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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

DVD: RED - Aposentados e Perigosos

RED: 56, 74, 58 e 66 anos ainda na ativa.

Desde que recebeu seu Oscar por A Rainha (2006), a inglesa Helen Mirren tem variado bastante os filmes em que tem aparecido, além de filmes sérios (A Última Estação/2009), animações (A Lenda dos Guardiões/2010), passando por comédias recicladas (Arthur, o Milionário Irresistível/2011), filmes infantis (Coração de Tinta/2008) e até filmes de ação como este RED. O filme do desconhecido Robert Schwentke era uma das grandes apostas do verão americano em 2010 e conseguiu até relativo sucesso, rendendo uma boa sessão da tarde para os carentes de comédias de ação no estilo Máquina Mortífera. Baseado em uma história em quadrinhos, RED (abreviação em inglês para Aposentado e Extremamente Perigoso) conta uma história com ex-agentes da CIA que suspeitam de uma conspiração envolvendo o candidato a vice-presidente dos EUA. A tal conspiração é para liquidar agentes envolvidos numa missão que revelaria o passado obscuro do candidato - ou pelo menos é isso que eles pensam. Bruce Willis é o protagonista Frank Moses que tentava levar uma vida tranquila enquanto flertava com Sarah (Mary Louise Parker), mas acaba sofrendo um atentado e tendo que reunir seus amigos  para salvar a pele, um deles é Joe (Morgan Freeman) que vive sossegado numa casa de repouso, já Marvin (John Malkovich) perdeu vários parafusos em suas missões secretas e sua mente paranóica é mais prestativa do que os outros podem imaginar, para completar o grupo está Victoria (Mirren), a melhor do ramo da "limpeza" - e que carrega um affair mal resolvido do passado com Ivan Simanov (Bryan Cox, ótimo). Apesar de algumas cenas de ação elaboradas e muitas piadinhas, RED não entrega tudo o que promete. É o tipo de filme a que se assiste para passar o tempo e nada mais. Os atores fazem o que podem com personagens unidimensionais e parecem mais se divertir (especialmente Helen Mirren com armas na mão) do que atuar. Rovert Schwentke ainda precisa comer bastante arroz com feijão para se tornar um mestre neste tipo de filme, fica a dica para que no próximo projeto não se concentre somente em ter um elenco de primeira, mas em desenvolver melhor os seus personagens. Tudo em RED é tão simples que a premissa interessante acaba desenvolvida com certo desânimo, especialmente na primeira metade da sessão que se arrasta enquanto Frank reúne seus amigos. Sorte que um elenco desses reunido já vale a visita, prova disso é que em meio às comédias esqueléticas de 2010 o filme conseguiu uma indicação ao Globo de Ouro de Melhor Filme de Comédia ou Musical. Deixando o filme um pouco de lado, interessante notar como os atores principais continuam aparecendo em vários filmes mesmo com a idade avançada - o que me fez pensar nisso é que Richard Dreyfuss faz um papel pequeno no longa, o que acabou se tornando uma constante para ele, que era um dos atores mais celebrados da década de 1980 e 1990 (décadas que são a clara referência de RED). 

RED - Aposentados e Perigosos (RED/EUA-Canadá-2010) de Robert Schwentke com Bruce Willis, Morgan Freeman, Helen Mirren, Mary Louise Parker, John Malkovich, Bryan Cox, Richard Dreyfuss e Keith Urban. 

terça-feira, 20 de dezembro de 2022

PL►Y: RED - Crescer é uma Fera

 
Meilin e suas amigas: domando as emoções. 

Dia desses conversando com alguns amigos, cheguei à conclusão que realmente envelheci. Não ando com paciência para filmes escapistas e a minha cota de animações assistidas ao longo de 2022 foi praticamente irrisória. Não sei muito bem o que está acontecendo comigo, mas o fato é que resolvi ver a última animação da Pixar que está disponível no Disney+, RED - Crescer é uma Fera. Eu sei, o título não faz sentido algum, mas ao ver o filme ganhar espaço nas premiações minha vontade de assisti-lo cresceu consideravelmente. Colabora muito para isso o fato da diretora ser a Domee Shi, a animadora responsável por aquele curta incomum chamado Bao que levou o Oscar de animação em 2019 após causar estranhamento ao ser exibido antes de Os Incríveis2 (2018). O curta investia na fantasia para abordar temas difíceis como a maternidade, o crescimento e a síndrome do ninho vazio. De certa forma, RED retoma alguns destes temas com grande habilidade ao contar a história de Meilin (Rosalin Chiang), uma menina de treze anos bastante confiante e que possui três melhores amigas que enchem seus dias de alegria. Meilin não é nada frágil (e em alguns momentos até a compararam com a Mônica criada pelo Maurício de Souza), mas a coisa complica bastante quando ela se torna um enorme panda vermelho. Ela não faz a mínima ideia do motivo disso acontecer e, obviamente, procura esconder esta situação de todo mundo. O fato é que trata-se de uma espécie de maldição familiar que recaiu sobre as mulheres de sua família há tempos. Existe uma forma de reverter, mas a graça do filme é ver como Meilin subverte nossas expectativas utilizando isso ao seu favor até que precise realizar uma escolha definitiva em sua vida. Obviamente que não precisa ser um gênio para perceber que o filme tem uma analogia com a menstruação e a chegada da maturidade feminina, mas existe algo mais do que isso quando sua personagem precisa aprender a lidar com as emoções para evitar que o panda tome atitudes um tanto, digamos, drásticas. O roteiro começa de forma intimista como uma alegoria sobre a adolescência até que atinja proporções maiores até o desfecho tão emocionante como bem humorado. Domee Shi cria um visual caprichado para o seu filme e nos oferece personagens divertidos sem perder de vista os dilemas da família da protagonista (sempre entre as tradições e os conflitos entre mãe e filha). RED está indicado ao Globo de Ouro de Melhor Animação e está entre os favoritos para uma vaga no Oscar da mesma categoria, o triste foi ver o sucesso do filme ser modesto nos cinemas por conta de um controverso lançamento no Disney+ ao mesmo tempo em que chegava aos cinemas (o que deixou o resultado de bilheteria bastante inferior ao que merecia). 

RED - Crescer é uma Fera (Turning Red / EUA - 2022) de Domee Shi com vozes de Rosalie Chiang, Sandra Oh, Ava Morse, Hyein Park, Maitreyi Ramakrishnan, Wai Ching Ho, Orion Lee e Mia Tagano. 

domingo, 21 de setembro de 2014

DVD: RED 2

John, Mary e Bruce: tiros e (mais) humor. 

A combinação de violência e humor costuma ser infalível quando o diretor alcança um equilíbrio entre esses dois elementos. Em décadas passadas franquias como Máquina Mortífera e Um Tira da Pesada lotavam salas de cinema com essa mistura. Duro de Matar era dessa época e transformou Bruce Willis em maior astro do gênero com seu humor cínico. É verdade que os anos passaram, as rugas foram aparecendo, os cabelos rareando, mas Bruce ainda é um nome que costuma chamar atenção das alas masculina e feminina para esse tipo de filme. Talvez sua presença seja fundamental para a franquia RED (baseada na série de quadrinhos da DC Comics) tornar-se uma herdeira do gênero na marra de seu elenco de renome. O primeiro fez tanto sucesso (ao ponto de ser indicado ao Globo de Ouro de melhor filme de comédia) que uma continuação era certa. Os agentes aposentados da CIA retornam para uma nova aventura quando alguém tenta dar cabo do experiente Frank Moses (Willis), fato que parece anunciado quando o carro dirigido pelo paranóico Marvin Boggs (John Malcovich) explode nos minutos iniciais do filme. Sem o fiel amigo o fim de Moses parece mais próximo, até que uma série de acontecimentos irá colaborar para que ele sobreviva. Não cabe dizer muito mais para não estragar a surpresa, o fato é que o filme retorna com os personagens do anterior, Moses, Boggs, Victoria (Helen Mirren) dando maior destaque para a esposa de Frank, a desastrada Sarah (Mary Louise Parker). A história dessa vez dará a volta ao mundo (de uma forma um tanto confusa), misturando o antigo maior inimigo da CIA: os russos (dessa vez não apenas com o conhecido Ivan vivido por Brian Cox - que infelizmente aparece pouco -  e um ex-affair de Moses, encarnado por Katherine Zeta-Jones,  mas também com uma descoberta que pode destruir o mundo). Num conjunto de descobertas eles irão se deparar com o doido Dr. Edward Bailey (Anthony Hopkins), que eles esperam poder colaborar para deter a ameaça. RED 2 ainda escolhe um inimigo que retrata o quanto o tempo passou para Moses, o mercenário Han Cho Bai (Byung-hun Lee que convence na pele do melhor assassino do mundo), que tem uma rixa pessoal com o veterano. Piadas e cenas de ação ajudam o público a esquecer que o diretor Dean Parisot tem dificuldade em costurar vários elementos que  compõem o roteiro (de Jon e Erich Hoeber), mas que parte de uma premissa simples: deter a ameaça. Com reviravoltas e cenas mirabolantes, o filme consegue entreter a plateia, especialmente com as doses de humor de Sarah, que nunca foi agente, mas que tem uma tática peculiar de conseguir o que quer (para desespero do maridão). O fato é que assistindo esse manifesto cinematográfico de que os-mais-experientes-ainda-batem-um-bolão, nos damos conta do quanto os personagens já nos parecem velhos (com todo o respeito) conhecidos, fato esse que já garantiu um novo encontro com essa turma em RED 3!

REd 2 - Aposentados e Ainda Mais Perigosos (RED 2/EUA-2013) de Dean Parisot com Bruce Willis, John Malkovich, Mary Louise Parker, Helen Mirren, Brian Cox, Byung-Hun Lee e Anthony Hopkins. ☻☻☻

sexta-feira, 14 de junho de 2019

PL►Y: Operação Red Sparrow

Jennifer e Joel: amantes na Guerra Fria. 

Depois de sofrer um bocado em Mãe! (2017), as coisas também não ficaram fáceis para Jennifer Lawrence neste Operação Red Sparrow. Aqui ela interpreta uma bailarina famosa que tem a perna quebrada em pleno palco. Depois ela sofre duas tentativas de estupro. É torturada e cortada várias vezes quando o filme está prestes a acabar, além de haver forte sugestão de incesto em torno de sua personagem. Vá entender qual era o objetivo disso tudo ao se assistir o filme que retoma a parceria da atriz com Francis Lawrence, diretor dos três últimos episódios da franquia Jogos Vorazes. O resultado não empolgou muito o público ou a crítica, mas o problema talvez esteja no roteiro, que mistura toneladas de clichês sobre filmes de espiões, sobretudo os que se bebem no clima da Guerra Fria. Jennifer vive Dominika Egorova, a primeira bailarina do balé de Bolshoi que perde o posto e a estabilidade depois de uma acidente terrível. Com dificuldades para manter as despesas e os cuidados com a mãe doente (Joely Richardson), ela aceita a ajuda de um tio (Matthias Schoenaerts) que sugere o nome da moça para um programa de treinamento secreto de espiões chamados Sparrow. No treinamento ela aprenderá a usar a sedução como arma, irá aprender a se despir da moral e dos pudores que lhes foram ensinados e servir aos interesses do governo da Rússia. A ideia não é nenhuma novidade em filmes do gênero e aqui não existe nenhuma sutileza nas insinuações sobre sexo e nudez ao longo da história. Esta forma fria de lidar com estes aspectos caem como uma luva na atuação de Jennifer, que está sempre gélida e distante a maior parte do tempo. A intenção funciona na maioria das vezes, principalmente quando ela se envolve em um jogo ambíguo em que ninguém faz a mínima ideia de onde ela quer chegar, mas em alguns momentos, priva a atriz de ampliar as camadas de Dominika, especialmente quando ela se envolve com o agente americano Nate Nash (Joel Edgerton) que não resiste aos seus encantos, nem que isso lhe renda uma das cenas de tortura mais agonizantes da história do cinema. Baseado no livro de Jason Matthews, o roteiro assinado por Justin Haythe se ampara em guardar segredos do espectador até o desfecho, mas bem que poderia ter caprichado mais nos diálogos que estão longe de ser originais. Operação Red Sparrow é basicamente uma colagem de vários filmes do gênero que serve para passar o tempo embalado por protagonistas e coadjuvantes de luxo. 

Operação Red Sparrow (Red Sparrow / EUA - 2018) de Francis Lawrence com Jennifer Lawrence, Joel Edgerton, Matthias Schoenaerts, Charlotte Rampling, Jeremy Irons, Ciarán Hinds, Mary-Louise Parker e Tekla Reuten. 

terça-feira, 30 de agosto de 2022

PL►Y: Adeus, Solo.

Red e Souleymane: crônica de uma morte anunciada. 

Ramin Bahrani concorreu ao Oscar ano passado por seu roteiro adaptado de O Tigre Branco (2021), antes ele já havia chamado atenção por fazer uma nova adaptação de Fahrenheit 451 (2018) para a HBO e por seu drama imobiliário 99 Casas (2014). No entanto, ele chamou atenção da crítica com seu quarto longa metragem que figurou entre os dez melhores filmes de 2008 na lista do conceituado Roger Ebert. Adeus, Solo é de fato um filme que emociona de forma diferente, além de apresentar temáticas que são recorrentes na obra de Bahrani. Nascido na Carolina do Norte, nos filmes de Bahrani as relações de poder estão sempre presentes, assim como um olhar especial na hora de subverter as expectativas do espectador quanto aos seus personagens, especialmente sobre aqueles que poderiam ser vistos como heróis. O Solo do título é um motorista de táxi (Souleymane Sy Savane) vindo da Nigéria, ele foi para os Estados Unidos atrás de uma vida melhor. Casado, com a esposa grávida e com uma filha, Solo é cheio de esperanças com o que a vida lhe reserva e, talvez por este motivo, fique tão instigado com um passageiro que entra em seu veículo e pede para que ele o leve em um lugar diferente numa data bastante específica: no alto de um conjunto de montanhas em que a corrente de vento é tão forte que a neve é capaz de subir ao invés de descer. Em tom de brincadeira, Solo indaga o passageiro o que ele irá fazer por lá e presume que o que aquele senhor fará não será nada divertido. Uma proximidade se estabelece aos poucos entre o motorista e aquele senhor taciturno chamado William (Red West), nascendo uma amizade um tanto acanhada pela preocupação existente. William não possui parentes próximos. Não gosta de falar de sua história e talvez a única pista que Solo encontre sobre seu passado esteja no cinema ao qual pede para ser levado com frequência. A história de vida de William permanece em mistério e sempre que Solo tenta se aproximar um pouco mais é repreendido, com violência até. Enquanto o motorista enfrenta problemas em sua vida conjugal, ele ainda tenta fazer aquele senhor perceber que as situações ruins irão passar e resta apenas persistir para que tudo melhore. Existe um contraste interessante entre os dois personagens, valorizado ainda mais pelo rosto de pedra de Red West e todo o carisma irresistível de Souleymane. Este contraste valoriza o filme, mesmo que tenhamos a exata percepção de que o desfecho será imutável (e deixará um nó na garganta quando a frase do título estiver prestes a sair). Adeus, Solo pode ser um filme sobre desistência da vida, mas também sobre fraternidade, amizade e solidão (o nome Solo não está no título por acaso), mas é sobretudo uma obra bastante sensível que já sinalizava o talento que Bahrani possui para envolver o espectador nas emoções dos seus personagens. 

Adeus, Solo (Goodbye, Solo - EUA/2008) de Ramin Bahrani com Souleymane Sy Savane, Red West, Diana Franco Galindo, Carmen Leyva e Jim Babel. ☻☻☻

domingo, 16 de abril de 2023

PL►Y: Red Rocket

Suzanna e Simon: planos de retomar a carreira. 

De vez em quando o cinema autoral se volta para ídolos do universo pornô. Foi assim com Dirk Digler e seus colegas no clássico Boogie Nights (1997) e recentemente no pesadão Pleasure (2022). Particularmente, acho que se não tivesse assistido este último eu teria achado mais graça de Red Rocket, último filme de Sean Baker. Já é público e notório que Baker gosta de desviar sua câmera para personagens periféricos a cenários que habitam nosso imaginário, foi assim ao filmar Los Angeles (com um iPhone) e focar em protagonistas trans em Tangerine (2015) ou em contar uma história terna com crianças que moram ao lado da Disney (mas que nunca teriam dinheiro para visitar o parque mais famoso do mundo) em Projeto Flórida (2017). Agora ele nos apresenta Mikey (Simon Rex), um astro pornô que caiu em decadência e acaba de voltar para casa, ou melhor, para a casa da ex-mulher, também ex-pornstar, Lexi (Bree Elrod). Como a grana anda curta, a mãe dela divide o teto com ela faz tempo. Mikey logo percebe que a vida não será fácil, como emprego anda difícil e ele é sempre cobrado a trazer algum dinheiro para casa, ele começa a se arriscar em atividades ilegais. A vida dele parece mudar mesmo quando conhece Strawberry (Suzanna Son), uma adolescente que trabalha em uma loja de donuts. Ele acredita que é capaz de convencê-la a fazer filmes eróticos com ele e, com isso, ter um retorno triunfal na indústria pornográfica. Com essa premissa, Red Rocket mistura drama e comédia, principalmente por conta do jeito atrapalhado de seu protagonista vivido com gosto por Simon Rex. Rex foi um ícone da MTV americana, se tornou bastante popular e viu sua carreira minguar quando seu passado em filmes adultos comprometeram seus projetos futuros. Na pele de Mikey se torna até fácil simpatizar com ele, apesar de todas as suas canalhices, suas trapaças recebem tom cômico, assim como suas discussões, cenas de sexo e nudez. Não por acaso sua carismática desenvoltura lhe rendeu o prêmio de melhorador no Independente Spirit do ano passado e uma torcida (que não deu em nada) para que recebesse uma indicação ao Oscar (difícil a Academia comprar uma ideia feito a sinopse do filme). Logicamente que Baker constrói a história pelo gosto de ver a cara de pau do protagonista ser quebrada várias vezes, mesmo que paire sobre a trama a sombra dele poder ganhar a vida às custas de uma adolescente. Talvez por isso o final tenha me parecido um tanto abrupto, deixando as intenções do diretor (sejam elas quais forem) no meio do caminho. Este olhar bem humorado e um tanto desleixado sobre a decadência de um "Macho Alfa" pode ser visto no TelecinePlay. 

Red Rocket (EUA-2021) de Sean Baker com Simon Rex, Suzanna Son, Bree Elrod, Brenda Deiss, Judy Hill, Brittney Rodriguez e Marlon Lambert. ☻☻☻

domingo, 24 de setembro de 2017

MOMENTO ROB GORDON: Atores do Rock In Rio-2017

Alicia Keys: quatro filmes no currículo. 

No último dia do Rock in Rio - 2017 resolvi fazer uma lista dos músicos mais cinematográficos que passaram pelos sete dias de Festival. Estou falando de artistas que de vez em quando trabalham como atores em Hollywood - o que é cada vez mais comum. Como cabe apenas cinco na lista, a cantora Alicia Keys (que já fez quatro filmes) acabou ficando de fora na contagem dos critérios (um ponto por filme e 05 pontos por ser indicado ao Oscar e mais 10 se ganhou a cobiçada estatueta), mas como deixar essa diva de fora desta postagem? A seguir os outros cinco músicos que passaram pelo RIR deste ano e que querem um lugar ao sol de Hollywood:

#05 Adam Levine (Maroon 5)
Parece que entre um álbum e outro sobra tempo não apenas para fazer tatuagens, Levine já conta com seis filmes no currículo - embora em dois ele interprete a si mesmo. Adam obteve papel de destaque em Mesmo se  Nada der Certo/2013, onde interpreta um músico prestes a fazer sucesso. Elogiado pelo diretor do filme, ele ainda ajudou para que a música tema desse o que falar na comentada apresentação na cerimonia do Oscar de 2014 com a canção indicada Lost Stars (a minha indicada favorita daquele ano). Neste ano ele cava mais um cantinho em Hollywood com a comédia The Clapper de Dito Mantiel, onde atua ao lado de Ed Helms e Amanda Seyfried. 

#04 Jon Bon Jovi (Bon Jovi) 
O vocalista está aí para provar que o tempo passa para todo mundo, mas para alguns ele mantem a aura de galã. Não é todo mundo que costuma manter os fãs animados depois de quase quarenta anos de carreira. À frente da banda Bon Jovi, John Francis Bongiovi Jr ajudou a vender milhões de discos e manter no Brasil um dos seus maiores públicos. Não bastasse ter sido indicado ao Oscar de melhor canção original em 1991 (pela antológica Blaze of Glory do filme Jovens Demais Para Morrer/1990) ele também tentou emplacar como ator nos anos 1990, mas, atualmente, ele filma  só de vez em quando. Entre suas atuações mais famosas estão os trabalhos em Destination Anywhere (1997),  A Batalha do Atlântico (2000) e A Corrente do Bem (2000). 

#03 Flea (Red Hot Chilli Peppers)
Para o australiano Michael Peter Balzary, mais conhecido como o saltitante Flea, não basta ser o renomado baixista do Red Hot Chilli Peppers... ele também gosta de aparecer no cinema. Embora sempre seja convidado para pequenas participações (que comprovam seu carisma diante da câmera), Flea já participou de 25 filmes! Tendo trabalhado com diretores renomados como os irmãos Coen (O Grande Lebowski/1998), Robert Zemeckis (De Volta para o FuturoII e III) e Gus Van Sant (em Garotos de Programa/1991 e Psicose/1998), Terry Gillian (Medo e Delírio/1998) e emprestando a voz para várias animações (a última foi Divertida Mente/2016). Recentemente o ator deu as caras no sucesso Em Ritmo de Fuga/2017 onde interpretou um dos bandidos do filme. 

#02 Justin Timberlake
Todo mundo sabe que Justin quer o trono da música pop e, para isso, não bastou se livrar dos seus colegas do N'SYNC, ele começou a investir no cinema e ainda casou com uma atriz de Hollywood (Jessica Biel). Timberlake já soma 18 filmes no seu currículo e já convenceu que pode ser protagonista de vários gêneros (basta vê-lo em Amizade Colorida/2010 e O Preço do Amanhã/2011). Os grandes diretores geralmente lhe convidam para papeis coadjuvantes, caso de David Fincher (A Rede Social/2010) ou os irmãos Coen (Inside Llewyn Davis/2013), mas tudo pode mudar quando o mundo vê-lo ao lado de Kate Winslet no novo longa de Woody Allen (Wonder Wheel/2017). Vale lembrar que Timberlake abriu a cerimonia do Oscar este ano com sua música indicada ao prêmio de Melhor Canção: (o hit) Can't Stop the Feeling, canção tema da animação Trolls/2016.

#01 Jared Leto (30 Seconds to Mars)
Se você conhece os artistas que se apresentaram na edição do RIR deste ano e leu os critérios avaliativos no início deste post, você sabia que o Jared Leto estaria no topo da lista! Jared começou a carreira em produções para a televisão e já fez mais de 20 filmes (e já tem mais sete em produção) além de um Oscar de coadjuvante por seu trabalho em Clube de Compras Dallas (2013). Desde 1998, quando começou a tentar arrebentar as cordas vocais com a banda 30 Seconds To Mars, Jared passou a trabalhar menos como ator, no entanto, se tornou mais criterioso tendo verdadeiras pérolas no currículo - como os obrigatórios Clube da Luta (1999), Réquiem Para um Sonho (2000) e Sr. Ninguém (2009).  Com 46 anos (mas com aparência de 25), Jared ainda deve ser muito falado pela banda ou por seus filmes. 

sábado, 24 de junho de 2023

NªTV: Black Mirror - 6ª Temporada

 
Hartnett e Paul: nem tão Black Mirror assim. 

Consagrada como uma das séries mais geniais da última década, a quinta temporada de Black Mirror já deixava claro que seus melhores anos haviam ficado paras trás. Quatro anos depois, a sexta temporada se mostra melhor do que a anterior, mas com algumas surpresas que deixam o público com a pulga atrás da orelha. Esse texto é mais do que a tentativa de uma crítica, mas uma reflexão sobre o que o programa tem a nos oferecer em seus últimos cinco episódios. A série se consagrou ao contar histórias sombrias da interação entre o ser humano e a tecnologia, o que tornava o programa tão assustador era a sensação de que aquelas situações realmente poderiam acontecer em um futuro próximo, algo que gerou o bordão "isso é tão Black Mirror" quando algo semelhante ao que vimos na série acontecer na vida real (como a eleição de Trump ou as fake news ditando desavenças pelo mundo). Acontece que após o primeiro episódio da nova temporada, a série parece se voltar agora para o passado da tecnologia. Joan é Péssima abre a temporada com a história de uma mulher que vê sua vida se tornar série de um serviço de Streaming, a Streamberry (que faz questão de não disfarçar sua inspiração na Netflix). Ela não faz a mínima ideia de como seu dia se torna um episódio diário na plataforma e a coisa só complica quando liberdades narrativas tornam sua personalidade ainda mais desprezível. A ideia está bem sintonizada com o legado da série, especialmente quando envolve imagens geradas por inteligência artificial, direito de imagem e como as imagens passam a ditar nossa percepção da realidade. Embora o humor faça tudo ficar menos sombrio do que deveria, a crescente de absurdo deixa a sensação de que só este episódio já vale mais que a quinta temporada inteira. O segundo episódio, Loch Henry, conta a história de um casal de cineastas que (Samuel Blenkin e Myha'la Herrold) resolve visitar a cidade natal de um deles, mas se tinham uma ideia para uma produção, agora eles decidem investigar crimes escabrosos que aconteceram na região. O episódio nem tenta disfarçar uma crítica aos programas sobre criminosos que não se preocupam com as pessoas que sofreram pelo caminho. Soa como uma crítica até à Netflix (mais uma vez representada pela Streamberry), mas também à forma como consumimos essas produções além do hábito de filmar tudo em uma espécie de fetiche. Aqui o hábito não é representado pelo uso do celular, mas por fitas VHS que remontam nosso apego à tecnologia como uma extensão de nossa vida, especialmente da memória (ainda que apareça aqui de forma sórdida). O passado também é o foco do terceiro episódio, Beyond the Sea se passa em 1969 com dois astronautas (Aaron Paul e o sumido Josh Hartnett) estão no espaço e participam do experimento com uma nova tecnologia, que transfere a consciência de cada um deles para uma réplica que permanece com a família na Terra. No entanto, a humanidade estaria preparada para lidar com isso? Como é um episódio de Black Mirror, a resposta você já imagina. Se o personagem de Rory Culkin (esquisito mais uma vez) demonstra uma raiz anti-tecnológica, o foco recai mesmo sobre a guinada do episódio que se torna cada vez mais previsível. Os rumos dados à promissora premissa evidencia que Charles Brooker já está cansado do formato de seu programa. Eis que então surgem os dois episódios finais inspirados em filmes de terror. Mazey Day mostra uma celebridade que cresceu perseguida por paparazzis. A guinada do episódio pode ser interpretada como alguém que se enfurece com a perseguição da mídia, dando rumos inusitados ao episódio mas nada que se compare ao último episódio. Apresentado pelo selo Red Mirror, Demônio 79 se torna um verdadeiro enigma para quem associa a série ao uso da tecnologia. O episódio apresenta uma assistente de vendas (Anjana Vasan) que passa a receber ordens de um demônio para evitar o apocalipse, assim, ela precisa assassinar três pessoas para evitar o fim do mundo. O episódio ganha toda uma estética dos anos 1970 e um tom que mistura comédia e terror que nos faz procurar o que tudo aquilo tem a ver com a série. Eu imaginei que fosse a ideia de uma tecnologia bem primitiva com aquele talismã registrando a missão realizada, mas tem uma relação com a abrangência que a mídia oferece à pessoas deploráveis (personificada por um político cheio de más intenções). O capítulo oferece até um vislumbre do clássico episódio Metal Head para ilustrar todo o mal que aquele sujeito representa. No entanto, o considerei totalmente deslocado, mas nos oferece o que podemos esperar da série daqui por diante: uma obra descaracterizada em sua proposta inicial. Não tenho problemas que Brooker tenha outras ideias a serem trabalhadas, mas se Black Mirror virar  Red Mirror, imagino que seria apenas a perda de uma obra original que não demonstra mais o fôlego que tinha antes. Talvez fosse mais fácil encontrar novos roteiristas para o programa. 

Black Mirror - 6ª Temporada (EUA - Reino Unido / 2023) de Charlie Brooker com Annie Murphy, Salma Hayek, Michael Cera, Samuel Blenkin, John Hannah, Aaron Paul, Josh Hartnett, Kate Mara, Rory Culkin, Zazie Beetz, Anjana Vasan e Paapa Essiedu.  

domingo, 12 de março de 2023

PALPITES OSCAR 2023

Os dez mais: Quem leva?

Peço desculpas aos fãs do blog, mas o mês teve tantos imprevistos que não foi possível escrever sobre os concorrentes ao Oscar da forma como eu gostaria. Faltaram os posts de melhor filme e melhor direção e, agora, em cima da hora, vou postar os meus tradicionais palpites sobre a cerimonia. Vou colocar a lista de todos os indicados e destacar quem eu acho que sairá premiado em cada categoria, cruzando os dedos para bater meu recorde de acertos. Seguem os indicados da noite de hoje e quem eu acho que sairá premiado (embora nas categorias de atuação o páreo esteja duro entre atores e atrizes):

MELHOR FILME
Avatar: O Caminho da Água
Entre Mulheres

MELHOR DIREÇÃO
Martin McDonagh (Os Banshees de Inisherin)
Steven Spielberg (Os Fabelmans)
Todd Field (Tár)
Ruben Östlund (Triângulo da Tristeza)

MELHOR ATOR
Austin Butler (Elvis)
Colin Farrell (Os Banshees de Inisherin)
Brendan Fraser (A Baleia)
Paul Mescal (Aftersun)
Bill Nighy (Living)

MELHOR ATRIZ
Cate Blanchett (Tár)
Ana de Armas (Blonde)
Andrea Riseborough (To Leslie)
Michelle Williams (Os Fabelmans)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Brendan Gleeson (Os Banshees de Inisherin)
Brian Tyree Henry (Passagem)
Judd Hirsch (Os Fabelmans)
Berry Keoghan (Os Banshees de Inisherin)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Hong Chau (A Baleia)

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Living
Entre Mulheres

MELHOR FOTOGRAFIA
Bardo: Falsa Crônica de Algumas Verdades
Império da Luz

MELHOR TRILHA SONORA
Babilônia

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
"Applause" (de Tell it Like a Woman)
"Hold My Hand" (de Top Gun: Maverick)
"Naatu Naatu" (de RRR)
"This is a Life" (de Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo)

MELHOR EDIÇÃO

MELHOR FIGURINO
Babilônia
Sra. Harris Vai a Paris

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO
Avatar: O Caminho da Água
Babilônia

MELHOR CABELO & MAQUIAGEM

MELHOR SOM
Avatar: O Caminho da Água

MELHORES EFEITOS VISUAIS
Avatar: O Caminho da Água

MELHOR ANIMAÇÃO EM LONGA METRAGEM
Marcel the Shell with Shoes On
Gato de Botas 2: O Último Pedido
A Fera do Mar

MELHOR ANIMAÇÃO EM CURTA METRAGEM
The Boy, the Mole, the Fox and the Horse
The Flying Sailor
Ice Merchants
My Year of Dicks
An Ostrich Told Me the World is Fake and I Think I Believe It

MELHOR CURTA METRAGEM EM LIVE-ACTION
An Irish Goodbye
Ivalu
Le Pupille
Night Ride
The Red Suitcase

MELHOR FILME INTERNACIONAL
Nada de Novo no Front (Alemanha)
Close (Bélgica)
EO (Polônia)
The Quiet Girl (Irlanda)

MELHOR DOCUMENTÁRIO EM LONGA METRAGEM
All That Breathes
All The Beauty and the Bloodshed
Fire of Love
A House Made of Splinters
Navalny

MELHOR DOCUMENTÁRIO EM CURTA METRAGEM
The Elephant Whisperers
Haulout
How do You Measure a Year?
The Martha Mitchell Effect
Stranger at the Gate

domingo, 7 de setembro de 2014

DVD: Kick Ass 2

Coronel, Hit Girl, Kick e Motherfucker: menos fôlego que o anterior. 

Sequências são sempre complicadas, a de Kick-Ass parece ter sido mais ainda. Quando os quadrinhos de Mark Millar ganharam vida pelas mãos de Matthew Vaughn (2010) dividiu opiniões com seu humor regado à violência dos adolescentes no combate ao crime. Cenas de violência crua se fundiam à estética atraente criada para a sessão. A bilheteria em solo americano não chegou a chamar atenção, mas a presença do filme em várias listas de melhores do ano, além de ter aparecido entre indicados a premiações importantes, deram ao longa uma aura cult irresistível. No entanto a Universal relutou um bocado em dar sinal verde para a continuação. Tanto que Kick-Ass 2 chegou às telas somente três anos depois. Nesse meio tempo, seus astros Chloë Grace Moretz e Aaron Taylor-Johnson se tornaram requisitados para várias produções de Holywood enquanto distanciavam-se ainda mais da idade dos personagens. Quando o filme estreou todo mundo sabia o que lhes esperava, no entanto, a direção esperta de Matthew Vaughn fez falta na costura das cenas. Kick-Ass 2 está longe de ter a inventividade, fluência e graça do primeiro filme, já que o diretor Jeff Wadlow (que não fizera nada de relevante até aqui) torna as cenas de ação em grande bagunça e os personagens ficam menos interessantes. Kick-Ass (Aaron) não tem muito o que fazer em cena além de tentar convencer Hit Girl (Chloë) a se juntar a um grupo de heróis urbanos mascarados esquisitos - com discursos tão estranhos quanto seus nomes: Dr. Gravidade (Donald Faison), Vadia da Noite (Lindy Booth), Homem-Inseto (Robert Emm), Tommy's Parents (Monica Dolan e Steven Mackintosh) e Coronel (Jim Carrey, numa paródia do psicótico Comediante de Watchmen)... afinal, Hit Girl depois da morte do pai, mora com um policial bem intencionado (Morris Chestnut) que lhe pede para deixar a carreira de justiceira para trás. O problema é que na pele da inofensiva Mindy, a heroína passa maus bocados com as garotas mais populares da escola. Essa parte escolar do filme é tratada da forma mais insípida possível, deixando mais destaque para o retorno do riquinho Chris D'Amico (Christopher Mintz-Plasse), deixando o codinome Red Misty para trás e virando o supervilão Motherfucker, que recruta uma legião de seguidores maldosos para se vingar dos heróis - com destaque para a parruda Mãe Rússia (Olga Kurkulina). Ainda que funcione como passatempo, as cenas de ação são menos elaboradas que as vistas na primeira aventura dos personagens, da mesma forma, o filme carece de um ápice tão dramático quanto a que vimos anteriormente - embora aqui envolva o pai de um personagem como no anterior. O filme termina de forma irregular, sendo salvo da bobagem absoluta apenas pelo seu trio de jovens astros em ascensão, no entanto, o roteiro lhes reserva muito pouco para fazer nessa aventura, ou talvez, o diretor que não soubesse muito bem o que fazer com os personagens que tinha em mãos. Sem uma "causa" a defender (um retrato realista dos heróis em choque com o mundo real) o filme não empolgou nas bilheterias (a bilheteria americana mal rendeu lucro) e a terceira aventura de Kick-Ass nas telas ficou comprometida, enquanto Jeff Wadlow já tem seu próximo projeto agendado: o X-Force da Marvel previsto para 2016. 

Kick Ass 2 (EUA-2013) de Jeff Wadlow com Aaron Taylor-Johsons, Chloë Grace-Moretz, Christopher Mintz-Plasse, Jim Carrey, John Leguizamo e Olga Kurkulina. ☻☻☻

segunda-feira, 12 de dezembro de 2022

GLOBO DE OURO 2023

Depois de um ano complicado, o Globo de Ouro finalmente realizou as mudanças que havia proposto para si em nome do prestígio que ainda tinha. O resultado é o retorno para a exibição na televisão e a melhor lista de indicados em muito tempo. Obviamente que alguns queridos da temporada ficaram de fora (como Till e Entre Mulheres), mas confesso que fiquei muito feliz com a lembrança de Carolina  e  Ciao Papa entre as canções. Nas categorias televisivas, Ruptura tem minha torcida em todas as categorias e adoraria ver Aubrey Plaza premiada por seu trabalho na segunda temporada de White Lotus (que terminou ontem na HBO e já estou devendo a crítica).  A seguir todos os indicados, façam as suas apostas: 
Banshees of Inisherin: o mais lembrado com oito indicações. 

                                                 CATEGORIAS DE CINEMA

MELHOR FILME – DRAMA
"Avatar: O caminho da água"
"Os Fabelmans"
"Tár"
"Top Gun: Maverick"

MELHOR FILME - COMÉDIA/MUSICAL
"Babilônia"
"Os Banshees de Inisherin"
"Glass Onion: Um Mistério Knives Out"
"Triângulo da tristeza"

 MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO
"Inu-Oh"
"Marcel the Shell with Shoes On"
"Gato de Botas 2: O Último Pedido"
"Red: Crescer é uma Fera"

MELHOR DIRETOR
James Cameron - "Avatar: O caminho da água"
Martin McDonagh, "Os Banshees de Inisherin"
Steven Spielberg - "Os Fabelmans"

MELHOR ROTEIRO
Todd Field, "Tár"
Tony Kushner & Steven Spielberg, "Os Fabelmans"
Martin McDonagh, "Os Banshees de Inisherin"
Sarah Polley, "Entre mulheres

ATOR EM FILME - COMÉDIA/MUSICAL
Diego Calva, "Babilônia"
Daniel Craig, "Glass Onion: Um Mistério Knives Out"
Adam Driver, "Ruído branco"
Colin Farrell, "Os Banshees de Inisherin"
Ralph Fiennes, "O Menu"

ATOR EM FILME – DRAMA
Brendan Fraser - "The Whale"
Hugh Jackman - "The son"
Bill Nighy - "Living"
Jeremy Pope - "The inspection"

MELHOR ATRIZ EM FILME – DRAMA
Cate Blanchett - "Tár"
Olivia Colman - "Império da luz"
Viola Davis - "A mulher rei"
Michelle Williams - "Os Fabelmans"

MELHOR ATRIZ EM FILME - COMÉDIA/MUSICAL
Margot Robbie - "Babilônia"
Anya Taylor-Joy - "O Menu"
Lesley Manville - "Sra. Harris vai a Paris"

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM FILME
Angela Bassett, ""Pantera Negra: Wakanda para sempre""
Kerry Condon, "Os Banshees de Inisherin"
Dolly De Leon, "Triângulo da tristeza"
Carey Mulligan - "Ela disse"

MELHOR ATOR COADJUVANTE EM FILME
Brendan Gleeson, "Os Banshees de Inisherin"
Barry Keoghan, "Os Banshees de Inisherin"
Brad Pitt, "Babilônia"

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
"RRR" (India)
"Close" (Bélgica)
"Decision to leave" (Coreia do Sul)

MELHOR TRILHA ORIGINAL EM FILME
Hildur Guðnadóttir, "Entre mulheres"
Justin Hurwitz, "Babilônia"
John Williams, "Os Fabelmans"
Carter Burwell, "Os Banshees de Inisherin"

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL EM FILME
"Hold My Hand" ("Top Gun: Maverick")
"Lift Me Up" ("Pantera Negra: Wakanda para sempre")
"Naatu Naatu" ("RRR")

Ruptura: eu na torcida!

CATEGORIAS DE TV

MELHOR SÉRIE DE TV - DRAMA
"Better Call Saul"
"The Crown"
"A Casa do Dragão"
"Ozark"

MELHOR ATOR EM SÉRIE DE TV - DRAMA
Jeff Bridges, "The Old Man"
Kevin Costner, "Yellowstone"
Diego Luna, "Andor"
Bob Odenkirk, "Better Call Saul"

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE TV - DRAMA
Emma D'arcy – 'A casa do dragão"
Laura Linney – "Ozark"
Imelda Staunton – "The Crown"
Hilary Swank – "Alasca: Em Busca da Notícia"
Zendaya – "Euphoria"

SÉRIE LIMITADA, SÉRIE ANTOLÓGICA OU TELEFILME
"Black Bird"
"Dahmer: Um Canibal Americano"
"Pam & Tommy"
"The Dropout"
"The White Lotus: Sicily"

ATOR EM SÉRIE LIMITADA, SÉRIE ANTOLÓGICA OU TELEFILME
Taron Egerton - "Black Bird"
Colin Firth - "A Escada"
Andrew Garfield - "Em nome do céu"
Evan Peters - "Dahmer: Um Canibal Americano"
Sebastian Stan - "Pam & Tommy"

ATRIZ EM SÉRIE LIMITADA, SÉRIE ANTOLÓGICA OU TELEFILME
Jessica Chastain - "George and Tammy"
Julia Garner - "Inventando Anna"
Lily James, - "Pam & Tommy"
Julia Roberts - "Gaslit"
Amanda Seyfried - "The Dropout"

ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE LIMITADA, SÉRIE ANTOLÓGICA OU TELEFILME
Jennifer Coolidge - "The White Lotus"
Claire Danes - " A Nova Vida de Toby"
Daisy Edgar-Jones - "Em nome do céu"
Niecy Nash-Betts - "Dahmer: Um Canibal Americano"
Aubrey Plaza - "The White Lotus"

ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE LIMITADA, SÉRIE ANTOLÓGICA OU TELEFILME
F. Murray Abraham - "The White Lotus"
Domhnall Gleeson - "O paciente"
Paul Walter Hauser - "Black Bird"
Richard Jenkins - "Dahmer: Um Canibal Americano"
Seth Rogen - "Pam & Tommy"

MELHOR SÉRIE DE TV - COMÉDIA/MUSICAL
"Abbott Elementary"
"O Urso"
"Hacks"
"Only Murders in the Building"

ATOR EM SÉRIE DE TV - COMÉDIA/MUSICAL
Donald Glover - "Atlanta"
Steve Martin - "Only Murders in the Building"
Martin Short - "Only Murders in the Building"
Jeremy Allen White - "O Urso"

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE TV - COMÉDIA/MUSICAL
Quinta Brunson - "Abbott Elementary"
Kaley Cuoco - "The Flight Attendant"
Selena Gomez - "Only Murders in the Building"
Jean Smart - "Hacks"

MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE DE COMÉDIA-MUSICAL OU DRAMA
John Lithgow - "The Old Man"
Jonathan Pryce - "The Crown"
Tyler James Williams - "Abbott Elementary"

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE DE COMÉDIA-MUSICAL OU DRAMA
Elizabeth Debicki - "The Crown"
Hannah Einbinder - "Hacks"
Julia Garner - "Ozark"
Janelle James - "Abbott Elementary"
Sheryl Lee Ralph - "Abbott Elementary"

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

DVD: Kick-Ass

 Johnson, Moretz, Cage e Plasse: O heroísmo segundo Mathew Vaughn

Se neste ano Nicolas Cage errou feio em Aprendiz de Feiticeiro ele conseguiu um acerto, a adaptação de Matthew Vaughn para a HQ Kick-Ass. Está certo que ele é coadjuvante na trama, mas sua participação consegue imprimir ao personagem um misto de heroísmo e insanidade que lhe caem muito bem. Kick-Ass parece um filhote de Watchmen, uma releitura teen de heróis em contato com o mundo real. Vaughn ousa não ter pudores em colocar adolescentes em situações violência buscando um equilíbrio perigoso entre padecer do próprio alvo de sua crítica. Sorte que Vaughn é esperto. O filme não foi bem na bilheteria americana, mas quem se importa? Trata-se de um dos filmes mais espertos desse ano e que se a Academia não fosse tão conservadora poderia colocá-lo entre os indicados ao Oscar em algumas categorias. O filme acompanha as desventuras do adolescente nerd (Aaron Johnson) que resolve se vestir de super-herói e combater o crime. Obviamente que num filme que se pretende realista ele se torna um verdadeiro saco de pancada dos marginais de toda a espécie. Paralelo à essa trama conhecemos uma garotinha, que foi treinada desde cedo para ser uma verdadeira máquina mortífera - para vingar a morte de sua mãe. Chamada Hit Girl (a ótima Chloe Moretz), ela foi treinada pelo seu pai Big Daddy (Cage) para se tornar uma heroína eles logo se juntam ao espancado Kick Ass mais para protegê-lo do que por necessidade, logo os destinos de ambos irão se cruzar com o grande vilão da cidade (o vilão do momento Mark Strong) e seu filho, o alter-ego do misterioso Red Mist (o muito bom Christopher Mintz-Plasse). Apesar de alguns exageros o filme consegue ser divertido e ainda trazer referências do mundo das HQs, pode não agradar todo mundo – vi o filme no cinema e vi que muita gente ficou surpresa com o que estava na tela. Longe de ser bobo (apesar de seu início querer dizer o contrário) o filme descasca nosso culto aos heróis sem ingenuidade. Mas se algo incomoda, a pequena Chloe Moretz tem a tarefa de nos fazer esquecer as imperfeições e aproveitar a sessão com sua espada que corta vilões como se fossem de manteiga - o filme é literalmente dela – afinal, trata-se do filme de herói que Vaughn queria fazer desde que produzia os filmes de Guy Ritchie: violento, moderninho e de sorriso nervoso estampado por debaixo da máscara. Veremos se ele repetirá o estilo em X-Men First Class.

Kick Ass – Quebrando Tudo (Kick Ass/ EUA-Inglaterra, 2010) de Matthew Vaughn com Aaron Johnson, Chloe Moretz, Mark Strong e Christopher Mintz-Plasse. ☻☻☻☻

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

LADIES & GENTLEMEN: Michael Shannon

Nascido Michael Corbett Shannon no estado de Kentucky (EUA) em 1974, o pequeno Michael teve que dividir sua vida entre sua cidade natal, Ilinois e Chicago após o divórcio de seus pais. Ele começou a carreira de ator protagonizando um clipe da banda de Every Mother's Nightmare chamado "House of Pain" de 1993. No video, o ator vivia um jovem que fugia de uma vida cheia de abusos. Curiosamente nascia ali um tipo que encarnaria nos papéis mais importantes de sua carreira: o problemático. Neste mesmo ano teve o seu primeiro papel (pequeno) no cinema no filme Feitiço do Tempo ao lado de Bill Murray preso no dia da marmota. No teatro as coisas eram melhores. Foi na década de 1990 que Shannon se tornou um dos fundadores da companhia  Red Orchid, com a qual começou a chamar cada vez mais atenção. No cinema teve que se contentar com papéis pequenos em filmes como o fracasso Reação em Cadeia (1996) e Hellcab (1998). A coisa começou a melhorar quando o filme de pequenas histórias Jesus' Son (1999) chamou a atenção da crítica - entrando em algumas listas de melhores daquele ano. A trama era baseada nos contos de Dennis Johnson e foi premiado em Veneza com o Leão de Ouro e o Prêmio Ecumênico. Em meio a nomes como Holly Hunter, Samantha Morton, Dennis Hooper e Jack Black, Shannon o destaque para que os produtores o colocassem em filmes de maior repercussão como Tigerland (2000) e a comédia Cecil Bem Demente (2000). Enquanto a carreira no teatro ia bem, chovia papéis de coadjuvante em filmes de grande apelo na mídia - como Pearl Harbour (2001), Vanilla Sky (2001) e 8 Mile (2002). Mesmo com os trabalhos como ator, o cara arranjou tempo de montar uma banda, a Corporal - e ainda ser o vilão do bobinho Kangaroo Jack (2003). Quando apareceu nos cinemas em Bad Boys II (2003), o ator estava prestes a encarnar um dos seus personagens mais marcantes na peça Bug (2004) - a perturbadora obra de Tracy Letts. A atuação de Michael Shannon era tão perturbadora como Peter Evans que quando William Friedkin (de O Exorcista/1973) resolveu filmá-la não imaginou outro ator na pele do homem que acredita ter participado de estranhas experiências militares com insetos. Lançado em 2006, o filme não fez o sucesso esperado, afinal, se tratava de um filme de terror desagradável de se ver. Para piorar o filme recebeu por aqui o nome enganoso de Possuídos... mas o público não estava preparado para acompanhar a deterioração física e mental dos personagens vividos por Shannon e Ashley Judd. Em 2006 o ator ainda conseguiu papéis importantes nos filmes de Oliver Stone (As Torres Gêmeas) e encarnou um homem que acreditava na supremacia da raça branca em Let's go to Prison. No ano seguinte Hollywood lhe reservou papéis em Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto, o último e aclamado filme de Sidney Lumet (pelo qual recebeu o prêmio Gotham de Melhor Elenco), o micado último filme de Curtis Hanson (Lucky You) e a participação no primeiro filme do cineasta Jeff Nichols (Shotgun Stories). Aos poucos, Shannon foi conquistando mais espaço com seus tipos estranhos. Só faltava o papel certo para que seu talento ganhasse projeção. Esse papel veio pelas mãos de Sam Mendes em Foi Apenas um Sonho (2008). No filme, Shannon interpretava um homem considerado louco que gosta de dizer umas verdades inconvenientes ao casal de vizinhos - vivido por Leonardo DiCaprio e Kate Winslet. Pela atuação intensa, Shannon foi indicado a vários prêmios de coadjuvante, inclusive o Oscar. Depois da indicação foi o protagonista do indepentende Pessoas Desaparecidas (2009) e firmou parceria com o renomado diretor Werner Herzog  no remake de Vício Frenético (2009) e My Son, What Have you Done? (2009). Ainda que em 2010 tenha participado da aguardada (e fracassada) versão da HQ Jonah Hex e da biografia da banda The Runnaways (numa atuação curiosa como o lendário produtor Kim Fowley), foi na TV que Shannon encontrou seu melhor papel daquele ano. Na série Boardwalk Empire, produzida por Martin Scorsese, Shannon interpreta um agente federal protestante que não hesita em utilizar a violência para servir a lei. Com as gravações da série, o ator ainda encontrou tempo de gravar um CD com sua banda (lançado em 2010), participar do filme menos badalado de Marc Foster (Redenção/2011) além de dois longas exibidos no festival de Cannes. Um deles foi o drama criminal O Retorno (ainda inédito por aqui) e o outro o colocaria no rumo das premiações mais uma vez. O Abrigo é sua segunda parceria com Mike Nichols e lhe valeu vários prêmios da crítica (Nova York, Chicago, Ohio, Toronto, San Diego) e indicações. O Oscar acabou deixando o cara de fora, mas a atuação de Shannon como um misto de louco e profeta foi uma das mais marcantes do ano passado. A parceria com Nichols funciona tão bem que Shannon já está no novo filme dele, "Mud", exibido em Cannes2012 e que já é cotado como um dos favoritos aos prêmios do ano. O ator ainda vai aparece nas telas ao lado do ciclista vivido por Joseph Gordon Lewitt e - se você ainda não se convenceu que o cara é bom - espere até vê-lo no thriller Iceman ao lado de Winona Ryder e Benicio Del Toro ou na sua aguardada versão do General Zod para o novo filme do Superman dirigido por Zack Snyder. Michael Shannon ainda vai estar entre os seus atores favoritos. 

Shannon em Possuídos: dos palcos para a tela.