no Prime Video e seu lugar entre produções mais assistidas do streaming comprova que o rapaz chama atenção do público. Ele interpreta o personagem do título que fica dividido entre o amor por outro homem e o disfarce de casar-se com uma mulher. Esta ideia já foi vista várias vezes no cinema e cabe ao diretor Michael Grandage fazer com que o filme prenda atenção do espectador perante as ideias recicladas que apresenta. A coisa complica quando ele resolve ir e voltar no tempo várias vezes durante a sessão (o que também é presente no livro de Bethan Roberts que deu origem ao filme), assim, mostra o casal Tom (Linus Roache) e Marion (Gina McKee) idosos às voltas com Patrick (Rupert Everett), um homem debilitado que é levado para a casa deles, para desgosto de Tom. O filme então volta no tempo para apresentar o dia que Marion (vivida jovem por Emma Corrin) conhece o belo Tom (Styles) e Patrick (vivido por David Dawson). Enquanto Tom e Marion se encantam um pelo outro, Patrick está sempre por perto até que descobrimos que os dois amigos mantinham uma relação muito mais íntima. Nestas idas e vindas o filme se enrola e pode deixa a sensação que o roteiro tem sua cota de furos (como toda a surpresa da esposa idosa perante todas as evidências que ela já teve a vida inteira do romance entre seu esposo e Patrick), no entanto, o que compromete mesmo é a direção gélida de Michael Grandage emoldurada por uma fotografia cinzenta que é praticamente um clichê manjado de um drama cinematográfico inglês. Pelo menos o elenco está bem. Na fase presente, o destaque vai para Gina McKee que tira leite de pedra com as emoções conflitantes de sua personagem. Já na fase jovem, o destaque é de Styles e Dawson que conseguem injetar alguma vivacidade à narrativa quando estão juntos em cena. O maior acerto do filme, no entanto é explorar as cenas de sexo mais animadinhas entre os dois moços e a formalidade obrigatória das cenas de alcova entre Tom e sua esposa - isso em um tempo em que homossexualidade era considerada crime. Meu Policial brinca com as fantasias dos fãs de Harry Styles, mas perde a chance de sair do lugar comum dos dramas de temática LGBTQIA+, ao menos fez o dever de casa com eficiência.
Meu Policial (My Policeman/Reino Unido - EUA /2022) de Michael Grandage com Harry Styles, Gina McKee, David Dawson, Linus Roache, Emma Corrin e Rupert Everett. ☻☻☻

















