sábado, 14 de dezembro de 2024

PL►Y: Blitz

Soirse e Hefferman: separados pela guerra.

Havia bastante burburinho de que a irlandesa Saoirse Ronan entraria para o seleto clube das atrizes que são indicadas duplamente em uma cerimônia do Oscar. Motivos para isso são seus trabalhos em The Outrun (que lhe rendeu indicações ao British Independent e Gotham Awards) e neste Blitz, novo filme do badalado Steve McQueen. O contraste entre as duas personagens também ajudaria bastante a atriz, já que no primeiro ela vive uma mulher problemática e no segundo uma mãe separada do filho em meio à Segunda Guerra Mundial. Se a indicação sair (o que parece cada vez mais difícil com o congestionamento de interpretações femininas marcantes no ano), provavelmente ela não será por Blitz, que foi recebido com frieza por crítica e público que esperava um pouco mais do encontro do diretor do oscarizado 12 Anos de Escravidão (2013) com a atriz já indicada quatro vezes ao Oscar (nada mal para quem acaba de completar trinta anos). A recepção fria ao filme, que era a grande aposta da AppleTV para os prêmios deste ano, se deve principalmente a trama sem graça que é apresentada. Ambientado durante os bombardeios em  Londres, havia um programa de proteção para deixar crianças a salvo dos bombardeios na capital da Inglaterra. Para mantê-las em segurança, as mães as enviam para o campo até que um dos momentos mais críticos da guerra passasse. Para proteger o filho, George (Elliot Heffernan), a operária Rita (Saoirse Ronan) o envia de trem para o campo, mas o menino preferia ficar ao lado dela naquele momento difícil - tanto que a despedida entre os dois tem sabor de revolta. O menino resolve fugir do trem e voltar para casa, o que o coloca em situações perigosas em meio ao cenário de guerra. Ele acaba encontrando um grupo de outros meninos fugitivos, é protegido por um guarda de bom coração, se envolve com saqueadores, com as inundações do metrô e bombardeios. É estranho que enquanto o filme acompanha as desventuras do menino, deixa a sensação de que não sabe o que fazer com Rita para preencher seu tempo de tela, pelo menos até que ela descubra que o filho fugiu e siga fazendo nada de relevante no filme. Ainda que Saoirse seja uma ótima atriz, ela não consegue fazer milagre com uma personagem tão sem graça. Havia uma campanha para que o novato Elliot Hefferman concorresse ao Oscar de melhor ator, mas a situação do garoto complica ainda mais já que na maioria das vezes seu personagem é mais uma testemunha dos acontecimentos do que protagonista da narrativa. A fotografia em tons de marrom também não ajuda a prender a atenção em uma narrativa esquemática que ambicionava traçar um panorama daquele período. Falta vigor na trama e o verniz antirracista do filme também não consegue sair do lugar comum. Muitos já apontam o longa como o filme mais decepcionante de McQueen. Difícil imaginar que Blitz foi realizado pelo diretor indie que começou a carreira chamando atenção com os incomuns Fome (2008) e Shame (2011), aqui falta a assinatura do diretor que pode fazer muito mais do que vemos aqui. Existem bons momentos, mas são poucos se pensarmos nas ambições da produção. Por vezes tive a impressão que o longa se torna a versão aguada do tcheco O Pássaro Pintado (2019). Longe de mim querer que o George sofresse feito o pequeno Joska, mas custava fazer de Blitz um filme menos redundante?

Blitz (Reino Unido - EUA / 2024) de Steve McQueen com Saoirse Ronan, Elliot Hefferman, Harris Dickinson, Benajmin Clémentine, Paul Weller e Stephen Graham. ☻☻

PL►Y: Coringa - Folie a Deux

Gaga e Phoenix: o filme mais odiado do ano.

Se  Coringa2 não for o maior fracasso de bilheteria de 2024, ele com certeza merece o título de filme mais odiado do ano. Muito por conta do fenômeno cultural que foi o primeiro filme (um filme baseado em HQ que foi Premiado no Festival de Veneza e rompeu a barreira do bilhão nas bilheterias com um drama sombrio e pessimista). O primeiro Coringa fez tanto sucesso que rendeu todos os prêmios daquela temporada para o colosso Joaquin Phoenix e levou ainda o Oscar de trilha sonora enquanto disputava outras nove categorias no maior prêmio do cinema americano - incluindo filme e direção para Todd Phillips. Ao que parece todo mundo gostou do sucesso de Coringa, menos o diretor. Phillips ficou famoso com a comédia Se Beber Não Case (2009) e disse em entrevistas ter feito seu Joker pensando em como dar risada pode ser considerado ofensivo nos dias atuais. Acontece que a interpretação que muita gente teve de seu vilão foi diferente do que ele imaginava e viu o personage ser considerado por muitos um herói incompreendido num mundo excludente - por mais que Phillips ressaltasse que seu protagonista era um assassino perigoso. Assim como Joker se tornou uma figura cultuada na trama por conta dos crimes que cometeu, o cineasta viu o mesmo acontecer na vida real. Diante do sucesso inesperado do primeiro filme, Todd foi convidado a realizar uma inevitável sequência, mas disse que faria apenas se fosse do seu jeito, sem que os produtores se metessem. Foi assim que ele torrou quatro vezes mais para desconstruir tudo o que muita gente venera no filme anterior. Pista de que isso aconteceria aconteceu quando divulgou que seria um musical e que teria Lady Gaga como a mítica Arlequina. Devo dizer que nenhum desses pontos me desagradou, ainda que os considerasse um bocado arriscados. Pista porque o musical deve ser o gênero menos apreciado ao redor do mundo, mas ainda assim temos ao menos um exemplo brilhante de como podem ser sombrios e assustadores (Sweeney Todd/2007 de Tim Burton, filme que eu adoro), por outro lado, por mais que Lady Gaga seja uma atriz competente, seu fã-clube é proporcional ao número de haters de olho em tudo o que ela faz. No fim das contas, tudo dependeria do roteiro assinado pelo diretor e Scott Silver. A bomba já se denunciava no Festival de Veneza em que o filme era um dos mais aguardados e recebeu críticas mornas. Aqui, Arthur Fleck (Phoenix) está internado no Asilo Arkham aguardando julgamento pelos cinco assassinatos que cometeu. Medicado, calado e controlado, ele mal faz ideia que fora dali tem uma legião de seguidores enquanto serve de chacota para os guardas do local. As coisas parecem melhorar quando ele conhece Harley Quinzel, mais conhecida como Lee (Lady Gaga), que idolatra a imagem insana daquele sujeito e o motiva a ser novamente o imprevisível Coringa. Aos poucos, Fleck volta a encarnar seu alterego e o filme segue em um julgamento que revisita situações e personagens do filme anterior. Com isso Folie a Deux (nome em francês para transtorno delirante induzido) se torna dependente demais do primeiro longa, com uma série de explicações que ninguém pediu. O filme se torna repetitivo em um roteiro que anda em círculos para terminar de forma bastante decepcionante. Todo o teor robusto de Joker não aparece aqui. A culpa nem é das músicas (logo no início o diretor já anuncia sua proposta em um programa de TV: quer provar como o musical pode servir ao drama dos personagens), também não me incomoda o fato de Joaquin não cantar bemm o que incomoda é que para um filme com mais de duas horas, o roteiro soa improvisado, com ideias inventivas que não foram bem desenvolvidas. Meu momento favorito do filme é aquele em que Puddles (Leigh Gill, perfeito!) vai depor e expõe todo horror de perceber que um amigo se transformou em um monstro (ou será que ele sempre foi?). Esta é a intenção de Todd Phillips, mostrar que o vilanesco Coringa não é digno de admiração e acho que este é o grande motivo de ódio perante o filme. De certa forma, ao ver Coringa2 a plateia sente-se tão decepcionada quanto Lee (e Lady Gaga que aparece pouco e subaproveitada com o potencial da personagem) e restou apenas reclamar do filme, que está longe de ser um desastre, mas também não é tão interessante quanto poderia ter sido. Acho que, no fundo, faltou ao diretor a ousadia de radicalizar suas ideias (algo que vimos recentemente em A Substância), distante de toda emulação scorsesiana, Todd deixou o filmeem cima do muro. Resta apenas apelar para o fanservice do desfecho para que se criem teorias a respeito do que acontece depois. Que aconteça nada, por favor. 

Coringa: Folie a Deux (EUA-2024) de Todd Phillips com Joaquin Phoenix, Lady Gaga, Brendan Gleeson, Catherine Keener, Zazie Beetz, Leigh Gill, Harry Lawtey e Steve Coogan. ☻☻  

KLÁSSIQO: O Colecionador

Terence e Samantha: atuações premiadas.

Após assistir recentemente à Teorema de Pasolini (1968), eu lembrei de outro filme com Terence Stamp que sempre tive curiosidade de assistir, mas que demorei muito para assistir. Trata-se de O Colecionador, filme adaptado do livro de John Fowles, produção que recebeu reconhecimento em sua época de lançamento - basta lembrar que seu casal protagonista foi premiado por suas interpretações no Festival de Cannes, que a atriz ganhou o Globo de Ouro de atriz dramática daquele ano e que o Oscar lembrou do filme nas categorias de melhor diretor, melhor roteiro adaptado e melhor atriz. O livro de Fowles está entre os meus favoritos e minha relação com ele é bastante particular por conta da atmosfera tensa que constrói ao longo da narrativa, seja na primeira parte em que o personagem masculino conta a história ou na segunda em que a personagem feminina assume a voz da narrativa. Trabalhar com pontos de vistas diferentes em uma mesma obra não é tarefa fácil, mas Fowles cumpre a proposta com louvor e gera um resultado impactante. O roteiro de Stanley Mann e John Kohn não cai na armadilha de fazer o mesmo em sua transição para o cinema e opta por criar uma linha narrativa única, com ênfase nos momentos em que os dois personagens estão em cena, o que gera um resultado bastante eficiente para os admiradores da obra. A trama conta a história de Freddie Clegg (Terence Stamp), um homem comum que coleciona borboletas e que recebe uma fortuna que muda sua vida para sempre. Freddie compra um casarão afastado da cidade, uma residência adequada para que sua ideia mais sombria seja posta em prática. Faz algum tempo que ele admira Miranda (Samantha Eggar) à distância. O que poderia ser apenas uma história de amor platônico torna-se um pesadelo quando ele resolve rapta-la. Ele a leva para o casarão e a instala no  porão, sem contato com o mundo exterior, ele espera convencê-la a se apaixonar por ele. A ideia absurda obviamente não dará certo e, enquanto ele segue o plano, ela tenta convencê-lo a deixa-la ir embora e retomar sua vida. A dinâmica entre os dois segue em tentativas dele agradá-la sem que sua mente doentia se dê conta de que a ideia de um "romance" já começa errada em sua raiz, ao mesmo tempo que ela procura negociar sua liberdade, mesmo que aos poucos ela tenha cada vez mais certeza que as insegurança daquele homem é motivada pela loucura. Para um filme lançado em 1965 pode se dizer que envelheceu muito bem na forma como constrói a narrativa cheia de suspense amparada pela dinâmica entre os dois personagens, interpretados de forma marcante por Terence e Samantha. Ele se torou um ícone por sua aparência de galã somada àquelas expressões mínimas que revelam um turbilhão de emoções por dentro, já Samantha não se contenta em interpretar uma mocinha indefesa, nutrindo sua personagem com a força e a inteligência necessárias para desafiar os planos daquele homem. O porão da casa remete claramente aos clássicos do terror e a narrativa sabe como alimentar a tensão claustrofóbica que existe na estranha relação dos dois. A única coisa que me incomoda é a trilha sonora persistente que por vezes se torna irritante, um pequeno problema perante um filme que, de vez em quando, aparece nas listas de melhores suspenses da história do cinema. Em tempos em que relacionamentos tóxicos e abusivos estão em pauta, O Colecionador permanece atual.

O Colecionador (The Collector / Reino Unido - EUA / 1965) de William Wyler com Terence Stamp, Samantha Eggar, Mona Washbourne e Maurice Dallimore. ☻☻☻☻

quinta-feira, 12 de dezembro de 2024

10+ Melhores Pôsteres de 2024

#10 "Saturday Night" de Jason Reitman

# 09 "Stopmotion" de Robert Morgan

#08 "Back to Black" de Sam Taylor-Johnson
 
#07 "A Verdadeira Dor" de Jesse Eisenberg
 

 


#02 "Abigail" de  Tyler Gillett e Matt Bettinelli-Olpin 

#01 "Anxiety Club" de Wendy Lobel

.Doc: Bruxas

Sankey: precisamos falar sobre psicose pós-parto.
 
Comecei a assistir o documentário Bruxas, presente no catálogo da MUBI, imaginando que veria um filme sobre como essas mulheres são representadas nos filmes e na cultura pop em geral. Esta ideia foi reforçada pelo início do filme, em que a montagem utiliza cenas de vários filmes famosos que possuem personagens envolvidas com bruxaria no ritmo do contexto traçado pela diretora Elizabeth Sankey. Aos poucos você percebe que Sankey quer nos guiar por um território mais vasto e assustador. Não por acaso, ela se inspira em uma situação bastante pessoal para dar início ao seu estudo sobre mulheres que foram classificadas como bruxas e traçar paralelos sobre situações sobre saúde mental que precisam ser esclarecidas. Ainda que ressalte que estas mulheres foram incompreendidas ao longo da história, que muitas eram curandeiras e parteiras, que foram perseguidas quando a medicina amparada pela ciência praticada pelos homens começou a ganhar mais espaço e desejava exclusividade, o filme envereda por um território ainda mais interessante e necessário quando começa a abordar questões de saúde mental vinculadas às mulheres, especialmente relacionadas à vida pós parto. Para além de toda a descarga hormonal no organismo feminino e a pressão sentida ao se ver diante de um recém-nascido, a cineasta não se satisfaz ao falar de depressão pós-parto, ela vai além, ao falar de um tema ainda pouco explorado: a psicose pós-parto. Um quadro gravíssimo que é mais comum do que se imagina e que se complica ainda mais pela falta de informação misturada ao receio de dizer o que se passa na cabeça das pessoas que sofrem com esta situação. Estima-se que a psicose pós parto atinja cerca de 1 ou 2 mulheres a cada mil, parece pouco, mas, quando falamos de mulheres com transtorno bipolar, o cenário muda: de 10% a 20% delas desenvolvem o transtorno. Elizabeth Sankey conta como percebeu que após ter seu primeiro filho como seus pensamentos trafegavam em sentimentos extremos em torno do bebê. Ao mesmo tempo que havia uma sensação de amor absoluto e necessidade de proteger o filho a todo custo, por outro lado, havia momentos em que faria de tudo para se livrar dele. Diante de todas as responsabilidades que a maternidade acarreta e mudanças na rotina (seja física ou em alterações em rotina de sono, alimentação e dinâmica de um casal), a diretora ressalta a ideia do que é perder-se de si mesma em meio a tudo isso. Sankey foi internada em uma instituição para tratamento psiquiátrico e descobriu outras mulheres na mesma situação que também são entrevistadas no documentário. Fica clara a necessidade de acompanhamento especializado para  voltar a tomar as rédeas da saúde mental. Fica evidente que é um processo longo e bastante doloroso, especialmente pela incompreensão que encontram no caminho (muitas vezes amparadas por preconceitos disfarçados de conhecimento). O documentário se sustenta pelos relatos contundentes e uma montagem que relaciona o que é dito com trechos de filmes famosos como Possessão (1981), As Bruxas de Eastwick (1987), Da Magia à Sedução (1998), A Bruxa (2015) e muitos outros de forma bastante atrativa, o que ajuda a suportar o peso de casos em que a psicose pós-parto gerou atitudes extremas que poderiam ter sido evitadas se houvesse maiores informações divulgadas em contraponto à imagem de uma maternidade vivenciada sem maiores conflitos. Para completar a costura de ideias, o filme ainda apresenta um momento arrepiante em que as entrevistadas lêem registros de visões e comportamentos de mulheres acusadas de bruxaria e que são muito semelhantes ao que estas vivenciaram durante o período delicado após o parto. Bruxas se prova então um documentário mais do que interessante, mas uma obra profundamente necessária que merece ser descoberta. 
 
Bruxas (Witches / Reino Unido - 2024) de Elizabeth Sankey com Elizabeth Sankey, Catherine Cho, David Emson, Sophia Di Martino, Shema Tariq e Marion Gibson. ☻☻☻☻  

segunda-feira, 9 de dezembro de 2024

INDICADOS AO GLOBO DE OURO 2025


Emilia Pérez: 10 indicações fazem um favorito?

Hoje foram divulgados os indicados ao Globo de Ouro 2025 e entre as surpresas (não considero a indicação de A Substância nas categorias de comédia porque já era divulgado a predisposição para isso e sim, considero que existem fatores que justificam isso), senti faltas da Danielle Deadwyler na categoria de coadjuvante (efeito Ariana Grande amparada pelo sucesso de Wicked?), mas o melhor foi ver Fernanda Torres indicada ao prêmio de melhor atriz dramática por Ainda Estou Aqui, que também concorre a melhor filme estrangeiro. Sobre isso é importante perceber que o indiano "Tudo que Imaginamos Feito Luz" cresceu muito nas últimas semanas no páreo de filme internacional, ao ponto de cravar uma indicação à melhor direção por aqui (algo que não era pensado até então), o que só reforça que se Emilia Perez era o maior obstáculo para o filme brasileiro na temporada de ouro, o concorrente indiano começou a se tornar uma ameaça de fato rumo ao Oscar. Quem também ganhou mais afeto dos votantes foram Selena Gomez (como coadjuvante no cinema e atriz em série de Tv), Kate Winslet (surpresa na categoria de atriz cinematográfica e nem tanto em categoria de Tv) e Sebastian Stan, indicado como melhor ator nas categorias de drama e comédia/musical em filme. A seguir todos os indicados à cerimonia que acontecerá no dia cinco de janeiro! Façam suas apostas: 

Melhor filme (drama)
“The Brutalist”
“Um Completo Desconhecido”
“Conclave”
“Nickel Boys”
“September 5”

Melhor filme (musical ou comédia)
“Anora”
“Emilia Pérez”
"A Verdadeira Dor"
“Wicked”

Melhor diretor (filme)
Jacques Audiard, “Emilia Pérez”
Sean Baker, “Anora”
Edward Berger, “Conclave”
Brady Corbet, “The Brutalist”
Payal Kapadia, “Tudo Que Imaginamos Como Luz”

Melhor ator de filme (drama)
Adrien Brody, “The Brutalist”
Timothée Chalamet, “Um Completo Desconhecido”
Daniel Craig, “Queer”
Colman Domingo, “Sing Sing”
Ralph Fiennes, “Conclave”
Sebastian Stan, "O Aprendiz"

Melhor atriz de filme (drama)
Pamela Anderson, “The Last Showgirl”
Angelina Jolie, “Maria”
Nicole Kidman, “Babygirl”
Tilda Swinton, “O quarto ao lado”
Kate Winslet, “Lee”

Melhor atriz em filme (comédia ou musical)
Amy Adams, “Nightbitch”
Cynthia Erivo, “Wicked”
Karla Sofía Gascón, “Emilia Pérez”
Mikey Madison, “Anora”

Melhor ator de filme (comédia ou musical)
Jesse Eisenberg, “A Real Pain”
Hugh Grant, “Heretic”
Gabriel LaBelle, “Saturday Night”
Jesse Plemons, “Kinds of Kindness”
Glen Powell, “Hit Man”
Sebastian Stan, “A Different Man”

Melhor ator coadjuvante em filme
Yura Borisov, “Anora”
Kieran Culkin, “A Verdadeira Dor"
Edward Norton, “Um Completo Desconhecido”
Guy Pearce, “The Brutalist”
Jeremy Strong, “O Aprendiz”
Denzel Washington, “Gladiador 2”

Melhor atriz coadjuvante de filme
Selena Gomez, “Emilia Pérez”
Ariana Grande, “Wicked”
Felicity Jones, “The Brutalist”
Isabella Rossellini, “Conclave”
Zoe Saldaña, “Emilia Pérez”

Melhor roteiro de filme
“Emilia Pérez”, Jacques Audiard
“Anora”, Sean Baker
“The Brutalist”, Brady Corbet, Mona Fastvold
“A Real Pain”, Jesse Eisenberg
“Conclave”, Peter Straughan

Melhor filme em língua não-inglesa
"Tudo Que Imaginamos Como Luz"
"Emilia Pérez"
"A Garota da Agulha"
"The Seed of the Sacred Fig"
"Vermiglio"

Melhor filme de animação
“Flow"
“Memoir of a Snail
“Moana 2”
“Wallace & Gromit: Vengeance Most Fowl”
“Robô Selvagem”

Melhor destaque nas bilheterias
“Beetlejuice Beetlejuice”
“Gladiador 2”
"Wicked"
“Robô Selvagem”

Melhor canção original (filme)
“Beautiful That Way” (The Last Showgirl)
“El Mal” (Emilia Pérez)
“Forbidden Road” (Better Man)
“Robô Selvagem” — “Kiss the Sky” (Robô Selvagem)
“Mi Camino” (Emilia Pérez)

 Melhor trilha sonora - Filme
“Conclave”
“The Brutalist”
“Robô Selvagem“
“Emilia Pérez”

Melhor série de TV (drama)
“The Day of the Jackal”
“The Diplomat”
“Mr. and Mrs. Smith”
“Shōgun”
“Squid Game” (Netflix)

Melhor série (comédia ou musical)
“Abbott Elementary”
“The Gentlemen”
“Hacks”
“Nobody Wants This”
“Only Murders in the Building”

Melhor série limitada, antologia ou filme feito para TV
“Disclaimer”
“Monsters: The Lyle and Erik Menendez Story”
“Pinguim”

Melhor ator de série - Drama
Donald Glover, “Mr. and Mrs. Smith”
Jake Gyllenhaal, “Presumed Innocent”
Eddie Redmayne, “The Day of the Jackal”
Hiroyuki Sanada, “Shōgun”
Billy Bob Thornton, “Landman”

Melhor atriz coadjuvante de série de TV

Melhor ator coadjuvante de TV
Tadanobu Asano, “Shōgun"
Javier Bardem, “Monsters: The Lyle and Erik Menendez Story"
Harrison Ford, “Shrinking”
Jack Lowden, “Slow Horses”
Diego Luna, “La Maquina”

Melhor atriz de TV (Musical ou comédia)
Kristen Bell, “Nobody Wants This”
Quinta Brunson, “Abbott Elementary”
Selena Gomez, “Only Murders in the Building”
Kathryn Hahn, “Agatha All Along”
Jean Smart, “Hacks”

Melhor atriz em série limitada, antologia ou filme feito para TV
Cate Blanchett, “Disclaimer”
Cristin Milioti, “The Penguin”
Sofía Vergara, “Griselda”

Melhor ator em série de TV (musical ou comédia)
Adam Brody, “Nobody Wants This”
Ted Danson, “A Man on the Inside”
Steve Martin, “Only Murders in the Building”
Jason Segel, “Shrinking”
Martin Short, “Only Murders in the Building”

Melhor ator em série limitada, antologia ou filme feito para TV
Colin Farrell, “The Penguin”
Kevin Kline, “Disclaimer”
Cooper Koch, “Monsters: The Lyle and Erik Menendez Story”
Ewan McGregor, “A Gentleman in Moscow”

Melhor atriz em série de TV (drama)
Kathy Bates, “Matlock”
Emma D’Arcy, “House of the Dragon”
Maya Erskine, “Mr. and Mrs. Smith”
Keira Knightley, “Black Doves”
Keri Russell, “The Diplomat”
Anna Sawai, “Shōgun”

Melhor stand-up para TV
Jamie Foxx, “What Had Happened Was”
Nikki Glaser, “Someday You’ll Die”
Seth Meyers, “Dad Man Walking”
Adam Sandler, “Love You”
Ali Wong, “Single Lady”
Ramy Youssef, “More Feelings”

domingo, 8 de dezembro de 2024

PL►Y: Motel Destino

Iago, Nataly e Fábio: triângulo torto. 

Indicado à Palma de Ouro do Festival de Cannes, Motel Destino de Karim Aïnouz não é para todos os gostos, mas acredito que o diretor de Madame Satã (2002) está longe de esperar unanimidade em qualquer coisa. O filme conta a história de Heraldo (Iago Xavier), um rapaz que cansou da marginalidade e resolveu mudar de vida e ir para São Paulo. No entanto, ele precisa realizar um último serviço para que possa seguir seus planos,  só que um imprevisto (uma noite tórrida em um motel e dormir além do que deveria) faz com que tudo aconteça errado e... passa ser jurado de morte pelo seu bando. Sem ter para onde ir, ele pede refúgio no motel em que passou a noite, afinal, trata-se de um lugar em que se esconder sem que levante maiores suspeitas. Com conhecimentos de técnico eletricista, ele é absorvido pela rotina de trabalho do local que é ditado pelo temperamental Elias (Fábio Assunção), que é casado com Dayana (Nataly Rocha) que também trabalha no local. Aos poucos surge uma atração entre o rapaz e Dayana, mas existe o temor de serem descobertos. Por outro lado, Elias demonstra-se bastante receptivo ao fato de tê-lo por perto, o que sugere a formação de um triângulo amoroso que não funciona como o previsto. Apesar do roteiro  seguir por um caminho mais óbvio quando poderia surpreender a partir daquela cena de Heraldo e Ivan na praia, o filme tem aspectos muito interessantes. A começar por construir os bastidores de um motel como se fosse uma espécie de mundo paralelo, com suas luzes e sons lascivos, enriquecidos ainda mais pelas cenas de delírio e alucinações apresentadas na história. Da forma como a rotina dos personagens é apresentada, se torna mais do que compreensível a química e o envolvimento que passa a ser estabelecido entre os três. O filme tem várias cenas de sexo, o que deve incomodar alguns espectadores e também não tem pudor em apresentar a nudez de seus personagens (sobretudo de Heraldo) que sob um verniz naturalista oferece um sentido a tudo isso. Infelizmente, Iago Xavier é o elo mais fraco do elenco quando seu personagem precisa expressar em diálogos as suas angústias, suas falas soam rebuscadas e artificiais, uma pena já que sua parceira de cena, Nataly Rocha, está bastante convincente como uma mulher comum que vê a chance de viver uma grande paixão. Destaque mesmo é Fábio Assunção, perfeito em um personagem completamente diferente do que estamos acostumados a vê-lo. Ele faz de Elias o grande mistério do filme, nunca deixando claras as suas intenções ao longo da narrativa, oferecendo cores cada vez mais ameaçadoras ao personagem ao longo do filme, ainda que eu adoraria que o trio protagonista houvesse seguido outros rumos. No entanto, talvez a ideia do filme seja essa mesmo, que a agressividade sufoque o desejo e vá tudo por água abaixo no destino dos personagens. 

Motel Destino (Brasil - 2024) de Karim Aïnouz com Iago Xavier, Nataly Rocha e Fábio Assunção. ☻☻☻

terça-feira, 3 de dezembro de 2024

PL►Y: Madre

Marta e Jules: nuances de um filho desaparecido.

Elena (Marta Nieto) está em casa com a mãe quando recebe a ligação de Ivan, seu filho de seis anos de idade. O menino está viajando com o pai e está em uma praia na fronteira litorânea da Espanha com a França. Ivan está visivelmente nervoso, já que o pai foi até o trailer buscar os brinquedos do filho, mas o deixou sozinho na areia. Não há ninguém por perto. O pai está demorando. A bateria do celular do menino está no fim e no desespero de ambos ninguém sabe o que fazer. Quando o menino diz que um senhor se aproxima e o convida para se aproximar, a tensão só aumenta e essa é a trama do curta-metragem angustiante de 2017 feito pelo diretor Rodrigo Sorogoyen - que foi indicado ao Oscar na categoria de melhor curta-metragem em 2019. Mas o que teria acontecido ao menino diante daquela situação assustadora? Como a mãe seguiu a vida após aquela situação traumática? Dois anos após o lançamento do curta, Sorogoyen amplia a história neste filme homônimo que conta o que aconteceu com aqueles personagens dez anos depois. Elena agora trabalha em um restaurante na beira de uma praia, talvez na esperança de um dia ter pistas sobre o filho. Ainda que o tempo tenha passado, ela está visivelmente destroçada por dentro (e por fora), presa à uma busca que permanece sem respostas (e a cena curtinha do pesadelo que paira em sua cabeça, ilustra bem o horror que aprendeu a conviver ao longo dos anos). Mesmo em seu relacionamento com o compreensivo namorado Joseba (Alex Brendemühl), ela parece distante na dificuldade de criar laços após o trauma. Sua rotina é transformada quando conhece Jean (Jules Porier), um adolescente que passa férias no litoral junto aos pais e os irmãos. Elena percebe semelhanças entre o rapaz e Ivan e se aproxima cada vez mais, despertando a incompreensão da família do menino e instiga ainda mais os comentários na região de que "ela é a louca que perdeu o filho". É na relação de Elena e Jean que o filme avança, deixando muito nas entrelinhas para a interpretação do espectador e flerta aqui e ali com elementos da tragédia Édipo Rei, o que adiciona camadas ainda mais complexas às emoções e motivações da personagem. Para alguns espectadores a forma como Sorogoyen conduz a trama pode soar cansativa, mas a interpretação visceral de Marta Nieto compensa qualquer deslize. A atriz interpretou o mesmo personagem no curta e foi premiada no Festival de Veneza por seu trabalho aqui. Emoldurada pela belíssima fotografia e o cuidado do diretor na construção de sua cenas (ele utiliza planos sem cortes diversas vezes que dão um toque especial à narrativa), em Madre ela é a alma (desesperada) do filme. 

Madre (Espanha - França / 2019) de Rodrigo Sorogoyen com Marta Nieto, Jules Porier, Alex Brendemühl, Anne Consigny, Frédéric Pierrot, Guillaume Arnault e Raúl Prieto. ☻☻☻☻

PREMIADOS GOTHAM AWARDS2024

Adam Pearson e Sebastian Stan: melhor filme no Gotham Awards. 
 
Por muito tempo o Gotham Awards foi uma referência para o cinema indie dos Estados Unidos, desde o ano passado, resolveram diversificar e abrir as suas categorias para produções de estúdio que tivessem um orçamento mais modesto. Um outro diferencial da premiação são seus diversos prêmios especiais  (só nesta edição homenagearam Zendaya, Angelina Jolie, Denis Villeneuve, Timothée Chalamet, James Mangold, Franklin Leonard e o elenco de Piano de Família), que aponta quem está em alta na temporada, mas que também funciona como um pedido de desculpas para artistas e produções celebradas que poderia sair com as mãos abanando. Transmitido pelo Youtube, a premiação tem um jeitão meio improvisado, mas que serve como o início da temporada das grandes premiações que culminam no Oscar. Falando em Oscar, o ganhador de melhor filme do ano surpreendeu, já que apesar de seu prêmio de melhor ator no Festival de Veneza, o filme não parecia ter fôlego para cair nas graças da Academia. Diante do que vimos no Gotham, Um Homem Diferente ganhou crédito para cravar algumas indicações aos careca dourado. Porém, o melhor momento da noite foi Vera Drew ser premiada por sua versão alternativa de Coringa em The People's Joker e no discurso não conter a ironia ver seu filme premiado apesar de todos os impedimentos promovidos pela Warner (que viu Coringa2 naufragar nas bilheterias).  A seguir todos os premiados da noite de ontem: 

Melhor Filme: Um Homem Diferente

Melhor Diretor:  RaMell Ross (Nickel Boys)

Melhor Interpretação Principal: Colman Domingo (Sing Sing)

Melhor Interretação Coadjuvante: Claren Maclin (Sing Sing)

Artista Revelação: Brandon Wilson (Nickel boys)

Cineasta Revelação : Vera Drew ( The People's Joker)

Melhor Roteiro: Azazel Jacobs (As Três Filhas)

Melhor Documentário: No Other Land

Melhor Filme Estrangeiro: "All We Imagine As Light" (Índia)