terça-feira, 24 de março de 2020

FILMED+: O Farol

Robert e Willem: à beira da loucura. 

Depois da estreia com o elogiado A Bruxa (2015), o cineasta Robert Eggers segue em seu caminho para se tornar o mestre do terror do século XXI. O Farol é a confirmação de que estamos diante de um talento cheio de estilo e que prefere sutilezas e simbologias do que causar sustos fáceis na plateia. Aqui, mais uma vez, ele prefere construir a tensão cuidadosamente entre os seus personagens, numa espécie de tortura psicológica para quem está na tela ou diante dela. Para esta tarefa ele conta com dois atores inspirados em fases distintas de suas carreiras. Um deles é Willem Dafoe, ator consagrado e que parece se encaixar em qualquer coisa que lhe entreguem para fazer. Apesar de ser um rosto bastante conhecido e aparecer em superproduções hollywoodianas, nota-se que é no cinema independente que Dafoe encontra seu refúgio, prova disso é que o ator foi lembrado no Oscar por dois anos seguidos por seus irrepreensíveis trabalhos em  Projeto Flórida (2017) e O Portal da Eternidade (2018). No primeiro ele vivia um cuidadoso zelador de um hotel precário nos arredores da Disney, no segundo ele vivia o artista Van Gogh no período mais complicado de sua vida. Neste ano, bem que a Academia poderia ter lembrado dele como o experiente faroleiro prestes a surtar com a chegada de um parceiro. Vai entender o motivo de todo mundo ter se rendido ao Brad Pitt em Era Uma Vez em Hollywood (2019) e esquecer da força que Dafoe empresta à narrativa de O Farol. O veterano é seguido de perto pelo trabalho de Robert Pattinson, que todo cinéfilo bem informado já percebeu que está cada vez mais distante do vampiro brilhoso de Crepúsculo (2008). Colecionando bons trabalhos nos últimos anos (vou citar Bom Comportamento/2017 e High Life/2018 só para ficar nos mais recentes), o rapaz demonstra aqui que é preciso leva-lo a sério, já que (assim como seu parceiro de cena) está impecável perante a loucura que o consome vagarosamente diante do isolamento que aquele lugar provoca. Zeggers insere aqui um tom bastante pesadelesco e um tanto surreal na mistura  de referências que utiliza sobre as mitologias em torno da vida no mar (sereias, maremotos, maus presságios...) e esgarça cada vez mais a relação da dupla ao longo da sessão. O estresse chega a um nível insuportável e aquela cena raivosa de Willem Dafoe clamando uma punição ao parceiro é um daqueles momentos que você não consegue nem piscar diante da tela. Feito em belíssima fotografia em preto e branco (única indicação do filme ao Oscar), usando aquele formato de tela quadradamente claustrofóbico, calcado em atuações carregadas do elenco em uma estética que lembra filmes expressionistas alemães o resultado é impressionante. O Farol parece concebido para ser um clássico do horror psicológico e, por sorte, alcança seu objetivo com louvor! Se Zeggers queria nos deixar cada vez mais curiosos com seus projetos futuros, o cara conseguiu. 

O Farol (The Lighthouse / Canadá - EUA / 2019) de Robert Eggers com Robert Pattinson e Willem Dafoe. ☻☻☻☻☻

segunda-feira, 23 de março de 2020

PL►Y: História de Um Casamento

Scarlett, Azhy e Adam: palavras afiadas. 

O cineasta Noah Baumbach caiu nas graças da crítica com seu terceiro filme, A Lula e a Baleia (2005) que marcou sua estreia no cinema autoral e rendeu sua primeira indicação ao Oscar pelo roteiro original de uma família que tenta juntar os cacos após o divórcio. Elogiado pelo frescor de seu filme (embora o tom fosse bastante pessimista), o cinema de Baumbach ficou ainda mais denso em suas obras seguintes, embora eu goste bastante de Margot e o Casamento/2007, considero O Solteirão/2010 um dos filmes mais insuportáveis da história - pelo menos este filme serviu para colocar Greta Gerwig no caminho de Noah. Depois que Greta se tornou sua musa, seja na tela ou fora dela, com Frances Ha (2012) o cinema de Noah seguiu por outros caminhos e, embora sua ironia permaneça a mesma, agora ela está mais colorida. Portanto é ainda mais interessante que ao revisitar o tema da separação, desta vez o tom é completamente diferente e até mais verdadeiro. Em sua segunda parceria com a Netflix (a anterior foi Os Meyerowitz/2017), Noah conta a história de um casamento com os dias contados. Charlie (Adam Driver) é um consagrado diretor de teatro em Nova York e Nicole (Scarlett Johansson) é sua esposa e atriz de suas peças já faz algum tempo. No começo do filme os dois estão numa sessão de terapia e este é o ponto de partida para o espectador conhecer um relacionamento que está desgastado. Aos poucos conhecemos os sentimentos que começaram a tomar conta daquela relação, as renúncias, as mágoas, os desentendimentos e aqueles pontinhos que vão se juntando e contaminando a rotina até que ela não faz mais sentido. No princípio os dois tentam se separar amigavelmente, mas tão logo a justiça aparece num complicado processo de divórcio aguçado ainda mais pela guarda do filho do casal (Azhy Robertson), a situação vira uma verdadeira guerra. Nas atuações precisas de Scarlett e Adam vemos a dissolução daquele relacionamento, mas sem perder de vista os detalhes que demonstram que o afeto permanece ali, ainda que soterrados por toneladas de mágoas e diálogos pesados. Baumbach cria aqui o seu melhor texto. Os diálogos espertos sempre foram sua marca, mas aqui ele constrói um encaixe perfeito das tensões entre os personagens, não apenas entre o casal protagonista, mas também em quem está ao redor (com destaque especial para a soberba atuação de Laura Dern que levou para casa os prêmios mais importantes de atriz coadjuvante da temporada pela advogada de Nicole). A coisa funciona tão bem que em vários momentos parece que estamos diante da destruição de um casal de verdade. Dói. Incomoda e comove com os momentos mais ternos que Baumbach já concebeu. Scarlett e Adam mereceram suas indicações ao Oscar e poderiam até ter levado para casa suas cobiçadas estatuetas, assim como Baumbach poderia ter sido lembrado na categoria de melhor diretor. Aqui ele demonstra personalidade e, se em alguns momentos seus roteiros lembram muito a escrita de Woody Allen, aqui ele incorpora um pouco de Ingmar Bergman também com muito discernimento na profundidade de seus personagens. História de um Casamento é o filme mais maduro do cineasta, ouso dizer que é sua obra-prima. 

História de Um Casamento (Marriage Story/EUa-2019) de Noah Baumbach, com Adam Driver, Scarlett Johansson, Laura Dern, Azhy Robertson, Alan Alda, Merritt Wever e Ray Liotta. ☻☻☻☻

FILMED+: Parasita

Os Kims: o que você faria para mudar de vida?

Retomando as resenhas aqui no blog após longa ausência, não posso deixar de reiniciar os trabalhos falando de um dos melhores filmes a que assisti nos últimos tempos: Parasita. Muito antes dos burburinhos das premiações de fim de ano, o filme de Bong Joon-Ho já era o meu favorito de 2019 desde que entrou em cartaz aqui no Brasil. Ganhador de Palma de Ouro em Cannes, o filme Sul Coreano viu seu prestígio aumentar em escala mundial e, quem o assistiu, sabia exatamente o motivo dele figurar entre os favoritos do Oscar deste ano. Obviamente que a grande maioria imaginava que o filme levaria (fácil) o Oscar de Filme Estrangeiro, talvez levasse mais um (roteiro original na melhor das hipóteses), mas nem o fã mais otimista poderia imaginar que das seis indicações, o filme levaria algumas das mais cobiçadas da noite: filme, direção, roteiro original e filme estrangeiro (a única que era garantida). O filme fez história, obviamente que um bando de gente que não percebe a importância do que aconteceu irá dizer que não era para tanto. Era para tanto sim e demonstra o claro reflexo do que quanto à renovação dos votantes do Oscar foi muito bem vinda! Faz algum tempo que Joon-Ho faz filmes com fortes causas bem demarcadas, basta ver o que ele fez com o espetacular O Expresso do Amanhã (2014) ou a emoção de Okja (2017 um tanto ofuscada por toda aquela polêmica besta de Cannes com um filme feito para a Netflix). Em Parasita ele mantém o cuidado com a estética, o design de produção é um primor com suas escalas de "cima e embaixo" na construção de uma relação espelhada entre as famílias, ela ajuda a construir uma simetria torta fundamental para a história. O cineasta em momento algum perde de vista as atuações para extrair o máximo que pode de um roteiro redondinho e surpreendente (o que para muito roteiristas ainda é um grande desafio). Para além de seus subtextos, Parasita é puro cinema. O poder de sugestão sob a plateia, a edição de cortes precisos, o uso da luz, a forma como muda de tom em uma sinfonia perfeita com todos os elementos que o cinema agrega. A história parece simples no início com o filho de uma família de poucos recursos descobrindo a chance de ganhar algum dinheiro dando aulas de reforço para uma menina de família rica. Logo ele vê a oportunidade de empregar outros membros de sua família na casa, mesmo que para isso tenha que mentir e prejudicar outros empregados da casa. Sim, existe um dilema moral na história ou seriam dois, ou três... quatro talvez. O fato é que a história começa a se misturar com nosso olhar sobre o mundo, a sociedade, suas hierarquias e preconceitos e a lógica perversa do "farinha pouca, meu pirão primeiro", não por acaso é justamente nesta hora que tudo se complica e o que era possibilidade vira o risco de se perder até o pouco que se tinha. Parasita começa um tanto cômico em seus cortes e intenções, apresenta uma agilidade invejável de ritmo preciso, mas depois o clima pesa, se torna um suspense que se rende à tragédia lenta e certeira. Ser invisível ou não ser, ousar querer mais nas limitações existentes, escolher os caminhos para isso e do que se é capaz quando tudo parece perdido... Parasita é sobre tudo isso e muito mais, por isso mesmo é o tipo de filme que se vê várias vezes e promete ser cada vez melhor. Simplesmente Magnífico!

Parasita (Gisaengchung / Coreia do Sul - 2019) de Bong Joon-Ho com Song Kang-Ho, Lee Sun-Kyun, Jo Ye-Jeong, Choi Woo-Sik,  Park So-dam, Jang Hye-jin e Song Ji-So.  ☻☻☻☻☻

N@ Capa: Joker

Na Capa: Joker pop. 

Para começar os trabalhos oficialmente em 2020, hora de mudar a  capa do blog desde outubro do ano passado! Esta mistura pop art dos icônicos atores que viveram o Coringa no cinema e na TV (desculpa, Jared Leto, mas você acabou ficando de fora por algum motivo subjetivo do artista que bolou isso...). Cesar Romero que viveu o vilão na multicolorida, onomatopéica e antológica série do Batman dos anos 1960 não poderia ficar de fora - e foi só no ano passado que descobri que o ator usava maquiagem em cima do bigode, uma vez que não cogitou retirar sua marca registrada. Jack Nicholson foi o primeiro ator a viver o vilão no cinema (Batman/1989 de Tim Burton) e sempre disse que viver o Coringa não era fácil. Embora seu estilo seja mais satírico, ele marcou época e chegou a aconselhar Heath Ledger para tomar cuidado com o palhaço do crime. O jovem ator australiano gerou polêmica ao ser ao ser o escolhido de Christopher Nolan para encarnar o arquiinimigo do Homem-Morcego em O Cavaleiro das Trevas (2008). Tão logo o filme estreou, público e crítica se renderam ao talento do rapaz que recheou o vilão de complexidade, pena que Heath faleceu antes de receber seu merecido Oscar de Coadjuvante. Anos depois, com toda a crise que os filmes da DC enfrentariam nos cinemas (quem diria, culpa da Marvel e sua mudança de paradigma em fazer filmes de super-heróis?) foi a vez de Joaquin Phoenix encarnar Arthur Fleck, a identidade secreta do vilão concebida por Todd Phillips em Coringa (2019) num filme diferente de tudo que o personagem já apareceu. Num estudo de personagem que reflete muito do mundo em que vivemos hoje,  Phoenix deu show na estética chupada de clássicos de Martin Scorsese. O resultado? Mais de um bilhão de bilheteria mundial, 192 indicações a prêmios (87 ganhos) e muitos deles para a performance ambivalente de Phoenix. Com onze indicações ao Oscar (dois na estante: melhor ator e melhor trilha sonora) o nosso olhar sobre Joker jamais será o mesmo. 

 
Phoenix, Ledger, Jack e Cesar: nada será como antes. 

terça-feira, 31 de dezembro de 2019

FAVORITOS 2019 - CINEMA

Para fechar, aqui estão os meus favoritos do ano cinematográfico de 2019. Como de costume, muita gente irá sentir falta de um filme aqui e outro ali, de um ator, uma atriz e ficará surpreso com um outro que apareça entre os meus destaques. Seguem os que tornaram um ano árduo muito mais interessante...

ELENC✪

REVELAÇÃO DO AN✪

ATRIZ C✪ADJUVANTE

ATOR C✪ADJUVANTE

CINEASTA REVELAÇÃ✪

MELHOR AT✪R 

MELH✪R ATRIZ

MELHOR ROTEIR✪

DIREÇÃ✪

FILME DO AN✪

FAVORITOS 2019 - TELEVISÃO

É até estranho com tanto serviço de streaming eu escrever sobre os meus favoritos da TV. Mas enquanto não encontro um termo melhor, aqui estão os programas e artistas que tornaram 2019 cheio de coisa boa para assistir: 

MELHOR COMÉDIA

ATRIZ DE COMÉDIA

ATOR DE COMÉDIA 

ATRIZ COADJUVANTE

ATOR COADJUVANTE 

ATRIZ DE DRAMA

ATOR DE DRAMA

MELHOR DRAMA

10+: Favoritos de 2019

Continuando meu fechamento de 2019, segue a lista dos meus filmes favoritos lançados por aqui neste ano (listados em ordem alfabética). Aproveita e lista os seus favoritos nos comentários:

Baseado em personagens reais, Yorgos Lanthimos realizou sua verdadeira obra prima! Seus filmes sempre foram muito esquisitos, mas este aqui tem muito mais! Humor bizarro, visual carregado e um jogo de poder inusitado com foco em três mulheres defendidas por atrizes inspiradas! Emma Stone e Rachel Weisz já são consagradas há algum tempo (e tem um Oscar cada uma), o melhor de tudo é ver Olivia Colman soberana e levando uma estatueta para casa pelo papel da oscilante Rainha Ana. 

A estreia deste elogiado filme foi adiada tantas vezes no Brasil que ele acabou indo direto para os serviços de streaming. Baseado em uma absurda história real (sobre jovens e um plano mirabolante para roubar um livro que vale milhões), o filme marca estreia de Bart Layton fora dos documentários, mas ainda assim com sua marca narrativa confiável  que mistura personagens reais e atores. O resultado é um dos filmes mais interessantes do ano e que precisa ser descoberto. 

Sabe aquele filme que termina e você fica com um nó na garganta por vários dias? O filme da cineasta Nadine Labaki é assim - e dói até o estômago. O filme tinha tudo para dar errado e se tornar um melodrama insuportável, mas a diretora tem pulso firme, além de ser uma ótima diretora de crianças. Ela faz coisas inacreditáveis com seus pequenos protagonistas e ao público cabe torcer para que os dos tenham um final feliz (afinal, você não aguenta mais chorar!). 

Talvez este seja o filme mais falado do ano. Seja pela atuação de Joaquin Phoenix, pelas polêmicas que levantou desde sua exibição no Festival de Veneza ou pela capacidade em mostrar como o mundo está louco e propício para alimentar personagens como o problemático Arthur Fleck. Phillips bebe na fonte certa (os filmes de Scorsese da década de 1970) e cria um filme ousado para quem está acostumado aos filmes inspirados em HQ dos últimos anos. Se 2019 tivesse um retrato, seria assim. 

Quando assisti este filme polonês ele foi direto para os meus favoritos do ano. A forma como Pawel conta a história de um casal (ao longo de vários anos) cortada pelas relações diplomáticas de países europeus já renderia uma bela trama... mas ele faz mais. Com cortes temporais precisos, uso magnífico da música como instrumento narrativo e uma atuação avassaladora de Joanna Kulig (que mulher é essa?!) o filme é um clássico que prima principalmente pela concisão (apenas 88 minutos). 

#06 "História de Um Casamento" de Noah Baumbach
As pessoas sempre cobram que os filmes da Netflix sejam excelentes, mas como qualquer estúdio, ela produz muita questionável e deixa suas pérolas para momentos estratégicos (no caso para a temporada de ouro). Se todo ano eles lançarem pelo menos um do quilate deste novo filme de Baumbach eu ficarei satisfeito! Em sua segunda parceria com a Netflix, o diretor cria seu filme mais maduro, demonstrando as emoções de um casal vendo o casamento ser destroçado pelo processo de divórcio. 

Depois do sucesso absoluto de Corra! (2016), Peele volta com outra alegoria de horror. Desta vez ele mergulha no imaginário dos duplos, daquela nossa metade sombria, aquela que é e não é você. Deu para entender? Bem, então melhor assistir ao filme e apreciar a forma como ele lapidou mais a mistura de horror e humor, além de nos brindar com uma atuação inesquecível de Lupita Nyong'o - bem que ela merecia uma indicação ao Oscar por este filme. E a última cena? Depois me diz o que você acha dela. 

#08 "O Farol" de Robert Eggers
Não fosse por uma concorrida pré-estreia no final de dezembro, este filme quase entraria na lista só do ano que vem! Depois de A Bruxa (2015), Eggers, mergulha ainda mais no horror psicológico e mistura todas as referências que consigo lembrar sobre a solidão de dois homens numa ilha. Fora as atuações primorosas de Willem Dafoe e Robert Pattinson num duelo perfeito.  Existem tantas leituras possíveis para o filme que não escreverei aqui e deixarei você pensando sobre isso. 

Faz tempo que o sul coreano Joon Ho é reconhecido como um dos diretores mais criativos em atividade no mundo. Seus últimos filmes são obrigatórios e com Parasita ele apresenta fôlego para estar entre os maiores cineastas do mundo. A trama cheia de simbologias e de narrativa precisa em cada minuto de projeção tornam a obra uma das mais importantes do ano. Não por acaso, levou para casa a Palma de Ouro em Cannes e se tornou um dos filmes mais premiados ao longo de 2019. 

#10 "Vida Selvagem" de Paul Dano
Reconhecido como bom ator, Paul Dano resolveu alçar novos voos com sua estreia na direção. O resultado é um filme de personagens bem construídos, misturado a uma certa nostalgia e muita maturidade ao fixar o olhar em um adolescente diante da crise no casamento dos seus pais. De estética marcadamente indie, Dano apresenta segurança e sensibilidade, além de render a melhor atuação de Carey Mulligan em muito tempo. 

10+: MELHORES PÔSTERES 2019

Sim meus amigos, eu fiquei muito tempo sem escrever aqui no blog. Escrevo agora no dia 21/03/2020, porém, por motivos de organização, irei datar esta postagem no final de dezembro do ano passado, data em que ela foi concebida e engavetada. Faltava tempo e um tanto de motivação para escrever por aqui, mas diante da reclusão da pandemia do Coronavírus, estou retomando as atividades aqui no blog. Como meu pensamento é cartesiano demais para bagunçar meus arquivos por aqui, irei escrever os meus favoritos do ano passado para fechar as postagens de 2019 e depois escreverei sobre os filmes que assisti com as datas corretas. Agora tempo é o que não falta! Quanto à motivação, agradeço aos meus amigos que insistiram para eu retomar minhas anotações por aqui e minha terapeuta que considera uma boa ideia eu voltar a ter um passatempo e parar de pensar somente no trabalho e outras coisas preocupantes.  Como todos anos, começo meus favoritos com os pôsteres que mais apreciei no ano de 2019. 


#09 Doutor Sono

#08 Vidro

#07 O Farol

#06 Parasita

#05 O Homem que Matou Dom Quixote 


#03 Mulher Maravilha 1984

#02 John Wick: Parabellum

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

PL►Y: O Favorito

Jackman: a vida sexual enquanto pauta política. 

É no mínimo curioso que no mesmo ano em que um dos filmes mais aclamados da temporada de ouro se chamava A Favorita (dez indicações ao Oscar e convertendo a estatueta de melhor atriz para Olivia Colman), os distribuidores resolveram batizar um filme esquecido das premiações como O Favorito. The Front Runner (título original) era um dos filmes mais cotados para o Oscar, a direção de Jason Reitman sempre gera interesse  e a presença do astro Hugh Jackman ao lado de Vera Farmiga e J.K. Simmons indicava que o filme estava disposto a fazer bonito. Lançado em novembro, no meio dos pesos pesados da temporada o filme não foi bem nas bilheterias e não empolgou a crítica com o escândalo na campanha do senador Gary Hart em 1987. Hart (vivido com seriedade por Jackman) tentava cravar sua candidatura à presidência pelo partido Democrata em 1988 com seu carisma e pinta de galã de TV. Seu discurso era afinado com grande parcela da população, seus planos eram emblemáticos para os eleitores e os enchia de esperança, ou seja, era a cara da mudança num país que via do lado republicano a candidatura de George Bush (o pai), até então vice de Ronald Reagan. Tudo ia bem até que Hart se tornou pioneiro em algo que rende manchetes até hoje: um escândalo sexual no mundo da política. Diante da crescente intenções de voto para Hart, a mídia começou a procurar algo que pudesse vender ainda mais jornais e acabou se deparando com suspeitas sobre a infidelidade do senador. Reitman e seus parceiros roteiristas tem aqui uma história real cheia de possibilidades, mas que perde o fôlego num roteiro inconsistente que não consegue decidir qual mensagem quer passar. As referências estão bem claras aqui, do início em que os personagens falam demais ao mesmo tempo (algo bem Robert Altman) passando pela intenção de emular a tensão do clássico Todos os Homens do Presidente/1975, mas não empolga justamente pelo texto insosso para um tema tão explosivo. A coisa piora consideravelmente quando ensaia o discurso de denúncia sobre abusos que homens poderosos feito Hart cometeram ao longo da vida misturado com o receio de demonizar a mídia que associa a vida pessoal de candidatos à sua competência política. Quando o filme precisa se equilibrar entre estes dois pontos ele piora consideravelmente. Sem se comprometer em dizer que era tudo um grande mal entendido ou se algo realmente aconteceu, o filme perde a oportunidade de se aprofundar em um dos "pilares" do conservadorismo do Tio Sam: o discurso da moral e dos bons costumes. O resultado só não fica mais desengonçado por conta da competência de Hugh Jackman na pele do desconfortável candidato (pena que ele aparece pouco) e de seu elenco de apoio. Infelizmente, O Favorito tropeça em sua pretensão e perde fôlego quando deveria se tornar uma crônica política contundente para o tempo que vivemos. 

O Favorito (The Front Runner / EUA-2018) de Jason Reitman com Hugh Jackman, Vera Famiga, J.K. Simmons, Alfred Molina, Mark O'Brien, Mike Judge, Sara Paxton e Kaitlyn Dever. ☻☻